ShVAK

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
ShVAK 20 mm
ShVAK cannon.jpg
Tipo Canhão automático
Local de origem  União Soviética
História operacional
Em serviço A partir de 1936
Utilizadores  União Soviética
Guerras A partir da Segunda Guerra Mundial
Histórico de produção
Criador Boris Shpitalniy e Semyon Vladimirov
Data de criação 1935-1936
Período de
produção
1936–1946
Variantes
  • três variantes de 20 mm para aeronaves
  • uma variante para tanque (TNSh)
  • Especificações
    Peso 39,92 kg (88,0 lb)
    Comprimento 1 679 mm (66,1 in)
    Cartucho 20×99R mm
    Velocidade de saída 750–790 m/s (2.500–2.600 ft/s)

    O ShVAK (em russo: ШВАК: Шпитальный-Владимиров Авиационный Крупнокалиберный, Shpitalnyi-Vladimirov Aviatsionnyi Krupnokalibernyi, "Shpitalny-Vladimirov calibre largo para aeronaves") foi um canhão automático de 20 mm utilizado pela União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Foi projetado por Boris Shpitalniy e Semyon Vladimirov, entrando em produção no ano de 1936. O ShVAK foi instalado em vários modelos de aeronaves soviéticas. A versão TNSh foi produzida para tanques leves (em russo: ТНШ: Tankovyi Nudel’man-Shpitalnyi).

    Desenvolvimento e produção[editar | editar código-fonte]

    Desenho do cartucho da metralhadora ShVAK 12,7x108R

    ShVAK 12.7 mm[editar | editar código-fonte]

    O desenvolvimento da ShVAK 12.7 mm foi em resposta a um decreto do governo soviético de 9 de Fevereiro de 1931, ordenando que fabricantes domésticos produzissem uma metralhadora para o cartucho 12.7×108mm que havia sido introduzido alguns anos antes da metralhadora DK. O projetista de Tula, S.V. Vladimirov, respondeu ao chamado produzindo basicamente uma versão maior da ShKAS, com um longo cano de 1.246 mm e um comprimento total de 1.726 mm. O primeiro protótipo estava pronto para testes em 28 de Maio de 1932. O processo de testagem foi razoavelmente prolongado, mas a ShVAK 12.7 mm foi nominalmente adotada em serviço no ano de 1934.[1]

    A produção em série foi oficialmente iniciada em 1935 na fábrica INZ-2 em Kovrov,[2] mas logo se atrasou pelo fato da ShVAK ser um tanto complexa de fabricar. De acordo com relatos soviéticos, das 410 ShVAK 12.7 mm planejadas para aeronaves em 1935, apenas 86 foram concluídas; na versão para tanques, 40 haviam sido solicitadas mas apenas 6 entregues naquele mesmo ano.[1] Um relatório de inteligência ocidental de 1952 indica que apenas "algumas" ShVAK foram produzidas no calibre 12.7 mm.[3]

    Um outro problema que ajudou a complicar a utilização da arma foi que a ShVAK 12.7 mm acabou não utilizando o cartucho 12.7×108mm sem aro, utilizado pela metralhadora DK, pelo fato de ser uma adaptação do mecanismo ShKAS, que requeria seu próprio cartucho 12.7 mm.[2][4] A produção da munição 12.7 mm com aro foi encerrada em 1939, quando foi decidido que a Berezin UB era preferível pois podia compartilhar a munição com a DShK.[2]



    ShVAK 20 mm[editar | editar código-fonte]

    O canhão ShVAK 20 mm foi projetado em algum momento entre 1935 e 1936, com a produção em série iniciando em 1936. Alguns meses depois, a produção da versão de 12.7 mm foi encerrada.[5] Similar a seus antecessores, o canhão ShVAK 20 mm era uma arma operada a gás, com cinta de munição com conector que se desintegrava.[5]

    Dependendo da instalação pretendida os ShVAK eram marcados com "MP" para a versão para tanques (comprimento total da arma 2.122 mm; peso 44,5 kg), "KP" para a versão montada na asa (1.679 mm de comprimento total; 40 kg), "TP" para instalações flexíveis (1.726  mm de comprimento; 42 kg), e "SP" para instalações sincronizadas.[6]

