Star Wars (filme)

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Star Wars
Guerra das Estrelas (PT)
Guerra nas Estrelas (BR)
Pôster oficial de lançamento por Tom Jung
 Estados Unidos
1977 •  cor •  121 min 
Direção George Lucas
Produção Gary Kurtz
Roteiro George Lucas
Elenco Mark Hamill
Harrison Ford
Carrie Fisher
Alec Guinness
Kenny Baker
Anthony Daniels
Peter Cushing
David Prowse
Peter Mayhew
Gênero Aventura
Ficção Científica
Música John Williams
Cinematografia Gilbert Taylor
Edição Richard Chew
Paul Hirsch
Marcia Lucas
Companhia(s) produtora(s) Lucasfilm
Distribuição 20th Century Fox
Lançamento Estados Unidos 25 de Maio de 1977
Portugal 6 de Dezembro de 1977
Brasil 30 de Janeiro de 1978[1]
Idioma Inglês
Orçamento US$ 11 milhões
Receita US$ 775.398.007[2]
Cronologia
Último
Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith
Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca
Próximo
Página no IMDb (em inglês)

Star Wars (no Brasil, Guerra nas Estrelas; em Portugal, A Guerra das Estrelas) mais tarde relançado como Star Wars Episode IV: A New Hope (no Brasil e em Portugal, Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança), é um filme épico/space opera americano, o primeiro da série a ser lançado em 25 de maio de 1977, e o quarto na ordem cronológica da trama, escrito e dirigido por George Lucas. Conta a história do jovem fazendeiro Luke Skywalker (Mark Hamill), que junto com o contrabandista Han Solo (Harrison Ford), se envolvem na Guerra Civil Galáctica entre o tirano Império Galáctico e a Aliança Rebelde após adquirir os Droids R2-D2 e C3PO. Este primeiro contêm os planos da super-arma do Império, Estrela da Morte, no qual a líder rebelde, Princesa Leia (Carrie Fisher), espera usar para destruir a super arma.

Foi a maior bilheteria de todos os tempos na época, arrecadando US$ 775.398.007 milhões. A produção, que atualmente é a 56ª maior bilheteria da história, quando ajustado pela inflação é a segunda maior bilheteria na América do Norte e a terceira maior bilheteria no mundo. Entre os muitos prêmios que o filme recebeu, ganhou dez nomeações ao Óscar, vencendo seis; as indicações incluíram Melhor Ator Coadjuvante para Alec Guinness, Melhor Roteiro original e Melhor Filme. Star Wars é classificado como um dos melhores filmes de ficção científica já feito, e é considerado pelos críticos como o marco de início da "Era dos Blockbusters" (em que o cinema hollywoodiano passaria a cada vez mais a se voltar aos efeitos visuais, às grandes campanhas de marketing, ao merchandising, entre outras características), historiadores de cinema costumam afirmar que existe cinema "antes de Star Wars e depois de Star Wars".

O filme foi preservado no National Film Registry pela Biblioteca do Congresso no primeiro ano que era elegível por ser "culturalmente, esteticamente e historicamente significante". É considerado pelo American Film Institute (Instituto de Filme Americano) um dos 100 maiores filmes do cinema americano.

O subtitulo Episódio IV: Uma Nova Esperança não constava originalmente; George Lucas nem acreditava que continuaria a história. O subtitulo foi acrescentado em 1981, depois do lançamento do episódio seguinte, O Império Contra-Ataca. George Lucas tem relançado o filme com mudanças significativas, na edição especial de 1997, no lançamento em DVD de 2004 e no lançamento em Blu-Ray de 2011. Essas versões contêm cenas modificadas, diálogo alterado, sequências reeditadas, trilhas sonoras remixadas e cenas acrescentadas, gerando controvérsia pela deturpação da obra original.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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O "alto oficial" do Império Galáctico, Darth Vader, vai atrás da senadora e Princesa Leia Organa, sob duas acusações: ela é parte da resistência ao Império, a Aliança Rebelde, e roubou planos do projeto secreto imperial, a Estrela da Morte. A nave de Leia é tomada em uma batalha, mas a Princesa coloca os planos na memória da unidade droide R2-D2 e esse, com seu parceiro C-3PO, entra num módulo de escape que cai no planeta deserto Tatooine.

