Sleeping Giants

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Sleeping Giants é um grupo liberal de ativistas digitais que combate discursos de ódio e desinformação de forma anônima na internet.[1][2][3][4][5][6][7][8][9][10][11][12][excesso de citações]

Nome e forma de atuação[editar | editar código-fonte]

O nome "gigantes adormecidos", em tradução livre do inglês, é alusivo ao fato de grandes empresas não saberem onde os seus anúncios são publicados via mídia programática por serviços como, por exemplo, o AdSense do Google.[13][14][15][8][16][17][18][19][excesso de citações]

As células regionais operam de forma independente. Seu modus operandi é a citação pública de anunciantes nas redes sociais visando a remoção da sua publicidade em locais que possam causar prejuízos às marcas (brand safety) ou a critérios de responsabilidade social e governança corporativa. A tática é creditada pela revista Slate como uma adaptação do movimento #GamerGate. Afirmam não pregar boicotes. A maior parte dos tweets e retweets na conta do perfil estadunidense são mensagens para empresas que anunciavam no Breitbart News, anteriormente pertencente a Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca.[20][13][16][21][22][23][24][25][26][27][28][29][30][31][32][33][34][35][36][1][2][3][4][20][excesso de citações]

Origens e fundadores[editar | editar código-fonte]

Teve seu início em novembro de 2016, logo após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos, com o lançamento de uma conta no Twitter com o objetivo de cancelar o recebimento de verbas publicitárias pelo portal Breitbart News por conta da sua intensa capacidade de produção e propagação de desinformação e de teorias conspiratórias. O primeiro tweet foi direcionado à empresa de finanças pessoais SoFi.[37][38][39][40][41][30][36][1][20]

A campanha funcionou de maneira totalmente anônima até julho de 2018, quando o publicitário Matt Rivitz confirmou que ele era um dos fundadores do grupo, depois de ser identificado pelo The Daily Caller. Rivitz informou ter sido alvo de ameaças, junto ao seu filho, da extrema-direita por conta do movimento.[42][43][44][45][46]

O The New York Times publicou o perfil de Rivitz junto com a sua cofundadora Nandini Jammi, dias após a publicação do artigo que expôs o publicitário. Em junho de 2020, Jammi anunciou a sua saída do movimento por diferenças com Rivitz, afirmando que ele teria tentado apagar a sua participação e importância na campanha.[47][48][49][50][51]

Resultados[editar | editar código-fonte]

Cerca de quatro mil anunciantes deixaram o Breitbart News após a campanha e a página deixou de receber perto de oito milhões de euros, cerca de 90% das suas receitas publicitárias.[11][52][53][36]

Venceu um dos prêmios do Festival de Publicidade de Cannes de 2019.[54][55]

A seção francesa causou prejuízos à página ultraconservadora Boulevard Voltaire. Em fevereiro de 2020 o Senado francês passou o Projet de Loi Avia, em que há um trecho chamado de "Emenda Sleeping Giants", contra discursos de ódio online.[20][56][57][58][59][53]

Tirou os anunciantes do programa de Bill O’Reilly, da Fox News, acusado de abuso sexual, ocasionando o cancelamento do mesmo. Tucker Carlson também teve parte dos anúncios removidos de seu programa Tucker Carlson Tonight.[1][60][61][62][10]

Alex Jones, um teórico da conspiração, teve podcasts retirados do Spotify e dos serviços da Apple, e ainda suas contas removidas do Facebook e Twitter por conta da pressão do grupo.[1][63][3]

A plataforma PayPal parou de ofertar pagamentos à Ku-Klux Klan e a Stefan Molyneux e a Cloudflare serviços para páginas como The Daily Stormer e o 8chan.[64][1]

Fez parte da organização da Stop Hate for Profit, uma campanha global das organizações de direitos civis Liga Antidifamação (ADL), Color for Change, Fundação Mozilla, Free Press, Common Sense, League of United Latin American Citizens (LULAC), National Hispanic Media Coalition (NHMC) e National Association for the Advancement of Colored People (NAACP). Buscava forçar o Facebook a melhorar o controle sobre conteúdos nocivos como racismo, xenofobia, antissemitismo e assédio virtual (cyberbullying) na plataforma. Cerca de 1.200 anunciantes deixaram de anunciar na rede social pelo mês de julho de 2020.[65][66][67][68][69][70][71][72][11][excesso de citações]

