Subida do nível do mar

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A subida do nível do mar é um fenômeno físico e geológico que ocorreu várias vezes ao longo da história da Terra, enquanto em outras ocasiões o mar teve seu nível rebaixado. São muitos e complexos os fatores que podem influenciar este tipo de variação, entre eles mudanças no clima e o movimento das placas tectônicas. No último século o nível do mar tem se elevado outra vez por consequência do aquecimento global, colocando sérios desafios para as regiões litorâneas, onde se concentra grande parte da população humana, e para nações insulares de baixa altitude.

Aspectos gerais[editar | editar código-fonte]

Nivel eustático e nível local do mar[editar | editar código-fonte]

O nível local médio do mar (NLMM) é definido como sendo o valor médio da altura do mar em relação a um referencial terrestre, durante um período de tempo (um mês ou um ano , por exemplo) suficientemente longo para que as variações causadas pelas ondas e pelas marés possam ser suavizadas. Devem fazer-se ajustamentos a alterações detectadas no NLMM para descontar os efeitos de possíveis movimentos verticais da terra , que podem ser da mesma ordem (mm/ano) que as mudanças no nível do mar. Alguns movimentos de terra ocorrem devido ao movimento isostático do manto ao derretimento de mantos de gelo no final da última era glacial. O peso do manto de gelo deprime o terreno subjacente, e quando o gelo derrete a terra vagarosamente regressa à sua posição anterior à deposição do gelo (ressalto isostático). O NLMM pode também ser afectado pela pressão atmosférica, correntes marítimas e mudanças locais na temperatura do oceano.

A mudança eustática (contrariamente à mudança local) resulta numa alteração global dos níveis do oceanos, tais como variação do volume de água dos oceanos do mundo ou do volume de bacias oceânicas.

Variações a longo prazo[editar | editar código-fonte]

Muitos fatores afetam o volume ou a massa do oceano, conduzindo a mudanças de longo prazo no nível eustático do mar. As duas influências principais são a temperatura (porque o volume de água depende da temperatura), e a massa da água retida na terra e no mar sob a forma de água doce em rios, lagos, geleiras, calotas de gelo polar, e gelo marinho. À escala de tempo geológico as mudanças nas formas das bacias oceânicas e na distribuição de terra/mar afectam também o nível do mar.

Glaciares e calotas polares[editar | editar código-fonte]

Em cada ano, cerca de 8 mm de água da superfície inteira dos oceanos cai na Antártica e na Gronelândia sob a forma de neve. Se o gelo não retornasse aos oceanos, o nível do mar diminuíria 8 mm a cada ano. Todavia, aproximadamente a mesma quantidade de água retorna aos oceanos em icebergs e em gelo derretendo nas extremidades, os cientistas não sabem qual é o maior - o gelo que entra ou sai. A diferença entre o gelo que entra e o gelo que sai é chamada de balanço de massa e é importante pois faz variar o nível do mar em termos globais.

Plataformas de gelo flutuam na superfície do mar e, se derretem, não alteram directamente o nível do oceano, do mesmo modo, o derretimento da calota de gelo polar norte, que é composta de blocos de gelo flutuantes, não contribuiria significantemente para a elevação do nível dos oceanos. Por serem constituídas por água doce, todavia, seu derretimento causa um pequeno aumento nos níveis do mar, tão pequeno que geralmente é desprezado. Todavia, pode-se argumentar que o derretimento das plataformas de gelo é um precursor do derretimento aos mantos de gelo na Gronelândia e Antártica.

História[editar | editar código-fonte]

A Terra atravessou em sua longa história muitas mudanças geológicas, e em certos períodos tornou-se mais quente do que é hoje. Calcula-se, através de registros paleográficos, que ao longo dos últimos 3 milhões de anos o nível do mar chegou a estar mais de 5 metros acima do atual, quando a Terra tinha uma temperatura média de cerca de 2º C superior.[1]

Entretanto, neste longo período ocorreram variações de temperatura, incluindo esfriamentos significativos, causando as glaciações, quando foram formadas espessas capas de gelos sobre vastas regiões da Terra, que absorveram grandes quantidades de água dos mares reduzindo expressivamente o seu nível. Quando o clima voltou a aquecer e todo este gelo derreteu, em torno de 10 mil anos atrás, o nível do mar subiu cerca de 130 metros. A maior parte desta subida ocorreu antes de há 6 000 anos. Desde há 3 000 anos até ao início do século XIX o nível do mar manteve-se praticamente constante, subindo entre 0.1 e 0.2 mm/ano.

A medição do nível do mar é tarefa de grande complexidade, só iniciou no fim do século XIX e somente há pouco tempo têm sido desenvolvidos métodos mais confiáveis. O IPCC calcula que a taxa de elevação média entre 1901 e 2010 foi de 1,7 milímetros (mm) ao ano, com uma faixa de variação de 1,5 a 1,9 mm. A elevação total neste intervalo foi calculada em 19 centímetros. Porém, nas últimas décadas a velocidade de elevação tem aumentado. Entre 1993 e 2010 a taxa foi provavelmente maior do que 3,2 mm por ano, com uma faixa de variação de 2,8 a 3,6 mm.[1]

A elevação recente[editar | editar código-fonte]

A recente subida do nível do mar é resultado do aquecimento global através de dois processos principais: expansão da água do mar devida ao aquecimento dos oceanos e derretimento de massas de gelo sobre terra firme.[2] [1] As previsões do IPCC para o século XXI é que provavelmente a velocidade da elevação aumentará em relação ao período de 1971 e 2010, e também o nível médio do mar aumentará em relação ao que é hoje. Os modelos utilizados dão resultados bastante divergentes, mas todos apontam para uma elevação, que poderá ficar entre 26 e 98 centímetros em 2100.[1]

Naturalmente, é difícil prever com exatidão o desenvolvimento futuro do fenômeno, pois ele depende de muitas variáveis, principalmente o comportamento da sociedade em relação à continuada emissão de gases estufa, que provocam o aquecimento global. O IPCC projeta que se as emissões continuarem nos níveis atuais por muito tempo, causando uma elevação da temperatura média de 2 a 4º C, o aquecimento global desencadeará efeitos irreversíveis de grande amplitude e longa duração, o que tornará concreta a possibilidade de derretimento completo da camada de gelo do Ártico nos próximos mil anos. Isso causaria uma elevação do mar de cerca de sete metros acima do nível atual.[1]

Referências

  1. a b c d e IPCC [Church, J.A. et al.]. "Sea Level Change". In: [Stocker, T.F. et al. (eds.)]. Climate Change 2013: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge University Press, 2013
  2. Global Climate Change. Sea Level. NASA's Jet Propulsion Laboratory.
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