Em Tatooine, R2 e C-3PO se separam e caminham pelos desertos secos do planeta. Ambos são aprisionados pelos Jawas (pequenos seres encapuzados que vivem em Tatooine capturando droides perdidos ou quebrados e vendendo em povoados e fazendas), que os vendem a Owen Lars e seu sobrinho, Luke Skywalker. Ao limpar R2, Luke descobre uma mensagem de Leia. Ela é destinada a Obi-Wan Kenobi e Luke se lembra de Ben Kenobi, um ermitão que vive nas montanhas. Luke é um jovem que sempre quis sair de Tatooine e ver o universo, mas seu tio Owen sempre o impediu de ir pois temia que se tornasse como seu pai, Anakin Skywalker. R2-D2 foge durante a noite em busca de Obi-Wan Kenobi e, ao sair em sua procura, Luke e C-3PO são atacados pelo Povo da Areia. Obi-Wan Kenobi, conhecido por Ben Kenobi, aparece e salva Luke e os dróides.

Ben Kenobi assiste a mensagem de Leia e decide ajudá-la, mas Luke se recusa a viajar até Alderaan. Ao retornar para casa, descobre que seus tios Owen e Beru foram mortos por Stormtroopers do Império, não lhe restando alternativa a não ser ajudar Ben Kenobi. Kenobi, Luke e os dróides vão até o espaçoporto de Mos Eisley em busca de um piloto que os leve até Alderaan. Lá encontram Han Solo, que não acreditava na Força e Chewbacca seu co-piloto, que aceitam o serviço. As tropas imperiais tentam impedir a fuga, mas a Millennium Falcon, nave de Han Solo, consegue escapar por ser uma nave extremamente veloz.

Durante a viagem até Alderaan, Kenobi começa a ensinar Luke sobre as técnicas Jedi. A princesa Leia é torturada na Estrela da Morte para confessar o local da base rebelde, mas, diante de sua resistência, o oficial do império Grand Moff Tarkin e Darth Vader decidem explodir o planeta Alderaan, demonstrando o poder de fogo da Estrela da Morte. Ao chegarem até o que sobrou do planeta, a Millennium Falcon é atraída para a Estrela da Morte. Os tripulantes se escondem no compartimento de carga, usado por Solo para transporte de mercadorias contrabandeadas.

Dentro da Estrela da Morte, eles conseguem se disfarçar de Stormtroopers e localizam a princesa, enquanto Ben Kenobi desativa o raio trator que impede a decolagem da nave. Enquanto Solo, Luke, Chewbacca e os dróides libertam a princesa e fogem para a nave, Ben Kenobi enfrenta Darth Vader, seu antigo aprendiz. Kenobi é morto por Vader e a Millennum Falcon escapa. Entretanto o Império rastreia a nave para descobrir o local da base da Aliança Rebelde, que está escondida em uma lua do planeta Yavin.

