Silva (sobrenome)

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Brasão de armas da Casa de Silva.

Silva é um sobrenome da língua galaico-portuguesa, sendo de ocorrência mais frequente entre os habitantes de Portugal e Brasil. É um sobrenome bastante popular em Portugal, e é importante ressaltar que a maioria dos brasileiros possui alguma ancestralidade portuguesa, ainda que remota na maior parte dos casos, uma vez que os portugueses constituíram o grupo que mais povoou o Brasil. Durante mais de três séculos de colonização, somada à imigração pós-independência, os portugueses deixaram profundas heranças para a cultura do Brasil e também para a etnicidade do povo brasileiro.[1][2][3][4][5][6][7][8]

Origem[editar | editar código-fonte]

A sua origem é claramente toponímica, sendo derivado diretamente da palavra latina silva, que significa "selva, floresta ou bosque", e tem a sua origem provavelmente na Torre e Honra de Silva, que ficava a meio caminho das freguesias de São Julião e Silva, junto ao concelho de Valença, em Portugal. Já era conhecido como nome de família na Roma Antiga; no entanto, desapareceu com a queda do Império Romano do Ocidente no século V, ressurgindo na Península Ibérica dos séculos XI e XII entre os Reis de Leão – um dos Reinos ibéricos surgidos do período da reconquista cristã e que compreendia a parte norte do atual território de Portugal e região noroeste da Espanha.[9]

Dom Guterre Alderete da Silva era “Rico-homem”, como eram chamados os nobres mais importantes de Portugal à época. Serviu a Dom Henrique de Borgonha, conde de Portucale, e esteve junto de Dom Fernando I, reis de Leão e conde de Castela, na tomada de Coimbra dos mouros, em 1040. Dom Guterre era senhor de Alderete e da Torre da Silva, situada na freguesia de Cerdal, na região de Valença do Minho. Do nome deste topônimo, “Silva” surgiu como sobrenome. Seu filho, Paio Guterres da Silva (que viveu entre 1070-1129), foi um dos homens mais importantes do reinado de Dom Afonso VI, de Leão e Castela, e o responsável por dar continuidade ao nome da família.[1][2]

O sobrenome tem seus primeiros registros na Galícia. Variantes como "da Silva" e "da Silveira" também são populares entre descendentes de judeus sefarditas oriundos da Península Ibérica (Portugal e Espanha) que adotaram o apelido/sobrenome mais comum de Portugal em substituição a seus próprios sobrenomes, para escapar das perseguições religiosas promovidas pelo Tribunal do Santo Oficio.[10]

Durante a idade média e pelo menos até ao século XVII, o sobrenome "Silva" era um dos mais nobres do Reino de Portugal. Segundo alguns genealogistas, os Silva(s) descenderiam, em parte, dos reis de Leão, um antigo e poderoso reino que existia na Península Ibérica durante a Idade Média e em parte dos Silvios da Roma antiga, uma família lendária que estaria ligada aos reis de Alba-Longa e seriam descendentes do herói lendário Eneias. Porém, não há como comprovar a ascendência dos Silvios da Roma antiga, embora alguns autores citem um antigo manuscrito de Freire Monterroio, ficando assim a ascendência dos reis de Leão a mais provável.[11][12][13]

Existem registros da utilização do sobrenome Silva desde a Antiga Roma, como, por exemplo, o general romano Lucius Flavius Silva, que viveu no século I, célebre por comandar as tropas romanas que cercaram os rebeldes judeus na fortaleza de Massada, em Israel, no primeiro século da Era cristã. Porém, não é possível fazer uma ligação, através de documentos históricos, entre os Silva(s) da Roma antiga e os Silva(s) da Idade Média, e essa tese, em grande parte, parece não passar de especulação.

Difusão[editar | editar código-fonte]

A ligação do sobrenome com o Brasil começa muitos séculos mais tarde, com o primeiro conde de São Lourenço, Dom Pedro da Silva, governador-geral da colônia entre 1635 e 1639, no final da União Ibérica.

