Sentimento antiocidental

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Samuel P. Huntington argumenta na teoria do Choque de Civilizações que após a Guerra Fria, as diferenças culturais entre o Ocidente e outras civilizações serão a principal fonte de conflitos.[1]

Sentimento antiocidental, também conhecido como antiatlanticismo refere-se a ampla oposição ou hostilidade para com o povo, a cultura, os valores, ou políticas do Mundo Ocidental. Em muitos casos, os Estados Unidos e o Reino Unido são objeto de discussão ou de hostilidade, embora para a maior parte, historicamente, ele foi alimentado pelo anti colonialismo e anti-imperialismo. O sentimento antiocidental ocorre em muitos países, até mesmo no próprio Ocidente – especialmente nos países Europeus. Um amplo sentimento antiocidental também existe no mundo Muçulmano contra os Europeus. Outro fator é o apoio em curso por parte de alguns governos Ocidentais —especialmente os Estados Unidos— por Israel.

Após o fim da Guerra Fria, Samuel P. Huntington, argumentou que o conflito internacional em relação a ideologia econômica será substituído pelo conflito em relação as diferenças culturais. Ele argumenta que o regionalismo político e econômico irá cada vez mais deslocar países não-Ocidentais no sentido de engajamento geopolítico com os países que compartilham seus valores. Huntington defende que o mundo Islâmico está enfrentando uma explosão demográfica e, ao mesmo tempo, um crescimento no fanatismo Islâmico, levando à rejeição da Ocidentalização.

Europa[editar | editar código-fonte]

Nas escolas do ensino secundário de Amesterdão, cerca de metade dos alunos da Moroccan não se identificam com os Países Baixos: eles veem a sua identidade como "muçulmana", e expressam regularmente pontos de vista antiocidentais, mas, no entanto, não querem retornar à sua pátria ancestral.[2]

Oriente Médio[editar | editar código-fonte]

Multi-organizações nacionais[editar | editar código-fonte]

A organização Al-Qaeda e a organização ISIS são antiocidentais.[3]

Turquia[editar | editar código-fonte]

Durante o período Otomano da Turquia uma tradição de ideias antiocidentais começaram a se desenvolver.[4][5]

Ásia[editar | editar código-fonte]

China[editar | editar código-fonte]

O sentimento antiocidental na China tem vindo a aumentar desde o início da década de 1990, especialmente entre os jovens chineses.[6] Incidentes notáveis resultam em uma significativa reação antiocidental que incluem o bombardeiro da embaixada chinesa pela OTAN em Belgrado (1999),[7] as demonstrações durante o revezamento da tocha Olímpica[8] e a alegação de um viés ocidental pela mídia,[9] , especialmente em relação aos distúrbios no Tibete em 2008.[10] Enquanto pesquisas de opinião pública mostram que os chineses geralmente mantenham visões favoráveis em relação aos Estados Unidos,[11] há ainda a suspeita sobre o ocidente na China em grande parte resultantes de experiências históricas e, especificamente, influenciado pelo "século de humilhação'.[12] Essas suspeitas foram aumentados pela "Campanha de Educação Patriótica" do Partido Comunista.[13]

Japão[editar | editar código-fonte]

Há uma história crítica do chamado Ocidente na história do pensamento na cultura do Japão.[14]

Singapura[editar | editar código-fonte]

Lee Kuan Yew, o ex-Presidente de Singapura, argumenta que os países da Ásia Oriental devem basear-se em "valores Asiáticos" - e que países como os Tigres Asiáticos devem aspirar a ter padrões de vida ocidentais, mas sem aceitar instituições e princípios sociais democráticos e liberais.

Rússia[editar | editar código-fonte]

O presidente russo Vladimir Putin com os líderes religiosos da Rússia, 2001. Putin tem promovido o tradicionalismo religioso e rejeitando alguns dos princípios liberais, como a tolerância da homossexualidade.

Após a Guerra Fria, um grupo de políticos na Federação russa tem apoiado explicitamente a promoção do tradicionalismo ortodoxo russo e uma rejeição do liberalismo ocidental.

Alguns políticos ultranacionalistas, tais como Vladímir Jirinóvski, expressam os maiores sentimentos antiocidentais.

