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Sol de Maio

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O Sol de Maio, tal como aparece na versão atual das bandeiras da Argentina (à esquerda) e do Uruguai.

O Sol de Maio (em castelhano: Sol de Mayo) é um dos símbolos nacionais dos países do Rio da Prata, Argentina e Uruguai, presente em suas bandeiras e brasões.[1][2] Seu nome remete à Revolução de Maio de 1810, o evento que catalisou o processo de independência no Vice-Reino do Rio da Prata. É também conhecido como sol inca (em castelhano: sol incaico),[3][4] já que a explicação mais difundida sobre seu significado é que representa Inti, o deus solar dos incas.[1][5] No entanto, nenhuma fonte contemporânea confirma uma origem inca para o símbolo, e essa afirmação surgiu posteriormente, com o desenvolvimento da historiografia argentina.[1] O desenho do Sol de Maio parece ser herdeiro do uso anterior e prolongado do “sol em esplendor” na heráldica europeia.[5][6] Consiste em um disco dourado com um rosto do qual emergem raios, alternando entre raios flamejantes que giram no sentido horário e raios retos; no caso argentino, são 32 raios,[7] enquanto o caso uruguaio segue a convenção da heráldica europeia de 16 raios.[6] No entanto, a falta inicial de regulamentação quanto ao desenho do sol levou a uma grande variedade de estilos diferentes ao longo do tempo, até que foram definitivamente padronizados por lei em meados do século XX.[1][6]

O primeiro uso oficial do sol como símbolo nacional ocorreu em 1813, com a Assembleia Constituinte das Províncias Unidas do Rio da Prata,[1] aparecendo em seu selo (que mais tarde se tornaria o brasão nacional da Argentina) e em suas primeiras moedas nacionais.[5] O sol foi incorporado à bandeira de guerra do país em 1818, e esse desenho gradualmente se tornou o padrão para representar o Estado nacional, enquanto os civis estavam restritos a usar a versão sem o sol.[8] Ao longo do restante do século XIX, o sol apareceu em inúmeros desenhos distintos em bandeiras, notadamente em vermelho durante o governo de Juan Manuel de Rosas, bem como em moedas, com variações significativas entre cada província.[8] No início do século XX, surgiram estudos históricos sobre a bandeira e o brasão, com propostas que visavam alinhar o desenho do sol com o da década de 1810.[8] No entanto, foi somente em 1944 que uma regulamentação definitiva foi estabelecida, finalizando o desenho do Sol de Maio com base nas primeiras moedas nacionais de 1813.[8] Finalmente, em 1985, foi estabelecido que a única bandeira argentina era aquela com o sol, eliminando a obrigação de os civis usarem a versão sem sol.[9]

No caso do Uruguai, o país foi constituído em 1818, ao final da Guerra da Cisplatina, que opôs as Províncias Unidas do Rio da Prata ao Império do Brasil pelo controle da Banda Oriental, e adotou símbolos nacionais ligados aos da independência argentina.[2] Assim como no caso da Argentina, o sol utilizado no brasão e na bandeira do Uruguai passou por inúmeras variações até que seu desenho atual foi formalizado em 1952.[6] Esse decreto também padronizou a cor das faixas da bandeira como azul, distinta do azul claro utilizado na bandeira da Argentina.[6]

História

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Origem e primeiros usos

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O sol foi utilizado oficialmente como símbolo das nascentes Províncias Unidas do Rio da Prata pela primeira vez em 1813, quando a Assembleia do Ano XIII o incorporou em seu selo oficial (à esquerda) — que mais tarde se tornou o brasão da Argentina — e nas primeiras moedas nacionais (à direita). O desenho do sol presente nessas moedas é o mesmo utilizado na atual bandeira da Argentina.