Apesar da enorme difusão na população lusófona em geral, "Silva" também é o sobrenome de importantes famílias nobres portuguesas (ver: Casa de Silva), que normalmente o usavam juntamente com outro Apelido de familia (sobrenome). Silva foi trazido ao Brasil como sobrenome pelos portugueses no início da colonização e ondas migratórias posteriores. Sendo atribuído àqueles que não traziam consigo um nome de família ou aqueles que não sabiam dizer ao certo de que cidade ou região de Portugal procedia a família, ou optavam por não declarar. O registro mais antigo desse sobrenome no Brasil é o do alfaiate Pedro da Silva datado de 1612. Tendo estabelecido família em São Paulo, Pedro participou da administração colonial e das bandeiras de Lázaro da Costa (1615) e Raposo Tavares (1628). Quase na mesma época, famílias oriundas de Portugal carregando o sobrenome "Silva", provavelmente "Cristãos-novos", fugindo do Tribunal da inquisição, chegaram ao Rio de Janeiro e logo em seguida ao Sul e ao Nordeste do País. O sobrenome Silva se espalhou por todo o território brasileiro, principalmente por dois motivos: Porque quando o Brasil foi colonizado pelos portugueses muitos destes faziam acréscimos ao sobrenome original, os que vinham do litoral de Portugal incorporava o "Costa" ou "da Costa", enquanto os que vinham do interior de Portugal incorporava ou ganhava o "Silva" ou "da Silva".

O sobrenome Silva, bastante comum no mundo português, era adotado normalmente por pessoas sem procedência ou origem definida, no início da colonização do Brasil, a maioria dos portugueses que queriam começar uma nova vida eram na verdade: Cristãos-novos, isto é, Judeus portugueses convertidos ao Catolicismo Romano e que buscavam viver em anonimato nas novas terras, sem vínculos com o passado de perseguições aos Judeus na Europa, então adotavam o sobrenome mais comum de Portugal, aproveitando-se do “relativo anonimato” que o sobrenome lhes proporcionava. Além disso o sobrenome também ganhou popularidade no Brasil entre os descendentes de indígenas e também dos escravos negros que herdavam por motivos alheios o sobrenome de seus senhores sem qualquer tipo de ligação de parentesco com a família portuguesa como forma de identificação de sua posse, assim podia ser identificado seu senhor ou sinhá e a que familia servia. Até a abolição da escravidão em 1888, os negros não tinham sobrenomes no Brasil.[14][15]

Ao desembarcar dos navios vindos da África, os negros eram batizados por padres católicos e ganhavam um nome em português, quando recebiam um sobrenome geralmente era o mesmo de seu dono, isso era uma forma de "identificar a quem pertencia determinado escravo(a)". Na época muitos proprietários de terras e senhores de escravos tinham "Silva" no sobrenome.[16]

Um estudo realizado com amostragem de 30.400 pessoas no Brasil mostra que 9,9% dos brasileiros contemplam "Silva" no seu sobrenome, seguido por 6,1% com sobrenome "Santos", 5,8% com sobrenome "Oliveira" e 4,9% com sobrenome "Sousa" (ou, na grafia arcaica, "Souza").

Também é encontrado em Espanha (com origens mais remotas do Reino de Leão) e na Itália, onde é mais comum na região da Emília-Romanha e da Lombardia.

É bastante provável que o conjunto de nome e apelido mais comum nos países lusófonos seja João/José da Silva, podendo comparar-se a John Smith em países de língua inglesa, Juan García nos de língua espanhola, Hans Schmidt nos de língua alemã ou a Giovanni Rossi nos de língua italiana.[17][18]

Em março de 2016, o apelido Silva ocupava o 42.° lugar dos nomes mais frequentes do Luxemburgo.[19]

Brasão de armas[editar | editar código-fonte]

Os Silva(s) vão buscar as suas armas de brasão à casa dos reis de Leão e são compostas por um fundo de prata onde sobressai um leão de púrpura ou vermelho que se encontra armado e lampassado de vermelho ou azul. Por timbre, tem o referido leão do escudo.