    O sistema de alimentação de "gaiola" no ShVAK 20 mm foi uma versão melhorada da ShKAS. Podia manter 11 cartuchos e ter uma operação mais suave. Assim como na ShKAS, o propósito da cadeia de alimentação era gradualmente desconectar os cartuchos, evitando qualquer enrosco na cinta. O regulador de gás do tipo Berthier tinha quatro orifícios (de 3.5, 4, 4.5 e 6 mm) permitindo que fossem selecionadas diferentes cadências de tiro.[7] A diferença mais significativa em relação à ShKAS era que o cilindro de gás foi movido sob o cano no ShVAK, dando a este um visual mais compacto.[8]

    O fim do cano era roscado, permitindo a instalação de um tubo de redução de rajada de um comprimento que dependia dos requerimentos da instalação:[9]

    Uma das principais características desta arma é o método de solucionar as dificuldades do tubo de rajada, um problema em todas as instalações de canhões em aviões de caça. A solução simples dos soviéticos foi de deixar uma ponta de rosca no fim do cano padrão e então rosquear por qual comprimento fosse necessário, um tubo, do qual o diâmetro era pouco maior que a área de rotação do projétil. Esta configuração permitiu que a explosão e o gás vazassem por volta do projétil antes que saísse do tubo, não apenas reduzindo o efeito da explosão na arma mas também, por seu comprimento adicional, levando o projétil e a explosão para frente de partes da aeronave, que de outra forma, seriam danificadas.


    Um relatório da inteligência ocidental de 1952 continha informações relevantes sobre o ShVAK 20 mm: "em relação ao seu poder, a arma é muito leve e extremamente compacta"[9] e que "tem um alcance comparável ao nosso canhão M3, apesar de sua versão de cano curto ser 16 libras mais leve".[8] Ele foi, entretanto, considerado "relativamente difícil de produzir" em fábricas americanas, pelo fato de ser construído de partes relativamentes flexíveis (não tratadas com aquecimento) que eram lixadas. Esta escolha de materiais foi assumida como motivada pelo desejo de permitir que as partes se "deformem e dobrem bem antes de fraturar", permitindo uma operação mais segura em uma alta cadência de tiros, mas tendo por outro lado a menor vida útil em geral da arma.[10]

    Arquivos soviéticos indicam que o ShVAK 20-mm foi produzido em largos números durante a Segunda Guerra Mundial:[11]

    • 1942 — 34.601 produzidas
    • 1943 — 26.499
    • 1944 — 25.633
    • 1945 — 13.433
    • 1946 — 754

    Após a guerra, o ShVAK foi substituído pelo Berezin B-20, que oferecia um desempenho similar mas com um peso muito menor.

    Aplicações[editar | editar código-fonte]

    Três Polikarpov I-16, todos produzidos em Janeiro de 1939, foram armados com a versão sincronizada da ShVAK 12.7 mm; esta curta série recebeu a designação I-16 Type 16. Os três caças passaram com sucesso nos testes da fabricante e foram entregues para a Força Aérea Soviética para os testes do estado.[12] O cancelado Yatsenko I-28 também utilizaria a metralhadora ShVAK 12.7 mm em um par sincronizado, mas alguns poucos protótipos que voaram no verão de 1939 não tinham armamento pelo fato de seu motor não possuir um sincronizador para as armas.[13]

    O canhão ShVAK 20 mm foi instalado em asas, no nariz ou em configurações sincronizadas nos seguintes caças: Polikarpov I-153P e I-16, Mikoyan-Gurevich MiG-3, Yakovlev Yak-1, Yak-3, Yak-7, e Yak-9, LaGG-3, Lavochkin La-5 e La-7, o caça noturno Petlyakov Pe-3 e o Hawker Hurricane soviético (modificado). Foi também instalado na asa do bombardeiro Tupolev Tu-2 e algumas versões de ataque ao solo do bombardeiro Petlyakov Pe-2, que também tinha instalado em um montante fixo.[14] Algumas versões iniciais do avião de ataque ao solo Ilyushin Il-2 também o utilizaram, mas substituído neste modelo pelo Volkov-Yartsev VYa-23 de 23 mm. O ShVAK em montante flexível foi usado nos bombardeiros Petlyakov Pe-8 e Yermolayev Yer-2.[15]

    A versão de tanque foi instalada nos tanques leves T-38 e T-60.[11]

    Munição[editar | editar código-fonte]

    A munição do ShVAK consistia em uma mistura de cartuchos de fragmentação-incendiários e de penetração em blindagem-incendiários.