O sol foi utilizado pela primeira vez como símbolo na região do Rio da Prata no final de 1810, como insígnia nos uniformes militares.[1] No entanto, o primeiro uso formal do sol ocorreu no selo oficial da Assembleia do Ano XIII (assim denominada por ter sido realizada em 1813), uma assembleia constituinte das nascentes Províncias Unidas do Rio da Prata, o Estado sucessor do Vice-Reino do Rio da Prata após a destituição das autoridades espanholas na capital Buenos Aires na Revolução de Maio (da qual o Sol de Maio tira seu nome), em 25 de maio de 1810.[1] Em 1944, o selo foi oficialmente declarado como brasão nacional da Argentina por meio de um decreto presidencial.[10] Como as forças de Buenos Aires ocupavam a cidade de Potosí, no Alto Peru, naquela época, a Assembleia do Ano XIII também decidiu que a moeda real espanhola cunhada na Casa da Moeda de Potosí deveria mudar seu desenho.[5] Os legisladores determinaram que o anverso das novas moedas deveria ter o selo da assembleia, mas sem o sol nascente, que, em vez disso, aparecia na íntegra no reverso, um sinal da importância que tinha como símbolo da nova nação.[5] Embora se considere que o sol dessas moedas seja idêntico ao do selo da Assembleia do Ano XIII, há uma ligeira diferença entre os dois: no primeiro, os raios flamejantes têm todos a mesma direção, variando sua orientação de acordo com a emissão, enquanto no segundo os raios alternam entre o sentido horário e o anti-horário.[8] O desenho do sol incorpora 32 raios, o dobro dos 16 raios típicos encontrados na heráldica europeia.[5]

O Cápac Raymi, uma festa anual que celebra o solstício de dezembro.
O imperador inca Pachacuti rezando no templo de Coricancha.
A explicação mais difundida atribui a origem do Sol de Maio ao culto inca ao deus solar Inti, aqui representado em dois livros de cerca de 1615: El primer nueva corónica y buen gobierno (à esquerda) e as crônicas de Martín de Murúa (à direita).

O Sol de Maio também é conhecido como "sol inca" (em castelhano: sol incaico),[3][4] pois, segundo a explicação mais difundida, ele representa Inti, o deus solar dos incas.[1] A suposta origem inca do símbolo é frequentemente relacionada ao fato de que o brasão nacional foi criado por Juan de Dios Rivera, um ourives de ascendência inca originário de Cusco, mas radicado em Buenos Aires.[11] Por essa razão, ele é considerado por alguns como o criador do Sol de Maio.[12] No entanto, não há fontes primárias que confirmem isso,[1] especialmente porque as atas da Assembleia do Ano XIII desapareceram após 1852, quando foram inventariadas pelo Grande Exército Aliado de Libertação após a Batalha de Monte Caseros.[13] Na realidade, Rivera seguiu as instruções que recebeu do governo, e pesquisas recentes demonstraram a existência de um emblema revolucionário francês do final do século XVIII que serviu de modelo para o selo.[8][14]

O brasão real ornamentado dos reis da Espanha durante a era dos Bourbons, apresentando um sol ao lado do lema “a solis ortu usque ad occasum”.

