Suiriri-tropical

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T. m. melancholicus No Pantanal
T. m. melancholicus
No Pantanal
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Tyrannidae
Gênero: Tyrannus
Espécie: T. melancholicus
Nome binomial
Tyrannus melancholicus
Vieillot, 1819
Distribuição geográfica
Roxo = distribuição durante o ano inteiro; laranja = distribuição de reprodução
Roxo = distribuição durante o ano inteiro;
laranja = distribuição de reprodução

O suiriri-tropical[2] (Tyrannus melancholicus), também conhecido apenas como suiriri, siriri e severino, é uma espécie de ave passeriforme da família dos tiranídeos. A espécie se reproduz desde o sul do Arizona e o baixo Vale do Rio Grande do Texas nos Estados Unidos, através da América Central e da América do Sul até o centro da Argentina e leste do Peru, além de Trindade e Tobago. Os indivíduos das áreas de reprodução mais ao sul ou mais ao norte migram para lugares mais quentes após a reprodução.[3]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

O suiriri-tropical foi descrito formalmente em 1819 pelo ornitólogo francês Louis Jean Pierre Vieillot sob o nome binomial Tyrannus melancholicus.[4] Vieillot baseou sua descrição no Suirirí-Guazú, que havia sido descrito pelo naturalista espanhol Félix de Azara em 1805 em seu livro Apuntamientos para la historia natural de los páxaros del Paragüay y Rio de la Plata.[5][6] O epíteto específico tem origem no latim significando "melancólico" (que é "mal-humorado").[7]

São reconhecidas três subespécies:[8]

  • T. m. satrapa (Cabanis & Heine, 1860) – sudeste dos Estados Unidos até o norte da Colômbia e da Venezuela e Trindade
  • T. m. despotes (Lichtenstein, MHK, 1823) – nordeste do Brasil
  • T. m. melancholicus (Vieillot, 1819) – norte da América do Sul até o centro da Argentina

Descrição[editar | editar código-fonte]

Um suiriri-tropical adulto mede 22 cm de comprimento, pesa 39 g e tem uma envergadura de asas de 38–41 cm.[9] A cabeça tem coloração cinza-pálido, com uma máscara escura na altura dos olhos, coroa laranja e um pesado bico cinza. As costas são verde-acinzentadas, e a asa e a cauda são marrons. A garganta é mais clara, tornando-se oliva no peito, com a área da barriga para baixo sendo amarela. Os sexos são similares, mas os pássaros jovens têm bordas amarelas claras nas coberteiras das asas.

Comportamento e ecologia[editar | editar código-fonte]

Os suiriris-tropicais aparentam ser monogâmicos. Na maior parte da distribuição da espécie, são residentes permanentes e ficam juntos em pares o ano inteiro.(Sibley 2014)

O habitat de reprodução da espécie é de áreas semiabertas com árvores e arbustos, incluindo jardins e acostamentos. O suiriri gosta de observar as suas redondezas a partir de um poleiro aberto proeminente, geralmente no alto de uma árvore, fazendo voos longos para acrobaticamente pegar insetos no ar, às vezes pairando para pegar comida na vegetação.[10][11] Eles também comem frutos de diversas espécies, como de tamanqueiro (Alchornea glandulosa), Annonaceae, Cymbopetalum mayanum e gumbo-limbo (Bursera simaruba);[11][12] forrageando por estes mesmo em habitat degradado. Como eles se mantêm principalmente nos níveis superiores das árvores, eles têm pouco benefício em seguir bandos mistos no sub-bosque.[13]

Essas aves defendem agressivamente o seu território contra intrusos, incluindo de espécies muito maiores como tesourões, tucanos, carcarás ou gaviões. Em um estudo realizado no Parque Nacional de La Macarena da Colômbia, o parasitismo por microfilárias e tripanossomas foi raramente registrado em suiriris.[14]

O macho e a fêmea inspecionam juntos potenciais locais de nidificação antes de selecionar o lugar, normalmente uma forquilha no alto de uma árvore (até 20 metros de altura), mas às vezes apenas alguns metros acima da água.(Sibley 2014) A fêmea constrói um ninho raso e volumoso de aparência desleixada feito de vinhas, radículas, galhos, ervas daninhas e gramíneas; é sem revestimento ou revestido com pelos. Os ninhos medem cerca de 13 cm de largura e 7,5 cm de altura, com o buraco interno de aproximadamente 7,5 cm de largura e 4 cm de profundidade.[15]

A fêmea incuba de dois a quatro ovos por aproximadamente 16 dias, e os filhotes ganham penas em 18 ou 19 dias. Os ovos são esbranquiçados ou rosa pálido com quantidades variáveis de manchas escuras.[15]

