Substantivo

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O substantivo é uma classe de palavras variável com que se designam ou se nomeiam os seres em geral ou são as palavras variáveis com que se designam os seres (pessoas, animais e coisas). O substantivo é a palavra que serve, de modo primário, de núcleo de sujeito, do objeto direto, do objeto indireto e do agente da passiva. Qualquer palavra de outra classe que desempenhe uma dessas funções equivalerá, forçosamente, a um substantivo[1] . Em português, o substantivo pode ser flexionado em gênero, número e grau. [2] [3] Em outros idiomas pode haver outras flexões, como a de caso gramatical.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Os substantivos podem ser classificados em:

Comuns e próprios
Comuns são aqueles que dão nome a espécie: pessoa, rio, planeta; próprios são aqueles que designam um indivíduo da espécie: João, Amazonas, Marte. [2]
Concretos e abstratos
Concretos são aqueles que designam os seres propriamente ditos, isto é, os nomes de pessoas, de animais, vegetais, lugares e coisas: homem, cão, árvore, Brasil, caneta; abstratos são aqueles que designam ações, estados e qualidades: beleza, colheita, doença, bondade, juventude.[3]
Coletivos
São substantivos comuns que, no singular, designam um conjunto de seres ou coisas da mesma espécie. No substantivo coletivo, trata-se de um único ser uma pluralidade de indivíduos: elenco (conjunto de atores); matilha (conjunto de cães de caça); cardume (conjunto de peixes) etc.[2]
Primitivos e derivados
Primitivos são aqueles de que não derivam de outros vocábulos: ex: casa, folha, árvore.
Os derivados são aqueles que procedem de outras palavras (guerreiro é derivado por vir de guerra, guerra + eiro, ferreiro é derivado por vir de ferro, ferro + 'eiro').[4]
Simples e composto
Simples são aqueles substantivos constituídos de um só radical: casa, casarão; compostos são aqueles formados na união de dois ou mais radicais: boca-de-leão, couve-flor, passatempo. [4]

Flexão do substantivo[editar | editar código-fonte]

Os substantivos podem ser flexionados de três maneiras distintas: quanto ao gênero, quanto ao número e quanto ao grau.

Flexão genérica[editar | editar código-fonte]

O gênero gramatical é um critério puramente linguístico, convencional, que divide os substantivos em duas classes: masculino e feminino. [2] Trata-se na verdade mais de uma classificação do que uma flexão propriamente dita para a maioria dos substantivos; entretanto, os substantivos designando pessoas e animais podem assumir formas diferentes de acordo com o sexo do ser que designa, em geral com o mesmo radical; por isso diz-se tratar de uma flexão.

  • Masculino: em português, são do gênero masculino todos os substantivos a que se pode antepor o artigo o: o aluno, o amor, o galho, o poema. Geralmente são masculinos os nomes de homens ou funções exercidas por eles; os nomes de animais do sexo masculino; os nomes de lagos, montes, rios e ventos; os nomes de meses e pontos cardeais;
  • Feminino: em português, são do gênero feminino todos os substantivos a que se pode antepor o artigo a: a casa, a vida, a árvore, a canção. Geralmente são femininos os nomes de mulheres ou de funções exercidas por elas; os nomes de animais do sexo feminino; os nomes de cidades e ilhas; as partes do mundo; as ciências e as artes liberais. [3][4]
  • Outros gêneros: em português só existem os gêneros masculino e feminino, mas em vários idiomas existe o gênero neutro, geralmente reservado a substantivos abstratos e os que designam objetos e animais. Alguns idiomas da família linguística Nigero-Congolesa chegam a ter dezenas de gêneros, muitas vezes atribuídos às palavras de forma arbitrária.