    Designação da URSS Abreviação dos EUA Peso do projétil [g] Velocidade de saída [m/s] Descrição
    OZ HEI 96.0 770 2.8 g HE + 3.3 g incendiário
    OZT HEI-T 96.5 770 2.8 g HE + 3.3 g incendiário, marcador
    OF HE-Frag.
    91.0
    790
    6.7 g HE, ranhuras de fragmentação na cápsula
    OFZ HEI-Frag. 91.0 790 0.8 g HE + 3.8 g incendiário, ranhuras de fragmentação na cápsula
    BZ API-HC 96.0 750 Projétil de aço leve com núcleo de aço reforçado, envolto com 2.5 g incendiário, com uma capa balística de alumínio ou bakelite
    BZ API-HC
    99.0
    750
    Como acima, mas com a capa de aço trançado
    BZ API
    96.0
    750
    Tiro de aço sólico com incendiário em capa de aço trançado
    BZT API-T
    96.0
    750
    Como o acima, mas com tiro marcador na cavidade
    PU TP
    96.0
    770
    HEI inerte
    PUT TP-T
    96.5
    770
    Projétil de cabeça oca com marcador trançado na cavidade

    Haviam problemas também com o desenvolvimento da munição. Haviam casos de explosão prematura na munição no cano. O primeiro problema foi resolvido em 1936 por alterar o ativador do modelo MG-3 pelo modelo MG-201, mas o problema não foi completamente eliminado até a introdução do ativador K-6 em 1938, cuja confiabilidade evitava que os projéteis fossem armados antes que estivessem 30 a 50 cm fora do cano.[16]

    Ver também[editar | editar código-fonte]

    Referências[editar | editar código-fonte]

    Notas
    1. a b Shirokorad, pp. 74-75
    2. a b c Борцов А.Ю. (Maio de 2006). «"Пятилинейный", Мастер-ружье» (PDF) 110 ed. pp. 56–62 
    3. Chinn, p. 93
    4. Chinn, vol. 2, pp 178-180
    5. a b Shirokorad, p. 75
    6. Chinn, p. 72 para as designações; pesos e comprimentos para três das quatro variantes é fornecida por Shirokorad, pp. 75-76
    7. Chinn, p. 85-86
    8. a b Chinn, p. 85
    9. a b Chinn, p. 82
    10. Chinn, p. 82-84
    11. a b Shirokorad, p. 77
    12. Маслов М. А. (2008). Истребитель И-16. Норовистый «ишак» сталинских соколов (em russo). [S.l.]: Яуза / Коллекция / ЭКСМО. pp. 55–57. ISBN 978-5-699-25660-0 
    13. http://www.airwar.ru/enc/fww2/i28.html
    14. Shirokorad, p. 77 menciona todos os acima exceto o Yak-3
    15. Shirokorad, p. 77; entretanto, omite o Il-2
    16. Shirokorad, pp. 76-77
    Bibliografia
    • Shirokorad A.B. (2001). Istorya aviatsionnogo vooruzhenia. [S.l.]: Harvest. ISBN 985-433-695-6 
    • Koll, Christian (2009). Soviet Cannon - A Comprehensive Study of Soviet Arms and Ammunition in Calibres 12.7mm to 57mm. Áustria: Koll. p. 117. ISBN 978-3-200-01445-9 
    • Chinn, George M. (1952). The Machine Gun. II, Parte VII. [S.l.]: US Department of the Navy 

    Ligações externas[editar | editar código-fonte]

    Commons
    O Commons possui imagens e outras mídias sobre ShVAK cannon