Silves (Portugal)

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Silves
Município de Portugal
Cidade de Silves12.jpg
Vista parcial de Silves

Brasão de Silves Bandeira de Silves

Localização de Silves

Gentílico Silvense
Área 680,06 km²
População 37 813 hab. (2021)
Densidade populacional 55,6  hab./km²
N.º de freguesias 6
Fundação do município
(ou foral)
1266
Região (NUTS II) Algarve
Sub-região (NUTS III) Algarve
Distrito Faro
Província Algarve
Orago Nossa Senhora da Conceição
Feriado municipal 3 de setembro (Conquista aos Mouros)
Código postal 8300 / 8365 / 8375 Silves
Sítio oficial CM SILVES

Silves é uma cidade portuguesa no distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, com cerca de 6 300 habitantes.[1] É sede do município de Silves com 680,06 km² de área[2] e 37 813 habitantes (censo de 2021)[3], subdividido em 6 freguesias.[4] O município é limitado a norte pelo município de Ourique, a nordeste por Almodôvar, a leste por Loulé, a sueste por Albufeira, a sudoeste por Lagoa, a oeste por Portimão e Monchique e a noroeste por Odemira e a sul tem litoral no oceano Atlântico. Silves foi, durante diversos séculos, nomeadamente durante o domínio muçulmano, capital do actual Algarve.[5]

Pertence à rede das Cidades Cittaslow.[6]

Nos últimos anos o número de turistas que visitam o município tem vindo a aumentar de forma substancial, destacando-se nomeadamente como destino de turismo de cultura.[7] Silves é uma das cidades mais antigas de Portugal.[8]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História de Silves

O povoamento da região data desde o Paleolítico, sendo esta uma área de assentamento de povos, como os Cónios e os Célticos. Posteriormente, durante o domínio romano, chamar-se-ia Cilpes, nome que surge em algumas moedas romanas cunhadas nesse local no século I a.C.. Um dos espécimes encontrados apresenta no obverso o nome CILPES entre duas espigas deitadas e no reverso um cavalo a galope, para a esquerda. Os vestígios romanos estão presentes um pouco por todo o município silvense.[2]

Com a queda do Império Romano, e as invasões dos povos germânicos, Silves foi integrada no reino dos Visigodos, no século V. As primeiras fortificações erguidas no Castelo de Silves podem ter tido origem no período romano, sobre um castro lusitano ou mais tarde pelos Visigodos.

Xelb, Xilb ou al-Shilb era a cidade de Silves durante o domínio muçulmano. Foi onde o poeta e terceiro e último rei Abábida da Taifa de Sevilha, al-Mu'tamid, viveu enquanto ainda príncipe.[9]

O aspeto de Xelb por volta de 1230 foi notavelmente reconstituído pelo artista plástico Victor Borges num conjunto de painéis.

Reconstituição de Shelb (Silves) em 1230
Gravura representando a rendição dos mouros de Silves

A primeira tentativa da reconquista de Silves, por parte de D. Sancho I, teve início nos começos de 1189, com o auxílio de uma frota de cruzados nórdicos,[5] principalmente dinamarqueses, e de frísios, dos Países Baixos. Posteriormente, o rei português interceptou uma nova frota de cruzados que ia caminho da Terra Santa. Logrou firmar um acordo com estes: a troco da ajuda prestada, poderiam saquear a cidade. Esta nova vaga de soldados era composta por ingleses, alemães e flamengos.[5] A esquadra, constituída por trinta e seis navios de alto bordo e por aproximadamente três mil e quinhentos soldados fortemente armados, partiu do Tejo a 16 de Julho, chegando a Silves quatro dias depois. Sancho I intentou a conquista de Silves, à qual impôs um duro sítio que durou até 3 de Setembro. O rei português prestou-se a grandes esforços que visavam impedir que os guerreiros estrangeiros se entregassem a grandes matanças. Não obstante, o resultado do cerco e dos ataques provou-se desastroso; uma considerável porção da população foi morta e a cidade fortemente pilhada e destruída.[5] Alguns dos sobreviventes partiram rumo a Sevilha, onde encontraram refúgio.[5] Dois anos depois, o miramolim de Marrocos retomou-a, passando-a novamente para as mãos dos mouros que por mais meio século voltariam a controlá-la.[5] Em 1242, D. Paio Peres Correia reconquistou-a definitivamente para os portugueses, no reinado de D. Afonso III.[3]

Estátua de D. Sancho I, no Castelo de Silves. Rei que reconquistou a cidade

Em 1266, D. Afonso III concede o foral Afonsino a Silves. Nos séculos seguintes a cidade teve uma relevância acentuada na expansão marítima, tendo o Infante D. Henrique sido recebido como alcaide-mor da cidade em 1457, na qual viveu antes de se ter mudado para Lagos e depois para Sagres.[10]

