ShKAS

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ShKAS
ShKAS machine gun.jpg
Uma ShKAS no Museu de Equipamentos de Zadorozhny
Tipo Metralhadora
Local de origem  União Soviética
História operacional
Utilizadores Veja Usuários
Guerras Segunda Guerra Mundial
Guerra Civil Espanhola
Segunda Guerra Sino-Japonesa
Histórico de produção
Criador Boris Shpitalniy e Irinarkh Komaritsky
Data de criação 1932
Período de
produção
1933–1945
Quantidade
produzida
~150.000
Especificações
Peso 10,5 kg (23,1 lb)
Cartucho 7.62×54mmR
Velocidade de saída 775–825 m/s (2.540–2.710 ft/s)
Mira Mira de ferro

A ShKAS (Shpitalny-Komaritski Aviatsionny Skorostrelny, Shpitalny-Komaritski tiro rápido para aeronaves; em russo: ШКАС - Шпитальный-Комарицкий Авиационный Скорострельный) é uma metralhadora de calibre 7.62 mm amplamente utilizada em aeronaves soviéticas na década de 1930 e durante a Segunda Guerra Mundial. Foi projetada por Boris Shpitalniy e Irinarkh Komaritsky, entranto em produção em 1934. A ShKAS foi utilizava na maior parte dos caças e bombardeiros soviéticos e serviu de base para o canhão ShVAK.

Descrição[editar | editar código-fonte]

A ShKAS é uma metralhadora do tipo revólver operada a gás; possui uma única câmara na qual o pino atinge o primer (iniciador).

Um elemento chave da alta cadência de tiro da ShKAS é o tambor rotativo que mantém dez cartuchos e fornece uma remoção progressiva e muito suave dos cartuchos de sua cinta com ligação que se desintegra. Outro elemento é a porção de recuo leve da arma, que pesa apenas 921 gramas (2,07 lb).

Uma análise dos Estados Unidos desclassificada sobre o sistema de alimentação, baseado em modelos capturados durante a Guerra da Coreia, cita:[1]

Diagrama da operação do sistema de alimentação da ShKAS
Uma interessante partida foi tomada da até então prática ortodoxa de municiamento em uma arma deste calibre. A alimentação lembra, de certa forma, um cilindro de revólver com ranhuras, sendo uma parte integral da arma e os cartuchos permanecem axiais durante toda a operação.

A cadeia de alimentação cilíndrica é rodada por um braço que abre uma abertura no pistão a gás. Um sulco helicoidal no tambor retira os cartuchos da cinta de metal desintegrante ao se mover através da linha de alimentação, ativando seus aros e gradualmente saltando os cartuchos para trás. Os cartuchos livres são então colocados na parte inferior do receptor para o encerramento da rotação final.

Este tipo circular de alimentador armazena dez projéteis. Várias fases são requeridas para desconectar completamente um projétil e girá-lo na posição que será empurrado para a câmara. Uma pequena alça dobrável no lado superior é usada para girar o tambor de alimentação ao encher com cartuchos.

Ao retirar o projétil lentamente da cinta com este tipo de alimentação praticamente não causa arrasto quando a arma é utilizava em alta velocidade. Tem tração de correia o suficiente para lidar com praticamente qualquer comprimento de cinta desejado. [...]

A Força Aérea Russa deu o apelido desta configuração de alimentação de "gaiola". É uma adaptação de um sistema utilizado pela primeira vez por um projetista polonês, Gabriel Szakats.


(Ian V. Hogg chamou o sistema de alimentação da ShKAS de uma "gaiola de esquilos".[2])

Após analisar as partes menos incomuns da ShKAS, a fonte americana conclui:[1]

Então, a ShKAS é uma inovação baseada nas características da Maxim (ejeção e buffer), da Szakats (alimentação), e da Berthier (atuada por pistão, culatra apoiada, travamento)


Apesar da ShKAS ser bem conhecida por sua alta cadência de tiros, havia a possibilidade de atirar mais lentamente ao reduzir a pressão do gás. Isto era feito ao "mudar a posição dos orifícios no regulador de gás, que vem com orifícios de três diferentes tamanhos: 2.1 mm (1/12-inch), 2.5 mm (1/10-inch) e 3.2 mm (1/8-inch). Quanto menor o orifício utilizado, mais moderada é a cadência de tiros."[3]

Variantes[editar | editar código-fonte]

ShKAS montada em uma torre

A produção inicial consistia de uma ShKAS montada em asas ou torres, com uma versão sincronizada entrando em serviço no ano de 1936.