Sabendo que a fuga foi facilitada, os rebeldes preparam um ataque à Estrela da Morte com base nos planos escondidos em R2-D2. Naves rebeldes, como a X-Wing, atacam a Estrela da Morte. Luke, com ajuda de outros pilotos rebeldes como Biggs e Wedge, enfrentam Tie Fighters do império. Han Solo, que havia desistido de participar do ataque, volta em última hora para proteger Luke do ataque da nave de Darth Vader. Luke consegue atingir o alvo de apenas dois metros sem ajuda do computador da nave. A Estrela da Morte explode, mas Vader escapa. Luke, Solo e Chewbacca são condecorados pela princesa Leia.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Lucas começou a escrever em janeiro de 1973, "oito horas por dia, cinco dias por semana",[3] tomando pequenas notas, inventando nomes estranhos e atribuindo-lhes possíveis caracterizações. Lucas iria descartar muitos deles pelo tempo que o roteiro final foi escrito, mas ele incluía vários nomes e lugares no script final ou as suas sequelas. Ele reviveu outras décadas mais tarde, quando ele escreveu a nova trilogia. Ele usou esses nomes e idéias iniciais para compilar uma sinopse de duas páginas intitulado Journal of the Whills, que contou o conto da formação do aprendiz CJ Thorpe como "Jedi-Bendu" pelo lendário Mace Windu.[4] Afim de criar uma mais compreensível para a Universal,[5] Lucas, em seguida, começou a escrever uma sinopse de 13 páginas chamada The Star Wars em 17 de abril de 1973, que teve paralelos temáticos com o filme A Fortaleza Escondida de Akira Kurosawa (1958).[6]

George Lucas, no Time 100 em 2006.
George Lucas, no Time 100 em 2006.

Desde o início de seu processo de escrita em janeiro de 1973, Lucas havia refeito a história várias vezes.[3] Ele iria escrever quatro roteiros diferentes para Star Wars. Em maio de 1974, ele havia se expandido o roteiro, adicionando elementos como os siths, a Estrela da Morte, e um general veterano chamado Annikin Starkiller. Ele mudou Starkiller para um adolescente, e ele mudou o general em um papel de apoio como um membro de uma família de anões.[7][8] Lucas imaginou o contrabandista corealiano Han Solo, como um grande monstro, de pele verde.[9] Ele baseou Chewbacca em seu cão da raça Malamute do Alasca chamado Indiana (quem mais tarde iria usar como nome para seu personagem Indiana Jones), que muitas vezes agia como "co-piloto" do diretor, sentado no banco do passageiro de seu carro.[10]

Lucas começou a pesquisar o gênero ficção científica, assistindo a filmes e lendo livros e histórias em quadrinhos,[11]. seu primeiro roteiro incorporou ideias de muitas novas fontes. O script também introduzir o conceito de um Mestre Jedi pai e seu filho, que treina para ser um Jedi por amigo de seu pai; este acabaria por formar a base para o filme e, mais tarde, a trilogia. No entanto, neste roteiro, o pai é um herói que ainda está vivo no início do filme.[12] Lucas completou um segundo roteiro de Star Wars em janeiro de 1975, tornando simplificações pesadas e introduzindo o jovem herói em uma fazenda como Luke Starkiller. Annikin tornou-se pai de Luke, um sábio cavaleiro Jedi. "A Força" também foi introduzida como um campo de energia mística. [13] Este segundo roteiro ainda tinha algumas diferenças em relação à versão final nos personagens e relacionamentos. Por exemplo, Luke teve vários irmãos, assim como seu pai, que aparece em um papel menor no final do filme. O script tornou-se mais como um conto de fadas em oposição à ação-aventura das versões anteriores. Esta versão terminou com outro rastreamento de texto, visualizar a próxima história na série. Este roteiro também foi a primeira a introduzir o conceito de um Jedi se voltando para o lado escuro: o roteiro incluiu um histórico jedi que se tornou o primeiro a cair sempre para o lado negro, e depois treinou os siths para usá-lo. Impressionado com as suas obras, Lucas contratou o artista conceitual Ralph McQuarrie para criar pinturas de certas cenas em torno deste tempo. Quando Lucas entregou seu roteiro para o estúdio, ele incluiu várias das pinturas de McQuarrie.[14]

