Somalilândia
República da Somalilândia | |
|---|---|
| Lema: لا إله إلا الله محمد رسول الله (árabe) Lā ilāhā illā-llāhu; muhammadun rasūlu-llāhi (transliterado) "Não há nenhum outro Deus, exceto Alá; Maomé é o mensageiro de Alá" e também: | |
| Hino: Samo ku waar | |
| Capital e maior cidade | Hargeisa 9°33′N 44°03′E |
| Língua oficial | Somali |
| Outras línguas | Árabe[1] e inglês |
| Religião oficial | Islã |
| Gentílico | somalilandês, somalilandense |
| Governo | República presidencialista |
| Abdirahman Mohamed Abdullahi | |
| Mohamed Aw-Ali Abdi | |
• Presidente do Parlamento | Yasin Haji Mohamoud |
| Independência da Somália | |
• Declarada | 18 de maio de 1991 |
• Reconhecimento | Apenas por Israel |
| Área | |
| • Total | 137.600 km² |
| Fronteira | Djibuti, Etiópia e Somália |
| População | |
| • Estimativa para 2017 | 3,508,180 hab. |
| • Densidade | 25 hab./km² |
| PIB (PPC) | Estimativa para 64 mil USD |
| • Total | US$ 70 mil USD |
| • Per capita | US$ 297 USD |
| IDH (2016) | 0,558 – médio |
| Moeda | Xelim somalilandês (SLSH) |
| Cód. Internet | .sl (proposto) |
| Cód. telef. | +252 |
Somalilândia (em somali: Soomaaliland), oficialmente República da Somalilândia, é um Estado parcialmente reconhecido. Embora pertença oficialmente à Somália, a região declarou de forma unilateral sua independência em 1991 e passou a ser um estado de facto.[2] Localizado na região do Chifre da África, o território incorpora a antiga Somalilândia Britânica, delineada por tratados internacionais realizados entre 1888 e 1897, e faz fronteira com o Djibuti a oeste, o golfo de Adem ao norte, a Etiópia ao sul e a Somália (Puntlândia) a leste.[3] A Somalilândia é formada por cinco regiões administrativas. Uma sexta região — Saaxil — foi criada em 1996. Seu território reivindicado tem uma área de 176.120 quilômetros quadrados,[4] com aproximadamente 6,2 milhões de pessoas em 2024.[5][6] A capital e maior cidade é Hargeisa.[2]
Em 18 de maio de 1991, líderes do Movimento Nacional Somali (SNM) e líderes dos clãs do norte revogaram o ato (1960 Act of Union) que tinha unido os antigos territórios coloniais da Somália Italiana e da Somalilândia Britânica na República da Somália, e declararam a independência da República da Somalilândia. Desde então, o território tem sido governado por governos democraticamente eleitos que buscam reconhecimento internacional como o governo da República da Somalilândia,[7][8] que tem mantido uma existência estável, auxiliada por um governo forte e pela infraestrutura econômica deixada por programas de auxílios militares britânicos, russos e americanos. O governo central mantém laços informais com alguns governos estrangeiros, que enviaram delegações a Hargeisa;[9][10] A Somalilândia abriga escritórios de representação de vários países, incluindo Etiópia e Taiwan.[11][12] Em 26 de dezembro de 2025, Israel tornou-se o primeiro e único Estado-membro das Nações Unidas a reconhecer formalmente a Somalilândia como um Estado independente e soberano.[13][9] A Somalilândia é membro da Organização das Nações e Povos Não Representados, um grupo de defesa cujos membros são povos indígenas, minorias e territórios não reconhecidos ou ocupados.[14] Após o conflito de Las Anod que surgiu em 2022, a Somalilândia perdeu o controle de uma parte significativa de seu território oriental para forças pró-unionistas que estabeleceram a administração SSC-Khatumo.[15]
História
[editar | editar código]Anteriormente conhecido como Protetorado da Somalilândia Britânica, imediatamente após ganhar a independência em 26 de junho de 1960, como Estado da Somalilândia, se uniu ao Protetorado da Somalilândia (a antiga Somalilândia Italiana) para formar a República da Somália. O primeiro-ministro da Somalilândia Britânica, Ibrahim Egal, tornou-se um ministro na nova república da Somália. Passou a ser primeiro-ministro em 1967 mas um golpe de Estado o depôs em 1969.
Em 1991, após o colapso do governo na Somália, o território declarou sua independência como República da Somalilândia, mesmo sem nenhum reconhecimento internacional. Ibrahim Egal foi eleito presidente em 1993, reeleito em 1998 e permaneceu no poder até a sua morte em 3 de maio de 2002. O vice-presidente Dahir Riyale Kahin foi declarado novo presidente pouco tempo depois.
Desde 1998, a autoridade da Somalilândia sobre as regiões de Sool e Sanaag tem sido contestadas por Puntlândia (estado da Somália autodeclarado autônomo). O coronel Abdullahi Yusuf de Puntlândia tem conduzido várias invasões a estas regiões consideradas partes do estado de Puntlândia.
A Somalilândia está tentando declarar também sua independência econômica, mas sem as regiões de Sanaag e Sool, o Estado se encontra em carência de terras para se tornar economicamente viável.
Geografia
[editar | editar código]A Somalilândia faz fronteira com Djibuti, Etiópia e com o estado da Puntlândia, um estado da Somália.
A população foi estimada em algum valor entre 2,5 e 3,5 milhões de pessoas. Estimativas afirmam que a população da capital, Hargeisa, está entre 500 000 e 800 000. Entretanto, essas estimativas não são confiáveis, porque não houve nenhum censo feito recentemente no país, e também por causa do rápido processo de urbanização nas regiões da Somália e Somalilândia desde 1991.