Embora amplamente aceita, a suposta origem inca do Sol de Maio carece de fontes contemporâneas e só surgiu com o desenvolvimento da historiografia do país.[1] Em uma carta de 1900 endereçada a José María Gutiérrez, Bartolomé Mitre escreveu: "A revolução foi dominada pela ideia de promover uma nova revolta das massas incas contra a dominação espanhola no Alto Peru. A adoção do Sol heráldico no brasão nacional foi, sem dúvida, um motivo de atração e reverência para os povos indígenas quíchuas e aimarás, que adoravam o sol."[5] No entanto, Mitre também destacou nessa carta que, em sua opinião, a inclusão do sol no selo da Assembleia do Ano XIII era uma referência ao sol que acompanhava o lema latino "A solis ortu usque ad occasum" (lit. "do nascer ao pôr do Sol") nas versões ornamentadas do brasão dos reis da Espanha.[5] Isso está relacionado ao fato de que o processo de independência na Argentina teve início quando a notícia da destituição do rei Fernando VII por Napoleão Bonaparte chegou a Buenos Aires, levando à destituição do vice-rei pela elite local sob uma lealdade professada ao rei ausente, algo conhecido como a "máscara de Fernando VII".[5] O motivo do sol era comumente encontrado nas decorações militares da era Bourbon, tanto na Espanha continental quanto em suas colônias americanas, geralmente representado como uma estrela radiante com numerosos raios brilhando intensamente sobre todo o campo, e menos frequentemente em sua forma heráldica.[5] O sol também era frequentemente utilizado em decorações de madeira, tecido ou papelão pintado, usadas em cerimônias fúnebres, juramentos de lealdade a novos monarcas e exibições de destaque em vilas e cidades.[5] Além das teorias que associam a origem do Sol de Maio à heráldica europeia, alguns sugerem uma possível influência maçônica, ligando o emblema à iconografia da Maçonaria.[1]

Uso na bandeira argentina e evolução do desenho

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Diversos desenhos do Sol de Maio nas bandeiras argentinas do século XIX, refletindo a ausência de normas padronizadas para o emblema naquele período.

Alguns anos após a cunhagem das primeiras moedas em Potosí, o sol foi incorporado à bandeira nacional da Argentina. Inicialmente, o Congresso de Tucumã legalizou a bandeira composta por três faixas horizontais nas cores azul-claro, branco e azul-claro como uma "bandeira provisória", até que fosse definida a forma de governo a ser adotada pelas Províncias Unidas do Rio da Prata. Embora essa forma de governo ainda não tivesse sido definida, tornou-se urgente definir uma bandeira para uso militar a fim de diferenciar os navios de guerra dos navios mercantes. Como resultado, no início de 1818, sob o comando do Diretor Supremo Juan Martín de Pueyrredón, foi legislado que: "servindo a toda bandeira nacional as duas cores branco e azul da maneira e forma até então habituais, seja distintivo peculiar à bandeira de guerra um sol pintado no meio dela." O decreto não fornece detalhes sobre o significado do sol ou sua origem, limitando-se a decretar seu uso e a função da nova "bandeira de guerra". Na Constituição redigida em 1819, não foi definida uma forma de governo, de modo que a "bandeira geral" permaneceu sem regulamentação, enquanto na Constituição proclamada em 1826 a forma republicana de governo foi formalmente definida, embora a questão da bandeira tenha sido esquecida. Em vez disso, a "bandeira de guerra" passou gradualmente a ser usada como uma espécie de "bandeira geral", representando o Estado nacional de forma ampla e não apenas para fins militares, enquanto a versão sem o sol era reservada para navios mercantes e uso civil.[8]

Imagens de diferentes desenhos do Sol de Maio em várias moedas cunhadas na Argentina durante o século XIX.

Embora a legislação vigente exigisse a inclusão de um sol na bandeira, ela não fornecia detalhes específicos sobre seu desenho, o que levou a uma grande variedade de desenhos de sol ao longo do século XIX, com diferenças nas proporções, no número e na forma dos raios, nas características faciais e em outros elementos. Praticamente não havia duas bandeiras com o mesmo sol e, em alguns casos, alguns desenhos tornaram-se altamente complexos, refletindo os estilos elaborados predominantes na heráldica europeia ao longo do século.[8] Embora a legislação não especificasse a cor do sol, presumia-se tipicamente que fosse amarelo — e até mesmo designado como bordado em ouro na faixa do Diretor Supremo no mesmo dia em que a "bandeira de guerra" foi oficialmente adotada; durante a era de Juan Manuel de Rosas, a característica distintiva era o uso ocasional de um sol vermelho,[8] já que essa cor era um dos símbolos de adesão ao governante e à causa federalista.[15] A ausência de um desenho padronizado do sol era evidente também na numismática, já que a maioria das moedas provinciais apresentava desenhos variados do sol, exceto as moedas de La Rioja, que reproduziam as moedas de Potosí de 1813 e 1815. Exemplos notáveis dos diversos desenhos de sol que aparecem na forma completa em um dos lados de uma moeda incluem os reversos de todas as moedas da província de Córdova e os anversos das moedas de cobre da Confederação Argentina.[8]

O brasão oficial da Argentina, o Sol de Maio e a bandeira, conforme regulamentados pelo Decreto 10302/44 de 1944.

