Sepultura (banda)

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Sepultura
Metalmania 2007 - Sepultura 01.jpg
Sepultura durante o festival Metalmania 2007 em Katowice, Polônia
Informação geral
Origem Belo Horizonte, Minas Gerais
País  Brasil
Gênero(s) Death metal, thrash metal,[1][2] groove metal, metal alternativo[3]
Período em atividade 1984 – atualmente
Gravadora(s) Cogumelo Records
Roadrunner Records
SPV Records
Polysom
Nuclear Blast (atual)
Afiliação(ões) Ratos de Porão, Titãs, Soulfly, Cavalera Conspiracy, Les Tambours du Bronx
Integrantes Derrick Green
Andreas Kisser
Paulo Jr.
Eloy Casagrande
Ex-integrantes Max Cavalera
Igor Cavalera
Jairo Guedez
Wagner Lamounier
Jean Dolabella
Página oficial www.Sepultura.com.br

Sepultura é uma banda de metal criada em 1984 pelos irmãos Max Cavalera e Igor Cavalera em Belo Horizonte, Minas Gerais, e é considerada a banda brasileira de maior repercussão no mundo.[4][5] Com uma sonoridade que mistura death/thrash metal com elementos de música tribal indígena, africana, japonesa e outros estilos, o Sepultura ganhou fama na década de 1990 com discos como Arise e Chaos A.D., e tornou-se uma forte influência para inúmeras bandas de death metal, groove metal e nu metal.

O nome Sepultura[6] (em inglês, grave) foi escolhido quando Max Cavalera traduzia uma canção do Motörhead chamada "Dancing on Your Grave"[7]. Originalmente era formada por Igor Cavalera (baterista), Max Cavalera (somente guitarrista), Paulo Jr. (baixista) e Wagner Lamounier (guitarrista e vocalista). Em 1985, Wagner deixa o grupo para formar o Sarcófago, Max assume os vocais, e Jairo Guedez entra como segundo guitarrista. Em 1987, Jairo sai e Andreas Kisser entra em seu lugar, estabelecendo a formação clássica que duraria dez anos. Agora, em sua formação atual, o vocal é feito pelo americano Derrick Green e a bateria por Eloy Casagrande, ficando Andreas como guitarrista único.

O Sepultura já vendeu aproximadamente 20 milhões de unidades mundialmente, ganhando vários discos de ouro em todo o mundo, inclusive em países como França, Austrália, Estados Unidos e Brasil.[8][9] [10][11] [12] [13] [14]

História[editar | editar código-fonte]

Max Cavalera, hoje no Soulfly e Cavalera Conspiracy, foi um dos fundadores do Sepultura

Começo de carreira (1984-1986)[editar | editar código-fonte]

Foi em Belo Horizonte, no ano de 1984, que a história do Sepultura começou.[4] Os irmãos fundadores Max e Igor Cavalera inicialmente tinham como influência bandas de heavy rock como Black Sabbath, Van Halen, Iron Maiden, Motörhead, AC/DC, Judas Priest e Ozzy Osbourne. Após viajarem para São Paulo, conheceram várias outras bandas em uma loja de fitas, e mudaram drasticamente de gosto após ouvirem Venom pela primeira vez: a partir daí, começaram a ouvir Hellhammer/Celtic Frost, Kreator, Sodom, Megadeth, Exodus e Exciter.[15][16] Esse novo direcionamento seria a base o futuro som do Sepultura.

A primeira formação do grupo era composta por Max (guitarra), Igor (bateria), Paulo Jr. (baixo) e Wagner Lamounier (vocal).[17] Após desentendimentos, Wagner deixa o grupo para formar o Sarcófago – banda de black metal que também iria marcar história na música extrema – e assim, Max torna-se vocalista e guitarrista, chamando Jairo Guedez para a segunda guitarra.[18]

Em 1985 num festival de bandas em Belo Horizonte, a Cogumelo Records contrata a banda após o dono da gravadora ter assistido ao show do Sepultura. No fim do ano saiu o primeiro lançamento do quarteto com o EP Bestial Devastation, gravado e produzido em apenas dois dias, que continha canções dos também brasileiros do Overdose. Apesar da baixa qualidade de produção, o EP rendeu bons frutos, que, somado a uma turnê de divulgação nacional, levou-os novamente aos estúdios para gravar um disco completo. Em novembro de 1986 é lançado Morbid Visions, primeiro álbum de estúdio do Sepultura e um dos primeiros discos de death metal/black metal do mundo. Vale notar que nessa época os integrantes da banda ainda eram adolescentes. Apesar de ter lançamento restrito para o Brasil, a banda começava a obter certo reconhecimento na cena underground do metal, principalmente devido ao surgimento de seu primeiro hit, "Troops of Doom". Desse modo, a banda muda-se para a capital de São Paulo.