A seção canadense conseguiu retirar cerca de 300 anunciantes da página Rebel Media e o governo canadense deixou de anunciar no Breitbart News.[73][74]

Na Austrália atuaram contra e retiraram anunciantes de programas polêmicos de organizações de mídia de propriedade de Rupert Murdoch, CNews e SkyNews.[75][76]

Críticas[editar | editar código-fonte]

O grupo é criticado pelo seu modo de operar anônimo, sendo considerado também por alguns como excessivos, antidemocráticos e, de certa maneira, até autoritários e censores. Há reservas citadas pelos críticos também acerca do seu viés excessivamente liberal, atacando de forma exclusiva a veículos considerados de direita e conservadores. Afirmam, todavia, não ter filiação partidária ou distinguir posição ideológica na escolha dos alvos potenciais.[77][78][79][80][81][75][82][83][84][85][86][87][88][89][5][9][excesso de citações]

Sleeping Giants no Brasil[editar | editar código-fonte]

A operação brasileira foi identificada em dezembro de 2020 em entrevistas à colunista da Folha de São Paulo Mônica Bergamo e matéria escrita pelo jornalista David Biller da Associated Press (AP) como sendo os estudantes de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Mayara Stelle e Leonardo de Carvalho Leal.[90][91][92][93][94][95][71]

Início[editar | editar código-fonte]

Em maio de 2020, iniciou-se a operação brasileira, inserida num momento de intensa polarização política, de desinformação a respeito da pandemia de coronavírus (COVID-19) e em plena repercussão causada pela Comissão Parlamentar Mista (CPMI) e pelo Inquérito das Fake News, aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar ameaças e difamação contra ministros daquela corte. Apesar de inspirado no modelo original dos Estados Unidos, a iniciativa no Brasil inovava em alguns elementos particulares, como maior capilaridade e variantes regionais, com perfis locais para cidades e estados específicos.[96][97][98][99][100][101][102][103][104][105][18][6][106][107][5][17]

Recebeu o apoio público de diversas personalidades, como a atriz Patrícia Pillar, o influenciador digital Felipe Neto, o apresentador Luciano Huck, do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Felipe Santa Cruz, favorecendo o seu rápido crescimento de seguidores.[108][109][110]

Alvos e impactos[editar | editar código-fonte]

Denunciavam inicialmente um portal originário de Mato Grosso do Sul (MS) e posteriormente estabelecido na cidade sul-rio-grandense de Passo Fundo chamado Jornal da Cidade Online, que publicou notícias falsas e caluniosas e que forjou identidades de jornalistas. O veículo foi apontado ainda como um dos maiores responsáveis pela difusão de notícias falsas durante a eleição presidencial de 2018 e investigado na CPMI das Fake News. O TCEMS, o tribunal de contas do Estado do MS, removeu anúncio fixo que mantinha na página.[111][112][113][114][115][116][117][118][119][120][121][122][123][124][125][126][127][128][129][1][15]

Os alvos do movimento incluíram ainda as páginas Conexão Política e Brasil Sem Medo, respectivamente das cidades do Recife e de Londrina, perderam grande volume de anúncios após citados pelo movimento. Após a revelação das identidades dos integrantes, a página Terça Livre, de Allan dos Santos, passou a ser o objeto da ação dos ativistas.[130][131][132][133][134][135][136]

Tentaram desmonetizar o canal de Olavo de Carvalho, considerado um dos mentores do governo de Jair Bolsonaro, no YouTube e o financiamento dos seus seminários virtuais de filosofia, através das plataformas de pagamento Hotmart, PayPal e PagSeguro. [137][138][139][140][141][142][143][144][145][146][excesso de citações]

Após ser alvo do movimento, em conjunto com outros influenciadores, o YouTuber "Xbox Mil Grau" foi banido da plataforma Twitch, o canal no YouTube desmonetizado e impedido pela Microsoft de utilizar a marca de consoles Xbox.[147][148][149][150][132]

