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Semântica formal (lógica)

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Na lógica, semântica formal ou lógica semântica,[1][2][3] é o estudo da semântica ou interpretações (idealizações) de linguagens naturais e formais, geralmente tentando captar a noção pré-teórica de implicação (ou consequência lógica). (Apesar de ambos linguística e lógica reividicarem o fornecimento de teorias na linguagem natural, de acordo com Geach, a lógica normalmente ignora o "idiotismo do idioma", e vê as linguagens naturais como idiomas confusos de interesses não-lógicos.)[4]

Uma linguagem formal pode ser definida longe de qualquer interpretação disso. Isso é feito por uma designação de um conjunto de símbolos (também chamados de alfabeto) e um conjunto de regras de formação (também denominadas de gramática formal) que determinam quais cadeias de caracteres de símbolos são fórmulas bem formadas. Quando as regras de transformação (também denominadas regras da inferência) são adicionadas, e certas sentenças são aceitas como axiomas (juntos são chamados um sistema dedutivo ou um aparato dedutivo) um sistema lógico é formado. Uma interpretação de uma linguagem formal é (grosseiramente falando) uma atribuição de significados à seus símbolos e condições-verdade (valores-verdade) às suas sentenças.[5]

Os valores-verdade de várias sentenças das quais podemos encontrar em argumentos irão depender de seus significados, e, assim, lógicos conscientes não podem evitar completamente a necessidade de dar algum tratamento ao significado dessas sentenças. A semântica da lógica refere-se às abordagens que lógicos introduziram para compreender e determinar a parte do significado em que eles estão interessados; o lógico tradicionalmente não está interessado na sentença como proferida, mas na proposição, uma sentença idealizada adequadamente para manipulação lógica.[carece de fontes?]

Até o advento da lógica moderna, o Organon, de Aristóteles , particularmente Da Interpretação, forneceu a base para a compreensão da importância da lógica. A introdução de quantificação, necessária para resolver o problema da generalidade múltipla, tornou impossível a análise do tipo sujeito-predicado que tomou conta da explicação de Aristóteles, embora haja um interesse renovado em Lógica Aristotélica, tentando encontrar cálculos no espírito da silogística de Aristóteles, porém com a generalidade da lógica moderna baseada em quantificadores.

As principais abordagens modernas para a semântica de linguagens formais são as seguintes:

  • Valores-verdade semânticos (também comumente denominados de quantificação substitucional) foi defendida por Ruth Barcan Marcus para lógicas modais no início da década de 1960, e posteriormente defendido por Dunn, Belnap, e Leblanc para a lógica de primeira ordem padrão. James Garson conseguiu alguns resultados nas áreas de adequação para lógica modal equipada como uma semântica. Os valores-verdade para fórmulas quantificadas são dadas exclusivamente em termos de verdade sem apelar para domínios de qualquer natureza (e por isso seu nome valor-verdade semântico).

Aplicações em Linguística natural

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Além de sua importância para linguagens formais, a semântica formal também é empregada na análise de línguas naturais. Essa abordagem utiliza modelos formais, como operadores de pluralidade, teoria de eventos e condições de verdade, para descrever e comparar fenômenos semânticos entre diferentes línguas.

Pesquisas aplicadas à linguística indígena brasileira têm demonstrado a utilidade desse enquadramento teórico. Sánchez-Mendes (2021) analisa a pluracionalidade verbal na língua Karitiana (família Tupi), modelando formalmente operadores ligados à pluralidade de eventos com base em julgamentos de valor-de-verdade obtidos em elicitação de campo.[6]

A autora também discute a distinção entre nomes contáveis e massivos em Wapichana (Arawak) e Terena (Aruák), argumentando que esses sistemas nominais apresentam propriedades que podem desafiar certas pressuposições generalizadas na literatura semântica sobre quantificação e individuação.[7]

O emprego de métodos formais em línguas tipologicamente diversas segue contribuindo para ampliar a base empírica da semântica formal, permitindo o refinamento de modelos teóricos e evidenciando variações que não são capturadas apenas por estudos de línguas amplamente documentadas.

  1. Winfried Nöth Handbook of semiotics p.103
  2. p.64
  3. pp.32-3
  4. Mieszko Talasiewicz (2009). Philosophy of Syntax - Foundational Topics. [S.l.]: Springer. p. 12. ISBN 978-90-481-3287-4 
  5. The Cambridge Dictionary of Philosophy, Formal semantics
  6. SÁNCHEZ-MENDES, Luciana (2021). «Semantics and Indigenous Languages». Cadernos de Linguística. v. X, n. Y, pp. XX–XX. DOI: XXXX.
  7. idem.