Smara

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Saara OcidentalMarrocos
Smara

سمارة , as-Samārah

Es-Semara, Semara, Esmara

 
—  Município  —
Vista de Smara
Vista de Smara
Smara está localizado em: Saara Ocidental
Smara
Localização de Smara no Saara Ocidental
Coordenadas 26° 44' 22" N 11° 40' 13" O
Região Guelmim-Es Semara
Província Smara
Fundação Século XIX
Fundador Maa el-Ainin
Altitude 300 m (984 pés)
População (2004)[1] [2]
 - Total 33 910
 - Estimativa (2012) 49 652
Zoco semanal quinta-feira
Território do Saara Ocidental sob o controle de Marrocos

Smara, Semara ou Es-Semara (em espanhol: Esmara; em árabe: سمارة; transl.: as-Samārah) é uma cidade do Saara Ocidental administrada de facto por Marrocos, que a considera parte do seu território. É a capital da província marroquina de homónima, que faz parte da região de Guelmim-Es Semara. Em 2004 tinha 33 910 habitantes[1] e estimava-se que em 2012 tivesse 49 652 habitantes.[2]

Smara situa-se em pleno deserto do Saara, no vale de Saguia el Hamra, 225 km a leste de El Aaiún e 230 km a sul de Tan-Tan (distâncias por estrada). É a única cidade importante do Saara Ocidental que não foi fundada durante o período colonial espanhol.

Atualmente, a importância de Smara deve-se sobretudo às guarnições militares marroquinas e das forças de manutenção da paz das Nações Unidas e ao comércio, nomeadamente o zoco (mercado) semanal que se realiza todas as quintas-feiras. Os principais monumentos da cidade são a zaouïa (santuário), palácio e grande mesquita de Maa el-Ainin (ou Ma al-'Aynayn, Mohamad Mustafa Ould Sheikh Mohamad Fadel), o fundador da cidade, além da chamada mesquita velha e das muralhas.[3] [4] Nos arredores há diversos locais com pinturas rupestres: no oued Selouan (23 km), oued Aasli Boukerch (30 km), Amgala (80 km), oued Tazouwa (135 km) e oued Mirane (145 km). Nos três últimos sítios encontram-se também sepulturas pré-islâmicas.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Zaouïa de Maa el-Ainin
Interior da mesquita velha

Até ao final do século XIX Smara pouco mais era que um ponto de passagem, cruzamento e abastecimento de caravanas transarianas. A cidade foi fundada no final do século XIX pelo chamado "sultão azul", Maa el-Ainin, o xeque saaráui que combateu o colonialismo espanhol e francês. Apesar de se situar longe da costa, Smara era rica em pastagens e água e estava bem situada para controlar as caravanas, e passou a ser a capital de Maa el-Ainin, que ali construiu um ribat (fortaleza), um palácio e uma grande mesquita em Smara.

Maa el-Ainin combateu os ocupantes espanhóis a partir de 1898, com o apoio do sultão de Marrocos. Em 1902 transformou Smara na sua capital sagrada e tornou-a um centro religioso importante, dotando-a de uma biblioteca islâmica. Em 1904 Maa el-Ainin proclamou-se imã e declarou a jihad (guerra santa) contra o colonialismo francês. Em 1910 o sultão marroquino retira o seu apoio devido às pressões dos franceses e o xeque passa então a apoiar os combatentes antifranceses do sul de Marrocos. Em 1913, Smara é ocupada e quase completamente arrasada por tropas francesas, que devolvem a cidade a Espanha. A resistência continuou, mas foi diminuindo gradualmente até se extinguir em 1920.

Em 1958 Smara assistiu à operação aerotransportada Huracan, levada a cabo conjuntamente por tropas espanholas e francesas, com o objetivo de desalojar o Exército de Libertação de Marrocos do sul.[6] No mesmo ano, a Espanha cedeu a faixa de Tarfaya a Marrocos.

A Frente Polisário, que luta pela independência do Saara Ocidental, foi fundada em Smara em 10 de maio de 1973. As tropas marroquinas ocuparam a cidade a 27 de novembro de 1975, causando a fuga de inúmeros saaráuis para a Argélia, para escaparem às represálias dos marroquinos pelo seu apoio à Frente Polisário. A força aérea marroquina usou napalm, fósforo branco e bombas de fragmentação contra os refugiados, provocando centenas de mortos, que a Amnistia Internacional estima em 530.

