Soprano

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Extensões vocais
Femininas
Soprano
Meio-soprano
Contralto

Masculinas

Contratenor
Tenor
Barítono
Baixo

Outras classificações

Buffos
Vozes brancas
Vozes raras
Vocal gutural

Soprano é o naipe feminino mais agudo. Normalmente cobre a extensão vocal que vai do A3 ao A5, na música popular, ou ao C6 (ou até mesmo mais alto) na música operática. Na harmonia coral em quatro partes, as sopranos cantam as partes mais agudas, que normalmente abrangem a melodia.[1] O termo "soprano" se refere a cantoras, mas o termo "sopranista" é usado para homens que cantam nessa faixa vocal usando falsete na produção vocal em vez da voz modal. Esta prática é mais comumente encontrada no contexto da música coral, na Inglaterra. No entanto, esses homens são mais comumente referido como contratenores. A prática de se referir a contratenores como "sopranos masculinos" é um tanto controverso dentro dos círculos pedagógicos vocais, bem como homens não podem produzir som da mesma forma fisiológica que sopranos fazem. Além disso sopranista e um coloquialismo não o termo correto. [2]

Subclassificações e história[editar | editar código-fonte]

História[editar | editar código-fonte]

Na ópera, existem diferentes classificações para sopranos, que levam em consideração principalmente a extensão vocal, o peso relativo e a coloração do timbre. Os três tipos básicos são coloratura, lírico e dramático. Da combinação desses, surgiram vários outros referentes a estilos ou exigências técnicas particulares, assim como diferenças relativas da cor vocal.[3] Portanto, também se consideram certas habilidades técnicas exigidas para desempenhar certos papéis. Assim, se costuma acrescentar a expressão de coloratura (ou d'agilità) para identificar a soprano que possui flexibilidade e agilidade para cantar escalas e ornamentos vocais, sobretudo no registro mais agudo. Devido a tais características, costuma-se associar certas especificidades ao tipo de voz, fazendo surgir subdivisões como lírico coloratura e dramático coloratura.

Originalmente, não se realizava qualquer tipologia das vozes de soprano, que, além disso, eram incluídas juntamente com os atuais mezzosopranos em uma só categoria. A progressiva separação dos tipos de vozes, como forma de indicar mais ou menos estritamente o peso, a extensão e o repertório adequado para um cantor, vai aparecendo após meados do século XIX.[4] De fato, até o período do Bel Canto, cantoras que são consideradas atualmente como mezzo-sopranos, como Maria Malibran, cantavam papéis também interpretados por sopranos e hoje consagrados a elas.[5]

Nas escolas francesa e alemã, o soprano é classificado de modo diferente, usando classificações especiais e dividindo-o por categorias que podem abranger de dois a três tipos de voz da classificação tradicionalmente usada em outros países. A classificação alemã em "fach" é a mais rigidamente estruturada, tendo sido criada pelas casas de ópera da Alemanha para definir estritamente os papéis aos quais um cantor poderia se dedicar, sendo assim mais que uma categoria de voz, mas também de repertório. Um cantor que firmasse contrato com uma companhia operística alemã, sob uma determinado "fach", ficaria responsável por todo o repertório descrito para aquele tipo de voz. [6]

Há muitas controvérsias quanto à classificação das vozes, devido às muitas e variadas características delas. Na tentativa de melhor definir vozes individuais, surgem freqüentemente combinações de vários dos tipos consagrados, como spinto-dramático [7] ou lírico-spinto.[8] Há ainda compreensões diferentes, de acordo com a escola de canto ou mesmo com o indivíduo, sobre os conceitos expressos pelas classificações usuais ou sobre os critérios para realizar tal categorização. O termo lírico-dramático, por exemplo, é ora usado como categoria à parte, ora como sinônimo de lírico-spinto.[9]

Por sua rigidez, a classificação mais utilizada é a Fach alemã, e está presente em todo mundo principalmente na Europa:

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Esse é um tipo de soprano que se especializou em músicas que se distinguem por corridas ágeis, saltos e trinados. O termo "coloratura" refere-se a ornamentação elaborada de uma melodia, que é um componente típico da música escrita para essa voz. Uma voz clara e muito ágil com uma alta extensão superior, capaz de rápida coloratura vocal. Coloraturas líricas têm uma gama que vai do C4 para o F6. Soprano leggero é um tipo especifico de coloratura lírica, tem timbre vocal caracterizado por um volume claro, doce e limitado, e não vai tão alto quanto outras coloraturas, chegando a um E6. Por outro lado tem uma grande agilidade e extensão completa no registro agudo. [10] Porém isso pode ser um erro, segundo os sopranos leggeros que existem, bem como Mado Robin, que ia até um D7, com extensa coloratura e fácil aptidão na 6ª oitava. O dramático coloratura é um soprano com grande flexibilidade em passagens de alta velocidade, com grande poder de sustentação, comparável a um spinto completo ou a um dramático. Eles têm uma gama de cercando um G#3 para um E♭6, embora alguns muito bem treinados e com excelsa aptidão alcancem até um F6. Vários desses papéis têm diferentes exigências vocais para o intérprete - por exemplo, a voz que pode cantar Abigail (Nabucco, Verdi), é pouco provável que também irá cantar em Lucia (Lucia di Lammermoor, de Donizetti), mas um fator em comum é que a voz deve ser capaz de transmitir intensidade dramática, bem como a flexibilidade. Papéis escritos especificamente para este tipo de voz incluem os mais dramáticos de Mozart, papéis femininos do Bel Canto e os primeiros papeis das óperas de Verdi. Esta é uma facha vocal muito rara, como a cordas vocais mais grossas são necessárias para produzir as grandes notas dramáticas, o que geralmente diminui a flexibilidade e habilidade acrobáticas da voz.

