Subúrbio do Rio de Janeiro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita fontes confiáveis e independentes, o que compromete sua credibilidade (desde julho de 2017). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
vista do bairro de Anchieta, último bairro do subúrbio e da Zona Norte carioca

O Subúrbio do Rio de Janeiro ou Subúrbio Carioca é uma área histórica e geográfica da cidade do Rio de Janeiro, coberta pelos bairros distantes do Centro da cidade, ou seja, bairros que não são vizinhos ao Centro e distantes da região central da cidade, localizada na Zona Norte e Zona Oeste do município.

História[editar | editar código-fonte]

Inicialmente Subúrbio Carioca era associado a qualquer região que não fosse a área central da cidade. A chegada da tecnologia dos bondes favoreceram a construção de bairros mais afastados do centro, mas foi com as reformas de Pereira Passos o advento da linha férrea, que o termo Subúrbio ganha um significado pejorativo[1]. Até a reforma Pereira Passos, a terminologia Subúrbio Carioca fazia menção a bairros como Botafogo, Flamengo, Copacabana, além de incluir territórios que hoje são cidades da região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, como por exemplo Maxambomba, região onde se formou o município que hoje se chama Nova Iguaçu. Por volta dos anos 50, se consolida na cidade o topônimo Zona Sul, que por sua vez auto-segrega a região hoje conhecida como Zona Sul dos subúrbios do Rio de Janeiro[2], construindo sobre esta uma série de valores culturais e sociais de modernidade, transformando a ideia de Subúrbio em um lugar mais antiquado da cidade para se morar e viver. O dito "Subúrbio Carioca" é composto de bairros com uma população de classe média alta a média-baixa e baixa, porém com uma grande importância histórica, por exemplo, Madureira é conhecido por ser o berço do samba e da boemia, as escolas de samba Portela e Império Serrano se localizam nesse bairro. Já Marechal Hermes é conhecido por ser o primeiro bairro operário do Brasil, fundado mais precisamente em 1914. Campo dos Afonsos se destaca por sua vocação a aviação, berço da viação e uma das principais aglomerações da aeronáutica no Brasil. Já o Bangu se destacou por ser o bairro mais quente do Rio de Janeiro, tendo seu desenvolvimento a partir de uma fábrica de tecidos chamada "Fábrica Bangu". Campo Grande atualmente o bairro mais populoso do município, é um dos poucos locais do subúrbio a ter um melhor desenvolvimento superior aos demais bairros, principalmente no setor imobiliário.

igreja em Campo Grande

Geografia[editar | editar código-fonte]

Os bairros constituintes a essa região são: Abolição, Água Santa, Acari, Anil, Anchieta, Barros Filho, Benfica, Bonsucesso, Bangu, Cachambi, Cascadura, Campinho, Campo Grande, Cordovil, Cidade de Deus, Cosmos, Coelho Neto, Colégio, Complexo do Alemão, Costa Barros, Curicica, Del Castilho, Deodoro, Encantado, Engenho Novo, Engenho de Dentro, Engenho da Rainha, Engenheiro Leal, Guadalupe, Guaratiba, Gardênia Azul, Rio das Pedras, Gericinó, Higienópolis, Honório Gurgel, Irajá, Inhaúma, Inhoaíba, Jacaré, Jacarezinho, Jardim América, Lins de Vasconcelos, Madureira, Manguinhos, Complexo da Maré, Marechal Hermes, Méier, Pavuna, Bento Ribeiro, Vasco da Gama, Paciência, Padre Miguel, Parada de Lucas, Piedade, Pilares, Oswaldo Cruz, Ilha do Governador, Penha, Penha Circular, Parque Colúmbia, Parque Anchieta, Riachuelo, Ricardo de Albuquerque, Realengo, Campo dos Afonsos, Jardim Sulacap, Mangueira, Turiaçu, Vila Militar, Vila Valqueire, Vila Kosmos, Rocha, Rocha Miranda, Sampaio, Praça Seca, Santa Cruz, São Francisco Xavier, Santíssimo, Olaria, Ramos, Sepetiba, Senador Camará, Senador Vasconcelos, Magalhães Bastos, Vaz Lobo, Vicente de Carvalho, Vila Kennedy, Maria da Graça, Vigário Geral, Vila da Penha, Todos os Santos, Cavalcanti, Quintino Bocaiúva, Rio Comprido, Tijuca, Tanque e Vista Alegre, Jacarepaguá, Itanhangá, Freguesia de Jacarepaguá e Pechincha, excluindo o Centro e os bairros da Zona Sul. Bairros da Zona Oeste carioca, porém banhados pelo Oceano Atlântico como Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Grumari e Barra de Guaratiba geralmente não são considerados bairros suburbanos.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os Subúrbios Cariocas são um grande polo de cultura da cidade. Inúmeras referências na música popular nasceram e cresceram se identificando como suburbanos. A região concentra o maior número de escolas de samba da cidade. Dos subúrbios vieram grandes artistas como Paulo da Portela, Almir Guineto, Pixinguinha, Clementina de Jesus, entre outros. Nos subúrbios Cariocas encontramos também importantes centros de cultura como a Casa do Jongo da Serrinha, o Cacique de Ramos, lonas culturais e o Museu da Maré. Os subúrbios também foram por décadas, uma grande concentração de cinemas de rua da cidade com ícones da arquitetura como o Cine Vaz Lobo, o Metro-Tijuca, o Cine Guaraci em Rocha Miranda, o Cine Olaria.

