Sueli Carneiro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Sueli Carneiro
Nascimento 24 de junho de 1950 (71 anos)
São Paulo
Cidadania Brasil
Alma mater
Ocupação escritora, ativista de direitos humanos, filósofa
Prêmios

Aparecida Sueli Carneiro (São Paulo, 24 de junho de 1950) é uma filósofa, escritora e ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro.[1][2] Sueli Carneiro é fundadora e atual diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e considerada uma das principais autoras do feminismo negro no Brasil.[3][4] Possui doutorado em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP).[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Em 1983, o governo de São Paulo criou o Conselho Estadual da Condição Feminina, porém sem nenhuma mulher negra dentre as trinta e duas conselheiras. Sueli Carneiro foi uma das lideranças do movimento de mulheres negras que se engajou na campanha da radialista Marta Arruda pela abertura de uma vaga no conselho a uma mulher negra; campanha que logrou êxito.

Em 1988, fundou o Geledés — Instituto da Mulher Negra, primeira organização negra e feminista independente de São Paulo. Meses depois, foi convidada para integrar o Conselho Nacional da Condição Feminina, em Brasília.[5]

Criou o programa SOS Racismo de Geledés, que redimensionou o racismo como violação aos direitos humanos.[6]

Em 1992, ela recebeu a visita de um grupo de cantores de rap da periferia da cidade, que queriam proteção porque eram vítimas frequentes de agressão policial. Sueli decidiu criar então o Projeto Rappers, onde os jovens são agentes de denúncia e também multiplicadores da consciência de cidadania dos demais jovens.[7]

A construção do Outro como Não-Ser com fundamento do Ser[editar | editar código-fonte]

A fundação do Outro como Não-Ser como fundamento do Ser é o título da tese de doutorado em Filosofia da Educação na FFLCH - USP de Sueli Carneiro publicada em 2005. Nela, Carneiro usa os conceitos de Dispositivo e Biopoder de Michel Foucault para analisar as relações raciais no Brasil.

A partir disso, Carneiro constrói a noção de dispositivo racialidade/biopoder que busca dar conta de dois processos:

  • produção social e cultural da eleição e da subordinação raciais
  • produção de vitalismo e morte informados pela filiação racial

Da articulação do dispositivo de racialidade ao biopoder emerge um mecanismo da natureza de ambas tecnologias: o epistemicídio. A partir desse conceito de Boaventura de Sousa Santos, Carneiro discute o lugar que a educação ocupa na reprodução/manutenção de saberes, poderes, subjetividades e todos os “cídios” que o dispositivo racialidade/biopoder produz no Brasil.[8]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Escritos de uma vida (Editora Letramento, 2018) ISBN 978-85-9530-107-8
  • Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil (Selo Negro, 2011) ISBN 978-85-8747-874-0
  • Mulher negra: Política governamental e a mulher (1985), com Thereza Santos e Albertina de Oliveira Costa
  • A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Tese (Doutorado em educação, 2005). Universidade de São Paulo, São Paulo.

Referências

  1. «Retratos do Brasil Negro – Palmares». www.palmares.gov.br. Consultado em 9 de março de 2017 
  2. a b «Doutora em Filosofia pela USP defende cotas para negros e lembra julgamento em que STF discutiu conceito de raça». Supremo Tribunal Federal. 5 de março de 2010. Consultado em 9 de março de 2017 
  3. «Dia das Mulheres Negras, Julho das Pretas: o tributo a Sueli Carneiro | CLAUDIA». CLAUDIA. 25 de julho de 2016 
  4. «O feminismo negro no Brasil | Cacheia!». Cacheia!. 10 de novembro de 2015 
  5. «Mulher 500 Anos - Por trás dos panos». www.mulher500.org.br. Consultado em 9 de março de 2017. Arquivado do original em 25 de agosto de 2011 |titulo=Sueli Carneiro – Palmares|acessodata=2017-03-09|obra=www.palmares.gov.br}}
  6. «Sueli Carneiro recebe prêmio da LASA por sua produção acadêmica». Consultado em 9 de março de 2021 
  7. «Sueli Carneiro – Palmares». Consultado em 26 de maio de 2021 
  8. CARNEIRO, Aparecida Sueli; FISCHMANN, Roseli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
  9. «LASA2021 / Crisis global, desigualdades y centralidad de la vida». Latin American Studies Association (em inglês). Consultado em 9 de fevereiro de 2021 
  10. «Sobre esta Edição». Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Consultado em 16 de novembro de 2020 
  11. «Sueli Carneiro – Prêmio Itaú Cultural 30 Anos (2017)». Itaú Cultural. Consultado em 5 de julho de 2019 
  12. «Sueli Carneiro e Raquel Trindade recebem prêmio 'Benedito Galvão' da OAB-SP». Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial 
  13. Lopes, Nei (2006). Dicionário escolar afro-brasileiro (em portugués). [S.l.]: Selo Negro. 174 páginas. ISBN 978-858-747-829-0 
  14. «Lúcia Vânia destaca importância de Sueli Carneiro». Senado Federal. 27 de março de 2003. Consultado em 10 de março de 2017. Cópia arquivada em 10 de março de 2017 
  15. «Direitos Humanos» (em poortuguês). Folha de S.Paulo. 18 de dezembro de 1999. Consultado em 10 de março de 2017. Cópia arquivada em 10 de março de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Sueli Carneiro