Um terceiro roteiro, datado de 01 de agosto de 1975, foi intitulado The Star Wars: From the Adventures of Luke Starkiller. Este terceiro roteiro teve a maioria dos elementos da trama final, com apenas algumas diferenças nos personagens e cenários. O roteiro mostra Luke como uma única criança, com seu pai já morto, substituindo-o por um mestre chamado Ben Kenobi. Este script seria re-escrito para o quarto e último roteiro, datado de 01 de janeiro de 1976, como The Adventures de Luke Starkiller,m colaboração com seus amigos Gloria Katz e Willard Huyck, decidiu aperfeiçoar os detalhes finais na pré-produção. [15] A 20h Century Fox aprovou um orçamento de US $ 8,25 milhões.; recepção positiva da American Graffiti proporcionou Lucas a alavancagem necessária para renegociar seu contrato com Alan Ladd, Jr. e solicitar os direitos de sequencias do filme. Para Lucas, este negócio garantiu os direitos de Star Wars e a maioria dos lucros de merchandising.[8]

Lucas terminou de escrever seu script no março de 1976, quando a equipe começou as filmagens.[3] Durante a produção, ele mudou o nome de Luke de Starkiller para Skywalker[8] e alterou o título The Star Wars para Star Wars[7][13], ele também iria continuar a mudar o script durante as filmagens, incluindo a adição de a morte de Obi-Wan depois de perceber que este não era absolutamente essencial para as sequências finais.[16]

Produção[editar | editar código-fonte]

Hotel Sidi Driss, em Matmata, Tunisia, usado como casa do Luke

George Lucas, criador de Star Wars, era um dos diretores da nova geração do cinema americano nos anos 70, juntamente com Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, Martin Scorsese e Brian de Palma.

Após o sucesso de Loucuras de Verão, Lucas planejou uma adaptação do herói das tiras de jornal, Flash Gordon, mas logo descobriu que os direitos já haviam sido vendidos pela King Features Syndicate ao produtor italiano Dino De Laurentiis,[17] Lucas descobriu que o criador de Flash Gordon havia se inspirado em John Carter de Marte, herói da série literária Barsoom de Edgar Rice Burroughs (também conhecido por ter Tarzan) e que este por sua vez havia se inspirado no Tenente Gullivar Jones de Edwin Lester Arnold e decidiu então criar o seu próprio épico espacial,[18] The Star Wars.[7] Tentou negociar o projeto com a United Artists e com o Universal Studios, com a recusa dos dois estúdios, resolveu procurar a 20th Century Fox, que havia produzida em 1968 a bem-sucedida adaptação de O Planeta dos Macacos do escritor francês Pierre Boulle,[19] ele conseguiu convencer o estúdio a financiar o filme, conseguindo uma verba de US$ 8 milhões de dólares americanos. Entretanto, antes disso, vários estúdios já tinham recusado o filme. Para impressionar os executivos da Fox, Lucas contratou Ralph McQuarrie, designer da Boeing e artista conceitual, para desenhar as cenas a partir do roteiro. Lucas exigiu em seu contrato que as possíveis sequências do filme seriam realizadas por ele, além de ter garantido os direitos de merchandising sobre a obra. A Fox, não imaginando o sucesso do filme, concordou com Lucas, que também não esperava, naquele momento, que o filme se tornasse um divisor de águas da indústria cinematográfica americana. Durante a elaboração do roteiro de Star Wars, Han Solo chegou a ser um alienígena verde[9] e Luke um general de 60 anos de idade.[7] O sobrenome original de Luke, (nome obviamente escolhido devido ao nome do diretor) era Starkiller, alterado para Skywalker no roteiro final. Devido a grandiosidade do roteiro, Lucas dividiu a história em 6 partes, começando a partir da 4º parte, considerada mais viável economicamente e de maior apelo ao público.

