Soares da Costa

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Sociedade Construções Soares da Costa, S.A.
Soares da Costa
Sociedade anónima
Indústria Construção civil
Fundação 1918 (100 anos)
Fundador(es) José Soares da Costa
Destino Em PER (CIRE Portugal) desde 10 Agosto 2016

Administrador Judicial - Pedro Miguel Cancela Pidwell Silva

Sede Porto,  Portugal
Área(s) servida(s) Todo o Mundo
Presidente JOAQUIM ANTÓNIO NEGRITA FITAS
Vice-presidente FERNANDO JORGE SALAS NOGUEIRA
Pessoas-chave António Joaquim Negrita Fitas (CEO)
Fernando Jorge Salas Nogueira (CFO)
Empregados 1000
Produtos Engenharia
Subsidiárias Soares da Costa Serviços Partilhados, SA
Acionistas 97% Isabel dos Santos cidadã Angolana
LAJIR Baixa EUR -47,0 milhões (2012)
Faturamento Baixa EUR 802,0 milhões (2012)[1]
Website oficial http://www.soaresdacosta.pt/

Soares da Costa (Euronext: SCOAE) é um conglomerado português que se dedica à construção civil e engenharia. Foi fundado em 1918 por José Soares da Costa[2] e hoje é um dos maiores grupos de construção civil portugueses.[3][4][5]

Historia[editar | editar código-fonte]

Em 1918, José Soares da Costa fundou a sua empresa na Rua do Almada, no Porto. Hoje, a Soares da Costa dedica-se à construção, concessões a imobiliária e os serviços de energia. Tem presença em mercados internacionais como Angola, Moçambique e nos Estados Unidos, apresentando obra em quatro continentes.

Após o fim da gestão familiar da sociedade, transformou-se em sociedade anónima em 1968 e abriu o capital ao público em 1986, com cotação na então Bolsa de Valores de Lisboa e Porto. Hoje, o Grupo Soares da Costa é uma das 100 maiores empresas mundiais do setor da construção.[6]

Posicionada entre os 100 maiores grupos mundiais do setor, a empresa mantém presença permanente nos países africanos de expressão lusófona, com destaque para Angola e Moçambique e na Florida nos Estados Unidos.

As atividades do Grupo no estrangeiro têm vindo a aumentar de importância, representando 70,5 por cento do volume de negócios em 2012. O processo de internacionalização, iniciado em 1979, com a criação de uma empresa associada na Venezuela, atingiu uma dimensão global, já tendo chegado a territórios tão diversos como Iraque, Espanha, Egito, Alemanha, Macau, Barbados ou Roménia.

Em 2016, a Soares da Costa enfrentava sérias dificuldades financeiras, registando perdas acumuladas de 117 milhões de euros no triénio 2013-2015, aliando imparidades e défice de exploração. Em 2015, o prejuízo operacional foi na ordem dos 57 milhões de euros. Em Agosto desse ano, a sociedade entrou com um pedido de Processo Especial de Recuperação (PER).

A lista de credores da construtora inclui 1689 dívidas reconhecidas, totalizando 711 milhões de euros. A banca encontra-se entre os principais credores, em particular a Caixa Geral de Depósitos, com €170 milhões, o BCP, com €110 milhões, o Banco Millennium Atlântico, com €80 milhões, e o Bankinter, com €32 milhões.[7] 1200 trabalhadores da empresa estão também constituídos como credores, reclamando dívidas de 4,6 milhões de euros.[8]

Maio 2017 - O Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia anunciou esta ter recusado a homologação do Processo Especial de Revitalização (PER) da construtora. A construtora foi notificada da sentença do juiz e tem 15 dias para apresentar uma nova versão que resolva as duas objecções levantadas pelo juiz, acolhendo a contestação de alguns credores. O despacho de 50 páginas nota que o PER sofre de um pecado capital. Trata de forma desigual os credores ao admitir um corte mais favorável para a dívida em kwanzas. A proposta aprovada impõe à banca um perdão de 75% da dívida em euros e 35% em kwanzas. A dívida remanescente é paga em 18 anos. O juiz diz ainda que a dação de activos em pagamento deveria contar com anuência prévia dos bancos envolvidos, alguns dos quais votaram contra o plano. A Soares da Costa pode recorrer da decisão do juiz, desistir da recuperação e seguir para a insolvência ou rever as condições do PER de acordo com os argumentos do juiz.

