Ir para o conteúdo

Spartina maritima

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Como ler uma infocaixa de taxonomiaSpartina maritima

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: monocotiledóneas
Ordem: Poales
Família: Poaceae
Género: Spartina
Espécie: S. maritima
Nome binomial
Spartina maritima
(Curtis) Fernald

Spartina maritima é uma espécie de planta com flor pertencente à família Poaceae.[1] Trata-se de uma gramínea perene nativa das costas europeias e do norte de África, onde coloniza sapais e zonas de maré.[2]

A autoridade científica da espécie é (Curtis) Fernald, tendo sido publicada em Rhodora 18: 180. 1916.[1]

O seu nome comum é morraça.[2]

Descrição

[editar | editar código]

Spartina maritima é uma planta herbácea perene que atinge entre 30 e 70 centímetros de altura.[3] Apresenta rizomas horizontais robustos que permitem a colonização de extensas áreas e a fixação de sedimentos.[4]

As folhas são lineares, com 2 a 5 milímetros de largura, glabras na face superior e ligeiramente escabrosas na página inferior. A lígula é constituída por uma franja de pelos curtos.[3]

A inflorescência é uma panícula espiciforme, estreita e densa, composta por 2 a 6 espigas erectas. As espiguetas são sésseis, dispostas em duas filas ao longo do eixo da espiga. Cada espigueta contém uma única flor fértil.[3]

Distribuição e habitat

[editar | editar código]

Spartina maritima é nativa da costa atlântica da Europa, desde as Ilhas Britânicas até à Península Ibérica, e da costa do norte de África, incluindo Marrocos e Argélia.[5]

A espécie coloniza preferencialmente a zona média e superior dos sapais, áreas que sofrem submersão regular pelas marés. Demonstra elevada tolerância à salinidade e cresce em substratos lodosos ricos em matéria orgânica.[6]

Spartina maritima desempenha um papel importante como espécie pioneira na colonização de zonas entre-marés, contribuindo significativamente para a estabilização de sedimentos e a formação de sapais.[7] O seu extenso sistema radicular promove a retenção de partículas e a acumulação de matéria orgânica, criando condições para o estabelecimento de outras espécies vegetais.

Os sapais dominados por S. maritima constituem habitats de grande importância para a biodiversidade, servindo de zona de alimentação e refúgio para diversas espécies de aves aquáticas, peixes e invertebrados.[8]

Hibridização

[editar | editar código]

Spartina maritima é um dos progenitores da espécie híbrida Spartina × townsendii, resultante do cruzamento com Spartina alterniflora, uma espécie americana introduzida na Europa no século XIX.[9] Este híbrido deu posteriormente origem, por duplicação cromossómica, a Spartina anglica, uma espécie invasora altamente agressiva que compete com S. maritima em diversos estuários europeus.[9]

Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental e no Arquipélago dos Açores.[2]

Em termos de naturalidade é nativa das duas regiões atrás indicadas.[2]

Em Portugal Continental, S. maritima encontra-se distribuída ao longo da costa, sendo particularmente abundante nos estuários do Tejo, Sado, Ria de Aveiro, Ria Formosa e Estuário do Mira.[10] Nos Açores, a espécie ocorre de forma mais localizada em zonas costeiras de algumas ilhas.[11]


Bibliografia

[editar | editar código]

Ligações externas

[editar | editar código]
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Spartina maritima

Referências

  1. a b «Spartina maritima». Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  2. a b c d «Spartina maritima». Flora Digital de Portugal. Jardim Botânico UTAD. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  3. a b c «Flora iberica». Real Jardín Botánico, CSIC. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  4. «Biomass and nutrient dynamics in Spartina maritima salt marshes». 2009. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  5. «Spartina maritima». Euro+Med PlantBase. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  6. «Genetic diversity and structure of Spartina maritima populations». Heredity. 2004. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  7. «Biomass and nutrient dynamics in Spartina maritima salt marshes». 2009. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  8. «Spartina maritima nos sapais de Setúbal». União das Freguesias de Setúbal. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  9. a b «Spartina maritima». Flora Vascular. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  10. «Spartina maritima». Flora-On. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  11. «Spartina maritima». Portal da Biodiversidade dos Açores. Consultado em 17 de janeiro de 2026