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Sultanato Oatácida

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Sultanato Oatácida
1472 — 1554 

Sultanato Oatácida e áreas sob sua influência
Capital Fez
Países atuais

Língua oficial
Religião Islamismo sunita
Moeda

Período histórico Idade Moderna
• 1472  Fundação
• 1554  Batalha de Tadla

O Sultanato Oatácida — também referido nas fontes como Watássida, Uatácida ou Banu Uatas (بنو الوطاس, Banū al-Waṭṭās) — foi um Estado islâmico governado por uma dinastia berbere de origem zeneta que dominou partes de Marrocos entre 1472 e 1554. Os oatácidas sucederam o Sultanato Merínida e antecederam o Sultanato Saadiano, governando a partir de Fez em um período marcado por crise política interna, declínio econômico e crescente pressão das potências ibéricas no litoral atlântico.[2]

Contexto histórico

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A ascensão oatácida ocorreu no contexto do enfraquecimento do poder merínida no século XV, caracterizado por instabilidade política, revoltas urbanas e perda de controle territorial. A fragmentação da autoridade central reduziu a capacidade do Estado marroquino de responder às pressões externas e às disputas internas.[2]

Simultaneamente, a expansão marítima ibérica no Atlântico comprometeu as rotas comerciais transaarianas e costeiras, afetando diretamente as receitas fiscais e aprofundando a crise estrutural do sultanato.[3]

Formação do sultanato

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Os oatácidas eram originalmente uma família berbere integrada à elite administrativa merínida, da qual vários membros exerceram o cargo de vizir. Após a revolta de Fez de 1465 e a morte do último sultão merínida efetivo, os oatácidas consolidaram o controle do norte de Marrocos.[2]

A proclamação de Abu Abedalá Xeique Maomé ibne Iáia como sultão, em 1472, marcou o início formal do Sultanato oatácida. O novo regime manteve a continuidade administrativa e simbólica do período anterior, embora com domínio territorial limitado.[4]

Governo e política externa

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O governo oatácida caracterizou-se por uma política predominantemente defensiva e diplomática. A ocupação portuguesa de cidades como Safim, Agadir e Mazagão reduziu severamente a autonomia econômica do sultanato.[3]

A partir de 1526, os oatácidas reconheceram uma forma de vassalagem simbólica ao Império Otomano, buscando legitimação política e proteção diplomática frente às potências cristãs.[4]

Conflito com os saadianos

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No sul de Marrocos, a Dinastia Saadiana emergiu como força política e militar alternativa, conquistando Marraquexe em 1524 e obtendo prestígio ao enfrentar os portugueses. A oposição entre a política conciliatória oatácida e o discurso religioso-militar saadiano intensificou o conflito interno.[4]

Durante a década de 1540, os saadianos avançaram sobre os territórios do norte, culminando na tomada de Fez em 1554.[5]

Queda do sultanato

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A derrota final dos oatácidas ocorreu após a Batalha de Tadla (1554), quando o sultão Ali Abu Hassun foi executado. O episódio marcou o fim do Sultanato oatácida e a consolidação do poder saadiano sobre Marrocos.[4][5]

Economia e sociedade

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O sultanato enfrentou uma crise econômica prolongada, associada ao declínio das rotas comerciais e à perda dos portos atlânticos. As cidades sofreram empobrecimento progressivo e retração da vida intelectual.[4]

São conhecidos poucos exemplares de moedas oatácidas, incluindo dinars de ouro e dirrãs de prata, alguns mantendo padrões herdados do período almóada.[6]

A dinastia

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Vizires oatácidas

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  • 1421–1448 — Abu Zacaria Iáia Uatassi
  • 1448–1458 — Ali ibne Iúçufe
  • 1458–1459 — Iáia ibne Abi Zacaria Iáia
  • 1465–1472 — Período de anarquia política em Fez

Sultões oatácidas

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Historiografia e interpretações

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A historiografia contemporânea interpreta o Sultanato oatácida como um regime de transição, marcado por limitações estruturais profundas, mas também por esforços de adaptação a um contexto geopolítico adverso, situado entre a expansão ibérica e a reorganização do poder islâmico no Magrebe.[2][4]

Ver também

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Referências

  1. Brancato, Dario (2014). Translators, Interpreters, and Cultural Negotiators. [S.l.]: Palgrave Macmillan. pp. 64–65 
  2. a b c d Bosworth, C. E. (1996). The New Islamic Dynasties. [S.l.]: Columbia University Press. p. 48 
  3. a b Newitt, Malyn (2005). A History of Portuguese Overseas Expansion. [S.l.]: Routledge 
  4. a b c d e f Abun-Nasr, Jamil M. (1987). A History of the Maghrib in the Islamic Period. [S.l.]: Cambridge University Press 
  5. a b an-Nasiri, Ahmad ibne Khalid. Al-Istiqsa li-Akhbar duwal al-Maghrib al-Aqsa. [S.l.: s.n.] 
  6. Album, Stephen (1998). A Checklist of Islamic Coins. [S.l.: s.n.]