No final do século XIX, surgiram preocupações quanto à inconsistência dos desenhos da bandeira e do brasão, o que levou a Chancelaria a regulamentar os modelos a serem utilizados nos consulados em 1885. Por volta de 1900, figuras como José Manuel Eizaguirre, Mariano Pelliza e Estanislao Zeballos iniciaram pesquisas sobre bandeiras e brasões. Zeballos defendeu um brasão nacional simplificado, ecoando o desenho da década de 1810. Como Ministro das Relações Exteriores em 1907, ele oficializou sua proposta, mas continuaram a surgir diversos desenhos de brasões e sóis nas bandeiras. A regulamentação efetiva dos símbolos patrióticos só ocorreu na década de 1940, promovida pelo historiador Dardo Corvalán Mendilaharsu, que propôs que o sol da bandeira fosse o mesmo das primeiras moedas do país durante uma conferência que proferiu em maio de 1942 na Academia Nacional de História. ssa academia apresentou um projeto de lei ao Poder Executivo nacional para regulamentar o desenho do sol da bandeira, que nunca foi promulgado. Após o golpe de Estado de 1943, o novo governo militar, com a orientação de Dardo Corvalán Mendilaharsu, padronizou o desenho por meio do Decreto 5256/43. Esse decreto estipulava que a bandeira oficial e a faixa presidencial da Argentina incorporassem o sol das moedas de Potosí de 1813, com trinta e dois raios alternados entre flamejantes e retos, em consonância com o arranjo das moedas, e designava o amarelo-ouro como a cor do sol.[8]

Durante o governo do general Edelmiro Julián Farrell, o importante Decreto 10302/44 regulamentou os símbolos patrióticos e estabeleceu uma série de disposições baseadas em pesquisas históricas.[9] Ele regulamentou o desenho oficial da bandeira, o brasão nacional e o desenho do sol, que definiu em termos semelhantes aos do decreto anterior de 1943: "No centro da faixa branca da bandeira oficial, será reproduzido o sol figurativo da moeda de ouro de oito escudos e da moeda de prata de oito reais gravadas na primeira moeda argentina, por lei da Assembleia Geral Constituinte Soberana de 13 de abril de 1813, com os trinta e dois raios flamejantes e retos dispostos alternadamente e na mesma posição em que aparecem nessas moedas. A cor do sol será o amarelo do ouro."[8][9] O decreto também determina quem está autorizado a usar a bandeira com o sol, permitindo que civis utilizem apenas a bandeira sem o sol. Décadas mais tarde, a Lei 23.208 de 1985, promulgada pelo Decreto 1.541 do mesmo ano, estabeleceu a bandeira argentina com o sol como a única bandeira nacional para todos, norma que persiste até hoje.[9]

No Uruguai

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O Sol de Maio, tal como aparece numa moeda de um peso uruguaio de 1869 (à esquerda) e no primeiro selo postal uruguaio de 1856.

