Slice of life

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Slice of life (em português: fatia de vida) é uma frase que descreve o uso do realismo mundano que representa experiências quotidianas em arte e entretenimento.[1]

Teatro e cinema[editar | editar código-fonte]

O termo teatral refere-se a uma representação naturalista da vida real, algumas vezes usada como um adjetivo, como numa "peça com diálogo slice of life". O termo originou-se entre 1890 e 1895 como um decalque da expressão francesa tranche de vie, creditado ao dramaturgo Jean Jullien (1854–1919).[2]

Jullien introduziu o termo não muito tempo depois de uma encenação da sua peça, The Serenade, como observado por Wayne S. Turney em seu ensaio, "Notas sobre o Naturalismo no Teatro":

The Serenade foi apresentada pelo Théâtre Libre em 1887. É um excelente exemplo de rosserie, ou seja, peças lidando com personagens corruptas moralmente falidas que parecem ser respeitáveis, "sorrindo, sorrindo, malditos vilões..." Jullien deu-nos a famosa definição do naturalismo em seu apotegma The Living Theatre (1892): "A peça é uma fatia da vida colocada no palco com a arte." Ele continua a dizer que "...o nosso objetivo não é criar o riso, mas se pensar." Ele sentiu que a história de uma peça não termina com a cortina, diz ele que, "só uma interrupção arbitrária da ação que deixa o espetador livre para especular sobre o que se passa mais além..."[3]

Durante a década de 1950, a frase teve uso crítico comum em avaliações de dramas de televisão em direto, sobre os guiões de filmes televisivos de JP Miller, Paddy Chayefsky[4][5] e Reginald Rose.[6] Naquela época, por vezes era usada como sinónimo com o pejorativo "kitchen sink realism" (realismo do lavatório) adotada dos teatros e filmes britânicos.

Literatura[editar | editar código-fonte]

O termo refere-se a uma técnica literária de contar histórias que apresenta uma amostra arbitrária na vida da personagem, que muitas vezes carece de uma estratégia coerente do enredo, conflito, ou final.[7] A história pode ter pouco progresso no enredo e pouco desenvolvimento da personagem, e muitas vezes não tem nenhuma exposição, conflito, ou desenlace, com um final aberto.

Na cultura japonesa[editar | editar código-fonte]

Em animé e manga, "slice of life" é um género que muitas vezes se assemelha à um melodrama adolescente. para além da utilização de técnicas narrativas slice-of-life.[8] Outro traço comum num animé e manga slice-of-life é a sua ênfase na sazonalidade ou nos procedimentos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Elizabeth J. Jewell e Frank R. Abate, ed. (2001). The New Oxford American Dictionary (em inglês) 1 ed. Oxford: Oxford University Press. 2192 páginas. ISBN 0-19-511227-X 
  2. Random House Webster's Unabridged Dictionary (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Random House. 2006. 2256 páginas 
  3. «Turney, Wayne S. "Notes on Naturalism in the Theatre".» (em inglês). Cópia arquivada em 17 de maio de 2012 
  4. Gottfried, Martin (2009). All His Jazz: The Life and Death of Bob Fosse (em inglês). [S.l.]: Da Capo Press. 512 páginas 
  5. Canby, Vincent (3 de dezembro de 1989). «Film View; Mining the Eloquence of Ordinary People». The New York Times (em inglês) 
  6. «Dowler, Kevin. "Reginald Rose". Museum of Broadcast Communications» (em inglês). Cópia arquivada em 10 de outubro de 2009 
  7. Eddy Baker, Stuart (2002). Bernard Shaw's remarkable religion: a faith that fits the facts (em inglês). [S.l.]: University Press of Florida. p. 83–84 
  8. E. Brenner, Robin (2007). Understanding manga and anime (em inglês). [S.l.]: Libraries Unlimited. p. 112–120