Schizophrenia e Beneath the Remains (1987-1990)[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Schizophrenia e Beneath the Remains

No início de 1987, Jairo Guedz deixa a banda. Ele foi substituído pelo guitarrista paulista Andreas Kisser, que já havia feito algumas jams com o grupo, e assim lançaram o álbum Schizophrenia no mesmo ano, o último com a produção da gravadora Cogumelo.[19] O álbum refletiu uma mudança estilística voltado para um som mais thrash metal, enquanto mantinham os elementos de death metal do Morbid Visions. Schizophrenia apresentou uma melhora na produção e na performance dos músicos, e veio a ser uma sensação da crítica por toda a Europa e América do Norte, começando a ser muito requisitado para importação nestes continentes. A gravadora New Renaissance lançou o disco nos Estados Unidos. O furor provocado pelo Schizophrenia fez com que houvesse um lançamento pirata do disco por uma gravadora europeia, que chegou à marca de 30 mil cópias vendidas, porém sem a banda poder usufruir dos direitos autorais.

Igor Cavalera, hoje no Cavalera Conspiracy, fundou com o irmão Max o Sepultura

A banda chamou a atenção da Roadrunner Records, que assinou um contrato de sete anos com eles e lançou Schizophrenia internacionalmente, sem sequer tê-los visto pessoalmente.[20][21]

Com contrato assinado por uma grande gravadora, em 1989 lançaram seu terceiro disco de estúdio, Beneath the Remains, gravado em nove dias e produzido pelo famoso produtor de metal extremo americano Scott Burns.[15] Apesar da quantia em dinheiro investida na produção não ser tão alta, Beneath the Remains apresentava um som bem mais "limpo" que os antecessores, com aperfeiçoamentos na técnica dos músicos e marcantes solos de guitarra. Este foi o álbum que provou que o Sepultura podia gerar vendas milionárias, e até hoje já vendeu mais de 800.000 cópias mundo afora. Após o lançamento o disco acabou sendo comparado com Reign in Blood, clássico do Slayer, sendo considerado pela revista Terrorizer como um dos "20 melhores álbuns de thrash metal de todos os tempos", bem como ganhando lugar em sua lista dos "40 melhores discos de death metal".[20][22][23] O Allmusic deu nota 4.5 de 5 estrelas e disse "A completa ausência de músicas 'descartáveis' aqui torna este um dos discos mais essenciais de death/thrash metal já lançados". [24]

Pela primeira vez, o Sepultura sai em turnê fora do Brasil, tocando junto dos alemães do Sodom na Áustria, Estados Unidos e México, aumentando sua popularidade. Essa turnê foi marcada pelos conflitos constantes entre os membros das duas bandas.

Em 1990, a banda toca em vários shows, incluindo o Dynamo Open Air Festival, com cerca de 26 mil pagantes, e conhecem Gloria Bujnowski, empresária do Sacred Reich. O grupo decide tê-la também como empresária. Depois das apresentações, o Sepultura entra em estúdio para regravar "Troops of Doom", que a Roadrunner usaria para relançar o álbum Schizophrenia remixado. Ainda no mesmo ano, a Cogumelo relança Bestial Devastation com uma nova versão de "Troops of Doom".

A banda chamou atenção por onde passou e seu nome despontou na mídia mundial. Nesta turnê encontraram uma de suas fontes de inspiração: Lemmy Kilmister e sua banda Motörhead, cruzaram o muro de Berlim ainda na época da Guerra Fria, e até conheceram o Metallica, banda muito forte na época. Foi gravado nesta época o primeiro videoclipe do Sepultura, "Inner Self", que tal qual "Mass Hypnosis" e "Beneath the Remains", tornou-se um clássico da banda.

Arise (1991-1992)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Arise

Em janeiro de 1991, eles tocaram no Rock in Rio II para um público de mais de 100 mil pessoas. A banda, que havia se mudado do Brasil para Phoenix, Arizona (nos Estados Unidos) em 1990, obteve um novo empresário e gravou o álbum Arise nos estúdios Morrisound em Tampa, Flórida.[15] Quando o disco foi lançado em 1991, o Sepultura tornou-se uma das bandas de thrash/death metal mais elogiadas criticamente da época. Arise vendeu cerca de 160 mil cópias nas 8 primeiras semanas. Ao final da turnê de divulgação, o álbum já tinha vendido mais de 1.000.000 de cópias, e figurou a posição 119 no top 200 da Billboard.[25] Como seu antecessor, também foi produzido por Scott Burns. É considerado pela maioria dos fãs de longa data o melhor álbum do grupo.