Lucas opta por escolher um elenco desconhecido para o longa, desagradando o estúdio. Harrison Ford, que já era conhecido, foi inicialmente chamado apenas para participar dos testes de elenco. Vários atores como Kurt Russell fizeram testes para o papel de Solo. Mark Hamill era conhecido por seu papel em uma série de televisão e Carrie Fisher era filha de artistas consagrados de Hollywood, mas também era desconhecida. Peter Mayhew foi escolhido para o papel de Chewbacca devido a sua altura (2,20 m). Kenny Baker, um comediante anão, faria R2-D2 e o artista mímico Anthony Daniels, seria C-3PO. David Prowse, com seus 2 metros e corpo atlético seria Darth Vader. Mas a voz de Vader ganharia a interpretação de James Earl Jones, ator reconhecido do teatro e que mais tarde trabalharia novamente com Harrison Ford na série "Jack Ryan: Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato", interpretando o almirante Jim Greer. Para viver Obi-Wan Kenobi, o famoso ator britânico e vencedor do Oscar por "A Ponte do Rio Kwai", Alec Guinness fora chamado por Lucas para dar credibilidade ao filme.

O início das filmagens ocorreu na Tunísia, em pleno deserto do Saara. Ao mesmo tempo, nos estúdios Elstree em Londres, os cenários gigantescos da Estrela da Morte e das naves, era construído. Nos Estados Unidos, a ILM (Industrial Light & Magic), empresa fundada por Lucas, começava a preparar os modelos, miniaturas e equipamentos para criar os efeitos especiais. Na Tunísia, logo no início das filmagens sob um calor de 40º, o cenário do filme do planeta Tatooine é destruído por uma tempestade. Problemas com R2-D2 são corriqueiros. O ator Anthony Daniels se machuca com a armadura de C-3PO antes das filmagens.

Após semanas na Tunísia, as filmagens passam para Londres. Lucas enfrenta diversos problemas como a interrupção das filmagens às 17h30 todos os dias, devido as normas do sindicato inglês, as constantes brincadeiras dos atores durante as filmagens, as discussões com a equipe técnica do estúdio inglês e a pressão do estúdio Fox pelo término das filmagens. Na Fox, apenas Alan Ladd Jr., executivo que contratou Lucas, ainda acreditava no sucesso de Star Wars. Nesse momento os técnicos ingleses chegavam a perguntar aos atores "que filme era aquele, com tantas babaquices e coisas sem sentido", segundo o documentário "Império de Sonhos". Mal sabiam que estavam participando do filme que mudaria a história do cinema e que revolucionária a forma de se fazer cinema.

Após as filmagens em Londres, Lucas se concentra na produção dos efeitos do filme e na montagem. O primeiro corte de Star Wars foi um desastre, segundo Lucas, obrigando-o a demitir o editor e contratar uma nova equipe de edição. A ILM, nesse momento, só tinha produzido 4 tomadas para o filme, sendo que todas foram descartadas por Lucas. Com o prazo se esgotando, Lucas assume o controle da ILM. Para mostrar aos técnicos o que ele desejava em termos de ação e velocidade para as cenas de batalha espacial, recorreu a filmes de combates aéreos da Segunda Guerra Mundial. Para a trilha sonora, Lucas contratou John Williams, compositor já reconhecido por trabalhos como Tubarão de Steven Spielberg. A trilha é gravada pela Orquestra Sinfônica de Londres. Na primeira exibição do filme ainda não finalizado, a executivos da Fox, alguns chegaram a chorar e reconhecer que Star Wars modificaria história do cinema.

Tikal, Guatemala, serviu como base para Aliança Rebelde

Com o atraso na produção do filme, a estréia programada para dezembro de 1976 fora adiada para 25 de maio de 1977. A princípio, em torno de apenas 40 cinemas aceitaram exibir o filme. Muitos críticos e executivos esperavam o fracasso do filme nas bilheterias e Lucas não imaginava o que estaria por vir. A campanha de markting bem sucedida nos meses ateriores com a exibição de traillers, a venda de produtos e difusão do filme entre entusiastas de ficção científica e histórias em quadrinhos, alavancou o filme em filas imensas no dia de estréia. Nas primeiras semanas, Star Wars já batia todos os recordes de bilheteria, tornando-se um estrondoso sucesso de público e de crítica.