Em 1495, D. João II morreu inesperadamente em Alvor, próximo a Silves, e seu corpo foi provisoriamente sepultado na capela-mor da Sé. Em 1499, com a presença de D. Manuel em Silves, os restos de D. João II foram exumados e transladados ao Mosteiro da Batalha, onde foram sepultados definitivamente. Esse evento é recordado por uma lápide com inscrições góticas localizada na capela-mor da Sé e possivelmente pela construção da Cruz de Portugal, situada já fora do centro da cidade.[11] O sismo de 1755,[12] a reanimação dos portos de Lagos e Tavira, assim como as actividades norte-africanas, afectaram enormemente a cidade de Silves,[5] que só no século XIX começou a recuperar a sua importância, graças principalmente ao desenvolvimento industrial. No final deste século e principalmente no século XX, devido à construção do caminho de ferro e à abertura de importantes estradas, Silves inicia a sua recuperação e ascensão, tornando-se nessa altura numa importante zona agrícola e um centro de produção de frutos secos e de indústria corticeira.[13][14] Silves foi, em séculos passados, capital do Algarve, perdendo esse estatuto em parte devido ao assoreamento do rio Arade, acontecimento esse que diminuiu alguma da sua importância portuária e, por conseguinte, económica.[5]

Segundo José Hermano Saraiva, Silves foi, durante o domínio muçulmano, uma colónia de iemenitas.[5]

População[editar | editar código-fonte]

População do município de Silves
AnoPop.±%
1864 18 996—    
1878 22 860+20.3%
1890 26 096+14.2%
1900 29 598+13.4%
1911 31 790+7.4%
1920 32 433+2.0%
1930 34 461+6.3%
1940 36 333+5.4%
1950 37 705+3.8%
1960 33 368−11.5%
1970 25 838−22.6%
1981 31 389+21.5%
1991 32 924+4.9%
2001 33 830+2.8%
2011 37 126+9.7%
2021 37 813+1.9%

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário[15]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 10 880 12 026 11 599 11 442 10 877 9 276 7 424 4 735 5 821 5 529 4 401 5 129
15-24 Anos 5 398 5 623 6 064 7 003 6 450 7 120 5 302 3 915 4 229 4 187 4 229 3 499
25-64 Anos 11 701 12 163 12 911 14 426 16 059 18 300 17 177 13 465 15 705 16 498 17 527 20 155
= ou > 65 Anos 1 436 1 837 1 762 1 927 2 430 2 816 3 465 3 640 5 634 6 710 7 673 8 343
> Id. desconh 23 64 105 56 255

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Freguesias do município de Silves

O município de Silves está dividido em 6 freguesias:

Freguesias do município de Silves
Freguesia Residentes (2011) Residentes (2021)[3]
Alcantarilha e Pêra 4972 5004
Algoz e Tunes 6491 6857
Armação de Pêra 4867 6003
São Bartolomeu de Messines 8430 8164
São Marcos da Serra 1352 1114
Silves 11014 10671
Total 37126 37813

Património[editar | editar código-fonte]

Portas da cidade (cuja construção remonta à primeira dinastia portuguesa) e Torre Albarrã.[1]
Ver artigo principal: Património edificado em Silves

Transportes[editar | editar código-fonte]

A localidade é servida pela estação ferroviária de Silves.

Política[editar | editar código-fonte]

Eleições autárquicas[editar | editar código-fonte]

Data % V % V % V
PS APU/CDU PPD/PSD
1976 39,79 3 26,60 2 20,83 2
1979 37,49 3 29,35 2 27,89 2
1982 37,83 3 29,29 2 27,46 2
1985 19,25 1 42,64 4 31,04 2
1989 35,15 3 32,81 2 27,74 2
1993 28,15 2 33,87 3 31,35 2
1997 22,34 2 32,00 2 38,22 3
2001 17,80 1 31,61 2 42,51 4
2005 27,54 2 19,27 1 44,18 4
2009 31,89 3 18,67 1 39,54 3
2013 25,62 2 34,68 3 27,32 2
2017 14,39 1 52,65 4 21,61 2

Eleições legislativas[editar | editar código-fonte]

Data %
PS PCP PSD CDS UDP AD APU/

CDU

FRS PRD PSN BE PAN PàF L CH IL
1976 41,32 22,03 16,07 5,50 2,99
1979 31,50 APU AD AD 2,85 29,71 27,09
1980 FRS 1,79 31,88 23,21 32,84
1983 40,39 19,86 6,40 1,07 25,55
1985 20,16 25,94 4,57 1,61 20,84 20,09
1987 23,25 CDU 41,93 2,97 0,97 16,40 6,18
1991 29,57 47,85 2,83 10,68 1,21 1,84
1995 48,34 27,39 6,18 0,87 11,86 0,51
1999 48,09 28,84 5,04 11,35 1,75
2002 39,88 35,64 7,32 9,70 2,12
2005 51,35 21,44 4,71 10,03 6,40
2009 30,28 23,85 9,24 11,93 15,67
2011 22,61 33,85 11,48 12,33 7,99 1,62
2015 31,02 PàF PàF 13,34 13,42 1,73 28,12 0,72
2019 34,11 19,15 3,49 13,19 11,65 4,32 0,90 2,41 0,67

Cultura[editar | editar código-fonte]

Praia de Armação de Pêra

Praias[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

A cidade de Silves possui escolas do ensino básico primário e secundário - Escola EB 2,3 Doutor Garcia Domingues, Escola Secundária de Silves e jardins de infância.

