Solidarność

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O «Solidariedade Semanal», que circulava antes de ser decretada a lei marcial na Polónia.
Strajk sierpniowy w Stoczni Gdańskiej im. Lenina 34.jpg

Solidarność (pronúncia: [sɔliˈdarnɔɕt͡ɕ] ( ouvir), em português Solidariedade (do nome completo, em polonês, Niezależny Samorządny Związek Zawodowy "Solidarność; em português, Sindicato Autónomo "Solidariedade") é uma federação sindical polaca fundada em 31 de Agosto de 1980 nos Estaleiros Lenin, em Gdańsk, sendo originariamente liderada por Lech Wałęsa.

Na década de 1980, o Solidariedade era um amplo anti-burocrático movimento social, utilizando os métodos de resistência civil para fazer avançar a causa dos direitos dos trabalhadores e da mudança social.[1] Ele representava 9,5 milhões de membros em seu primeiro congresso em setembro 1981, o que correspondia a 1/3 da população total da Polônia em idade de trabalho.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Na década de 1970 o governo da Polônia elevou os preços dos alimentos, enquanto os salários estagnaram. Este e outros motivos levaram aos protestos de junho de 1976 e a subsequente repressão do governo aos dissidentes. Logo começaram a se formar redes clandestinas como os grupos KOR e ROPCIO para opor-se ao comportamento abusivo do governo, sendo os sindicatos uma parte importante dessas redes.[3]

A primeira metade do pontificado de João Paulo II ficou marcada pela luta contra o comunismo na Polónia e restantes países da Europa de Leste e do mundo. Muitos poloneses consideram que o marco inicial da derrocada comunista foi o discurso de João Paulo II em 2 de junho de 1979, quando falou a meio milhão de compatriotas em Varsóvia e destacou o trabalho do Solidarność. "Sem o discurso de Wojtyla, o cenário teria sido diferente. O Solidariedade e o povo não teriam se sentido fortes e unidos para levar a luta adiante", acredita o escritor e jornalista Mieczylaw Czuma. "Foi o papa que nos disse para não ter medo." Dez anos depois, as eleições de 4 de junho de 1989 foram uma "revolução sem sangue" e encorajaram outros países do bloco comunista a se liberar de Moscovo. A data tornou-se simbólica da fim do socialismo real. O movimento sindical Solidariedade, liderado por Lech Walesa, obteve a vitória nas primeiras eleições parcialmente livres de todo o bloco comunista.[4]

João Paulo II foi creditado como sendo fundamental para derrubar o comunismo no Centro e Leste europeus,[5][6][7][8][9][10][11] mesmo antes de ser papa, Wojtyła já tinha uma posição inflexível contra o regime comunista.[12] Por ser a inspiração espiritual por trás de sua queda, e um catalisador para "uma revolução pacífica" na Polônia. Lech Wałęsa, o fundador do movimento sindical Solidarność, creditou a João Paulo II a coragem dos poloneses de se levantarem.[10] De acordo com Wałęsa, "Antes de seu pontificado, o mundo estava dividido em blocos. Em Varsóvia, em 1979, ele simplesmente disse: 'Não tenham medo, mudem a imagem desta terra.'"[11][13]

Em 1979, a economia polaca encolheu pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, de 2 por cento. A dívida externa chegou a aproximadamente US $ 18 bilhões até 1980.[14]

Solidariedade surgiu em 31 de agosto 1980, em Gdansk, nos Estaleiros Lenin, quando o governo comunista da Polônia assinou o acordo que permitiu a sua existência. Em 17 de setembro de 1980, mais de 20 comitês de sindicatos livres fundiram-se em uma organização nacional denominada NSZZ Solidariedade,[2] sendo oficialmente registrado em 10 de novembro de 1980.[15]

Lech Walesa e outros formaram um amplo movimento social anti-soviético que incluia desde pessoas associadas com a Igreja Católica[16] e membros da esquerda anti-soviética. Solidariedade defendia atividades de não-violência dos seus membros.[17]

Mural comemorando os 30 anos

O governo tentou destruir o sindicato com a lei marcial de 1981 e muitos anos de repressões, mas por fim começou a negociar com o sindicato. As conversas de mesa redonda entre o governo enfraquecido e a oposição do Solidariedade levou às eleição semi-abertas de 4 de junho de 1989. Pelo fim de agosto, uma coligação liderada pelo Solidariedade foi formada para participar das eleições e em dezembro Wałęsa foi eleito presidente.

