Sheela na Gig

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A famosa Sheela na gig de Kilpeck (Inglaterra).
A Moura Pena Furada em Coirós, a figura mais antiga da Europa.

As Sheela na Gigs (ou Sheela-na-Gigs) são talhas figurativas de mulheres nuas mostrando uma vulva exagerada. Encontram-se principalmente em igrejas, castelos e outras edificações, especialmente na Irlanda e Grã-Bretanha, às vezes junto a figuras masculinas. Irlanda conta com o maior número de talhas Sheela na Gig conhecidas: em The Sheela-na-Gigs of Ireland and Britain: The Divine Hag of the Christian Celts – An Illustrated Guide, Jack Roberts e Joanne McMahon citam 101 exemplos na Irlanda frente a 45 na Grã-Bretanha.[1]

Diz-se que estas talhas guardam da morte e o mal.[2][3] Outras figuras grotescas como gárgulas são frequentes em igrejas de toda a Europa, sendo comum dizer que a sua presença afasta os espíritos malvados (veja-se Magia apotropaica). São comuns sobre portas e janelas, para proteger estas aberturas.

Origem da Sheela na Gig[editar | editar código-fonte]

Existe controvérsia a respeito da origem destas figuras. Um ponto de vista, sustentado por Anthony Weir e James Jerman, é que as Sheelas foram talhadas pela primeira vez na França e na Espanha no século XI, e o motivo chegou depois à Grã-Bretanha e Irlanda no século XII. A obra de Weir e Jerman foi uma continuação da investigação iniciada por Jørgen Andersen, quem escreveu The witch on the wall (1977), o primeiro livro sério sobre as Sheela na Gigs. Eamonn Kelly, Conservador de Antiguidades Irlandesas do Museu Nacional da Irlanda em Dublin, fala no seu livro Sheela-na-gigs: origins and functions sobre a distribuição das Sheelas na Irlanda para apoiar a teoria de Weir e Jerman: quase todas as Sheelas conservadas in situ estão em regiões conquistadas pelos anglonormandos (século XII), enquanto nas zonas que permaneceram «irlandesas nativas» aparecem só umas pocas. Weir e Jerman também argumentam em Images of lust que a sua localização nas igrejas e a sua fealdade com respeito aos standards medievais sugerem que foram usadas para representar a luxuria feminina como horrível e pecaminosamente corrompedora.

Uma outra teoria, exposta por Jack Roberts e Joanne McMahon, é que as talhas são vestígios dum culto pré-cristão de fertilidade ou à Deusa Mãe. Roberts e McMahon assinalam ao que afirmam que são diferenças em materiais e estilos de algumas Sheelas respeito às suas estruturas circundantes, e que algumas aparecem giradas, para apoiar a ideia de que foram incorporadas desde estruturas anteriores a edifícios cristãos primitivos. Há diferencias entre as típicas figuras exibicionistas «continentais» e as Sheelas irlandesas, incluindo a escasseza de figuras masculinas na Irlanda e Grã-Bretanha, mais frequentes no continente, onde também aparecem posturas mais «contorcionistas».

Em 2011 foi achada em Coirós, Galiza, uma figura de Sheela-na-gig do século I. Trata-se, portanto, da figura mais antiga da Europa.

Sheela na Gig num muro da cidade de Fethard (Condado de Tipperary, Irlanda).

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Livros:

  • Andersen, J. (1977). The witch on the wall: medieval erotic sculpture in the British Isles (Copenhaga: Rosenkilde & Bagger). ISBN 978-87-423-0182-1. 
  • Concannon, M. (2004). The sacred whore: Sheela, goddess of the Celts (Cork: Collins Press). ISBN 978-1-903464-52-6. 
  • Freitag, B. (2004). Sheela-na-gigs: Unravelling an Enigma (Londres: Routledge). ISBN 978-0-415-34552-1. 
  • Kelly, E. P. (1996). Sheela-na-gigs: origins and functions (Dublín: Country House). ISBN 978-0-946172-51-1. 
  • O'Connor, J. (1991). Sheela na gig (Tipperary: Fethard Historical Society). ISBN 978-0-9518168-0-6. 
  • Roberts, J., McMahon, J. (2001). The Sheela-na-Gigs of Ireland and Britain: The Divine Hag of the Christian Celts – An Illustrated Guide (Cork: Mercier Press). ISBN 978-1-85635-294-9. 
  • Ross, A. (1967). Pagan Celtic Britain: studies in iconography and tradition (Londres: Routledge & K. Paul). OCLC 895156. 
  • Weir, A., Jerman, J. (1986). Images of lust: sexual carvings on medieval churches (Londres: Batsford). ISBN 978-0-7134-7404-6. 

Artigos:

  • Murray, M. (1934). «Female Fertility Figures». Journal of the Royal Anthropological Institute [S.l.: s.n.] LXIV. 
  • Oakley, T., Woodcock, A. (2006). «The Romanesque Corbel Table at St John's, Devizes and its Sheela na gig». The Wiltshire Archaeological and Natural History Magazine [S.l.: s.n.] 99. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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