Shewa

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Províncias da Etiópia

Shewa (Ge'ez ሽዋ šawā, atualmente šewā ou Choa) é um reino histórico situado na parte central da Etiópia, previamente uma monarquia autônoma dentro do Império Etíope. A atual capital da Etiópia, Addis Ababa, está localizada no centro da território histórico do reino Shewa.

O núcleo de Shewa é parte do plateau montanhoso que atualmente é a região central da Etiópia. No entanto, antes do período da história etíope conhecido como Zemene Mesafint, e após a perda de Bale com a invasão de Ahmad ibn Ibrihim al-Ghazi "o Conquistador"[1] (c. 1507 – 21 de Fevereiro de 1543[2] ), Shewa era parte da fronteiral ao sul da Etiópia. Shewa era facilmente defensável devido a sua posição elevada e existem registros de um governo desde este período, apesar de perdas de território para o Império Etíope. Em certos períodos, era considerado um lugar seguro, mas em outros ficava isolado do resto da Etiópia e rodeado por povos hostis.

As cidades de Debre Berhan, Antsokia, Ankober, Entoto e Addis Ababa serviram em algum momento como capital de Shewa, sendo Adis Ababa a capital após Shewa se tornar uma província do Império Etíope. A maior parte do norte de Shewa, constituída dos distritos de Menz, Tegulet, Yifat, Menjar, Bulga é povoada por Cristãos Amharas e Oromas, enquanto as regiões ao sul e ao leste tem populações Oromas e população Islã. O importante monastério de Debre Libanos, fundado por Santo Tekle Haymanot, está localizado no distrito de Selale, na região norte de Shewa (atualmente a woreda de Yaya Gulelena Debre Liban na Zona Semien Shewa).

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros registros históricos apontam para Shewa como um estado Muçulmano, que segundo G.W.B. Huntingford foi fundado em 896, e tinha sua capital em Walalah.[3] Este estado foi absorvido pelo Sultanato de Ifat por volta de 1285. Recentemente, três centros urbanos que se acredita faziam parte do Reino Islâmico de Shewa foram descobertos por um grupo de arqueologistas franceses.

Yekuno Amlak organizou sua revolta contra a dinastia Zagwe a partir de um enclave em Shewa povoado por cristãos Amhara. Ele se proclamava descendente direto direct de Salomão e dos emperadores anteriores a Zagwe Axumite, que usaram Shewa como um ponto de defesa quando ameaçados pela rainha Gudit e outros inimigos. Esta afirmação é suportada pelo Kebra Nagast, que menciona Shewa como parte do reino de Menelik I (capítulo 39). No entanto, este relato pode ser uma falsificação posterior refletindo uma conduta similar àquela da família de Lebna Dengel, porque o Império de Axum e seu antecessor D'mt ficavam limitados ao norte da Etiópia e à atual Eritrea durante o primeiro milênio AC.

No século XVI, Shewa e o restante da Abissínia cristã foram conquistadas pelas forças de Ahmed Al-Ghazi of Adal, e Shewa voltou a ser comandada por Muçulmanos. A região então ficou ameaçada pelos Oromos, que durante as primeiras décadas do século XVII povoaram as áreas ao redor de Shewa (que foram renomeadas Welega, Arsi e Wollo). Atualmente, os Oromos de Wollo e de Arsi são predominantemente Muçulmanos. Pouco é conhecido dos detalhes da história de Shewa até 1800. Sabe-se que o Imperador Lebna Dengel e seus descendentes usaram Shewa como seu ponto defensivo quando ameaçados por invasores.

Rei Sahle Selassie

A família real de Shewa foi fundada por Negassie Krestos no final do século XVII, que consolidou seu controle ao redor de Yifat. Lendas sobre suas ascendência variam: uma relato de 1840 afirma que sua mãe rea filha de Ras Faris, um seguidor do Imperador Susenyos I que escapou para Menz; outra lenda relatada por Serta Wold, um conselheiro de Sahle Selassie, afirmava que Negassie era um descentente direto de Yaqob, o filho mais novo de Lebna Dengel, e assim assegura sua ascendência da Dinastia Salomônica.[4] Assim a família real de Shewa era considerada uma linha secundária da Disnastia Salomônica, sendo Gondar a linha principal.

O filho de Negassie, Sebestyanos assumiu o título de Meridazmach ("Comandante Temível "), que era distinto a Shewa. Seus descendentes continuaram a usar este título até que Sahle Selassie foi declarado rei de Shewa na década de 1830. Seu neto, Sahle Mariam, se tornaria o Imperador de toda a Etiópia no final do século, sob o nome de Menelik II. O título de "Rei de Shewa" caiu em desuso, sendo substituído pelo título imperial de "Imperador da Ethiopia" quando Menelik II se tornou Imperador. Com a assenssão de Menelik II, Adis Ababa se torna a capital, o que reforça sua posição de importância no Império em expansão.

Os Reis de Shewa espandiram o controle em direção ao sul e ao leste, pelas planícies e desertos, e subjulgaram algumas regiões sob seu comando. Havia tempos os emperadores da Etiópia conquistaram estas regiões ao sul, de forma que várias relações diretas e de vassalagem existiram até a invasão do Imã Ahmad Al-Ghazi. A grande migração Oromo após a derrota do Imã cortou essas relações e alteraram significativamente a distribuição demográfica da área. O reino de Shewa que Menelik II uniu ao reino da Etiópia havia sido expandido, e assim o território do Império cresceu significativamente. A Etiópia continuou a expandir nas direções leste e sul, fazendo que o Shewa se tornasse o território no centro geográfico do país moderno.

Recentemente, Shewa foi um Governo-Geral (Província) sob a monarquia, e depois uma Região Administrativa da Etiópia sob o regime militar Derg até 1984. Neste ano, diante da proclamação da "República Popular" sob governo, agora civil, do Derg, Shewa foi dividida em quatro Regiões Administrativas, Shewa do Norte, Shewa do Sul, Shewa Ocidental and Shewa Oriental. Após a queda do regime Derg em 1991, as antigas províncias e regiões históricas foram abolidas, substituídas pelas regiões atuais, com limites baseados em distribuição étnica e linguística. O território da antiga província de Shewa territory foi dividido entre as Regiões Amhara e Oromia, além da região autônoma de Addis Ababa.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. R. Michael Feener, Islam in World Cultures: Comparative Perspectives, (ABC-CLIO: 2004), p.219 (em Inglês)
  2. Saheed A. Adejumobi, The History of Ethiopia, (Greenwood Press: 2006), p.178 (em Inglês)
  3. G.W.B. Huntingford, The historical geography of Ethiopia from the first century AD to 1704, (Oxford University Press: 1989), p. 76, (em Inglês)
  4. Mordechai Abir, Ethiopia: the Era of the Princes (London: Longmans, 1968), pp. 144ff.

9° 00′ N 39° 00′ E


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