Slice of life

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Slice of life (em português: fatia de vida ) é uma frase que descreve o uso do realismo mundano que representa experiências quotidianas em arte e entretenimento.[1]

Teatro e cinema[editar | editar código-fonte]

O termo teatral refere-se a uma representação naturalista da vida real, algumas vezes usada como um adjetivo, como numa "peça com diálogo slice of life". O termo originou-se entre 1890 e 1895 como um decalque da expressão francesa tranche de vie, creditado ao dramaturgo Jean Jullien (1854–1919).[2]

Jullien introduziu o termo não muito tempo depois de uma encenação da sua peça, The Serenade, como observado por Wayne S. Turney em seu ensaio, "Notas sobre o Naturalismo no Teatro":

The Serenade foi apresentada pelo Théâtre Libre em 1887. É um excelente exemplo de rosserie, ou seja, peças lidando com personagens corruptas moralmente falidas que parecem ser respeitáveis, "sorrindo, sorrindo, malditos vilões..." Jullien deu-nos a famosa definição do naturalismo em seu apotegma The Living Theatre (1892): "A peça é uma fatia da vida colocada no palco com a arte." Ele continua a dizer que "...o nosso objetivo não é criar o riso, mas se pensar." Ele sentiu que a história de uma peça não termina com a cortina, diz ele que, "só uma interrupção arbitrária da ação que deixa o espetador livre para especular sobre o que se passa mais além..."[3]

Durante a década de 1950, a frase teve uso crítico comum em avaliações de dramas de televisão em direto, sobre os guiões de filmes televisivos de JP Miller, Paddy Chayefsky[4][5] e Reginald Rose.[6] Naquela época, por vezes era usada como sinónimo com o pejorativo "kitchen sink realism" (realismo do lavatório) adotada dos teatros e filmes britânicos.

Literatura[editar | editar código-fonte]

O termo refere-se a uma técnica literária de contar histórias que apresenta uma amostra arbitrária na vida da personagem, que muitas vezes carece de uma estratégia coerente do enredo, conflito, ou final.[7] A história pode ter pouco progresso no enredo e pouco desenvolvimento da personagem, e muitas vezes não tem nenhuma exposição, conflito, ou desenlace, com um final aberto.

Na cultura japonesa[editar | editar código-fonte]

Em animé e manga, "slice of life" é um género que muitas vezes se assemelha à um melodrama adolescente, para além da utilização de técnicas narrativas slice-of-life.[8] Outro traço comum num animé e manga slice-of-life é a sua ênfase na sazonalidade ou nos procedimentos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Elizabeth J. Jewell e Frank R. Abate, ed. (2001). The New Oxford American Dictionary (em inglês) 1 ed. Oxford: Oxford University Press. 2192 páginas. ISBN 0-19-511227-X 
  2. Random House Webster's Unabridged Dictionary (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Random House. 2006. 2256 páginas 
  3. «Turney, Wayne S. "Notes on Naturalism in the Theatre".» (em inglês). Consultado em 1 de fevereiro de 2015. Arquivado do original em 17 de maio de 2012  |wayb= e |arquivodata= redundantes (ajuda); |wayb= e |arquivourl= redundantes (ajuda)
  4. Gottfried, Martin (2009). All His Jazz: The Life and Death of Bob Fosse (em inglês). [S.l.]: Da Capo Press. 512 páginas 
  5. Canby, Vincent (3 de dezembro de 1989). «Film View; Mining the Eloquence of Ordinary People». The New York Times (em inglês) 
  6. «Dowler, Kevin. "Reginald Rose". Museum of Broadcast Communications» (em inglês). Consultado em 1 de fevereiro de 2015. Arquivado do original em 10 de outubro de 2009  |wayb= e |arquivodata= redundantes (ajuda); |wayb= e |arquivourl= redundantes (ajuda)
  7. Eddy Baker, Stuart (2002). Bernard Shaw's remarkable religion: a faith that fits the facts (em inglês). [S.l.]: University Press of Florida. p. 83–84 
  8. E. Brenner, Robin (2007). Understanding manga and anime (em inglês). [S.l.]: Libraries Unlimited. p. 112–120