Pequena amostra de "Arise", primeiro single retirado do álbum do mesmo nome.

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No mesmo ano, são lançados alguns singles, como "Arise", "Under Siege (Regnum Irae)" e "Dead Embryonic Cells". Logo após a apresentação no Rio a banda promoveu um show gratuito em São Paulo na praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, o show contou com aproximadamente 40 mil pessoas. Mas algumas pessoas confundiram o espírito de confraternização dos fãs, e um rapaz foi assassinado. Esta fatalidade criou um falso mito sobre o público da banda, que repercutiu por muitos anos negativamente fazendo com que muitos produtores de shows brasileiros temessem marcar shows com o grupo.

No exterior, por sua vez, a turnê do Arise foi longa e passou por lugares inéditos como Grécia e Japão. Na Austrália foi lançado o primeiro EP oficial da banda, o Third World Posse. Na Holanda estrearam em um festival internacional de grande repercussão, o "Dynamo Open Air", para mais de 30 mil pessoas. E atraíram mais de 100 mil pessoas nas duas apresentações feitas em estádios quando estiveram na Indonésia. Lá também foram premiados com fitas cassetes de ouro pelas boas vendas.

Gravaram os clipes de "Arise" e "Dead Embryonic Cells", e lançaram seu primeiro home-vídeo, "Under Siege", que foi gravado em Barcelona, Espanha. Com todos estes acontecimentos ligados ao disco Arise, o Sepultura firmou seu nome mundo a fora.

Em 1992 o EP Third World Posse é lançado. O mini-álbum tem três músicas ao vivo tiradas do vídeo Under Siege (Live in Barcelona), além de "Drug Me" de Jello Biafra e "Dead Embryonic Cells", do disco Arise. Ainda em 1992, acontece o casamento de Max com a empresária Glória.

Chaos A.D. e repercussão no exterior (1993-1995)[editar | editar código-fonte]

A essa altura, o Sepultura já era considerado uma das melhores bandas de thrash metal do mundo. Em 1993, o Sepultura lança o disco Chaos A.D., que já possuía influências tribais, além de elementos de música industrial e hardcore punk. Ainda assim, percebia-se que a banda ainda se preocupava com a situação geopolítica mundial, pois pérolas como "Refuse/Resist" e "Territory" estão incrustadas neste álbum, além de "Manifest", que denunciava o massacre da penitenciária do Carandiru, onde 111 detentos foram mortos. Mesmo sendo mais cadenciado e diversificado que os antecessores, Chaos A.D. foi um enorme sucesso e até hoje já vendeu mais de 1 milhão de cópias mundo afora, além de levar o Sepultura a um patamar nunca antes alcançado por uma banda brasileira. O êxito comercial e crítico rendeu vários elogios ao LP, com o AllMusic dando ao álbum uma nota 4.5 de 5 estrelas, considerando que "Chaos A.D. figura entre os maiores álbuns de heavy metal de todos os tempos".[26]

Show do Sepultura no festival Metalmania 2007.

O Sepultura optou por um lado musical nunca antes explorado, misturando seu som brutal com elementos de música popular, e com isto definiram a linha musical de vanguarda que se tornou sua marca registrada. O lançamento de Chaos A.D. aconteceu em um castelo medieval na Inglaterra e com a presença de boa parte da imprensa mundial. Nesta turnê a banda foi até Israel gravar o clipe da música "Territory", também lançada como single. Este vídeo foi eleito o melhor videoclipe do ano pela MTV Brasil, que levou a banda a Los Angeles para receber o astronauta de prata. Outros clipes/singles tirados deste álbum foram "Refuse/Resist" e "Slave New World", e também incluía um cover da canção "The Hunt", do New Model Army. "Biotech Is Godzilla" foi escrita por Jello Biafra, além de uma faixa especial, onde os integrantes se acabam de rir e gritar, e mais uma versão de "Polícia", dos Titãs, disponível apenas na versão brasileira do álbum. O single "Territory" é lançado nesse mesmo ano. Ainda em 1993 nasce o primeiro filho de Glória e Max: Zyon.

