Sitta carolinensis

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaSitta carolinensis
Sitta carolinensis CT.jpg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Sittidae
Género: Sitta
Espécie: S. carolinensis
Nome binomial
Sitta carolinensis
Latham, 1790
Distribuição geográfica
Sitta carolinensis map.png

A Sitta carolinensis[1] é uma espécie de ave passeriforme da família Sittidae que vive na América do Norte. É uma ave de tamanho médio que mede 15,5 cm de comprimento. A coloração varia um pouco conforme a sua área de distribuição, mas as partes superiores apresentam cor cinzenta clara azulada: o macho possui o píleo e a nuca pretos, enquanto que a fêmea tem o píleo cinzento escuro. As partes inferiores são brancas com tons avermelhados no abdómen. É uma ave ruidosa: possui voz nasal, e com frequência emitem guinchos ou diversas vocalizações ocasionalmente compostas por constantes repetições de pequenos assobios. No verão é uma ave insectívora: consome exclusivamente artrópodes, mas no Inverno a sua dieta é composta principalmente de sementes. Esta espécie nidifica em cavidades naturais de árvores. A posta varia de cinco a nove ovos e a fêmea incuba-os por duas semanas enquanto é alimentada pelo macho. O casal alimenta as criações até que estas abandonem o ninho, embora possam continuar a alimenta-las por mais algumas semanas.

Vive em grande parte na América do Norte, excepto nas zonas mais frias e áridas. Encontra-se sobretudo a baixas altitudes, nas florestas caducifólias ou mistas. Geralmente distinguem-se de sete a nove subespécies, cujas distribuições, vocalizações e colorações são ligeiramente diferentes. Filogeneticamente, era relacionada com a Sitta leucopsis e a Sitta przewalskii, duas espécies do sul da Ásia, mas logo descobriu-se que está mais relacionada com a Sitta magna do Sudeste Asiático. A espécie tem uma vasta distribuição e a sua população continua a aumentar; segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza está catalogada como em estado «pouco preocupante».

Descrição[editar | editar código-fonte]

A parte superior da cabeça (píleo) é preta, assim como a parte superior do pescoço e das costas, formando um colar parcial.[2] A coloração do resto das partes superiores varia um pouco entre as subespécies, mas o dorso e as asas são de cor azul acinzentada, entre clara e escura.[2] A ponta das penas contrasta mais ou menos com o restante das partes superiores; as penas de voo são escuras e beireadas por um cinzento e as coberteiras maiores têm pequenas franjas claras na asa.[2] As penas externas da cauda são de pretas, mas as três mais externas são atravessadas por uma banda branca diagonal na sua extremidade. As penas interiores da cauda são do mesmo cinzento que a parte posterior. No geral, as partes inferiores são brancas.[2] O focinho, o peito são completamente brancos, mas o abdómen é avermelhado. O bico é comprido e recto, ou ligeiramente encurvado para cima, e de cor cinzenta escura ou preta, com a base da mandíbula inferior mais clara e a borda da mandíbula esbranquiçada.[2] A íris é castanha escura. As garras e as patas são castanhas escuras ou cinzentas acastanhadas.[3][2]

O píleo e a parte superior do dorso do macho adulto são pretos e com tons azuis esverdeados claros. Quando a plumagem está desgastada, as penas de voo estão ligeiramente tingidas de castanho e as partes inferiores apresentam coloração castanha opaca, com tons cinzentos.[2] A fêmea adulta assemelha-se a um macho adulto, mas o seu píleo é cinzento escuro e a franja preta da parte superior das costas costuma ser menos larga.[2] As partes superiores são um pouco mais opacas e as inferiores menos brancas. O macho juvenil é parecido com o adulto, mas o píleo é mais opaco e sem brilho, as partes superiores são mais claras e o dorso mais opaco.[3][2] A fêmea juvenil assemelha-se aos machos jovens, mas o píleo e as rémiges secundárias são de um cinzento mais opaco (cinzento escuro), e as coberteiras maiores e o dorso têm cor-de-alce desgastado. Os adultos rara vez mudam antes da época de reprodução (fevereiro-março), porém, após a época da criação, dá-se o processo da muda, de junho a setembro. Entre julho e agosto, as crias começam a voar e passam por uma muda parcial das penas das coberteiras secundárias.[4]

