Senaqueribe

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Senaqueribe
Nascimento 740 a.C.
Nimrud
Morte 681 a.C. (59 anos)
Nínive
Cidadania Assíria, Babilônia
Progenitores Pai:Sargão II da Assíria
Filho(s) Esarhaddon
Ocupação soberano
Título imperador
Causa da morte facada

Senaquerib ou Senaqueribe, cujo nome significa O deus da Lua Multiplicou os Seus Irmãos, foi rei da Assíria de 705 a 681 a.C. Ele é lembrado principalmente por suas campanhas militares contra Babilônia e Judá, além de seus programas de construção - mais notavelmente na capital da Assíria, em Nínive.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Subiu ao trono quando seu pai, Sargão II, foi morto, em 704 a.C. Em 701 a.C. invadiu o Reino de Judá, tendo tomado 46 cidades. O rei de Judá, Ezequias, enviou-lhe mensagem de submissão, acompanhada de valiosos presentes, mas o monarca assírio não se satisfez, exigindo a rendição de Jerusalém, o que foi recusado. O resto de seu reinado ele o passou em campanhas militares contra rebeldes no seu império, sendo assassinado em 681 a.C. por dois de seus filhos.

Senaqueribe nas fontes bíblicas[editar | editar código-fonte]

Nos livros de II Reis 18, II Crônicas 32 e do profeta Isaías 36, que compõem o Antigo Testamento bíblico são narradas histórias sobre a invasão da Assíria em Judá e Israel. Ezequias clamou a Deus para que protegesse o seu reino de seus adversários e recebeu a confirmação de livramento através do profeta Isaías .Assim, o exército dos assírios foi destruído (II Reis 19:35) e os hebreus foram salvos daquela invasão estrangeira que ameaçava destruir Jerusalém. "Sucedeu, naquela noite, que o anjo de Jeová passou a sair e a golpear cento e oitenta e cinco mil no acampamento dos assírios; Quando as pessoas se levantaram de manhã cedo, ora, eis que todos eles eram cadáveres." Então, Senaqueribe retornou a Nínive e, quando se encontrava no templo de seu deus Nisroque, seus filhos, Adrameleque e Sarezer, mataram-no com um golpe de espada, fugindo depois para a região do Ararate (Isaías 37.38)

Senaqueribe foi o pai de Assaradão, rei da Assíria entre 681 a.C. e 669 a.C..

Senaqueribe segundo Heródoto[editar | editar código-fonte]

Heródoto, ao escrever sobre a história do Egito, relata que um faraó pacifista foi poupado de ser invadido pela Assíria porque uma peste atacou o exército assírio.[2] Este relato é interpretado como sendo a versão egípcia do ataque de Senaqueribe a Judá, já que a região era passagem entre a Assíria e o Egito. [carece de fontes?]

A invasão de Judá[editar | editar código-fonte]

Enquanto a narrativa bíblica enfatiza a suspensão do cerco a Jerusalém como um triunfo, as fontes assírias e as descobertas arqueológicas retratam um outro cenário nada animador para os hebreus. O relato de Senaqueribe sobre sua campanha contra Judá é conciso e objetivo:

"Quanto a Ezequias, o judaico, ele não se submeteu ao meu jugo. Eu montei cerco em 46 de suas cidades fortificadas e em incontáveis pequenas aldeias; a tudo conquistei usando rampas de acesso que nos colocaram perto das muralhas (...). Eu expulsei 200.150 pessoas, jovens e velhos, homens e mulheres, cavalos, mulas, jumentos, camelos, gado grande e pequeno além da conta, e a tudo considerei como pilhagem de guerra. Ele mesmo eu o fiz prisioneiro em Jerusalém, na sua residência real, como um pássaro numa gaiola. (...) Suas cidades que eu saqueei, eu as tomei de seu país e as dei todas a Motinti, rei de Asdode, a Padi, rei de Eglon, e a Silibel, rei de Gaza. Dessa maneira, eu reduzi seu país, mas ainda aumentei meu tributo".

Mesmo que possa haver algum exagero no número apresentado pelo rei, as escavações arqueológicas demonstram que os assírios promoveram uma campanha sistemática de cerco e pilhagens, iniciada através das áreas agrícolas nos contrafortes do Sefelá, e depois em direção à região montanhosa, até alcançar a capital do reino, Jerusalém. Vestígios desenterrados pelos arqueólogos confirmam os sombrios relatos assírios como, por exemplo, na importante cidade judaica de Azeca, que foi tomada de assalto, pilhada e, em seguida, devastada. Pior para Ezequias foi a tomada de Laquis, situada na área agrícola mais fértil de Judá, de vital importância para a economia do reino. A cidade foi completamente destruída, após um cerco cujos detalhes estão ilustrados no grande relevo de parede encontrado no palácio de Senaqueribe, em Nínive. Escavações realizadas pelos britânicos, na década de 1930, e por pesquisadores israelenses, na década de 1970, revelaram a dramática batalha ali travada e os esforços desesperados dos defensores de Laquis para deter o feroz assalto assírio. Nas cavernas próximas à cidade, foram encontradas sepulturas coletivas com cerca de 1.500 corpos de homens, mulheres e crianças. Porém por incrível que pareça Jerusalém não foi invadida, relatos egípcios afirmam que os assírios perderam boa parte de seus soldados em uma tentativa de invadir a capital de Judá. A Estela de Senaqueribe nada relata os reais motivos pela não invasão da Capital, no entanto isso não é de se admirar, pois os reis da Antiguidade não costumavam relatar suas derrotas militares.

Duas testemunhas contemporâneas, os profetas Isaías e Miqueias descrevem os horrores que se abateram sobre o povo de várias cidades, atribuindo-os à punição divina:

"Nada digam em Gate, não chorem absolutamente; em Bet-Leafra, rolem no pó. Passem os habitantes de Safita em nudez e vergonha; os habitantes de Saanã de lá não sairão; o lamento de Bet-Esel será tirado dos que lá ficarão; os habitantes de Marot esperam pelo bem, porque o mal lhes foi enviado pelo Senhor" (Miqueias 1,10-11).

O sofrimento humano e as perdas materiais dos hebreus foram resultantes da decisão do rei Ezequias de se rebelar contra a Assíria, de quem Judá se tornara tributária desde a destruição do Reino de Israel. Ainda que Jerusalém não tenha caído, amplas regiões do reino foram devastadas, a valiosa terra agrícola de Sefelá foi entregue por Senaqueribe às cidades da Filisteia (Palestina), muitos hebreus foram aprisionados e deportados, e o tributo devido à Assíria tornou-se bem mais alto do que era pago antes da rebelião.

Ezequias recebera de seu antecessor um reino próspero. O que ele legou ao seu filho e sucessor, Manassés, diminuíra consideravelmente de tamanho e de poder. Foi um desastre do qual o Reino de Judá jamais se recuperou plenamente.

Referências

  1. McKenzie 1995, p. 786.
  2. História II,141


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Antecessor:
Sargão II
Rei da Assíria:
12 anos
Sucessor:
Assaradão
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