Substantivos uniformes[editar | editar código-fonte]

  • Substantivos epicenos: denominam-se epicenos os nomes de animais que possuem um só gênero gramatical para designar um e outro sexo: a águia, a baleia, a mosca, a pulga, o besouro, o polvo, o tatu, etc.
  • Substantivos sobrecomuns: denominam-se sobrecomuns os substantivos que têm um só gênero gramatical para designar pessoas de ambos os sexos: o apóstolo, o cônjuge, a criança, a testemunha, etc.
  • Substantivos comuns de dois gêneros: alguns substantivos possuem uma só forma para os dois gêneros, mas distinguem-se o masculino do feminino pelo gênero do artigo: o agente, a agente; o colega, a colega; o gerente, a gerente; o mártir, a mártir; etc.
  • Substantivos de gênero vacilante: em alguns substantivos notam-se vacilação de gênero: diabete, suéter, omoplata, etc. [3]

Flexão numérica[editar | editar código-fonte]

Quanto à flexão de número, os substantivos podem estar no singular ou plural:

  • Singular: é a forma não flexionada do substantivo, que indica apenas um ser: casa, homem, doce;
  • Plural: é a forma flexionada, que indica mais de um ser: casas, homens, doces. [4]
  • Dual: indica dois seres. Esta flexão não existe em português; aparece em idiomas como o grego antigo, o árabe e o checo.

Flexão gradual[editar | editar código-fonte]

Em português são três os graus dos substantivos: normal, aumentativo e diminutivo.

  • Normal: designa o ser no seu tamanho natural: casa, livro;
  • Aumentativo: designa o ser aumentado do seu tamanho normal: casarão, livrão;
  • Diminutivo: designa o ser diminuído do seu tamanho normal: casebre, livrinho. [4]

Flexão de caso[editar | editar código-fonte]

Em muitos idiomas existe a flexão de caso, em que o substantivo tem desinências diferentes dependendo da função sintática que exercem na oração. Essa flexão existia no latim, porém desapareceu em português e em todas as outras línguas românicas com exceção do romeno, sendo substituídas por preposições. Os casos mais comuns nos idiomas que apresentam esse tipo de flexão são:

  • Nominativo: designa o sujeito ou o predicativo;
  • Acusativo: designa o objeto direto;
  • Genitivo: designa o adjunto adnominal, geralmente de posse;
  • Dativo: designa o objeto indireto.
  • Outros casos: várias línguas declinativas têm outros casos para além deste. O latim tinha além desses os casos ablativo, para designar o adjunto adverbial, e o vocativo. Alguns poucos idiomas substituem os casos nominativo e acusativo pelos casos absolutivo (objeto direto e sujeito de verbo intransitivo) e ergativo (objeto de verbo transitivo). Idiomas fino-úgricos como o finlandês e o húngaro têm casos numerosos, podendo chegar a mais de 15.

Um exemplo de frase em latim usando casos: mater amici mei unam rosam filio meo dedit (a mãe do meu amigo deu uma rosa ao meu filho). "Mater" está no nominativo; "amici mei" está no genitivo; "unam rosam" está no acusativo, e "filio meo" está no dativo.

Função sintática[editar | editar código-fonte]

O substantivo pode figurar na oração como núcleo do sujeito, predicativo, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da passiva, aposto, vocativo e excepcionalmente como adjunto adnominal. [3] Os adjetivos referentes a cores podem ser modificados por um substantivo que melhor precise uma de suas tonalidades, um de seus matizes: amarelo-canário; verde canário, etc. Neste emprego, o substantivo equivale a um advérbio de modo. [5] As frases nominais têm o substantivo como núcleo da frase: "Ó minha amada/Que olhos os teus" (Vinícius de Moraes) [6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Cunha, Celso; Cintra, Lindley (2008). Nova Gramática do Português Contemporâneo 5 ed. (Rio de Janeiro: Lexikon).  Parâmetro desconhecido |c apítulo= ignorado (Ajuda)
  2. a b c d Luft, Celso Pedro (1991). Moderna Gramática Brasileira 11 ed. (São Paulo: Globo). 
  3. a b c d e Cunha, Celso (1978). Gramática do Português Contemporâneo 7 ed. (Belo Horizonte: Bernardo Álvares). 
  4. a b c d e f g Almeida, Napoleão Mendes de (1951). Gramática Metódica da Língua Portuguesa 5 ed. (São Paulo: Saraiva). 
  5. Barreto, Mário (1921). Novos Estudos da Língua Portuguesa 2 ed. (Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves). 
  6. Vinícius de Moraes. «Poema dos olhos da amada». Consultado em 19 de maio de 2013.