É uma ave de tamanho mediano que mede ao redor de 15,5 cm de comprimento.[5][2] As medidas variam segundo a subespécie: na subespécie nominal, S. c. carolinensis, a asa rogada mede aproximadamente entre 86 e 97 mm nos machos e entre 85 e 92,5 mm nas fêmeas. A cauda mede entre 44 e 50,5 mm no macho e entre 42 e 49,5 mm na fêmea. O bico mede entre 19,8 e 23,2 mm, e o tarsometatarso cerca de 17 e 20 mm. O peso dos adultos oscila entre as 19,6 e as 22,9 g.[4]

Variações geográficas[editar | editar código-fonte]

Existem pequenas variações morfológicas clinais por toda a sua área de distribuição. Simon Harrap enumera nove subespécies na sua monografia de referência Tits, Nuthatches and Treecreepers,[6] no entanto a validade de duas delas é controversa e alguns grupos de subespécies poderiam formar espécies independentes.[7]

É relativamente comum, as subespécies com morfologias e vocalizações parecidas classificarem-se em três grupos: um cobre a América do Norte, o segundo a Grande Bacia dos Estados Unidos e o centro do México, e o terceiro a costa do Pacífico.[8] Os dois primeiros grupos estão em contacto nas Grandes Planícies, onde não parecem hibridar. O segundo grupo poder-se-ia subdividir por uma linha de norte a sul traçada no centro das Montanhas Rochosas.[9] Em geral, a ave é abundante em grande parte da sua distribuição geográfica, mas está em constante diminuição em Washington, Flórida e, em especial, na parte ocidental do sudeste dos Estados Unidos até ao Texas;[10] a subespécie S. c. lagunae de La Laguna (Baixa Califórnia) é a mais ameaçada.[11] Os cantos dos três grupos são diferentes.[8]


Variações das nove subespécies distintas por Harrap (1996):[6]
Subespécie Corda máxima do macho Corda máxima da fêmea Cúlmen visível Plumagem
S. c. carolinensis[4] 86–97 mm 85-92,5 mm 15,5-19,5 mm É a subespécie nominal: tem o píleo e o dorso mais claros.[12]
S. c. nelsoni[4] 87-95,5 mm 86–94 mm 17–21 mm Dorso mais cinzento escuro do que a subespécie nominal, o píleo mais escuro, asas com menor contraste.[12]
S. c. tenuissima[4] 83,5–94 mm 82–93 mm 18,5-23,5 mm Semelhante a S. c. nelsoni, mas com o dorso ligeiramente mais claro (embora mais escuro do que S. c. carolinensis).
S. c. aculeata[4] 80–90 mm 80,5–86 mm 16–19 mm Semelhante a S. c. tenuissima, mas com o dorso ligeiramente mais pálidas (também mais claro do que S. c. nelsoni, embora mais escuro do que S. c. carolinensis), partes inferiores com cor de camurça e castanho oliva. Bico fino e curto.[12]
S. c. alexandrae[4] 86,5–94 mm 84,5–91 mm 18,4–23 mm Semelhante a S. c. aculeata, mas com o dorso mais escuro e de maior. É a subespécie com o bico mais comprido.
S. c. lagunae[4] 86,5–88 mm 84–86 mm 17–19 mm Semelhante a S. c. alexandrae, mas mais pequeno e com as partes superiores mais escuras, especialmente no dorso do macho.[13]
S. c. oberholseri[4][lower-alpha 1] 85,5–92 mm 83,5-88,5 mm 17–19 mm Muito parecida com a S. c. nelsoni, com partes superiores ligeiramente mais escuras, e o dorso um pouco mais escuro e acinzentado.
S. c. mexicana[14] 89–96 mm 90-91.5 mm 15–19 mm Semelhante a S. c. oberholseri, mas mais ténue, e o dorso com cor camurça.[13]
S. c. kinneari[14][lower-alpha 2] 82-89,5 mm 77,5-85,2 mm 14,6–16 mm Semelhante a S. c. mexicana, mas mais pequeno; a fêmea tem o dorso cor de camurça alaranjado, até ao peito e garganta.
Macho de S. c. tenuissima.
Um exemplar da subespécie nominal S. c. carolinensis visto a partir das costas, estendendo as penas da cauda.
Um membro das populações de S. c. aculeata na Groveland (Califórnia).