Um dos campos de refugiados saaráuis da região argelina de Tindouf administrados pela chamada República Árabe Saaraui Democrática tem o nome de Smara.[7]

Em 2005 a cidade assistiu a fortes protestos contra a ocupação marroquina.

Clima[editar | editar código-fonte]

No inverno, os dias são quentes, com temperaturas máximas entre 23 e 34°C, e as noites temperadas, com mínimas entre os 14 e 21°C. No verão, as temperaturas máximas situam-se sempre acima dos 30°C, e frequentemente acima dos 40°C, chegando por vezes aos 50°C. A par de Marraquexe, Smara tem o recorde de temperatura máxima de cidades marroquinas, com 53°C. A média das temperaturas máximas do mês mais quente é 40°C e a média das temperaturas mínimas do mês mais frio é 17°C.

Na literatura[editar | editar código-fonte]

Smara deu nome a um livro do aventureiro francês Michel Vieuchange (1904-1930), que percorreu 1 400 km a pé disfarçado de mulher berbere desde Tiznit até Smara, onde chegou a 1 de novembro de 1930, onde contraiu uma disenteria que seria a causa da sua morte pouco depois em Agadir. O livro Chez les dissidents du sud marocain et du Rio de Oro; Smara ("Entre os dissidentes do sul marroquino e do Rio do Ouro; Smara) foi publicado postumamente em 1932 pelo irmão Jean Vieuchange, a partir dos sete blocos de notas e mais de 200 fotografias do irmão, e foi um sucesso de vendas.[8] Em 1987 foi publicada uma edição em inglês com o título Smara, The Forbidden City ("Smara, A Cidade Proibida").[9]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b "Recensement général de la population et de l'habitat 2004". www.hcp.ma (em francês). Royaume du Maroc - Haut-Comissariat au Plan. Consult. 26 de fevereiro de 2012. 
  2. a b "Sahara Occidental: Les villes les plus grandes avec des statistiques de la population". gazetteer.de (em francês). World Gazeteer. Consult. 26 de fevereiro de 2012. 
  3. Ellingham, Mark; McVeigh, Shaun; Jacobs, Daniel; Brown, Hamish. The Rough Guide to Morocco (em inglês). 7ª ed. Nova Iorque, Londres, Deli: Rough Guide, Penguin Books, 2004. 824 p. p. 651-652. ISBN 9-781843-533139
  4. Kjeilen, Tore. "Smara - Red and friendly". LookLex.com (Lexic Orient) (em inglês). Consult. 26 de fevereiro de 2012. 
  5. "Province d'Es-Smara". www.crt-guelmim.com (em francês). Conseil Regional de Tourisme Guelmim-Smara. Arquivado desde o original em 24 de outubro de 2010. Consult. 26 de fevereiro de 2012. 
  6. Baltzer, Jacques. (maio de 2011). "Les parachutistes de l'armée de l'air" (em francês). Revista Assaut (62): 82. ISSN 1777-2958.
  7. "Day 14: Tinfou to Tindouf". Sahara with Michael Palin (em inglês). Prominent Palin Productions Limited. 2002. Consult. 26 de fevereiro de 2012. 
  8. Vieuchange, Michel; Vieuchange, Jean. Chez les dissidents du sud marocain et du Rio de Oro; Smara (em francês). [S.l.]: Plon, 1932. 296 p. ISBN 9780880011464
  9. Vieuchange, Michel; Vieuchange, Jean. Smara, The Forbidden City (em inglês). [S.l.]: W. W. Norton, Ecco travels, 1987. 290 p. ISBN 9780880011464

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Smara
  • Wisner, Geoff (15 de janeiro de 2010). "Smara: The Forbidden City". wordswithoutborders.org (em inglês). Words Without Borders. Consult. 26 de fevereiro de 2012. 
  • Maoulainine, Naama. "Smara Paradise of Sahara". maoulainine.8m.com (em inglês). Maoulainine.8m.com. Consult. 26 de fevereiro de 2012. 
  • "Smara". touraumaroc.com (em francês). Touraumaroc.com. Consult. 26 de fevereiro de 2012. 
  • Moncelon, Jean. "Smara". www.moncelon.com (em francês). D'Orient & D'Occident. Consult. 26 de fevereiro de 2012.