Em 1828, ao final da Guerra da Cisplatina, que opôs as Províncias Unidas do Rio da Prata e o Império do Brasil pelo controle da Banda Oriental, ambos os países assinaram um acordo de paz, com a intervenção diplomática do Reino Unido, no qual deram origem ao novo Estado independente do Uruguai. No final daquele ano, o novo Estado adotou sua primeira bandeira oficial, composta por 9 listras brancas alternadas com 9 listras azuis claras (em referência aos nove departamentos que compunham o país na época) e o Sol de Maio no canto superior esquerdo, assumindo o simbolismo da independência argentina.[2] Posteriormente, poucos dias antes da promulgação da Constituição, em julho de 1830, o desenho da bandeira foi modificado: as 9 faixas azuis claras foram reduzidas a 4, totalizando 9 faixas alternadas e mantendo, assim, o simbolismo dos departamentos.[6] A lei também determinou que o desenho do sol fosse o mesmo do brasão nacional.[2]

O Sol de Maio, tal como se vê na fachada do Teatro Solís, em Montevidéu.

O sol foi um dos elementos da bandeira uruguaia que mais mudou ao longo do tempo, já que a lei original de criação menciona apenas um "quadrado branco no qual será colocado o sol", o que resultou na ausência de normas quanto ao seu desenho. Apesar da grande variedade de estilos utilizados no século XIX, o desenho mais comum do sol consistia em um "pequeno disco facetado (com uma face), com uma multiplicidade de raios retos unidos em seus lados, de comprimentos e larguras variados, mais finos na base, de modo que formava um 'círculo' externo irregular com tantos pontos quantos eram os raios".[6] Esse "sol radiante" com múltiplos raios retos era característico da época, aparecendo em várias formas em bandeiras, bem como em moedas de 1840 a 1969, no primeiro selo postal uruguaio, na fachada do Teatro Solís e em inúmeros edifícios públicos e publicações oficiais. Algumas versões chegavam a retratar um sol figurativo com rosto e cabelos, como visto em moedas de 1844 e 1869.[6]

A cadeira do general Juan Antonio Lavalleja, com um sol esculpido que foi apontado como uma influência no desenho do sol da bandeira uruguaia.

Em meados do século XIX, o desenho começou a evoluir para um sol mais simples e uniforme, frequentemente representado como um círculo com raios de comprimento igual. Esse estilo é evidente em obras de arte históricas, como a pintura de Pedro Blanes Viale, O Juramento da Constituição de 1830, e as representações de bandeiras regimentais feitas por Cándido López. Registros fotográficos da época, incluindo um retrato de estúdio de soldados de 1869 e imagens da revista Rojo y Blanco do início do século XX, confirmam a prevalência desse desenho circular de sol radiante. Essas fotografias, que capturam eventos como as comemorações do Dia da Independência de 1900 e o lançamento da pedra fundamental da Penitenciária Feminina, mostram bandeiras com sóis grandes e compactos, semelhantes aos do brasão nacional. No entanto, as variações persistiram, com algumas bandeiras apresentando desenhos únicos, como uma com oito raios pontiagudos em um pequeno círculo central, refletindo a liberdade criativa dos fabricantes de bandeiras.[6]

O desenho do Sol de Maio na bandeira evoluiu independentemente das alterações no brasão nacional, que passou por revisões significativas por meio de leis promulgadas em 1906 e 1908. Enquanto o brasão adotou um novo desenho do sol em 1908, com sete raios retos e oito em forma de chama, o sol da bandeira manteve sua forma radiante e com múltiplos raios por algum tempo. A lei de 1906 simplificou o brasão, substituindo os troféus de guerra por ramos de oliveira e de louro amarrados com uma fita azul-clara, enquanto o decreto de 1908 introduziu um novo desenho do sol, da autoria de Miguel J. Coppetti, com sete raios retos alternados com oito raios em forma de chama. Esse desenho, notavelmente semelhante a um sol esculpido na cadeira do general Juan Antonio Lavalleja (preservada no Museu Histórico Nacional), seguia as convenções heráldicas europeias, que prescreviam dezesseis raios alternados retos e ondulados para símbolos solares. Apesar dessas mudanças no brasão, o sol da bandeira manteve sua forma radiante e com múltiplos raios até bem entrados os anos 1920.[6]