Nesta turnê o Sepultura foi a primeira banda de metal da América Latina a se apresentar no tradicional festival Monsters of Rock, no Donington Park, Inglaterra, na frente de 50 mil pessoas, quantidade igualitária ao Rock in Rio II, onde o Sepultura também foi atração. E também a primeira banda do Brasil a tocar na Rússia. De volta ao Brasil, a banda foi convidada a tocar no festival Hollywood Rock só após um abaixo-assinado feito pelo fã clube oficial brasileiro. Isso devido ao boicote por parte dos organizadores do evento, amedrontados com o incidente em São Paulo anos atrás. Em 1994, o EP Refuse/Resist é lançado. O álbum é uma espécie de coletânea com músicas ao vivo, de estúdio, "Drug Me" (de Jello Biafra) e ainda uma música de nome "Inhuman Nature", da banda Final Conflict. O single "Slave New World" é lançado.

Em 1994, Andreas se casa com Patrícia, e a banda começa a compor material para novo álbum e single. No ano seguinte, o segundo vídeo do Sepultura, o Third World Chaos é lançado, contendo alguns clipes da banda, trechos de entrevistas com a MTV brasileira, americana, europeia e japonesa. O vídeo contém um trecho de entrevista em que o entrevistador é Bruce Dickinson, quando ele tinha o seu programa de entrevistas na rede inglesa de televisão. Ainda em 1995, nasce Giulia Kisser, a primeira filha de Patrícia e Andreas; Igor se casa com Monika, e Igor Amadeus, segundo filho de Glória e Max, nasce.

O álbum Roots (1996)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Roots

Em 1996, o compacto Roots Bloody Roots é lançado, contendo quatro faixas, "Roots Bloody Roots", "Procreation of the Wicked" (um cover da banda black metal Celtic Frost), "Refuse/Resist" e "Territory" (ambas gravadas ao vivo em Minneapolis, Estados Unidos). Outros singles foram lançados, "Ratamahatta" e "Attitude". Mais tarde, no mesmo ano, sai Roots, um dos álbuns mais aguardados do ano. O disco mostrou um lado mais experimental da banda, com uma participação de Carlinhos Brown na canção Ratamahatta, e presença ao longo do disco de percussão, berimbau e várias batidas tribais. O disco contém ainda duas músicas gravadas conjuntamente com os índios xavantes, Jasco e Itsari, no Mato Grosso. A música "Itsari" foi gravada na Aldeia Pimentel Barbosa no ano de 1995, às margens do Rio das Mortes no estado de Mato Grosso. Já o restante do álbum foram feitas em Malibu no estúdio Índigo Ranch, dotado de instrumentos de idade avançada, e fazendo da gravação a mais crua possível. Os clipes/singles foram "Roots Bloody Roots" gravado na cidade de Salvador, "Attitude" que teve fotos de tatuagens de fanáticos pelo Sepultura como capa, e contou com a participação especial da família Gracie no videoclipe. "Ratamahatta" foi um clipe diferente de todos os anteriores do Sepultura, feito todo em animação gráfica computadorizada.

Andreas Kisser durante o festival Metalmania 2007.

A versão brasileira contém também covers de "Procreation of the Wicked" do Celtic Frost e "Symptom of the Universe" do Black Sabbath, além de "Lookaway", escrita por Jonathan Davis da banda Korn.

Em meados de 1996, a banda fica sabendo do assassinato de Dana Wells, filho de Gloria Cavalera. Max e Gloria vão para os Estados Unidos e o Sepultura toca em trio no Donnington 1996, com Andreas nos vocais. O grupo termina a turnê tocando no Ozzfest, após cancelar três semanas de shows dos Estados Unidos. De acordo com a seleção de Spence D. e Ed Thompson do site IGN Music, o disco Roots[27] está na posição 23 dos 25 discos considerados os mais influentes do heavy metal, mostrando o impacto que causou na cena do groove metal e nu metal. A banda tornou-se ainda mais famosa com este lançamento, ficando como um dos maiores grupos de metal do mundo na época. O site AllMusic novamente deu uma nota 4.5 de 5 estrelas, dizendo que "Roots consolida a posição do Sepultura como sendo uma das mais distintas e originais bandas de heavy metal dos anos 90".[28] Ainda foi lançado o disco duplo The Roots of Sepultura, no qual um dos discos conta boa parte da história musical da banda, e o segundo é o álbum Roots.

Saída de Max Cavalera[editar | editar código-fonte]

Finalmente, em dezembro de 1996, chega a notícia que mudaria completamente o rumo da banda: Max Cavalera deixaria a banda. Aconteceu quando os outros três integrantes, em reunião, decidem demitir Gloria Cavalera do posto de empresária da banda, alegando que esta dava apenas espaço para seu marido, Max, ao contrário de antigamente: quando o Sepultura aparecia, todos os quatro integrantes estavam na foto, e não apenas Max. Com a esposa fora da banda, Max se sente traído e resolve separar seu caminho do caminho do resto da banda.