A Igreja Católica apoiou o movimento Solidarność e, em janeiro de 1981, Wałęsa foi cordialmente recebido pelo Papa João Paulo II no Vaticano. O próprio Wałęsa sempre considerou o catolicismo como sua fonte de força e inspiração.[18] Em 1983, na segunda viagem do papa para a Polônia, foi concedida uma audiência do papa com Wałęsa, nas Montanhas Tatra. Como resultado da reunião Wałęsa diminuiu sua atividade política para aliviar a situação interna na Polônia. Em agosto de 1983, a lei marcial que proibia o Solidariedade foi retirada e no mesmo ano Wałęsa recebeu o Nobel da Paz.[19]

No dia 4 de junho de 1989, houve eleições para o senado na Polônia e pela primeira vez os poloneses tinham a chance de votar depois de quase meio século de ditadura comunista. O resultado das urnas foi que das 262 cadeiras do senado, 261 ficaram para o partido de oposição, o Solidariedade. O governo comunista cairia dois meses depois. Era o fim do comunismo na Polônia. "A culpa é da Igreja", disse o ditador derrotado, general Wojciech Jaruzelski. O primeiro ato do líder do Solidariedade, Lech Wałęsa, foi ir para Roma, para agradecer a João Paulo II.[20]

Desde então tornou-se um sindicato mais tradicional, e teve relativo pouco impacto na cena política da Polónia no início da década de 1990. Um ramo político foi fundado em 1996 quando a Ação Eleitoral Solidariedade (Akcja Wyborcza Solidarność, AWS) ganhou a eleição parlamentar, 1997, mas perdeu a seguinte eleição parlamentar, em 2001.

Referências

  1. Aleksander Smolar, '"Self-limiting Revolution": Poland 1970-89', in Adam Roberts and Timothy Garton Ash (eds.),Civil Resistance and Power Politics: The Experience of Non-violent Action from Gandhi to the Present, Oxford University Press, 2009, ISBN 978-0-19-955201-6, pp. 127-43; acesso em 6 de agosto de 2013
  2. a b «Solidarność a systemowe przekształcenia Europy Środkowo-Wschodniej» (em polaco). solidarnosc.gov.pl. Consultado em 6 de agosto de 2013. 
  3. KOR: a history of the Workers’ Defense Committee in Poland, 1976-1981 (Berkeley (USA): University of California Press). 1985. ISBN 0-520-05243-9. 
  4. Gianni Carta. "O ano em que a cortina caiu", Carta Capital, número 549, 10 de Junho de 2009.
  5. «Pope stared down Communism in homeland - and won». Religion News Service. CBC News Online. Abril de 2005. Arquivado desde o original em 6 de janeiro de 2009. Consultado em 1 de janeiro de 2009. 
  6. «Pope John Paul II and the Fall of the Berlin Wall». 2008 Tejvan Pettinger, Oxford, UK. Arquivado desde o original em 22 de setembro de 2008. Consultado em 1 de janeiro de 2009. 
  7. Bottum, Joseph (18 de abril de 2005). «John Paul the Great». Weekly Standard. pp. 1–2. Arquivado desde o original em 6 de julho de 2009. Consultado em 1 de janeiro de 2009. 
  8. Maxwell-Stuart, P.G. (2006). Chronicle of the Popes: Trying to Come Full Circle (Londres: Thames & Hudson). p. 234. ISBN 978-0-500-28608-6. 
  9. «Gorbachev: Pope was ‘example to all of us’». CNN. 4 de abril de 2005. Arquivado desde o original em 28 de agosto de 2005. Consultado em 1 de janeiro de 2009. 
  10. a b «John Paul II: A strong moral vision». CNN. 11 de Fevereiro de 2005. Arquivado desde o original em 22 de dezembro de 2006. Consultado em 1 de janeiro de 2009. 
  11. a b Domínguez, Juan: 2005
  12. «BBC ON THIS DAY». bbc.co.uk. Arquivado desde o original em 11 de janeiro de 2014. Consultado em 16 de agosto de 2014.  Texto " 23 " ignorado (Ajuda); Texto " 1983: Pope meets banned union leader Walesa" ignorado (Ajuda)
  13. «Pope John Paul II and Communism». Public domain text. May be distributed freely. No rights reserved. Consultado em 1 de janeiro de 2009.  "He simply said: Don't be afraid, change the image of this land."
  14. Paczkowski, Andrzej (2007). From Solidarity to Martial Law: The Polish Crisis of 1980-1981 - A Documentary History (Budapeste: Central European University Press). p. XXIX.  Parâmetro desconhecido |co-autor= ignorado (Ajuda)
  15. «Solidarność» (em polaco). encyklopedia.pwn.pl. Consultado em 6 de agosto de 2013. 
  16. Steger, Manfred B (2004). Judging Nonviolence: The Dispute Between Realists and Idealists (ebook) Routledge (UK) [S.l.] p. 114. ISBN 0-415-93397-8. Consultado em 6 de agosto de 2013. 
  17. Paul Wehr, Guy Burgess, Heidi Burgess, : (1993). Justice Without Violence (ebook) Lynne Rienner Publishers [S.l.] p. 28. ISBN 1-55587-491-6. Consultado em 6 de agosto de 2013. 
  18. «Lech Walesa - Biographical». nobelprize.org. Arquivado desde o original em 9 de julho de 2014. Consultado em 16 de agosto de 2014. 
  19. «Lech Walesa dictionary definition - Lech Walesa defined». yourdictionary.com. Arquivado desde o original em 16 de agosto de 2014. Consultado em 16 de agosto de 2014. 
  20. «O Papa e a História - Superinteressante». Revista Super Interessante. 4 de março de 2005. Arquivado desde o original em 29 de março de 2009. Consultado em 6 de julho de 2014. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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