João de Sousa Lima

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João de Souza Lima
Informação geral
Nascimento 21 de março de 1898
Local de nascimento São Paulo
Data de morte 21 de novembro de 1982 (84 anos)
Local de morte São Paulo
Nacionalidade Brasileiro
Ocupação(ões) Maestro e compositor
Instrumento(s) Pianista

João de Sousa Lima (São Paulo, 21 de março de 1898 — São Paulo, 28 de novembro de 1982) foi um pianista, compositor, maestro e professor brasileiro[1][2].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Iniciou os estudos de piano com seu irmão, José Augusto. Quando a vida profissional de seu irmão impedia que as aulas tivessem maior regularidade, a família decidiu procurar um professor particular. Selecionado mediante audição, desde 1910 Souza Lima passou a estudar com Luigi Chiaffarelli, que considerou o jovem muito talentoso e ofereceu-lhe aulas gratuitas. Na classe deste professor foi colega de Gilda Carvalho e Antonieta Rudge com as quais praticava música de câmera (piano a quatro mãos). Seu irmão lhe instruía na prática de leitura à primeira vista.

Provavelmente devido a esta prática, começou a acompanhar solistas que visitavam a cidade para concertos de violino, violoncelo, canto e flauta. Solicitou ao amigo Carlos Pagliuchi que o introduzisse no meio dos conjuntos que tocavam em cinemas. Pagliuchi adotou-o como assistente na direção musical do cinema Pathé Palace. Logo passou a substituir Pagliuchi na função. Trabalhou ainda no Cine Marconi, Cinema Central, e no Teatro Esperia. Com o conjunto deste cinema passou a tocar também em casas de famílias ricas, bailes e no Hotel de La Plage no Guarujá, durante as férias de verão.

Foi indicado por Chiaffarelli para estudar harmonia, contraponto, fuga e composição com o professor Agostino Cantù, recém chegado de Milão. Este foi também professor de Francisco Mignone e Savino de Benedictis. Suas primeiras composições foram danças de salão e peças de música popular. Uma dessas peças, o tango Amor avacalhado, foi usado por Darius Milhaud em seu balé Le boeuf sur le toit. Em um concurso de composição promovido pela revista A Cigarra e patrocinado pela Casa Levy, ganhou o primeiro prêmio na categoria "tango" e o segundo na categoria "valsa", sendo Mignone o vencedor nesta categoria.

Foi apresentado por um amigo ao doutor José Estanislau do Amaral, pai da pintora Tarsila do Amaral, cuja casa passou a freqüentar. Foi também freqüentador da casa do Senador José de Freitas Valle, chamada de Villa Kyrial, e que foi um importante centro da vida cultural paulistana. Por sua relação de amizade com o Senador, que também era presidente da Comissão do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, obteve uma bolsa de estudos e mudou-se para Paris.

Em Paris[editar | editar código-fonte]

Residiu naquela cidade entre 1919 e 1930. Estudou piano primeiro com Isidor Philipp, e depois ingressou por concurso no Conservatório de Paris, pertencendo à classe de Marguerite Long. A partir de 1921 também freqüentou a classe de Música de Câmera com Camille Chevillard e de História da Música com Maurice Emmanuel. Passou também a substituir sua professora quando ela não podia dar aulas. Em 1922 recebeu o primeiro prêmio no concurso dos alunos de piano do Conservatório, o que fez com que passasse a ser notado pela imprensa especializada parisiense. A partir deste ano iniciou uma carreira de concertista.

Sua carreira como pianista incluiu recitais no Brasil, concertos em Paris, turnês pelo Norte da África, pela Itália e em Berlim. Depois da volta ao Brasil em 1930, participou das turnês de Heitor Villa-Lobos em Recife e no interior do Estado de São Paulo. A partir de 1932 seguiu sua própria carreira de concertos no Brasil, apresentando-se em São Paulo, Rio de Janeiro, além de realizar uma turnê pelo Estado do Rio Grande Sul (que alcançou também Montevidéu e Buenos Aires) e outra pelas cidades de Manaus, Belém, Fortaleza, Natal e Salvador.

Villa-Lobos e Sousa Lima tornaram-se amigos em Paris. Conheceram-se no atelier de Tarsila do Amaral, e Sousa Lima foi responsável por apresentá-lo aos meios musicais parisienses, com um concerto em que o pianista tocou obras de Villa-Lobos na casa do crítico Henry Prunières, com a presença de Paul Dukas e Florent Schmidt.

De volta ao Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 1935 passou a trabalhar, a convite de Mário de Andrade, no Departamento de Cultura do Município de São Paulo. Nesta instituição foi regente da orquestra e integrante do Trio São Paulo (piano, violino e violoncelo). A partir desta época atuou também como regente da Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo.

A convite de Assis Chateaubriand tornou-se diretor musical e regente da orquestra da Rádio Tupi. Exerceu a mesma função na Rádio Gazeta, a convite de Cásper Líbero, cuja orquestra também teve como regente o compositor Camargo Guarnieri.

Nas décadas de 1940, 1950 e 1960 foi um dos mais ativos pianistas e regentes no Brasil. Sua obra como compositor ficou pouco conhecida.

Outros dados relevantes da biografia deste músico foi o contato com grandes personalidades da música. Estudou a obra de piano de Claude Debussy com sua viúva. Estudou a obra para piano de Maurice Ravel com o próprio. Foi amigo de Darius Milhaud. No Brasil, além de amigo de Francisco Mignone e Villa-Lobos, foi também incentivador de suas composições e responsável pela estréia de várias delas em concerto.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

SOUZA LIMA, João de. Moto perpétuo. A visão poética da vida através da música. Autobiografia do maestro Souza Lima. São Paulo: IBRASA, 1982.

Referências

  1. João de Souza Lima (1898-1982) e Alípio Dutra (1892-1964) Revista Brasil Europa - acessado em março de 2015
  2. o Conservatório tem como patrono o Maestro e pianista João de Souza Lima (1898-1982) Site Conservatório Souza Lima - acessado em março de 2015
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