O grupo radical "300 do Brasil", liderado por Sara Giromini, teve campanhas de financiamento coletivo (crowdfunding) canceladas após pressão do movimento.[151][152][153][154][132][155]

Em resposta à repercussão do caso Mariana Ferrer, militaram pela demissão de Rodrigo Constantino de veículos de comunicação, após declarações polêmicas do articulista. Um dos empregadores de Constantino, o jornal paranaense Gazeta do Povo, após perder anunciantes, chegou a compará-los, em artigos e editoriais, a terroristas e ainda de formarem uma milicia virtual.[156][157][158][159][160][161][162][163][164][165]

Na ação alcunhada "Nome Aos Bois", inspirada no mesmo modelo de atuação, organizações ambientais cobraram marcas sobre a participação delas num manifesto publicado por entidades empresariais em apoio à atuação e políticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do ministro Ricardo Salles.[27][166][167][168][169]

Choque com o Governo Federal[editar | editar código-fonte]

Já nos primeiros dias de atuação, o movimento causou incômodo ao governo e apoiadores de Jair Bolsonaro. Após avisado da presença de seus anúncios no Jornal da Cidade Online, o Banco do Brasil (BB) cancelou a publicidade no página. Porém, após intervenção do vereador Carlos Bolsonaro junto à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM) e Fábio Wajngarten, o banco voltou a anunciar no site.[170][171][172][173][174][175]

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão da Procuradoria-Geral da República (PGR) do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília, solicitou uma investigação sobre o caso. A pedido do Ministério Público Especial (MPTCU), o ministro Bruno Dantas do Tribunal de Contas da União (TCU) mandou que o BB cessasse a veiculação de publicidade em páginas acusadas de disseminar notícias falsas e discurso de ódio por considerá-las incompatíveis com a administração pública e potencialmente ferir princípios constitucionais. A Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Nordeste (BNB), o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras também foram atingidos por investigações e por decisão similar. O pleno do tribunal, porém, manteve a vedação da publicidade programática apenas ao BB. O TCU enviou uma denúncia ao ministro Alexandre de Moraes do STF, que cobrou explicações da SECOM e do banco estatal, culminando num pedido de demissão de Rubem Novaes, presidente do BB.[176][177][178][179][19][180][181][182][183][184][185][186][187][188][189][190][191][108][192][193][excesso de citações]

Investigação policial[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2020, o The Intercept Brasil (TIB) revelou que, uma semana após o perfil brasileiro surgir no Twitter, um delegado do Departamento de Polícia Federal (PF/DPF) em Londrina abriu, baseado em relatório de inteligência policial e sem o aval do Ministério Público, um inquérito para investigar dados e endereço do perfil Sleeping Giants Brasil. Após solicitação do MPF e determinação judicial, o procedimento foi arquivado. Questionado por parlamentares, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) recusou-se a esclarecer a investigação da PF.[194][195][196][197][132][198]

Dias depois o TIB publicou uma outra matéria mostrando que este mesmo delegado era cunhado do editor de um site bolsonarista que escrevera artigos nos quais criticava os ativistas antes do processo ser aberto e cujos argumentos constam na portaria de abertura do mesmo.[199][200][201][202][203][132]

Ordem judicial[editar | editar código-fonte]

O Jornal da Cidade Online, o primeiro alvo do grupo, pediu à Justiça para que o Twitter identificasse as pessoas por trás dos perfis Sleeping Giants Brasil e Sleeping Giants Rio Grande do Sul. Uma juíza da comarca de Passo Fundo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) concluiu que não havia abuso do direito à liberdade de expressão para que as contas fossem deletadas, mas determinou, em medida cautelar, que o Twitter preservasse os dados e informasse endereços IP e outros dados cadastrais das contas sob pena de multa, posteriormente paga. A plataforma recorreu dizendo que a decisão era contraditória e que a magistrada não identificara ilícito. O tribunal recusou a participação de entidades sociais como amici curiae e de Nandini Jammi como interessada ao julgar o recurso apresentado pelo Twitter. O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) defendeu o sigilo de dados do grupo, causando a demissão do secretário responsável pelo conselho no Ministério dos Direitos Humanos.[204][205][206][207][208][209][162][210][211][212][198][213][214][215][excesso de citações]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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