Espécies similares[editar | editar código-fonte]

Na América do Norte habitam outras três espécies de sitídeos (Sitta canadensis, Sitta pygmaea e Sitta pusilla) e as suas distribuições sobrepõem-se às do S. carolinensis. Porém, são claramente diferentes e bem mais pequenas, uma vez que as outras trepadeiras medem 10 cm de comprimento e pesam cerca de 10  g.[15] S. canadensis tem o dorso avermelhado e uma franja preta no olho. S. pygmaea tem a cabeça com um tom acastanhado tal e qual o píleo, embora este último apresente uma mancha branca no pescoço.[8]

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

Estilo de vida[editar | editar código-fonte]

Quando voa, as penas brancas de cada lado da cauda tornam-se visíveis. Tem um voo rápido, significativamente diferente ao da trepadeira-azul mas parecido com o dos chapins.[16] Para cruzar um rio ou um campo grande voa alto, com movimentos regulares. Mas para se deslocar de uma árvore para outra, voa com trajectos curvos.[17] É uma ave diurna e não migrante, que defende o seu território durante todo o ano. Embora a zona seja dominada pelo macho, este coabita com a fêmea e ambos se encarregam da sua defesa.[18] Durante o Inverno, une-se a bandos mistos para se alimentarem. Estes grupos de aves são liderados por chapins, o S. carolinenesis e o Picoides pubescens e normalmente voam em grupos.[19] As espécies que fazem parte destes agrupamentos provavelmente beneficiam da partilha de alimentos e vigiam a presença de predadores. É possível que as espécies que se unem aos chapins aprendam, em certa medida, a identificar os chamamentos destes pássaros para poder reduzir a vigilância.[20]


Referências

  1. Trepador Pechiblanco (Sitta carolinensis) Latham, 1790 em Avibase.
  2. a b c d e f g h i j Hellmayr 1903, p. 187.
  3. a b Harrap 1996, p. 153.
  4. a b c d e f g h i Harrap 1996, p. 154.
  5. Harrap 1996, p. 150.
  6. a b Harrap 1996, pp. 154-155.
  7. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome COI
  8. a b c Allen Sibley, David (2000). The North American Bird Guide (em inglês). Sussex: Pica Press. pp. 380–382. ISBN 1-873403-98-4. OCLC 45236869 
  9. Woody Walström, V; Klicka, John; Spellman, Garth M (2012). «Speciation in the White-breasted Nuthatch (Sitta carolinensis): a multilocus perspective». Oxford: Blackwell Publishing Ltd. Molecular Ecology (em inglês). 21 (4): 907-920. ISSN 0962-1083. OCLC 776240667. PMID 22192449. doi:10.1111/j.1365-294X.2011.05384.x 
  10. Löhrl 1988, p. 139.
  11. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome IUCN
  12. a b c Hellmayr 1903, p. 188.
  13. a b Hellmayr 1903, p. 189.
  14. a b Harrap 1996, p. 155.
  15. Harrap 1996, pp. 130-133Cap. «Brown-headed Nuthatch»
  16. Löhrl 1988, pp. 139-140.
  17. Löhrl 1988, p. 140.
  18. Löhrl 1988, p. 141.
  19. Löhrl 1988, pp. 140-141.
  20. Dolby, Andrew S; Grubb, Thomas C., Jr (1999). «Functional roles in mixed-species foraging flocks: A Field manipulation». Washington D. C.: American Ornithologists' Union. The Auk (em inglês). 116 (2): 557–559. ISSN 0004-8038. JSTOR 4089392. OCLC 4907338224. doi:10.2307/4089392 


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