A discussão é imensa. Andreas, Igor e Paulo tinham a convicção de que a empresária já não estava mais os representando do jeito que deveria e comunicaram sua decisão de não renovar seu contrato de trabalho. Havia a opção de que ela continuasse a cuidar dos interesses de Max. Ele não aceitou a decisão dos companheiros e abandonou o Sepultura, achando estar sendo injustiçado. A partir de então as incertezas caíram sobre o Sepultura e o futuro era incerto.

Com o tempo a banda acostumou-se à nova situação imposta, e que não poderia parar o trabalho de uma vida toda dessa forma. E assim que puderam começaram a escrever seu próximo álbum, como um trio. Max formou sua própria banda, Soulfly. "Durante este um ano e meio, pensamos em tudo", diz Andreas. "De fato, pensamos em dizer 'que se foda a todo mundo', 'se foda a música', 'se fodam as bandas', a porra toda. Mas não tomamos nenhuma decisão durante o período mais turbulento, porque essas decisões geralmente se mostram erradas, mais tarde. Fizemos as coisas calmamente, e levamos o tempo necessário para pensar a respeito da situação toda".

Ainda nesse ano, nasce a primeira filha de Igor e Monika, Joanna. Em 1997, sai outra coletânea, Blood-Rooted. A Roadrunner lança também uma coleção de músicas do Sepultura, com versões alternativas e demos, o B-Sides, além de relançar todos os discos do Sepultura até Arise, com os nomes de Gold CD re-issue, remasterizados e com faixas bônus. Sai ainda o vídeo We Who Are Not as Others.

Nova formação (1997-2005)[editar | editar código-fonte]

Igor, Paulo e Andreas passaram a escrever de uma nova forma. Agora o baixo ganhou uma importância ainda maior, como base das músicas. Andreas assumiu os vocais, mas nunca havia cantado antes e não se sentiu à vontade no posto. Decidiram encontrar um novo vocalista para o Sepultura. As fitas de demonstração chegaram em grande quantidade aos escritórios da RoadRunner, e fizeram assim um processo de seleção. Um pequeno grupo de finalistas foi selecionado, e os candidatos receberam uma fita com músicas nas quais deveriam trabalhar, inclusive escrevendo letras, antes de encontrarem a banda para os testes.

Os testes finais aconteceram no Brasil, também foi levado em conta a integração e a afeição entre o grupo. Desde o começo da procura, a voz e a aparência de Derrick Green impressionou. Quando ele esteve no Brasil para os testes sentiu-se em casa, virou palmeirense, e se entendeu extremamente bem com a banda. A maior parte das músicas já estava pronta, esperando a gravação dos vocais, e a banda estava sob pressão para lançar o disco.

Então, em 1998, o Sepultura volta com um novo single, "Against", do álbum de mesmo nome Against, mostrando todo o poder do novo vocalista Derrick Leon Green, apelidado de Predador. O single foi produzido por Howard Benson e mixado por Bill Kennedy. "Não sabíamos nem se devíamos usar o nome Sepultura, diz Igor Cavalera a respeito da evolução da banda. Decidimos que escreveríamos algumas músicas primeiro, e se não soasse como Sepultura, então pararíamos de usar o nome na mesma hora. Mas logo que tínhamos as músicas, vimos que tínhamos razão para manter o nome. E quanto mais tocamos, mais confortáveis nos sentimos. O único apoio que tivemos durante todo o tempo foi tocar música. Várias pessoas pensavam que o Sepultura era apenas Max, e que nós éramos apenas músicos por detrás dele", diz Andreas. "Mas o Sepultura sempre foi todo mundo junto, e com a contribuição de todos para as ideias. Temos a mesma atitude, a mesma música, a mesma mensagem. A única coisa diferente é que Derrick está aqui, agora."

Em maio, o Sepultura viajava para o Japão para gravar, junto com a banda de percussão japonesa Kodō, a música "Kamaitachi", uma das faixas do novo álbum. Já em abril, começa a gravação das músicas restantes, já com a participação de Derrick. Em agosto, o Sepultura toca no show Barulho Contra a Fome, que serviu para angariar fundos e comida para os pobres, e o segundo single da banda, "Choke", é agendado para ser lançado em novembro. Sobrevivendo ao período mais difícil de suas carreiras, o Sepultura retoma suas atividades e volta com seu novo álbum, Nation, que obteve baixa vendagem mas não desanimou os integrantes. "É uma boa hora para voltar à ideia do que o Sepultura é!", conclui Igor. "Não é apenas eu, ou Andreas, ou Paulo, ou o Derrick, é a química de quatro pessoas tocando juntas."