Star Wars foi indicado a diversos prêmios Óscar, inclusive Melhor Filme, ganhando praticamente todos prêmios técnicos como efeitos sonoros, efeitos visuais, edição, de um total de 7 estatuetas. O sucesso de bilheteria pelo mundo todo garantiu a Lucas as condições financeiras para produzir a sequência da trilogia, O Império Contra-Ataca e depois O Retorno de Jedi. Star Wars revolucionou o cinema e a forma de se fazer filmes. Surge aqui o conceito de blockbuster (filme arrasa-quarteirão) com grandes bilheterias e orçamentos. O público jovem era o novo alvo da indústria. As inúmeras técnicas criadas pela ILM revolucionaram a indústria de efeitos especiais no cinema, dando origem a outras divisões como Skywalker Sound, THX, Pixar, entre outras.

George Lucas, com Star Wars, torna-se o cineasta independente de maior sucesso do cinema. Lucas colocou praticamente todo dinheiro ganho no primeiro filme, na produção de O Império Contra-Ataca, não se rendendo ao poder dos estúdios. Na verdade, Lucas foi responsável por revitalizar a força daquilo que ele sempre combateu como cineasta independente. A partir desta trilogia, todo um universo de produtos foi desenvolvido, como história em quadrinhos, desenhos animados, brinquedos, roupas, etc. Star Wars se tornou uma febre mundial e mesmo após 30 anos de seu lançamento, em 2007, a franquia continua forte. O lançamento recente dos últimos 3 filmes da série alavancaram mais ainda o que já era um sucesso, conquistando uma nova geração de fãs. Definitivamente, George Lucas mudou o cinema, mas mais do que isso, mudou a cultura ocidental, sendo Star Wars objeto até de livros sobre filosofia e ciências.

Recepção[editar | editar código-fonte]

Recepção da crítica[editar | editar código-fonte]

Star Wars foi aclamado pela crítica. O site agregador de resenhas críticas, Rotten Tomatoes amostra 70 opiniões e 94% delas é positiva. O consenso é, "Um começo amplo, ambicioso e lendário da saga sci-fi, George Lucas abre nossos olhos para as possibilidades de produção de filmes blockbusters e as coisas nunca mais foram as mesmas." Em sua crítica de 1977, Roger Ebert do Chicago Sun-Times chamou o filme de "uma experiência fora-do-corpo", comparado seus efeitos especiais aos de 2001: A Space Odyssey, e opinou que a verdadeira força do filme foi a sua "narrativa pura". Vincent Canby disse que "o filme vai entreter muito o público contemporâneo que tem um apresso pelas aventuras realizadas no espaço ". AD Murphy da Variety descreveu o filme como "magnífico" e, além disso, afirmou que Lucas se inspirando em suas memórias dos folhetins, juntamente com épicos de ação mais antigos, ele decidiu fazer uma das maiores fantasias de aventura com sucesso brilhante. Derek Malcolm do The Guardian concluiu que o filme "mostra emoções suficientes para satisfazer os mais sofisticados".

Óscar[editar | editar código-fonte]

Além dos 6 Oscar que recebeu, o filme também ganhou um prêmio especial pela edição de som do filme, isto é, a criação de sons fora ao som direto (gravado no set). Nessa época ainda não existia uma categoria própria para essa característica técnica, então a Academia premiou a parte esse trabalho de Ben Burtt.

