Túmulo do Papa Alexandre VII

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Túmulo do Papa Alexandre VII
Autor Gian Lorenzo Bernini
Data 1671-1678 (342 anos)
Género Escultura de Mármore
Localização Basílica de São Pedro

O Túmulo do Papa Alexandre VII é um monumento escultural projetado e parcialmente executado pelo artista italiano Gian Lorenzo Bernini. Está localizado no transepto sul da Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano. A obra foi encomendada pelo próprio Papa Alexandre VII. No entanto, a construção do monumento começou apenas em 1671 e foi completada em 1678, onze anos após a morte do Papa.[1] Com 81 anos, este foi o último grande trabalho realizado por Bernini antes de sua morte, em 1680.

Composição[editar | editar código-fonte]

O monumento é composto por seis figuras principais. No parte superior, o Alexandre está ajoelhado em oração. Abaixo, Bernini confeccionou quatro estátuas femininas em mármore branco que representam virtudes do Pontífice. Em primeiro plano, a caridade é representada à esquerda com uma criança em seus braços. Na direita está a estátua que representa a verdade, cujo pé repousa sobre um globo, mais precisamente sobre a Inglaterra, onde o Papa Alexandre se esforçou para controlar o crescimento do anglicanismo. Em segundo plano, na parte posterior do monumento, são representadas a prudência e a justiça. Abaixo de Alexandre, há a representação da figura da morte em bronze dourado, envolta em uma capa ondulante de jaspe siciliano.[2] Ela levanta uma ampulheta, simbolizando a passagem do tempo. A ampulheta também é um símbolo artístico da expressão latina "memento mori", que pode ser traduzida como "lembrança da morte", ou "lembrar que irá morrer". O plinto da estátuas é preto, como sinal de luto pela morte do Papa.[2] A extensa capa ondulante de jaspe siciliano escuro contrasta com as figuras de mármore branco.

Quando Bernini precisava de uma grande quantidade de matéria-prima para um trabalho não podia depender exclusivamente do mármore recuperado de edifícios antigos e, portanto, optava por utilizar também outros tipos de materiais. Dessa forma, escolheu o jaspe siciliano vermelho para esta obra. Entretanto, mesmo que essa decisão tenha se baseado em uma necessidade do artista, Bernini conseguiu, a partir dos diferentes materiais, desenvolver uma relação contrastante entre as figuras que compõem o monumento. O mármore branco, representando um sentimento mais puro em torno das estátuas do Papa e das quatro virtudes, contrasta com a expressão dramática da morte, destacada em dourado, dando ênfase ao seu significado.[3]

Execução[editar | editar código-fonte]

Desde o início de seu pontificado, Alexandre sabia que precisaria de um túmulo monumental para imortalizá-lo. Como seus predecessores, encomendou o monumento ao já célebre artista Gian Lorenzo Bernini. A primeira menção à obra no diário papal é de 9 de agosto de 1656.[1][4] Após sua morte, o projeto foi coordenado e pago pelo sobrinho de Alexandre, o cardeal Flavio Chigi.[5] Durante o papado de Clemente IX, a ideia era de que o túmulo fosse colocado no coro da Basílica de Santa Maria Maior. Entretanto, após a morte de Clemente, esta ideia foi abandonada e o projeto foi alterado para a Basílica de São Pedro. O túmulo deveria ser colocado em um local contendo uma porta no transepto sul. Bernini, então, destacou a estátua da morte dispondo-a pendurada ligeiramente sobre a porta, uma vez que não podia ser movida.[6][4]

Bernini começou então a trabalhar no projeto do túmulo, tendo várias versões anteriores sobrevivido, estando preservados até hoje. Um projeto inicial, feito no estúdio do artista, está guardado na Biblioteca Real de Windsor.[4] Dois outros pequenos esboços de argila foram preservados: um da estátua da caridade, no Instituto de Belas Artes, em Siena, e um do papa ajoelhado, no Museu Vitória e Alberto, em Londres.[5]

O monumento foi confeccionado por Bernini juntamente com seus assistentes, tendo os últimos realizado a maior parte do trabalho sob supervisão direta do artista.[6] Entre os assistentes estavam Giuseppe Mazzuoli, Lazzaro Morelli, Giulio Cartari, Michele Maglia e L. Balestri.[2][4] Bernini, provavelmente, trabalhou mais intensamente na estátua do Papa. Conhecido por seus retratos esculturais, é provável que tenha sido ele quem executou os retoques finais no rosto de Alexandre.[4]

A construção foi iniciada em dezembro de 1671, com modelos de argila e madeira do tamanho real do túmulo. O último pagamento registrado a Bernini data de 9 de abril de 1672. Após receber seu pagamento, enviou, em 23 de julho desse mesmo ano, seus desenhos para a pedreira especificando o tamanho dos blocos de mármore.[5] Todavia, quando o túmulo estava quase concluído, o Papa Inocêncio XI solicitou que a nudez da estátua da verdade e os seios da estátua da caridade fossem vestidos.[1][4] A última obra de Gian Lorenzo Bernini foi, finalmente, concluída e revelada em 1678.[5]

Referências

  1. a b c Mormando, Franco (2011). Bernini: His Life and His Rome. Chicago; Londres: University of Chicago Press. ISBN 978-0-2265-3851-8 
  2. a b c Suffi, Nicolo. St Peter's: Guide to the Basilica and Square. [S.l.]: Libreria Editrice Vaticana; The Glass Press. ISBN 978-8-8209-2480-5 
  3. Borsi, Franco (1984). Bernini. Nova York: Rizzoli. ISBN 978-8-8828-9445-0 
  4. a b c d e f Wittkower, Rudolf (1997). Bernini: The Sculptor of the Roman Baroque 4 ed. Londres: Phaidon Press. ISBN 978-0-7148-3715-4 
  5. a b c d Koortbojian, Michael (1991). «Disegni for the Tomb of Alexander VII». Journal of the Warburg and Courtauld Institutes. 54: 268-273. doi:10.2307/751499 
  6. a b Mezzatesta, Michael P.; Preimesberger, Rudolf. Bernini. [S.l.]: Grove Art Online 


O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Túmulo do Papa Alexandre VII