O nordeste da região é historicamente conhecido como Costa Ajan.
Subdivisões
[editar | editar código]A Somalilândia está dividida em seis regiões (capitais entre parênteses):
- Awdal (Borama).
- Maroodi Jeex (Hargeysa): corresponde à parte sul da região somali de Woqooyi Galbeed.
- Togdheer (Burao): a área a sudeste de Togdheer, denominada Cayn pela Puntlândia, que a reivindicada.
- Saaxil (Berbera): corresponde a parte norte da região somali de Woqooyi Galbeed.
Religião
[editar | editar código]Com algumas exceções, os habitantes do país são majoritariamente adeptos do Islã.[16][17]
Reconhecimento
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Etiópia: Em janeiro de 2024 a Etiópia e a Somalilândia assinaram um acordo quanto ao uso de portos na Somalilândia pela Etiópia. Este acordo, mesmo tendo grande importância na futura relação entre a Etiópia e o futuro país não foi um reconhecimento oficial.[18]
Israel: Em 26 de dezembro de 2025, Israel tornou-se o primeiro país a reconhecer formalmente a autoproclamada República da Somalilândia como um Estado independente e soberano. A Somália condenou a ação de Israel como um "passo ilegal" e um "ataque deliberado" à sua soberania. Os governos dos países Egito, Turquia e a vizinha Djibouti se somaram à Somalia nesta declaração.[19]
Ver também
[editar | editar código]- Lista de países com reconhecimento limitado
- Estado da Somalilândia
- Lista de Presidentes da Somalilândia
Referências
- ↑ website, Somallilandlaw.com – an independent non-for-profit. «Somaliland Constitution». www.somalilandlaw.com. Consultado em 2 de julho de 2017
- ↑ a b «Somália & Somalilândia: uma ilusão coletiva e um fato ignorado». Mundorama
- ↑ Stafford, J. H.; Collenette, C. L. (1931). «The Anglo-Italian Somaliland Boundary». The Geographical Journal. 78 (2): 102–121. Bibcode:1931GeogJ..78..102S. ISSN 0016-7398. JSTOR 1784441. doi:10.2307/1784441
- ↑ Lansford, Tom (24 de março de 2015). Political Handbook of the World 2015 (em inglês). [S.l.]: CQ Press. ISBN 978-1-4833-7155-9
- ↑ «Somaliland's population reaches 6.2 million». Horn Diplomat. 19 de abril de 2024. Consultado em 20 de abril de 2024. Arquivado do original em 19 de abril de 2024
- ↑ «Somaliland population reaches 6.2 million, government reports». www.hiiraan.com (em inglês). Consultado em 19 de abril de 2024
- ↑ «De Facto Statehood? The Strange Case of Somaliland» (PDF). Journal of International Affairs. Yale University. 2008. Consultado em 2 de fevereiro de 2010. Cópia arquivada (PDF) em 18 de abril de 2010
- ↑ Schoiswohl, Michael (2004). Status and (Human Rights) Obligations of Non-Recognized De Facto Regimes in International Law. University of Michigan: Martinus Nijhoff Publishers. p. 351. ISBN 978-90-04-13655-7
- ↑ a b Lacey, Marc (5 de junho de 2006). «The Signs Say Somaliland, but the World Says Somalia». The New York Times. Consultado em 2 de fevereiro de 2010
- ↑ «Chronology for Issaq in Somalia». Minorities at Risk Project. United Nations Refugee Agency. 2004. Consultado em 2 de fevereiro de 2010
- ↑ «Trade office of The FDRE to Somaliland- Hargeysa». mfa.gov.et. Cópia arquivada em 26 de março de 2012
- ↑ Asia West and Africa Department. «Republic of Somaliland». Ministry of Foreign Affairs of the Republic of China. Consultado em 28 de fevereiro de 2023. Cópia arquivada em 10 de dezembro de 2022
- ↑ Greyman-Kennard, Danielle (26 de dezembro de 2025). «Israel, Somaliland establish ties with diplomatic agreement». The Jerusalem Post. Consultado em 26 de dezembro de 2025
- ↑ «UNPO REPRESENTATION: Government of Somaliland». UNPO.org (em inglês). 1 de fevereiro de 2017. Consultado em 12 de março de 2020
- ↑ Norman, Jethro (25 de janeiro de 2024). «Somaliland at the centre of rising tensions in the Horn of Africa». Danish Institute for International Studies
- ↑ «Middle East Policy Council – Muslim Populations Worldwide». Mepc.org. 1 de dezembro de 2005. Consultado em 6 de maio de 2010
- ↑ «Somalia». United States Department of State. Agosto de 2009. Consultado em 6 de novembro de 2009
- ↑ «Ethiopia signs agreement to use Somaliland's Red Sea port» (em inglês). 1 de janeiro de 2024. Consultado em 2 de janeiro de 2024
- ↑ Reuters (26 de dezembro de 2025). «Israel becomes first country to formally recognize Somaliland as independent state». CNN (em inglês). Consultado em 27 de dezembro de 2025
Ligações externas
[editar | editar código]- Perfil da Somalilândia no site da BBC
- Site oficial do governo da Somalilândia(em inglês)
- Relatório de viagem de smh.com.au
- Debate do Parlamento do Reino Unido sobre o reconhecimento da Somalilândia, 4 de Fevereiro de 2004, liderado por Tony Worthington.