Possui também uma instituição de ensino superior - Escola Superior de Saúde Jean Piaget, que ministra cursos de licenciatura, mestrado e pós-graduação no âmbito do Ensino Superior Politécnico, em áreas como Enfermagem, Fisioterapia, Osteopatia, e Serviço Familiar e Comunitário, entre outras.

Economia[editar | editar código-fonte]

Parte rural de Silves. O município é o maior produtor de laranjas do Algarve

Em Silves, e de uma forma geral todo o município silvense e no restante Algarve, domina essencialmente o sector terciário, onde o comércio é complemento do turismo.[4] A cidade de Silves historicamente sempre teve um sector secundário dinâmico, caracterizado pela indústria corticeira (possuiu fábricas de cortiça existentes na sua malha urbana), indústria de grande relevo na região algarvia.

Em 2011 (censos), Silves, a par de Albufeira, Portimão, Aljezur, Lagoa e São Brás de Alportel, eram os municípios com maiores taxas de atracção da região do Algarve, com valores superiores a 12%.[5]

Personalidades (silvenses ilustres)[editar | editar código-fonte]

De acordo com a carta do catalão Gabriel de Valseca (1439), estudada pelo historiador Damião Peres, foi o descobridor da Ilha de Santa Maria e, muito provavelmente, da Ilha de São Miguel, nos Açores, no ano de 1427.

Desporto[editar | editar código-fonte]

Vista parcial de Silves

Silves sempre foi uma cidade bastante ligada ao desporto. Sobretudo ao maior clube desportivo da cidade e do município - o Silves Futebol Clube (fundado em 1919).[6] O município ainda possui outros clubes desportivos como o Clube de Futebol "Os Armacenenses" (localizado em Armação de Pêra) e, em São Bartolomeu de Messines, a União Desportiva Messinense.

Outros desportos também têm alguma relevância, como a natação, que se desenvolveu bastante com a construção das Piscinas Municipais de Silves - uma instalação desportiva de referência no município, não só pela dimensão e qualidade do edifício em si, mas sobretudo pela quantidade de utilizadores que movimenta diariamente em torno de um conjunto de actividades orientadas ao dispor da população e que se dividem nas seguintes áreas:

  • Escola Municipal de Natação;
  • Ginásio;
  • Sala de Fitness;
  • GAF – Gabinete de Avaliação do Perfil de Saúde e da Atividade Física.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SARAIVA, José Hermano (1986). O tempo e a alma. Segundo Volume. Editora: Resopal.

Referências

  1. INE (2013). Anuário Estatístico da Região Algarve 2012 (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 27. ISBN 978-989-25-0215-1. ISSN 0873-0008. Consultado em 11 de janeiro de 2015 
  2. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013». Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Arquivado do original (XLS-ZIP) em 9 de dezembro de 2013 
  3. a b INE. «Censos 2021 - resultados preliminares». Consultado em 29 de julho de 2021 
  4. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  5. a b c d e f g h i SARAIVA, 1986:44-46
  6. Sul Informação (22 de Dezembro de 2012). «Quatro municípios do Algarve criam associação de cidades Slow». Consultado em 10 de Maio de 2020 
  7. Sapo Viagens (11 de setembro de 2016). «SILVES: ANTIGA CAPITAL ALGARVIA AFIRMA-SE COMO DESTINO CULTURAL». Consultado em 11 de novembro de 2019 
  8. Susana Sousa Ribeiro (19 de Fevereiro de 2020). «Estas são as cidades mais antigas de Portugal. Já as visitou a todas?». Sapo. Consultado em 10 de Maio de 2020 
  9. RTP. «Visita Guiada» 
  10. ncouto. «Arqueólogos vão desenterrar objetos do Infante D. Henrique | Jornal do Algarve». www.jornaldoalgarve.pt (em inglês). Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  11. «Monumentos». Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  12. «DGPC | Pesquisa Geral». www.patrimoniocultural.pt. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  13. Dias, Fernando. «História e Evolução de Silves, Silves (Cidade)». Visitar Portugal. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  14. Ruiva, Terra. «A Indústria Corticeira em Silves - I». www.imprensaregional.com.pt (em inglês). Consultado em 28 de janeiro de 2017. Arquivado do original em 2 de fevereiro de 2017 
  15. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]