Yaoi

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Disambig grey.svg Nota: Para o gênero por e para homens gays, veja Geicomi (gênero).

Yaoi (em japonês: やおい| "iá-ô-í") é um gênero de publicações que tem o foco em relações homoafetivas entre dois homens. O termo se originou no Japão e inclui principalmente dōjinshis. Atualmente no Japão e no mundo, o termo "Boys Love" (ou BL) é o mais utilizado em trabalhos profissionais.

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Pronúncia[editar | editar código-fonte]

Na pronúncia japonesa fiel, todas as três vogais são pronunciadas separadamente (apesar disso, é frequentemente escutado mundo afora com apenas duas sílabas, IPA: [jaˈoi̯]). A pronúncia mais correta em português seria pois [ja.oˈi], ou "iaoí" (a sílaba tônica é a última vogal), com a versão aberta ou fechada da letra "o" mas jamais a reduzida [u]. Entretanto, nenhuma dessas regras é estrita, com muitas pessoas não dando devida atenção a detalhes muito mais importantes da pronúncia da língua japonesa na hora de usar empréstimos dela oriundos.

Significado[editar | editar código-fonte]

As letras em japonês formam o acrônimo da frase 「ヤマなし、オチなし、意味なし」 (yama nashi, ochi nashi, imi nashi), que é traduzido para o português como "Sem clímax, sem resolução, sem significado", ou como a frase de efeito "Sem pico, sem ponto, sem problema.", apesar do termo não ser usado dessa maneira. O termo parece ter sido originalmente usado no Japão por acaso por volta dos anos 80 para descrever dōjinshis amadoras.[1]

Origem[editar | editar código-fonte]

No final da década de 1980, houve um aumento significativo de trabalhos envolvendo paródias de mangás publicados em formato de dōjinshis, que são conhecidas por serem revistas amadoras de publicação independente[2]. A “explosão” desses mangás amadores ocorreu principalmente pela alta popularidade do anime Shōnen com temática esportiva Capitão Tsubasa no ano de 1985. Logo em seguida, animes e mangás de renome como Saint Seiya, Tenkuu Senki Shurato, Yoroiden Samurai Trooper e Ginga Eiyuu Densetsu também se tornaram objeto de intensa “yaoi-ização”, ou seja, aumentou ainda mais a produção e venda de dōjinshis no Japão.[3]

Acredita-se que o termo foi criado por Yasuko Sakata e Akiko Hatsu ainda nos anos 80[4][5], ambas artistas que participaram do Year 24 Group, movimento responsável por revolucionar a demografia Shōjo. Inicialmente o termo era usado de maneira depreciativa e irônica, já que na época as histórias deste novo gênero eram inicialmente escritas por autoras amadoras e aspirantes à mangakás.[3]

Com o passar dos anos, o Yaoi ganhou características próprias e histórias mais complexas. Além disso, no começo dos anos 2000 surgiram diversas revistas especializadas em publicar tais mangás, fazendo com que a palavra Yaoi se tornasse inadequada como um termo comercial. Como substituição, a demografia passou a ser nomeada como “Boys Love”, se tornando a nomenclatura mais utilizada no Japão e no mundo. Ademais, era desconfortável utilizar Yaoi para se referir histórias com origem sul-coreana ou tailandesa, por exemplo, já que Yaoi é uma palavra com característica japonesa muito forte.[6]

Uke, Seme, Riba e entre outros[editar | editar código-fonte]

“Seme” (“semeru” 攻め) é escrito com o kanji que significa “ataque” (攻める), ou seja, o personagem “Ativo” e “Uke” (“ukeru”, 受け) é escrito com o kanji que significa “receba” (受ける), ou seja, o personagem “Passivo” de uma relação. Inicialmente, esses termos eram usados em artes marciais e que foram apropriados por artistas de dōjinshis para descrever os papéis sexuais dos personagens. Já o “Riba” (“Ribā”, リバ) é escrito em katakana, pois é a abreviação de “reversível”, usado para indicar casais com papéis sexuais que não são estritamente definidos, "Riba" é amplamente usado na indústria de dōjinshis.[7]  

Atualmente, embora os termos “Seme” e “Uke” sejam usados com muita frequência na indústria de BL e doujinshi no Japão, muitos fãs também utilizam outros termos para descrever os papéis dos personagens em um relacionamento. Alguns usam as palavras “tachi” (タチ) e “neko” (ネコ), ativo e passivo respectivamente, e nos últimos anos também pode-se encontrar os termos “hidari” (左) e “migi” (右) para se referir aos papéis não-sexuais entre os personagens em um relacionamento.[7]

Shōnen-ai[editar | editar código-fonte]

O termo Shōnen-ai foi exportado para ocidente com um erro de tradução, o que originou o senso comum de que “Shounen-ai é um gênero que refere-se aos mangás sem cenas sexuais” e “Yaoi é um gênero que refere-se aos mangás com cenas sexuais”. Na realidade, o Shōnen-ai é um termo utilizado para se referir aos primeiros mangás Shōjo com temática homoafetiva nos anos 70. As pioneiras do Shōnen-ai foram Moto Hagio(também conhecida como a pioneira do “Shōjo moderno”) e Keiko Takemiya.[8]

O Shōnen-ai geralmente tinha como características a presença de jovens garotos bishounen, ou seja, adolescentes de boa aparência, e a descoberta do amor romântico. Nunca foi especificado que tipo de amor era, mas certamente não se limitou ao relacionamento heteronormativo dominante na época[9]. O termo chegou ao ocidente com a tradução literal “Amor entre garotos”, mas na verdade, no Japão Shōnen-ai tem um significado próximo à palavra Pederastia, por conta do significado inapropriado para se referir às histórias com relacionamento entre homens e da bagagem íntima com o Shōjo, a palavra foi substituída algumas vezes, até que o termo “Boys Love” foi o mais adequado.  

Boys Love[editar | editar código-fonte]

Não se sabe ao certo como a nomenclatura Boys Love surgiu, mas acredita-se que o slogan “BOYS LOVE COMIC” da revista “IMAGE” em 1991 deu origem à expressão Boys Love (ou apenas “BL”). Os responsáveis pela revista também pensaram que outras palavras como "JUNE", "tanbi" e "yaoi" não eram suficientes para descrever o conteúdo da revista, que enfatizava o enredo ao invés dos elementos sexuais, porém, eles não imaginavam a proporção que chegaria o BL, que passou a ser usado como termo oficial. Apesar de “Boys Love” não ter sido a primeira nomenclatura para descrever o conteúdo homoafetivo em mangás, foi ela que ganhou espaço em revistas comerciais no Japão, sendo um termo para se referir aos trabalhos profissionais de mangakás. Além disso, o “Boys Love” tornou-se popular em países como Coréia do Sul, Tailândia, Estados Unidos e entre outros.[6]

Apesar da popularidade da palavra, na China houve resistência e utiliza-se a palavra Danmei em alternância com Boys Love.[6]

Artistas de Dōjinshis[editar | editar código-fonte]

Yaoi Books by miyagawa.jpg

A maior parte dos mangakás de Boys Love começaram sua carreira produzindo dōjinshis com o gênero romance que envolvem casais não-oficiais. Algumas artistas famosas são:

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Geicomi - Termo usado para definir relações homossexuais entre homens.
  • Yuri - Termo usado para animes e mangás com conteúdo homossexual feminino.
  • Josei - Termo usado para animes e mangás voltados a mulheres adultas.
  • Shonen-ai - Termo percursor do Shojo.

Referências[editar | editar código-fonte]