Bibliografia.[editar | editar código-fonte]

  • ABREU, Maurício de Almeida. A periferia de ontem: O processo de construção do espaço suburbano do Rio de Janeiro (1870-1930). Espaço e Debates, v. 7, 1987.
  • BORGES, Marília Vicente. O Zoneamento da cidade do Rio de Janeiro: gênese, evolução e aplicação. Rio de Janeiro: UFRJ/IPPUR, 2007.
  • ELIAS, Cosme. O samba do Irajá e de outros subúrbios. Rio de Janeiro: Pallas, 2005.
  • FERNANDES, Nelson da Nóbrega. O rapto ideológico da categoria Subúrbio: Rio de Janeiro 1858/1945. Rio de Janeiro: Ed. Apicuri, 2011.
  • FERRAZ, Talitha A segunda Cinelândia carioca / Talitha Ferraz. – 2. ed. Rio de Janeiro : Mórula Editorial, 2012.
  • MENDONÇA, Leandro Climaco. Nas Margens: experiências de suburbanos com periodismo no Rio de Janeiro, 1880-1920. Niterói, Editora UFF, 2014.
  • OLIVEIRA, Márcio Piñon de. A trajetória de um subúrbio industrial chamado Bangu. In: OLIVEIRA, Márcio Piñon de; FERNANDES, Nelson da Nóbrega (Org.). 150 anos de subúrbio carioca. Rio de Janeiro: Lamparina; Niterói: EdUFF, 2010. p. 95-137.
  • PEDRAL, Antonio José. Ferrovia e segregação espacial no subúrbio: Quintino Bocaiúva, Rio de Janeiro. In: OLIVEIRA, Márcio Piñon de; FERNANDES, Nelson da Nóbrega (Org.). 150 anos de subúrbio carioca. Rio de Janeiro: Lamparina; Niterói: EdUFF, 2010. p. 138-160.
  • PEREIRA, Margareth da Silva. Subúrbio. A aventura das palavras da cidade, através dos tempos, das línguas e das sociedades. São Paulo: Ed. Romano Guerra, 2014. p. 619–630
  • RIBEIRO, Rodrigo Cunha Bertamé:Rizomas suburbanos: possíveis ressignificações do topônimo subúrbio carioca através dos afetos. Rio de Janeiro: UFRJ/FAU, 2016.
  • SANTOS, Justino. De freguesias rurais a subúrbio: Inhaúma e Irajá no município do Rio de Janeiro. São Paulo: USP. 1997. 350 p. Tese (Doutorado).

Referências

  1. Fernandes, Nelson da Nóbrega (2011). O rapto ideológico da categoria Subúrbio: Rio de Janeiro 1858/1945. Rio de Janeiro: apicuri 
  2. Cardoso, Elizabeth Dezouzart (julho 2010). «A INVENÇÃO DA ZONA SUL:ORIGENS E DIFUSÃO DO TOPÔNIMO ZONA SUL NA GEOGRAFIA CARIOCA». Revista GEOgraphia, UFF. doi:10.22409/geographia.v11i22.301. Consultado em 24 de fevereiro de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]