Em 1952 a inteligência ocidental havia identificado cinco diferentes modelos, todas incluindo o número "426" em suas marcas:[4]

  • um protótipo "426" apareceu em 1932
  • KM-33, em tarefas flexíveis, apareceu em 1933
  • KM-35, em tarefas flexíveis (1934) e montada em asas (1935)
  • KM-36, em tarefas flexíveis (1935) e sincronizada com a hélice (1937); esta última tinha um cano extra longo
  • Um modelo de 1941, montada em asas

"KM" significa "modelo construído", por exemplo, modelo de produção. A tarefa pretendida era marcada com as letras "T" para flexível, "K" para asas, e "S" para sincronizadas.[4] A versão flexível era usualmente montada em uma cópia soviética do "anel Scarff".[5] O modelo de 1937 tinha uma cadência de tiros pouco maior, de 2.000 tiros por minuto.[5] A quantidade de munição normalmente levada era de 750 cartuchos para os modelos fixos e de 1.000 a 1.500 para os flexíveis.[6]

Os arquivos soviéticos indicam os seguintes volumes de produção, por ano:[7]

  • 1933 — 365 produzidas
  • 1934 — 2.476
  • 1935 — 3.566
  • 1937 — 13.005
  • 1938 — 19.687
  • 1940 — 34.233
  • 1943 — 29.450
  • 1944 — 36.255
  • 1945 — 12.455

Em 1939, um pequeno número de Ultra-ShKAS foram produzidas com uma cadência de tiros de 3.000 tiros por minuto, mas foi pouco utilizada devido a problemas de confiabilidade.

Efetividade[editar | editar código-fonte]

A ShKAS foi o armamento de aeronaves de calibre de rifle com maior cadência de tiro em serviço na Segunda Guerra Mundial. Uma rajada de um segundo de quatro ShKAS de um Polikarpov I-153 ou Polikarpov I-16 colocava 120 projéteis dentro de 15 mil angular a 400 metros, dando uma densidade de tiro de 5 projéteis por metro quadrado do céu. Além disso, a ShKAS era incomumente leve; as quatro armas, com 650 cartuchos cada, pesava um total de apenas 160 kg (350 lb). A ShKAS não era, entretanto, uma arma livre de problemas. O técnico soviético de metralhadoras Viktor M. Sinaisky destacou:

A metralhadora ShKAS tinha uma alta cadência de tiro, mas também 48 formas de travar. Algumas podiam ser consertadas imediatamente, outras não. E 1.800 tiros por minuto era uma cadência de tiros insanamente alta. Se você puxasse o gatilho por muito tempo, a ShKAS utilizaria toda sua munição de uma vez só!![8]


Especificações da arma[editar | editar código-fonte]

Especificações da munição 7.62 mm[editar | editar código-fonte]

Apesar de baseada no cartucho 7.62×54mmR, as armas ShKAS utilizaram alguns construídos especialmente para ela para menores tolerâncias; para distinguir das munições 7.62 comuns, a letra em cirílico "Sh" (Ш) foi impressa na parte inferior dos cartuchos. Projetados por N. M. Elizarov, tinham algumas características adicionais, como uma dupla crimpagem e uma parede do cartucho mais espessa de construção "bimetálica" ao invés do tradicional cobre.[9] O principal tipo do projétil utilizado era o perfurante-incendiário B-32.

  • Peso do projétil: 148 grãos (9,6 gramas)
  • Peso do cartucho: 370 grãos (24 gramas)
  • Coeficiente balístico: 2.100 kg/m² (3,0 lb/in²)
  • Duração da munição traçante: 750 m (2.460 ft)
  • Perfuração em blindagem: 11 mm (0,43 in) a 400 m (1.312 ft)

Possíveis influências[editar | editar código-fonte]

Alguns historiadores militares consideram que o sistema de alimentação do Mauser MG 213C (o canhão de revólver seminal para projetos ocidentais) tenha sido inspirado pela ShKAS.[10][11][12]

Usuários[editar | editar código-fonte]

See also[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. a b Chinn, pp. 78-79
  2. Ian V. Hogg (1978). The illustrated encyclopaedia of firearms. [S.l.]: New Burlington Books. p. 279. ISBN 978-0-906286-41-8 
  3. Chinn, p. 80
  4. a b Chinn, p. 72
  5. a b Chinn, p. 73
  6. Chinn, p. 79
  7. Shirokorad, p. 73; não há dados para 1936, 1939 e 1941–1942
  8. Drabkin 2007, pp. 60-68.
  9. Сергей МОНЕТЧИКОВ, ОРУЖЕЙНАЯ МАСТЕРСКАЯ: 7,62-мм ВИНТОВОЧНО-ПУЛЕМЕТНЫЕ ПАТРОНЫ, Bratishka 2012/1
  10. George Chinn 1951, The Machine Gun: Development During World War II and Korean Conflict by the United States and their Allies of Full Automatic Machine Gun Systems and High Rate of Fire Power Driven Cannon, Volume III, Partes VIII e IX. p. 44
  11. Bill Gunston (1987). The Illustrated Encyclopedia of Aircraft Armament: A Major Directory of Guns, Rockets, Missiles, Bombs, Torpedoes and Mines. [S.l.]: Salamander Books. p. 24. ISBN 978-0-86101-314-2 
  12. E. J. Hoffschmidt (1969). German aircraft guns and cannons. [S.l.]: WE, inc. p. 117 
Bibliografia
  • Drabkin, Artem (2007). The Red Air Force at War: Barbarossa and the Retreat to Moscow – Recollections of Fighter Pilots on the Eastern Front. Barnsley, South Yorkshire, Reino Unido: Pen & Sword Military. ISBN 1-84415-563-3 
  • Romanov D.I. Aerial Weapons. [S.l.: s.n.] 
  • Chinn, George M. (1952). The Machine Gun. II, Parte VII. [S.l.]: US Department of the Navy 
  • Shirokorad A.B. (2001). Istorya aviatsionnogo vooruzhenia. [S.l.]: Harvest. ISBN 985-433-695-6 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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