Setembro Amarelo

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Símbolo da campanha, que inclui o laço amarelo, símbolo do movimento.
Congresso Nacional em campanha pelo Setembro Amarelo, em 2015.

Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. É uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque internacionalmente o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, por iniciativa da International Association for Suicide Prevention.[1][2] A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância de sua discussão.[1]

Durante o mês da campanha, costuma-se iluminar locais públicos com a cor amarela. Por exemplo, em 2015 foram iluminados o Cristo Redentor (RJ), o Congresso Nacional (DF), o Estádio Beira Rio (RS), entre outros.[3]

Dados sobre o suicídio[editar | editar código-fonte]

No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado entre jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros se matam por dia em média, sendo essa uma taxa maior do que a de vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer.[1]

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade.[4] A OMS também afirma que o suicídio tem prevenção em 90 porcento dos casos.[1] Entretanto, um estudo brasileiro de Bertolote et al (2002) afirma que 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, diagnosticados ou não, tratados incorretamente ou não tratados de maneira alguma.[5]

Origem da cor amarela[editar | editar código-fonte]

Segundo a Associação Catarinense de Psiquiatria, a cor da campanha foi adotada por causa da história que a inspirou. "Em 1994, um jovem americano de apenas 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo. Seus amigos e familiares distribuíram no funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike, e a mensagem foi se espelhando mundo afora."[6]

O carro era um Mustang 68, restaurado e pintado pelo próprio Mike. Os pais de Mike, Dale Emme e Darlene Emme, iniciaram a campanha do programa de prevenção do suicídio "fita amarela", ou "yellow ribbon, em inglês.[7]

Setembro Amarelo em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em 2017, a campanha Setembro Amarelo foi dinamizada pela primeira vez em Portugal na cidade de Beja. A organização do evento esteve a cargo da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) e da associação ARIS da Planície.[8]

Alguns mitos sobre o suicídio[editar | editar código-fonte]

Segundo o psicólogo paulista Yuri Busin:[9]

  • As pessoas, que, ameaçam se matar, estão apenas querendo chamar a atenção”. Falso, pois a pessoa pode sim estar passando por um período difícil de sua vida e estar solicitando ajuda. Toda e qualquer ameaça a de suicídio deve ser levada a sério.
  • O suicídio acontece sem aviso”. Falso. Apesar de muitos pensarem ser um ato impulsivo, isso nem sempre é verdade. Muitas pessoas pensam em suicídio constantemente. Além disso, muitos suicidas comunicam seu sofrimento diariamente a outras pessoas.
  • O suicídio só acontece com os outros.” Falso. O suicídio pode ocorrer com quaisquer pessoas que estejam em um alto grau de sofrimento. Aqui vale lembrar que o sofrimento independe de dinheiro, classe social, etc…
  • Uma pessoa que tentou cometer suicídio uma vez, não voltará a tentar.” Falso. Na verdade, as tentativas de suicídio são um um indicador de que o suicídio pode realmente ocorrer.

Suicídio e imprensa[editar | editar código-fonte]

Muitos acreditam que abordar suicídio na imprensa pode, de alguma forma, aumentar a incidências de casos no local. Todavia, é preciso falar corretamente sobre o assunto, de modo a evitar que informações inadequadas cheguem à população e aumentem o estigma relacionado aos transtornos mentais.

Pensando nisso, a Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP, lançou, em 2016, juntamente com o Conselho Federal de Medicina - CFM, a cartilha "Cartilha – Comportamento suicida: conhecer para prevenir", um manual direcionado aos profissionais da imprensa". Nela, podem ser encontradas dicas de como abordar o assunto sem desrespeitar as orientações da Organização Mundial da Saúde - OMS.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d «Setembro Amarelo: saiba o que é e entenda a sua importância». MdeMulher 
  2. «Campanha Setembro Amarelo faz alerta para aumento de casos de suicídio». Brasil.gov. Consultado em 4 de setembro de 2017. 
  3. «Movimento Mundial Setembro Amarelo estimula prevenção do suicídio - CVV | Centro de Valorização da Vida». CVV | Centro de Valorização da Vida. 1 de setembro de 2016 
  4. Enfermagem, Sou (10 de setembro de 2018). «Há um suicídio no mundo a cada 40 segundos, diz EBC». Sou Enfermagem. Consultado em 13 de setembro de 2018. 
  5. «Cartilha "Suicídio: informando para prevenir"». Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP e Conselho Federal de Medicina - CFM. 2014. Consultado em 2018.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. «Campanha Setembro Amarelo promove a valoração a vida». ACP 
  7. Saudável), Breno H. M. (Minuto (23 de julho de 2018). «Campanha Setembro amarelo: o que é, como surgiu, objetivo e mais | MS». Minuto Saudável 
  8. «Campanha Setembro Amarelo». www.sns.gov.pt. Consultado em 25 de junho de 2018. 
  9. «Entendendo o Suicídio - Causas e Tratamentos | Yuri Busin | Psicólogo em SP». yuribusin.com.br. Consultado em 5 de setembro de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]