Em 2003 o grupo lançou o disco Roorback, dando sequência ao som groove/alternativo, que incluía um cover de "Bullet the Blue Sky" da banda U2. Roorback recebeu análises melhores que os anteriores, mas as vendas ainda continuaram baixas. No fim de 2005 gravaram um CD e DVD duplo chamado Live in São Paulo, o primeiro disco ao vivo oficial deles.

Dante XXI (2006-2007)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Dante XXI

O décimo álbum de estúdio do Sepultura, Dante XXI, foi lançado em 2006, baseado no livro "A Divina Comédia" de Dante Alighieri. A odisseia pelo inferno, purgatório e paraíso, à qual se lançou a personagem Dante narrada no livro é refeita musicalmente pelo som pesado da banda, sendo lançado pela gravadora SPV Records. Dentro da discografia da banda, Dante XXI figura como seu terceiro álbum temático. Eles já haviam feito algo do gênero em Roots de 1996, inspirados pela cultura brasileira e africana, e depois em Nation de 2001, em que flertavam com uma nação utópica. Para o guitarrista Andreas Kisser, a escolha de um caminho para o disco acaba sendo necessária. "Você chega a um ponto de escrever por escrever, fica sem sentido", diz.

Paulo Jr. durante o festival Metalmania 2007.

A solução do tema partiu do vocalista Derrick Green, que puxou pela memória o estudo de A Divina Comédia nos tempos do colégio. Ideia acatada, todos se voltaram à obra, principalmente Kisser, que se aprofundou no assunto. Envolvidos em trilhas para cinema há tempos, tanto Kisser quanto o restante do Sepultura transferiram um pouco dessa experiência para o novo trabalho. "A ideia era fazer a trilha para o livro", conceitua o baixista Paulo Xisto. Chamaram André Moraes, no qual já era recorrente nessas trilhas, para se encarregar da orquestração do álbum, cuidando dos arranjos mais elaborados, que requereram instrumentos nada usuais na sonoridade crua da banda, como celo e piano, estes utilizados para dar diferenciação às passagens do purgatório e do paraíso. "A sonoridade da parte do Inferno foi mais familiar, usamos elementos da banda, como bateria, baixo, guitarra", explica Kisser.

O baterista Igor Cavalera aparece nos créditos, mas decidiu abandonar a banda antes do início da turnê, sendo substituído temporariamente por Roy Mayorga. Em seu lugar, entrou Jean Dolabella. Segundo Kisser, a saída de Igor não foi tão traumática quanto a de Max, porque ele já vinha dividindo com os demais seu desejo de sair do Sepultura. "A gente estava esperando isso acontecer. Ele não estava demonstrando interesse em se dedicar à turnê", completa Xisto.

Com esse álbum a banda fez uma turnê mundial por onde tocou pela primeira vez na Índia[29]. Esta turnê da banda, feita para a divulgação do álbum Dante XXI, passou por diversos países na Europa, América do Norte e América Latina, totalizando mais de 100 shows. Em 2007 o grupo foi atração em alguns festivais no Brasil, como Abril Pro Rock, em Recife, e Porão do Rock, em Brasília. Com Dante XXI, a banda conseguiu um disco de ouro no Chipre.

A-Lex e Kairos (2008-2012)[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: A-Lex e Kairos (álbum)

A banda foi um dos convidados de destaque do Grammy Latino de 2008 em 13 de novembro. Eles cantaram um cover de "Garota de Ipanema" e uma nova canção chamada "We've Lost You".[30]

Andreas disse em 2007 que a banda já estava planejando um novo álbum de estúdio para ser lançado em 2009, sendo o primeiro sem Igor Cavalera.[31] Como afirmou na sua página no MySpace, este seria um outro conceito de álbum, intitulado A-Lex, baseado na obra "A Laranja Mecânica". O álbum foi gravado nos Estúdios Trama em São Paulo, com o produtor Stanley Soares, e lançado no início de 2009. Foi o primeiro disco sem algum dos irmãos Cavalera.

Em janeiro 2010 a banda deu suporte ao Metallica em um show no estádio do Morumbi, na capital paulista, para um público de 100.000 pessoas. Em abril do mesmo ano tocaram no Kucukciftlik Park, em Istambul, e em agosto visitaram o Reino Unido para tocar no Hevy Music Festival, próximo a Folkestone.