Prêmio Categoria Vencedor/Candidato Resultado
Oscar 1978 Melhor Filme Gary Kurtz Indicado
Melhor Diretor George Lucas Indicado
Melhor Ator Coadjuvante Alec Guiness Indicado
Melhor Roteiro Original George Lucas Indicado
Melhor Trilha Sonora John Williams Venceu
Melhor Som Don MacDougall, Ray West, Bob Minkler e Derek Bal Venceu
Melhor Direção de Arte John Barry, Norman Reynolds, Leslie Dilley e Roger Christian Venceu
Melhor Figurino John Mollo Venceu
Melhor Edição Richard Chew, Paul Hirsch e Marcia Lucas Venceu
Melhores Efeitos Visuais John Stears, John Dykstra, Richard Edlund, Grant McCune e Robert Blalack Venceu
Prêmio Especial: Melhor Edição de Som Ben Burtt Venceu

Globo de Ouro[editar | editar código-fonte]

Prêmio Categoria Vencedor/Candidato Resultado
Globo de Ouro Melhor Filme Dramático Gary Kurtz Indicado
Melhor Diretor George Lucas Indicado
Melhor Ator Coadjuvante Alec Guiness Indicado
Melhor Trilha Sonora John Williams Venceu

Honrarias[editar | editar código-fonte]

Em 1989, o National Film Registry da Biblioteca do Congresso selecionou o filme para preservação por ser "culturalmente, historicamente, ou esteticamente importante". Em 2002, Star Wars e O Império Contra-Ataca foram votados como os maiores filmes já feitos por uma enquete do Channel 4. Em 2006, o roteiro original de Lucas foi selecionado pelo Writers Guild of America como o 68º maior de todos os tempos. Em 2011, a ABC exibiu um especial no horário nobre, "Melhor filme: Os maiores de nosso tempo", em que os melhores filmes foram escolhidos pelos públicos. Star Wars foi selecionado como o melhor filme de ficção-científica. Em 2012, Star Wars foi incluído na lista dos 250º maiores filmes feita por críticos, ficando na 171º colocação. A Empire Magazine classificou Star Wars em 22º em sua lista dos 500 melhores filmes de todos os tempos em 2008.

O filme marca presença também nas listas dos maiores filmes do cinema americano, realizada pelo American Film Institute (Instituto de filme americano, AFI):

Lista Posição Notas
100 anos de AFI... 100 filmes 15º 1998
AFI's 100 Years... 100 Thrills (melhores suspenses) 27º 2001
100 anos de AFI... 100 Hérois e Vilões 14º Han Solo (herói)
37º Obi-Wan Kenobi (herói)
2003
Luke Skywalker: nomeado a herói
Princesa Leia: nomeada a heroína
AFI's 100 Years... 100 Movie Quotes (melhores falas) 8º: "Que a Força esteja com você" 2004
"Ajude-me Obi-Wan Kenobi, você e minha única esperança" - nomeado.
AFI's 100 Years of Film Scores (melhores trilhas sonoras) 2005
John Williams, compositor
100 anos de AFI... 100 Vivas! (Filmes americanos mais inspiradores) 39º 2006
AFI's 100 Years... 100 Movies - 10th Anniversary Edition 13º 2007
AFI's Top 10 2º: ficção científica 2008

Legado[editar | editar código-fonte]

A convenção Générations Star Wars et Science Fiction, de 2010 em Cusset, França. Um dos vários eventos de fãs da franquia que ocorrem anualmente ao redor do mundo.
A convenção Générations Star Wars et Science Fiction, de 2010 em Cusset, França. Um dos vários eventos de fãs da franquia que ocorrem anualmente ao redor do mundo.

