Shaka Zulu

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Shaka Zulu
O único desenho conhecido de Shaka com a azagaia e o escudo pesado em 1824, quatro anos antes de sua morte.
Nascimento ca. 1787
KwaZulu-Natal
Morte 22 de setembro de 1828 (41 anos)
Residência KwaDukuza, África do Sul
Progenitores Mãe: Nandi
Pai: Senzangakona
Filho(s) Desconhecido
Religião Zulu

Shaka Zulu, às vezes escrito como Tshaka, Tchaka ou Chaka (KwaZulu-Natal, 1773? — 22 de setembro de 1828), foi um chefe tribal e estrategista militar [1] , que transformou os zulus de uma etnia com pouca expressão territorial em um império que ensombrou os desígnios coloniais britânicos.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Origens e Infância[editar | editar código-fonte]

Filho orfão e ilegítimo de Senzanganakhona, chefe do clã zulu dos nguni, Shaka e a mãe foram banidos da sua umuzi (aldeia), e forçados a viver no exílio entre os mtetwa, na altura do reinado de Dingiswayo.[3]

Ao atingir a puberdade, Shaka seguiu os costumes dos Mtetwa, e juntamente com os outros rapazes da sua idade (intanga), integrou o regimento isiCwe do exército de Dingiswayo.[4] Shaka integrou-se bem na vida militar, e à medida que a sua fama pessoal e autoridade aumentava, introduziu alterações às tácticas anteriormente utilizadas.

Uma das mudanças mais importantes foi o abandono das tácticas de combate "atacar e retirar", pelo combate corpo a corpo, perseguição do inimigo, e da aniquilação total do inimigo. Estas tácticas foram sendo adoptadas por outros clã dos Nguni. No início da década de 1810, contra os Buthelezi em 1810, e posteriormente contra os Nongoma em 1812, Shaka havia aperfeiçoado a implementação dos seus homens no campo de batalha numa formação de ataque em forma de lua, com as pontas denominadas izimpondo (cornos), e o centro de isifuba (peito), com a qual obteve grandes êxitos, e seria a formação de combate padrão dos zulus nos próximos noventa anos.

Em 1816 foi enviado por Dingiswayo, chefe dos mtetwa, e regressa do exílio, e rapidamente se afirma rei dos zulus, eliminando todos que se lhe opunham. Um dos seus primeiros actos é constituir quatro regimentos, que são a origem do impi, nome pelo qual os exércitos zulus ficariam conhecidos. Os impis estavam armados com uma pequena lança, a assegai, um escudo de couro de boi, uma espécie de porrete que podia ser arremessado no inimigo com grande precisão e ainda o "cuspe de veneno", substância tóxica encontrada numa erva que era mastigada pelos guerreiros de Shaka, que a cuspiam no rosto dos inimigos durante os combates, causando grande irritação nos olhos. Apoiado neste impi, parte para nesse mesmo ano para atacar novamente os Buthelezi.

Em 1818 a sua atenção vira-se para os ndwandwe, que vence na batalha de Gqokli, de forma decisiva, apesar de a vantagem à partida não estar do seu lado. A mesma sorte tiveram outros clãs e tribos, contra quem os Zulus apontaram a sua máquina de guerra, numa expansão territorial que iria aumentar o território sob o seu controlo cerca de 12 vezes.

1824 seria um ano marcante na histórios dos Zulus: Shaka autorizou o estabelecimento de europeus (H.F. Fynn e Lt. Farewell, fundadores da Natal Trading Company) no seu território. Estes fundaram Port Natal, a actual cidade de Durban.

Shaka foi assassinado em 1828[5] pelos seus meio-irmãos Dingane e Mhalangana, sucedendo-lhe Dingane.

Referências

  1. José Pedro Barreto ( "Caminhos da Memória / Revista Egoísta 2001" ). «Os cornos do búfalo – Shaka Zulu (1787-1828)». Arquivado desde o original em 11/07/2015. Consultado em 29 de abril de 2016. 
  2. Omer-Cooper, J. D. (1965) "The Zulu Aftermath," London: Longman, pp. 12–86
  3. See Encyclopædia Britannica article (Macropaedia Article "Shaka" 1974 ed.)
  4. Morris, pp. 17–69
  5. Natalia da Luz ( "Por dentro da África / JB 2010" ). «Na África do Sul, o ritmo dos “guerreiros” descendentes de Shaka Zulu». Arquivado desde o original em 28/04/2016. Consultado em 28 de abril de 2016. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Angus McBride, The Zulu War, Osprey (Men at Arms Series), 1992 - ISBN 0-85045-256-2
  • Avril Price-Budgen, Martin Folly, People in History, Mitchel Beazley Publishers, 1988 - ISBN


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