Kairos, lançado em 2011, é o 12.º álbum do Sepultura. O álbum foi distribuído pela Nuclear Blast e produzido pelo guitarrista Roy Z, considerado um dos melhores produtores de Metal da atualidade. Kairos possui um som mais pesado e cru que seus antecessores e foi muito bem recebido pela crítica especializada, sendo aclamado por alguns como álbum que colocou o Sepultura "no eixo". Chegou a ficar no top 100 de alguns países europeus e asiáticos, e vendeu mais de 2600 cópias nos EUA nas primeiras semanas de lançamento. O grupo francês Les Tambours du Bronx participou do álbum, na faixa "Structure Violence (Azzes)". O álbum também conta com covers de Just One Fix, da banda de Metal industrial Ministry, e Firestarter, do The Prodigy como faixa bônus.

No dia 16 de Abril de 2011, a banda fez uma apresentação na Estação da Luz de seus clássicos, acompanhada da Orquestra Experimental de Repertório (arranjos criados por Alexey Kurkdjian e conduzidos pelo maestro Jamil Maluf), em uma iniciativa de apoio à preservação do Pau Brasil. Esta apresentação irá virar um CD e DVD[32][33].

Ainda em 2011, o baterista Jean Dolabella deixa a banda, alegando procurar rumos diferentes em sua carreira, sendo substituído pelo baterista prodígio Eloy Casagrande,[34] que ingressou na banda aos 21 anos, idade em que Igor Cavalera gravara Arise. Com Eloy, a banda terminou a turnê de divulgação de Kairos.

Atividade recente (2013-presente)[editar | editar código-fonte]

Na edição 2013 do Rock in Rio, o Sepultura tocou 2 vezes. Uma no dia 19/09/2013, no Palco Mundo, ao lado do Tambours du Bronx.[35] A segunda apresentação foi no dia 22/09/2013. Desta vez no palco Sunset, a banda tocou ao lado do cantor Zé Ramalho, no espetáculo que foi chamado de "Zépultura".[36] O show foi bastante elogiado pela crítica[37], e agradou ao público presente.[38] Vale lembrar que essa parceria já havia acontecido anteriormente, quando eles gravaram juntos a canção "A Dança das Borboletas" que fez parte da trilha sonora do filme Lisbela e o Prisioneiro (2003).[39]

A banda parte para Los Angeles e inicia as gravações do seu 13.º álbum de estúdio no estúdio caseiro do produtor Ross Robinson (também responsável por Roots). The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart foi lançado em 25 de outubro de 2013, e conta com uma sonoridade ainda mais extrema, em certos pontos lembrando bandas de Death Metal como Morbid Angel e Behemoth. As letras de Kisser e Green para o disco são pontuadas pela crítica à ordem mundial, já vista no título tirada de uma frase de Metrópolis (1928). As faixas incluem covers de Nação Zumbi em "Da Lama ao Caos" - cantada por Kisser - e Death em "Zombie Ritual", além de uma participação de Dave Lombardo, ex-baterista do Slayer, em "Obsessed" e a sobra de estúdio "Stagnate State of Affairs". "The Age Of The Atheist" foi a faixa escolhida para primeiro single, e a banda ainda gravou um videoclipe para a música "The Vatican".[40][41]

Em outubro de 2014 eles voltaram a apresentar-se na Nova Zelândia e Austrália, locais onde já não tocavam há mais de dez anos. No final de 2016 foi anunciado uma turnê de quatros shows entre o Sepultura e o cantor Lobão, intitulada de "A chamada"[42].

Legado[editar | editar código-fonte]

Os álbuns do Sepultura exerceram grande influência em vários grupos posteriores, especialmente com os discos Chaos A.D. e Roots, que sintetizavam o thrash metal com ritmos tribais e que serviram de referência para bandas de metal alternativo como Slipknot, Godsmack e System of a Down. Além disso, dentre os conjuntos que já regravaram algumas de suas canções encontram-se Napalm Death,[43] Aborted,[44] God Forbid,[45] Apocalyptica,[46] Kalmah,[47] Children of Bodom,[48] Trivium,[49] Havok,[50] Dimension Zero,[51] Ratos de Porão,[52] Krisiun,[53] Hatebreed,[54] e outros. Por sua vez, os integrantes do Radiohead declararam estar influenciados pelo som do grupo: "Vimos o Sepultura há alguns anos em um festival holandês e nos encantaram com sua música sombria brasileira com um pouco de vodu. Tocavam com instrumentos das florestas tropicais a base de palmeiras e plantas. Era bastante perturbador."[55]

De acordo com a RIAA, o Sepultura já conseguiu dois discos de ouro nos Estados Unidos, e outros dois no Reino Unido segundo a BPI.[56][57] No decorrer de sua carreira, já venderam mais de vinte milhões de cópias de álbuns mundialmente. Abaixo seguem algumas listas em que os discos do Sepultura já apareceram:

Álbum Lista Ano Site
Beneath the Remains "10 Greatest Thrash Metal Albums Of All Time" 2013 Whatculture[58]
Beneath the Remains "Essential Thrash Metal Albums" 2015 About.com[59]
Beneath the Remains "10 Essential Thrash Metal Albums" 2012 Treblezine[60]
Arise "The 25 Best Thrash Metal Albums of All Time" 2014 Metaldescent[61]
Arise Top Metal Albums: 1990-2000 2013 Metal-rules[62]
Arise Best Heavy Metal Albums Of The 1990s 2015 About.com[63]
Chaos A.D. Top Metal Albums: 1990-2000 2013 Metal-rules[62]
Chaos A.D. Best Heavy Metal Albums Of The 1990s 2015 About.com[63]
Roots Top 11 Metal Albums of the 1990s 2015 Loudwire.com [64]

Além disso, o Sepultura figura na lista das "10 melhores bandas de thrash metal" do site Westword.com[65].

Integrantes[editar | editar código-fonte]

Logotipo do Sepultura, usado a partir do álbum Beneath the Remains.

Atuais[editar | editar código-fonte]

Antigos[editar | editar código-fonte]

Integrantes da banda ao longo do tempo[editar | editar código-fonte]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Discografia de Sepultura
Álbuns de estúdio
EPs
Álbuns ao vivo
Coletâneas

Prêmios e nomeações[editar | editar código-fonte]

MTV Video Music Awards
Ano Trabalho nomeado Categoria Resultado Ref.
1991 Orgasmatron International Viewer's Choice Ganhador [66]
1992 Desperate Cry Nomeado [67]
1994 Territory Ganhador [68]
1996 Roots Bloody Roots Nomeado [69]
1997 Ratamahatta Nomeado [70]
2003 Bullet the Blue Sky Nomeado [71]
MTV Video Music Brasil
Ano Trabalho nomeado Categoria Resultado Ref.
1996 Roots Bloody Roots Melhor vídeo de rock Nomeado [69]
1997 Ratamahatta Ganhador [72]
2003 Bullet the Blue Sky Nomeado [71]
Melhor edição Nomeado [71]
Melhor fotografia Ganhador [71]
Sepultura.com Melhor website Nomeado [71]
2004 Mindwar Melhor vídeo de rock Nomeado [73]
Melhor edição Nomeado [73]
Melhor fotografia Nomeado [73]
2006 Convicted in Life Melhor direção Ganhador [74]
Melhor direção de arte Nomeado [75]
Melhor edição Ganhador [74]
Melhor fotografia Nomeado [75]

Parcerias[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Anonymous (Maio 2003). Beneath the Remains. In: A Megaton Hit Parade: The All-Time Thrash Top 20. Terrorizer #109, page 35.
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  • Harris, Keith (2000). Roots?: The Relationship between the Global and the Local within the Extreme Metal Scene. Popular Music, 19(1): 13-30.
  • Hinchliffe, James (Dezembro 2006). Beneath the Remains. In: Death Metal|The DM Top 40. Terrorizer #151, page 54.
  • Kafka, Alessandra Sanches (2002). "Roots: as raízes do Sepultura ou A Crítica do Barulho - Notas sobre o heavy metal e a pós-modernidade na canção 'Ratamahatta'". São Paulo: PUCSP. Trabalho apresentado como exigência parcial para a conclusão do curso de especialização em Jornalismo Cultural.
  • Lemos, Anamaria (Setembro 1993). "Caos Desencanado". Bizz #98, pages 40–45.
  • Schwarz, Paul (Fevereiro 2005). Morbid Visions. In: The First Wave. Terrorizer #128, page 42.
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Notas e referências

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  35. g1.globo.com/ Sepultura e grupo de percussionistas franceses batem lata no Rock in Rio
  36. musica.uol.com.br/ Zé Ramalho ganha prestígio no dia do metal e toca com "Zépultura" no Sunset
  37. folha.uol.com.br/ Em grande encontro, Sepultura e Zé Ramalho viram "Zépultura"
  38. g1.globo.com/ Sepultura e Zé Ramalho fazem massa de metaleiros cantar MPB
  39. rollingstone.uol.com.br/ Andreas Kisser comenta parceria com Zé Ramalho: “Os estilos casaram perfeitamente”
  40. Sepultura lança álbum que marca sua nova formação
  41. [2] Sepultura grava covers de Chico Science e Death
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Oficiais[editar | editar código-fonte]

Outros[editar | editar código-fonte]