Conservação[editar | editar código-fonte]

O suiriri-tropical é um dos habitantes mais difundidos e visíveis de floresta aberta, bordas de mata, e terras agrícolas do sudoeste dos Estados Unidos ao centro da Argentina (Jahn, Stouffer, & Chesser, 2013). Como resultado, essa espécie é considerada pouco preocupante e sua população está aumentando, de acordo com a IUCN.[1] De acordo com a Partners in Flight, as estimativas globais da população reprodutora do suiriri é de cerca de 200 milhões. Eles classificam a espécie como 4 de 20 na escala de preocupação continental, indicando que esta espécie é de baixa preocupação para a conservação.[16]

Referências

  1. a b BirdLife International (2016). «Tyrannus melancholicus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T22700485A93779037. Consultado em 2 de Janeiro de 2020 
  2. Paixão, Paulo (Verão de 2021). «Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo» (PDF) 2.ª ed. A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2022 
  3. «suiriri (Tyrannus melancholicus) | WikiAves - A Enciclopédia das Aves do Brasil». www.wikiaves.com.br. Consultado em 4 de julho de 2022 
  4. Vieillot, Louis Jean Pierre (1817). Nouveau dictionnaire d'histoire naturelle, appliquée aux arts, à l'agriculture, à l'économie rurale et domestique, à la médecine, etc. (em francês). Tomo 35. Paris: Deterville. pp. 84–85 
  5. Azara, Félix de (1805). «Num. CXCVIII Del Suirirí-Guazú». Apuntamientos para la historia natural de los páxaros del Paragüay y Rio de la Plata (em espanhol). Volume 2. Madrid: Imprenta de la Hija de Ibarra. p. 152 
  6. Traylor Jr., Melvin A., ed. (1979). Check-List of Birds of the World. Volume 8. Cambridge, Massachusetts: Museum of Comparative Zoology. p. 223 
  7. Jobling, James A. (2010). The Helm Dictionary of Scientific Bird Names. Londres: Christopher Helm. p. 246. ISBN 978-1-4081-2501-4 
  8. Gill, Frank; Donsker, David; Rasmussen, Pamela, eds. (Julho de 2020). «Tyrant flycatchers». IOC World Bird List Version 11.1. International Ornithologists' Union. Consultado em 24 de Maio de 2021 
  9. «Tyran mélancolique - Tyrannus melancholicus - Tropical Kingbird». www.oiseaux.net (em inglês). Consultado em 26 de Setembro de 2020 
  10. de A. Gabriel, Vagner & Pizo, Marco A. (2005): Foraging behavior of tyrant flycatchers (Aves, Tyrannidae) in Brazil. Revista Brasileira de Zoologia 22 (4): 1072–1077. doi:10.1590/S0101-81752005000400036 PDF fulltext
  11. a b Pascotto, Márcia Cristina (2006): Avifauna dispersora de sementes de Alchornea glandulosa (Euphorbiaceae) em uma área de mata ciliar no estado de São Paulo. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (3): 291–296. PDF fulltext Arquivado 2010-11-02 no Wayback Machine
  12. Foster, Mercedes S. (2007): The potential of fruiting trees to enhance converted habitats for migrating birds in southern Mexico. Bird Conservation International 17 (1): 45–61. doi:10.1017/S0959270906000554
  13. Machado, C. G. (1999): A composição dos bandos mistos de aves na Mata Atlântica da Serra de Paranapiacaba, no sudeste brasileiro [Mixed flocks of birds in Atlantic Rain Forest in Serra de Paranapiacaba, southeastern Brazil]. Revista Brasileira de Biologia 59 (1): 75–85. doi:10.1590/S0034-71081999000100010 PDF fulltext
  14. Basto, Natalia; Rodríguez, Oscar A.; Marinkelle, Cornelis J.; Gutierrez, Rafael & Matta, Nubia Estela (2006): Haematozoa in birds from la Macarena National Natural Park (Colombia). Caldasia 28 (2): 371–377. [1]
  15. a b Sibley 2014.
  16. Partners in Flight 2017.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ffrench, Richard; O'Neill, John Patton & Eckelberry, Don R. (1991): A guide to the birds of Trinidad and Tobago (2nd edition). Comstock Publishing, Ithaca, N.Y.. ISBN 0-8014-9792-2
  • Hilty, Steven L. (2003): Birds of Venezuela. Christopher Helm, London. ISBN 0-7136-6418-5

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Skutch, Alexander F. (1960). «Tropical kingbird» (PDF). Life Histories of Central American Birds II. Col: Pacific Coast Avifauna, Number 34. Berkeley, California: Cooper Ornithological Society. pp. 349–352 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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