Sociologia da violência e da criminalidade

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A sociologia da violência e da criminalidade é um ramo da sociologia que estuda as relações e estruturas sociais da violência e criminalidade.

A violência (do latim violentia) remete ao emprego de força física para infligir dano ou lesão.[1][2] Segundo Zaluar, "essa força física torna-se violência quando ultrapassa um limite ou perturba acordos tácitos e regras que ordenam relações, adquirindo carga negativa ou maléfica" e é a percepção da sociedade, historica e culturalmente que vai determinar, a partir da identificação e estabelecimento desses limites e do sofrimento que sua ultrapassagem carrega, o que é um ato violento.[3]

Sendo identificada e definida de diferentes formas dependendo da cultura e do contexto temporal de uma sociedade, a violência assume diversas definições e rótulos e portanto, diferentes áreas, em diferentes momentos e lugares, têm se debruçado sobre a violência, entre elas o direito penal,[2] a psiquiatria e psicologia,[4] a antropologia[5][6] e a sociologia. Também é possível encontrar exemplos de estudos sobre a violência e seus impactos na economia e política[7].

Segundo Souza e Souza, a mídia também assume um papel na difusão da violência, principalmente entre as classes com menor nível de escolaridade, ao explorar o caráter mercadológico da violência simbólica.[8] Segundo Bourdieu, "Violência simbólica, que é violência que se exerce com a cumplicidade tácita dos que a sofrem e, também, com frequência dos que a exercem, na medida em que uns e outros são inconscientes de exercê-la ou de sofrê-la. Consiste nos mecanismos anônimos, invisíveis, através dos quais se exercem as censuras de toda ordem que auxiliam a manutenção de uma ordem simbólica"[9].

Crime se qualifica como a prática de conduta tipificada pela lei penal local como ilícita[10]. Já a criminalidade pode ser conceituada como sendo o conjunto de crimes cometidos em um determinado espaço. Há, portanto uma distinção entre ato violento e crime, onde o primeiro não necessariamente, aos olhos da lei, constitui crime, mas o segundo sempre é uma forma de violência.

Referências

  1. «Violence (n.)». Online Etymology Dictionary. Consultado em 17 de maio de 2017 
  2. a b Machado, Nara B. C. (2006). «Violência urbana: Uma reflexão sob a ótica do direito penal» (PDF). Campos dos Goytacazes. Revista da Faculdade de Direito de Campos. 7 (8): 429-462. Consultado em 17 de maio de 2017 
  3. Zaluar, Alba (1999). «Um debate disperso - violência e crime no Brasil da redemocratização» (PDF). São Paulo. São Paulo em Perspectiva. 13 (3). doi:10.1590/S0102-88391999000300002. Consultado em 17 de maio de 2017 
  4. Mello, Sylvia L.; Patto, Maria Helena S. (2008). «Psicologia da violência ou violência da psicologia?» (PDF). São Paulo. Psicologia USP. 19 (4). doi:10.1590/S0103-65642008000400013. Consultado em 17 de maio de 2017 
  5. Hita, Maria Gabriela; Gledhill, John E. (2010). «Antropologia na análise de situações periféricas urbanas». Caderno Metropolitano. 12 (23): 189-209. Consultado em 17 de maio de 2017 
  6. Gordon, Flávio (2006). «Arqueologia da violência: pesquisas de antropologia política» (PDF). Rio de Janeiro. Mana. 12 (2). doi:10.1590/S0104-93132006000200012. Consultado em 17 de maio de 2017 
  7. Institute of Medicine e National Research Council (2012). Social and Economic Costs of Violence cap. 6. Washington, DC: The National Academies Press 
  8. Souza, Paulo F. P.; Souza, Andréa C. V. O. P. «Violência, mídia e interesse mercadológico». Revista Kairós. Consultado em 17 de maio de 2017 
  9. Bourdieu, Pierre (1992). O poder simbólico. [S.l.: s.n.] 
  10. «DEL3914». www.planalto.gov.br. Consultado em 28 de outubro de 2015