Stepan Bandera

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Stepan Bandera
Степан Бандера
Степан бандера - panoramio.jpg
Monumento de Stepan Bandera em Lviv
Nome Stepan Andryovych Bandera
Local de nascimento Uhryniv Staryi, Galícia (Europa Central), Áustria-Hungria
Data de morte 15 de outubro de 1959 (50 anos)
Local de morte Munique, Alemanha Ocidental
Sepultado Waldfriedhof de Munique
Nacionalidade(s) Ucraniano
Ocupação político
Progenitores Mãe: Myroslava Volodymyrivna Bandera
Pai: Andriy Mykhaylovych Bandera
Esposa(s) Yaroslava Vasylivna Bandera

Stepan Andriyovych Bandera, em ucraniano: Степан Андрійович Бандера (1 de janeiro 190915 de outubro 1959) foi um líder nacionalista ucraniano que chefiava a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN).

Juventude[editar | editar código-fonte]

Manifestantes do Svoboda, em Kiev, em 2009, com a foto de Stepan Bandera
Foto de Stepan Bandera durante o Euromaidan em 2014

Stepan Bandera nasceu na aldeia de Uhryniv Staryi, no distrito de Kalush na Galícia (Oblast de Stanyslaviv), na altura o Império Austro-Húngaro. O seu pai, Andriy Bandera, era o sacerdote greco-católico em Uhryniv Staryi. A sua mãe, Myroslava Bandera, também pertencia à família do clero, era a filha do padre grego – católico em Uhryniv Staryi.

Stepan passou a sua juventude em Uhryniv Staryi, na casa dos seus pais e avos, cresceu no ambiente familiar do nacionalismo ucraniano.

Na Primavera do 1922, a sua mãe faleceu, vítima do tuberculose.

Actividade nacionalista[editar | editar código-fonte]

Stepan Bandera membro do Plast (1923)

Desde 1922 Bandera era o membro do Plast – Organização dos Escuteiros ucranianos. Desde 1931 Bandera era o representante dos Escuteiros da sua região, após disso, torna-se o chefe executivo regional da OUN e comandante do UVO – organização militar ucraniana que operava na clandestinidade na Polónia durante 2ª República Polaca desde 1920. Em 1933 Stepan Bandera cria um movimento revolucionário com vista à instauração de um estado ucraniano. Bandera foi condenado ao fuzilamento pela sua participação no assassinato do Bronisław Pieracki, Ministro do Interior do governo polaco em 1934, sendo a pena substituída pela prisão perpétua. Mais depois da invasão da Alemanha na Polônia foi liberado e voltou para a cidade de Lviv, onde em 30 de junho proclamou a renovação do Estado Ucraniano. Recusando-se a revogar a proclamação da Independência da Ucrânia,[1][2] Bandera foi preso em 5 de julho de 1941 pelos nazis e colocado no campo de concentração de Sachsenhausen, onde estava encarcerado no "Bunker de Zellenbau". Estavam no mesmo local todos os prisioneiros mais importantes do 3º Reich, como ex – primeiro – ministro da França Leon Blum ou ex – chanceler da Áustria, Kurt Schuschnigg, porém foi libertado em 1944 para auxiliar no esforço contra o avanço do Exército Vermelho. Bandera tornou-se um colaborador nazista que viveu com seus representantes sob proteção alemã após o início da Segunda Guerra Mundial. Em preparação para o ataque à URSS, os nazistas recrutaram os seguidores de Bandera para atuar como policiais de língua ucraniana e para servir em dois batalhões voluntários do exército ucraniano. Ao trabalhar com os nazistas, Bandera esperava libertar a Ucrânia do domínio soviético e estabelecer seu próprio governo lá. Uma Ucrânia independente, prometeu Bandera, continuaria amiga da Alemanha. O historiador Karel Berkhoff, entre outros, mostrou que Bandera, seus deputados e os nazistas compartilhavam uma obsessão fundamental: a noção de que os judeus na Ucrânia estavam por trás do comunismo e do imperialismo stalinista e deveriam ser destruídos. "Os judeus da União Soviética", dizia uma declaração banderista, "são os partidários mais leais do regime bolchevique e a vanguarda do imperialismo moscovita na Ucrânia". Quando os alemães invadiram a URSS em junho de 1941 e capturaram a capital da Galícia Oriental de Lvov, os tenentes de Bandera emitiram uma declaração de independência em seu nome. Eles prometeram ainda trabalhar em estreita colaboração com Hitler, depois ajudaram a lançar um pogrom que matou quatro mil judeus Lvov em poucos dias, usando armas que variavam de canhões a postes de metal. "Vamos colocar suas cabeças aos pés de Hitler", proclamava um panfleto banderista para judeus ucranianos.[3]