Vladimir Putin tem promovido explicitamente políticas conservadores na área social, cultural e política, tanto em seu país quanto no exterior. Putin tem atacado o globalismo e oneoliberalismo,[15] e promoveu novos grupos de reflexão que acentua o nacionalismo russo, a restauração da grandeza histórica da Rússia e sistemática oposição às ideias políticas liberais.[16] Putin tem colaborado estreitamente com a Igreja Ortodoxa russa. O patriarca Kirill de Moscou, líder da Igreja, aprovou a sua eleição, em 2012, afirmando que os termos de Putin era como "um milagre de Deus."[17][18] A Igreja Ortodoxa russa, por vezes, é hostil para grupos que promovem tendências nacionalistas e antiocidentais.[19][20]

O governo russo tem restringindo o financiamento externo de algumas Organizações Não-Governamentais pró-liberais. Ativistas pró-russos na antiga União Soviética, frequentemente associavam ao ocidente a homossexualidade e a agenda homossexual,[21] e a lei russa contra a propaganda homossexual foi recebida por figuras políticas nacionalistas e religiosas na Rússia como um baluarte contra a influência ocidental.[22] Em 2017, Putin assinou uma lei sobre a violência doméstica que retiram punições para esses crimes quando for a primeira vez que o agente comete o crime e se o dano a vítima for baixo.

A Lei Iarovaia proíbe o evangelismo por minorias religiosas, o qual foi utilizado para proibir as Testemunhas de Jeová.[23]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. THE WORLD OF CIVILIZATIONS: POST-1990 scanned image Arquivado março 12, 2007, no Wayback Machine[Erro data trocada], no Wayback Machine.
  2. City of Amsterdam policy document, February 2006. Wij Amsterdammers II: investeren in mensen en grenzen.
  3. Woodrow Wilson International Center for Scholars - Al Qaeda v ISIS: Ideology & Strategy Accessed July 1st, 2017
  4. Aydin, Cemil (9 July 2007) - The Politics of Anti-Westernism in Asia: Visions of World Order in Pan-Islamic and Pan-Asian Thought Columbia University Press p.2 ISBN 0231510683 part of Columbia Studies in International and Global History Accessed July 1st, 2017
  5. Finkel, Caroline (19 July 2012) Osman's Dream: The Story of the Ottoman Empire 1300-1923 Hachette UK, ISBN 1848547854 Accessed July 1st, 2017
  6. http://www.abc.net.au/pm/content/2008/s2227038.htm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  7. 46. ISSN 1324-9347. OCLC 41170782. doi:10.2307/3182306 
  8. http://www.chinadaily.com.cn/china/2008-04/19/content_6629376.htm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  9. http://www.china.org.cn/international/opinion/2008-02/28/content_11021569.htm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  10. http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/asia-pacific/7312376.stm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  11. «Hope and Fear: Full report of C-100's Survey on American and Chinese Attitudes Toward Each Other» (PDF). Consultado em 26 de outubro de 2017. Arquivado do original (PDF) em 9 de novembro de 2008 
  12. http://www.csmonitor.com/2008/0417/p01s01-woap.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  13. Zhao, Suisheng: "A State-led Nationalism: The Patriotic Education Campaign in Post- Tiananmen China", Communist and Post-Communist Studies, Vol. 31, No. 3. 1998. pp. 287–302
  14. Aydin, Cemil (9 July 2007) - The Politics of Anti-Westernism in Asia: Visions of World Order in Pan-Islamic and Pan-Asian Thought Columbia University Press p.1-2 ISBN 0231510683 part of Columbia Studies in International and Global History Accessed July 1st, 2017
  15. Sergei Prozorov, "Russian conservatism in the Putin presidency: The dispersion of a hegemonic discourse." Journal of Political Ideologies 10#2 (2005): 121–143.
  16. Marlene Laruelle, "The Izborsky Club, or the New Conservative Avant‐Garde in Russia." Russian Review 75#4 (2016): 626–644.
  17. Julia Gerlach and Jochen Töpfer, eds. The Role of Religion in Eastern Europe Today. [S.l.: s.n.] 
  18. Andrew Higgins, "In Expanding Russian Influence, Faith Combines With Firepower," New York Times Sept 13, 2016
  19. http://rbth.com/articles/2012/04/23/the_russian_orthodox_church_wont_be_silent_15378.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  20. Aleksandr Verkhovsky, "The role of the Russian Orthodox Church in nationalist, xenophobic and antiwestern tendencies in Russia today: Not nationalism, but fundamentalism." Religion, State & Society 304 (2002): 333-345.
  21. «Anne Applebaum: Russia's anti-Western ideology has global consequences» 
  22. «27 Nobel laureates urge Putin to repeal gay propaganda law» 
  23. http://www.rferl.org/a/russia-jehovah-witnesses-extremist-organization-/28374043.html