Novembro 2017- Soares da Costa apresentou a nova versão do Plano Especial de Revitalização (PER), corrigindo as falhas que o juiz do Tribunal do Comércio de Gaia indicara como lesivas da equidade entre credores, aquando do PER de Agosto 2016. As dívidas vencidas somam 700 milhões de euros, cabendo à Caixa Geral de Depósitos (CGD) a maior fatia - 160 milhões. BCP e Bankinter são outros credores bancários relevantes do lado português, enquanto o Banco Millennium Atlântico (BMA) é o principal credor angolano (74 milhões de euros), beneficiando de garantias sobre activos. O BMA é parceiro e financiador da Soares da Costa neste programa de revitalização. A nova versão do PER acolhe também novidades no financiamento da reestruturação da construtora. Desta vez, o financiamento do BMA será apenas de 15 milhões de euros (45 milhões na proposta anterior) e conta com o encaixe de 20 milhões da venda da operação de Moçambique e mais 1,2 milhões resultantes de activos em Portugal. Na defesa do plano, a administração diz que um cenário de falência seria mais desfavorável para os credores porque a empresa apenas poderia dispor da receita resultante da venda dos seus activos. Se os credores aprovarem este segundo PER, a Soares da Costa ganha um segundo fôlego e uma nova vida que lhe permitirá celebrar, renascida em 2018, o seu centenário.

Fevereiro 2018 - No Tribunal Judicial da Comarca do Porto, Juízo de Comércio de Vila Nova de Gaia - Juiz 2 de Vila Nova de Gaia, no dia 12-02-2018, ao meio dia, foi proferido despacho de homologação relativo ao acordo entre a empresa Sociedade de Construções Soares da Costa e os seus credores (Citius). O plano de revitalização PER contou com a aprovação de 79,5% dos votos a favor, incluindo a Caixa Geral de Depósitos e o Banco Comercial Português. Já os bancos de capitais espanhóis, BPI, Bankinter e Popular e ainda o BIC votaram contra. O plano que tem agora a luz verde do tribunal prevê que a dívida não garantida a instituições de crédito e fornecedores - da ordem dos 607 milhões de euros – conte com um perdão de 50%. Quanto ao Estado e aos trabalhadores - com créditos de 9,5 e 50,2 milhões - mantém a afirmação de pagamento integral.  

EMPRESA CENTENÁRIA!

Terminou em 19 Maio 2018 o prazo para o pagamento dos salários em atraso prometidos cumprir aquando da homologação do 2º PER. Segunda-feira 21 Maio reúnem os trabalhadores nos Estaleiros de S. Felix da Marinha para perguntar porque não foi cumprido o judicialmente prometido. Até à data o mesmo não transitou em julgado o que impede que se clarifique se existe meios e vontade de pagamento, nomeadamente dos salários em atraso. Entretanto a empresa vai laborando com reduzidos funcionários que com discriminação de todos os restantes, mais de 900.

Das obras mais emblemáticas contam-se o Aeroporto Internacional de Macau[9] e o Sistema de Metro Ligeiro da Área Metropolitana do Porto.[10]

Referências

  1. http://www.soaresdacosta.pt/documents/institucional/apresentacao%204Q2012_PT.pdf
  2. http://www.soaresdacosta.pt/PT/grupo/historia
  3. SANCHES, Pedro Carrilho de Almeida Noronha. Medição de Desempenho das Empresas de Construção Civil e Obras Públicas em Portugal. Dissertação para a obtenção do grau de mestre em Engenharia Civil pela Universidade Técnica de Lisboa (Instituto Superior Técnico).
  4. Notícia de 6 de abril de 2011 no Macauhub.
  5. Delloite. Securing the foundations. European powers of construction 2009
  6. http://www.soaresdacosta.pt/PT/grupo/historia
  7. «Expresso | Mosquito sai da Soares da Costa». Jornal Expresso. Consultado em 9 de Setembro de 2017. 
  8. Pinto, Luísa. «Soares da Costa já entregou plano de reestruturação reformulado». PÚBLICO. Consultado em 8 de Setembro de 2017. 
  9. Site All-Bizz.
  10. Informação no site do Metro do Porto.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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