Vítima de assassinato[editar | editar código-fonte]

No dia 15 de Outubro de 1959, na entrada do seu prédio na rua Kreittmayr, № 7 (Kreittmayrstraße), em Munique, Stepan Bandera foi encontrado às 13h05, sangrando e ainda vivo. Exame médico determinou que a causa da sua morte foi o veneno de (cyanide[4]). Dois anos mais tarde, no dia 17 de Novembro de 1961, o tribunal alemão provou que Stepan Bandera foi assassinado pelo agente Bohdan Stashynsky, cumprindo as ordens directas do chefe do KGB soviético Alexander Shelepin e do líder soviético Nikita Khrushchev.[5] Após uma investigação detalhada sobre o assassinato, Stashynskyi foi julgado entre os dias 8 de Outubro e 15 de Outubro de 1962. No dia 19 de Outubro, foi lida a sentença, que condenava Stashynskyi a 8 anos de prisão. A Corte Suprema da Alemanha em Karlsruhe confirmou que o Governo Soviético em Moscovo era o culpado principal pelo assassinato de Stepan Bandera.

Família[editar | editar código-fonte]

O pai do Stepan Bandera – o padre grego-católico Andriy Bandera foi assassinado pela NKVD em Kiev no Verão de 1941.[6] Stepan Bandera teve três filhos – Natalia, Andriy e Lecia. Aos 16 de Agosto de 2011 aos 64 anos faleceu em Toronto no Canadá Lecia Bandera, a filha mais nova do Bandera.[7]

Legado[editar | editar código-fonte]

Selo postal ucraniano comemorativo do centenário do nascimento de Stepan Bandera
Monumento Stepan Bandera, Ternopil

Na entrevista ao jornal russo Komsomolskaya Pravda em 2005, o ex-chefe do KGB Vladimir Kryuchkov disse que "o assassinato do Stepan Bandera foi um dos últimos casos, quando o KGB liquidava as pessoas indesejáveis pelos meios da violência".[8] No dia 20 de Outubro de 1959, Stepan Bandera foi sepultado no cemitério de Waldfriedhof em Munique.

No fim do 2006, a administração municipal de Lviv anunciou a futura transferência dos restos mortais do Stepan Bandera, Andriy Melnyk, Yevhen Konovalets e outros líderes históricos da OUN / UPA para a nova área no Cemitério de Lychakivskiy, especialmente dedicado à luta de libertação nacional da Ucrânia.[9]

Em 2007 a Prefeitura de Lviv ergueu uma estátua dedicada ao líder do OUN / UPA, Stepan Bandera. Em 18 de outubro de 2007 o Conselho Municipal de Lviv aprovou uma resolução estabelecendo o "Prémio Stepan Bandera".[10][11]

Referências

  1. John-Paul Himka. World Wars at the Encyclopedia of Ukraine
  2. Volodymyr Yaniv. Stepan Bandera at the Encyclopedia of Ukraine
  3. Who Was Stepan Bandera?
  4. The Partisan, TIME Magazine, 2 de Novembro de 1959
  5. The Poison Pistol, TIME Magazine, 01 de Dezembro de 1961
  6. ( http://www.istpravda.com.ua/digest/2010/11/7/3138)
  7. ( http://www.istpravda.com.ua/short/2011/08/17/52689)
  8. [https://web.archive.org/web/20060205191647/http://mosnews.com/interview/2005/12/06/kgbchief.shtml Arquivado em 5 de fevereiro de 2006, no Wayback Machine. Mosnews.com
  9. [http://www.khpg.org/en/index.php?id=1161553853 Informação da página do Grupo de Defesa dos Direitos Humanos de Kharkiv
  10. [http://www.korrespondent.net/main/212672/ Korrespondente » Ucrânia » Acontecimentos » Lviv organizou o prémio jornalístico Stepan Bandera
  11. Розпорядження №495

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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