Foi somente na década de 1920 que o sol da bandeira começou a se aproximar mais do desenho moderno, incorporando raios alternados entre retos e em forma de chama. Essa transição tornou-se mais evidente por volta de 1930, como pode ser visto em fotografias da primeira Copa do Mundo da FIFA, onde a bandeira exibia um sol muito semelhante à versão atual. Houve um alinhamento gradual entre o Sol de Maio da bandeira e o brasão, impulsionado pelo uso prático e não por legislação formal. A harmonização entre a bandeira e o brasão foi finalizada em 1952, quando um decreto especificou o desenho da bandeira, determinando um sol dourado com dezesseis raios — alternando entre retos e em forma de chama — inserido em um quadrado branco, formalizando o desenho moderno do Sol de Maio uruguaio.[6]

Utilização

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Bandeiras atuais

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Bandeiras históricas e militares

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Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Gregoric, Francisco (24 de fevereiro de 2018). «Un sol que cumple 200 años». LA NACION (em espanhol). Consultado em 29 de abril de 2026
  2. 1 2 3 4 Borges, Leonardo (10 de julho de 2019). La historia escondida del Uruguay: Mitos verdades y dudas de nuestra historia (em espanhol). Montevidéu: Ediciones B. ISBN 978-9974-895-16-4. Consultado em 29 de abril de 2026
  3. 1 2 «Escudo Nacional». Argentina.gob.ar (em espanhol). 3 de agosto de 2020. Consultado em 29 de abril de 2026
  4. 1 2 «Bandera Nacional». Argentina.gob.ar (em espanhol). 3 de agosto de 2020. Consultado em 29 de abril de 2026
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Giménez Puig, Manuel (2013). «Las monedas potosinas autónomas de 1813 y 1815 y el escudo nacional argentino». Revista Numismática OMNI (6): 209–219. ISSN 2104-8363
  6. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 «Un archivo de diseño gráfico del Uruguay». LA PATRIA (em espanhol). Consultado em 29 de abril de 2026
  7. «Tres datos sobre el Sol de Mayo». Casa Rosada (em espanhol). Consultado em 29 de abril de 2026
  8. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Pezzano, Luciano; Gregoric, Francisco (25 de fevereiro de 2023). «Un detalle desapercibido en el sol de las primeras monedas patrias» (PDF). Instituto Federal de Investigadores Numismáticos de la República Argentina (publicado em 2020). Anuario Argentino de Numismática (em espanhol). III: 51-72
  9. 1 2 3 4 La bandera nacional de la República Argentina (PDF) (em espanhol). Buenos Aires: Ministerio del Interior de la República Argentina; Instituto Nacional Belgraniano. 2012. pp. 79–83. Arquivado do original (PDF) em 24 de janeiro de 2016
  10. «Día del Escudo Nacional: ¿cómo se creó y qué significa su diseño?». LA NACION (em espanhol). 12 de março de 2023. Consultado em 29 de abril de 2026
  11. «Estación del Sol de Mayo». Casa Rosada (em espanhol). Consultado em 29 de abril de 2026
  12. Ruiz, Luis Guerrero (17 de outubro de 2023). «¿Sabías que un peruano diseñó el sol de la bandera de Argentina y Uruguay? Conoce su historia». larepublica.pe (em espanhol). Consultado em 29 de abril de 2026
  13. «Símbolo patrio: la incógnita del escudo». LA NACION (em espanhol). 15 de outubro de 2006. Consultado em 29 de abril de 2026
  14. Clarín, Redacción (29 de setembro de 2011). «Un emblema francés habría inspirado el Escudo Nacional». Clarín (em espanhol). Consultado em 29 de abril de 2026
  15. Root, Regina A. (2010). Couture and Consensus: Fashion and Politics in Postcolonial Argentina. Col: Cultural Studies of the Americas. Minneapolis: University of Minnesota Press. pp. 1–34. ISBN 978-0-8166-4793-4