Referências

  1. a b «Silva – Sobre Nomes». sobrenomes.genera.com.br. Consultado em 11 de agosto de 2021 
  2. a b J., Parra, Flavia C. Amado, Roberto C. Lambertucci, José R. Rocha, Jorge Antunes, Carlos M. Pena, Sérgio D. Color and genomic ancestry in Brazilians. [S.l.]: The National Academy of Sciences. OCLC 678736820 
  3. Saiba quais são os 3 sobrenomes mais comuns em 64 diferentes países. Arquivado em 26 de junho de 2015, no Wayback Machine..
  4. © 2005 SOCIEDADE PORTUGUESA DE INFORMAÇÃO ECONÓMICA S.A. - SPIE.
  5. Os 100 Apelidos mais frequentes da População Portuguesa Arquivado em 28 de fevereiro de 2013, no Wayback Machine..
  6. O ProJovem é Silva, Santos... Arquivado em 17 de outubro de 2013, no Wayback Machine..
  7. Descubra como surgiram os Silva, os Araújo, os Fernandes, os Batista, os Carneiro... Arquivado em 22 de outubro de 2013, no Wayback Machine..
  8. (Brazil), Centro de Documentação e Disseminação de Informações (2000). Brasil, 500 anos de povoamento. [S.l.]: IBGE, Centro de Documentação e Disseminação de Informações. OCLC 54446670 
  9. Dicionário Gaffiot
  10. «Descubra o significado de 20 sobrenomes judeus». Dicionário de Nomes Próprios. Consultado em 2 de julho de 2021 
  11. “de” Baêna, Miguel Sanches (1872). Indice Heraldico:ou descrição completa das armas de todas as famílias que em Portugal tiveram e registraram cartas de brasão de armas organizado com referencia ao arquivo genealógico . Lisboa: Typografia Universal de Tomás Quintino Antunes 
  12. Sanches de Baena, Augusto Romano; Sanches de Baena, Farinha Almeida (1872). Archivo heraldico-genealogico contendo noticias historicoheraldicas, Volumes 1-2. Lisboa: Typographia universal de T. Q. Antunes. Consultado em 23 de maio de 2018 
  13. admin. «Silva – Sobre Nomes». Consultado em 8 de março de 2022 
  14. Até a abolição da escravidão em 1888, os escravos também não tinham sobrenomes.
  15. Muitos escravos após a “Lei Áurea” também adotaram o sobrenome Silva para começar as suas vidas como libertos.
  16. De todo modo, o Silva tornou-se o sobrenome mais comum no Brasil. Não há dados precisos, mas conforme estimativas por amostragem, cerca de 10% da população brasileira usa Silva com nome de família. Entre eles, quatro presidentes da República: Artur da Silva Bernardes (1876-1955), Jânio da Silva Quadros (1917-92), Artur da Costa e Silva (1899-1969) e Luís Inácio Lula da Silva. Isso sem contar com famosos, como o piloto de automobilismo Ayrton Senna da Silva (1960-94), o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião” (1898-1938), a escrava e cortesã mineira Chica da Silva (1732-96) e o apresentador Fausto Silva, entre tantos outros.
  17. author., Campacci, Claudio, 1968-. Os sobrenomes mais comuns do Brasil. [S.l.: s.n.] OCLC 878223176 
  18. «claro!». Consultado em 7 de dezembro de 2021 
  19. «Silva no top 50 dos apelidos mais comuns no Luxemburgo» 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BOUZA ZERRANO, José. Da Descendência de Don Francisco Prieto Gayoso'. Edição do Autor, 1ª Edição, Lisboa, 1980.
  • COROMINES, Joan. Onomasticon Cataloniæ (vol. I-VIII). Barcelona: 1994.
  • SOUSA, Manuel de. As origens dos apelidos das famílias portuguesas. Sporpress, 2001.
  • TÁVORA, D. Luis de Lancastre e. Dicionário das Famílias Portuguesas. Quetzal Editores, 2ª Edição, Lisboa, pág. 324.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]