Uma bela voz, doce e lírica, geralmente capaz de executar passagens floridas semelhantes a de uma coloratura. O intervalo é geralmente intermediário entre o de um coloratura e um lírico (sopranos). A voz tem um peso vocal mais leve do que as outras vozes soprano com um timbre mais brilhante. Muitas cantoras jovens começam assim, mas à medida que envelhecem e a voz amadurece, podem ser reclassificadas com outro tipo de voz, geralmente como soprano lírico, lírico coloratura ou mezzosoprano. Raramente uma cantora continuará a ser um soubrette durante toda a sua carreira.[11] Possui uma extensão generosa, coberta e privilegiada no registro agudo, indo do A3 ao D6.

O soprano mais flexível, capaz de legato, portamento, e alguma agilidade; geralmente com uma qualidade mais pura e sensual do que um soubrette, que tende a ter uma voz em grande parte romântica e um pouco infantil. É o tipo de soprano mais comum; onde a pureza e o caráter do timbre básico são essenciais. O registro lírico é a "base" que está em todos os extremos da gama das vozes de soprano; não é conhecido por ter determinados atributos como energia, resistência, capacidade técnica, ou agilidade. No entanto, existe vários sopranos líricos que possuem uma quantidade de muitos destes atributos vocais, permitindo-lhes assim cantar em uma ampla variedade de funções. Inocência, vulnerabilidade e doçura são geralmente transmitidas na música escrita para os personagens na ópera, retratadas pelo soprano lírico por causa dessa simplicidade cativante. Esta facha também é famosa porque a voz geralmente permanece fresca até a idade avançada.[11] Tem a extensão, em geral do G3 para o B5, conforme for, alguns sopranos muito bons podem chegar até ao C#6.

Um spinto tem a leveza e facilidade nas notas elevadas de um soprano lírico, e ainda pode "empurrar" para atingir o clímax dramático sem esforço. Este tipo de voz pode possuir um timbre pouco mais escuro. Geralmente usa a técnica squillo para ser ouvido através do som de uma orquestra completa, ao invés de cantar sobre a orquestra como um verdadeiro soprano dramático. Também é esperado a lidar com mudanças dinâmicas na música que está executando com habilidade e equilíbrio. Comanda um alcance vocal que se estende desde cerca do F3 para C6. Por ser uma voz intermediária entre o lírico e o dramático, é considerada rara.[12]

Caracterizado por sua rica voz completa, é esperado a cantar em grandes orquestras, um feito que requer voz poderosa. Não pode ter uma flexibilidade vocal muito leve. Embora a maioria tenha um tom mais escuro e a qualidade mais robusta na voz, há algum que possua um tom de voz mais lírico. Nestes casos, no entanto, a quantidade substancial de volume e resistência normalmente associados com a voz dramática ainda estão presente. Alguns sopranos dramáticos têm uma voz escura suficiente para cantar alguns papeis em óperas feitos para mezzosopranos com sucesso. Têm um gama de cerca de F#3 para B5, alguns com capacidade suficiente de atingir até um C#6.

Existem sopranos dramáticos, conhecidas como soprano de Wagner, que são capazes de cantar as demandas das óperas de Wagner. Têm uma grande voz que pode afirmar-se ao longo de uma excepcionalmente grande orquestra (mais de oitenta peças). Essas vozes são substanciais e muito poderosas e, idealmente, capazes de saltar entre todo o registro da facha soprano. [12]

Sopranos da música erudita[editar | editar código-fonte]

Sopranos da música popular[editar | editar código-fonte]

Obs: O termo soprano foi desenvolvido em relação as vozes clássicas e operísticas, em que a classificação se baseia não apenas na escala vocal da cantora, mas também sobre a tessitura e timbre da voz. Para cantores clássicos e de ópera, seu tipo de voz determina os papéis que irão cantar e é o principal método de categorização. Na música não-clássica, os cantores são principalmente definidas por seu gênero e não o seu alcance vocal. Quando os termos soprano, mezzo-soprano , contralto, tenor, barítono e baixo são usados ​​como descritores de vozes não-clássicas, eles são aplicados mais livremente do que seriam para aqueles de cantores clássicos e geralmente referem-se apenas ao alcance vocal percebida do cantor.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Stark, James. Bel Canto: A History of Vocal Pedagogy. [S.l.]: University of Toronto Press, 2003. ISBN 978-08-0208-614-3
  2. McKinney, James. Diagnóstico e correção de falhas vocais. [S.l.: s.n.], 1994.
  3. Timbres vocais Soprano.
  4. Categorias de Soprano.
  5. Maria Malibran.
  6. Guias de Árias.
  7. Artigo sobre Soprano Spinto.
  8. Joan Metelli Voice Studio.
  9. Lirico-Spinto.
  10. Categorias Vocais.
  11. a b Coffin, Berton (1960). Coloratura, Lírico e Dramático Soprano, vol. 1
  12. a b Boldrey, Richard (1994). Guia para papéis de ópera e Arias.