Star Wars começou uma nova geração de efeitos especiais e filmes de alto orçamento. Mas tarde, Roger Ebert escreveu: "Assim como O Nascimento de Uma Nação e Cidadão Kane, Star Wars foi um divisor de águas técnico que influenciou muitos dos filmes que vieram depois". Star Wars foi um dos primeiros filmes a misturar gêneros como ópera espacial e drama para inventar algo novo, para os cineastas construírem em cima. Junto com Tubarão de Steven Spielberg, ele mudou o foco da indústria cinematográfica do cinema "sofisticado" da década de 1970, para os blockbusters focados nas audiências mais jovens. Depois de ver Star Wars, o diretor James Cameron deixou seu emprego como motorista de caminhão para entrar na indústria cinematográfica. Outros cineastas que disseram ter sido influenciado por Star Wars incluem: Peter Jackson, Dean Devlin, Roland Emmerich, Christopher Nolan, John Lasseter, David Fincher, Kevin Smith, John Singleton e Ridley Scott. Scott foi influenciado pela "futuro desgastado" (onde os veículos e cultura são, obviamente, datado) e ampliou o conceito para sua ficção científica filme de ficção científica noir, Blade Runner (que também foi estrelado por Harrison Ford). Jackson usou o conceito para sua trilogia de O Senhor dos Anéis para adicionar um senso de realismo e credibilidade. Nolan citou Star Wars como uma influência para fazer A Origem.

Alguns críticos culparam Star Wars e também Tubarão por arruinar Hollywood, deslocando seu foco de filmes "sofisticados", como O Poderoso Chefão, Taxi Driver e Annie Hall para espetáculos de fantasia. Um desses críticos foi Peter Biskind que reclamou: "Quando tudo foi dito e feito, Lucas e Spielberg retrocedeu o público dos anos 70, que cresceu sofisticado com filmes europeus e a "Nova Hollywood", para as simplicidades pré-anos 60, da Era de Ouro de Hollywood ... Eles marcharam para trás". Em uma visão oposta, Tom Shone escreveu que através de Star Wars e Tubarão, Lucas e Spielberg "não trairão o cinema: eles o ligaram de volta a suas raízes como um espetáculo , um ato de magia, um grande efeito especial", que era "uma espécie de renascimento".

Referências

  1. «Cinema – Lançamentos da Semana». Folha de S.Paulo. 30 de janeiro de 1978. Consultado em 21 de dezembro de 2015. 
  2. «Star Wars (1977)». Box Office Mojo. 
  3. a b c Staff. "A young, enthusiastic crew employs far-out technology to put a rollicking intergalactic fantasy onto the screen". American Cinematographer. American Society of Cinematographers. p. 1.
  4. Rinzler, J. W. (2007). The Making of Star Wars. New York: Ballantine Books. 8 p. ISBN 978-0-345-49476-4
  5. Baxter, John (1999). Mythmaker: The Life and Work of George Lucas (1st ed.). New York: William Morrow. 142 p. ISBN 978-0-380
  6. Kaminski, Michael (2008). The Secret History of Star Wars: The Art of Storytelling and the Making of a Modern Epic. Kingston, Ont.: Legacy Books Press. 50 p. ISBN 978-0-9784652-3-0.
  7. a b c d Natália Bridi (04/05/2013). «Star Wars I - Curiosidades». Omelete. 
  8. a b c Empire of Dreams: The Story of the Star Wars Trilogy. Star Wars Trilogy Box Set DVD documentary. [2005]
  9. a b Samir Naliato (20/03/2015). «Panini publicará história com conceitos originais de Star Wars». Universo HQ. 
  10. The Characters of Star Wars. Star Wars Original Trilogy DVD Box Set: Bonus Materials. [2004]
  11. Pollock, Dale (1999). Skywalking: The Life and Films of George Lucas. New York: Da Capo Press. 141-142 p. ISBN 0-306-80904-4
  12. "The development of Star Wars as Seen Through the Scripts of George Lucas". March 1997.
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  14. "Star Wars Biography: Ralph McQuarrie". StarWars.com. Lucasfilm.
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  18. Juan González Yuste. (09 de setembro de 1977). ""Star War", un filme de aventuras convertido en fenómeno social". El País.
  19. Paul Scanlon. (Maio 2007). "Entrevista com George Lucas publicada em 1977". Rolling Stone Brasil (8). Spring Publicações.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]