TUE Série 5000 (Fepasa)

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TUE Francorail/Cobrasma 5000
TUE SERIE 5000 CPTM - Comandante Sampaio.jpg
TUE Série 5000 alinhando em Comandante Sampaio
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Período de serviço 1978–presente
Fabricante Francorail/Cobrasma/MTE/Brown Boveri/Traction Cem Oerlikon/Jeumont Schneider
Período de construção 1978–1980
Período de renovação 1999–2000/2013
Total construídos 48 (288 carros)
Formação 12 carros (2 TUEs de 6)
Operador FEPASA (1978–1992)
CPTM (1992–atualmente)
Linhas SEM SERVIÇO
Especificações
Corpo Aço Inox
Portas 8 por carro (4 de cada lado)
Potência 828 kW
Captação de energia Catenária
Bitola 1.600 mm

O TUE Francorail/Cobrasma-Série 5000 (CPTM) é um trem unidade elétrico pertencente ao material rodante da CPTM.

História[editar | editar código-fonte]

Projeto e Construção (1973-1980)[editar | editar código-fonte]

TUE Série 5000 - Linha 8 (fabricado pela Cobrasma de Osasco, sob licença da empresa francesa Francorail)
Trem da série Z6400 da SNCF.

O projeto desse trem surgiu no início dos anos 1970 quando o governo paulista, comandado por Laudo Natel, contratou a empresa francesa Sofrerail (atual Systra) para realizar estudos de remodelação dos trens de subúrbios da FEPASA. Após os estudos e posterior lobby, o então presidente da ferrovia paulista, general Jaul Pires de Castro, recomendou a aquisição de 60 trens de 4 vagões da indústria francesa. A compra dos trens foi aprovada pelo então secretário de transportes Paulo Maluf, que chegou a levar os contratos e a proposta para que fossem avalizados pelo presidente Geisel. Em janeiro de 1975, a FEPASA e um consórcio de fabricantes de equipamentos ferroviários franceses (Francorail) chegaram a assinar um contrato no valor de US$ 200 milhões para o fornecimento de 60 trens de passageiros de aço inox, com cada trem possuindo 2 vagões motor e 2 reboque, equipados com ar condicionado, bancos estofados e sistema de controle de tração tipo 'chopper'. [1]

O projeto sofreu uma reviravolta poucos meses depois, após a posse do novo governador, Paulo Egydio, que mandou o novo secretário de transportes revisar o contrato de financiamento com o banco Crédit Lyonnais, quando o mesmo estava prestes a ser assinado pelo então embaixador do Brasil na França Antônio Delfim Netto. Segundo a gestão Martins, o contrato assinado na França tinha um custo de cerca de US$ 900 mil por trem enquanto que a RFFSA estava adquirindo trens similares da indústria nacional por US$ 400 mil a 500 mil cada. Após acusações de corrupção rapidamente abafadas pelo regime militar, o contrato sofreu reduções de escopo e financiamento além do aumento de 60 para 100 trens de 3 vagões cada e a inclusão da indústria nacional no projeto.[2]

A Francorail utilizou parcialmente o projeto da série Z 6400 da SNCF para acelerar a fabricação dos trens para a FEPASA, que vivia uma situação cada vez mais precária nas suas linhas de subúrbio. Foi formado um consórcio franco-brasileiro para a fabricação de 100 trens unidade. O consórcio Construtor de Trens Unidade (CCTU) era formado pelas empresas Francorail, Société MTE , Brown Boveri (atual ABB), Traction CEM Oerlikon, Jeumont Schneider e a brasileira Cobrasma.[3]

O Trem unidade elétrico foi fabricado entre 1978 e 1980 pelo consórcio CCTU, que o nomeou série 9000. As 20 primeiras unidades (de um total de 100) foram totalmente fabricadas na França, sendo as 80 restantes montadas no Brasil pela Cobrasma, nas fábricas de Osasco e Sumaré.[4]

Operação (1979-2012)[editar | editar código-fonte]

Série 5000 (UI-5017) modernizado em 2000 e pintado no padrão metropolitano (Azul).

A operação oficial foi iniciada em uma cerimônia pelos 425 anos da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 1979, marcando o início dos novos trens metropolitanos.[5]

Na metade da década de 80, a FEPASA renomeou toda a sua frota de carros, e assim, os chamados "trens franceses" foram renumerados dentro da Série 5000. Sua numeração passou a ser UI 5XXX, onde o UI significava "Unidade Inoxidável" seguida da série do trem (Série 5000) mais dos números de identificação de cada TUE (sequencial).[6]

Em 1992, a operação das linhas da FEPASA foram repassadas à nova empresa CPTM, que operava as linhas Oeste e Sul da FEPASA, porém os valores arrecadados na bilheteria eram repassados à FEPASA. Somente no ano de 1996 a CPTM passou a operar totalmente as novas Linhas B & C (atuais 8 - Diamante & 9 - Esmeralda). A série 5000 já foi a maior frota da CPTM, sendo que cada composição possuía 12 carros, divididos em 2 trens de 6 carros. Entre 1999 e 2000, algumas unidades foram modernizadas, dentro âmbito do programa Quinquenal de Modernização e Remobilização de Frota (PQMR)[7]. Com o plano de modernização da Linha 8, a série 5000 passou a ser substituída pela nova Série 8000, processo concluído em fins de 2012.[8]

TUE Série 5400 (CPTM)[editar | editar código-fonte]

TUE Francorail/Cobrasma 5400
CPTM - Série 5400 IPV.jpg
TUE Série 5400 na estação Itapevi, 2016.
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Período de serviço 2013–presente
Fabricante Francorail/Cobrasma/MTE/Brown Boveri/Traction Cem Oerlikon/Jeumont Schneider
Período de construção 1999–2000/2013
Total construídos 6 (24 carros)
Formação Atual: 4 carros (1 TUE de 4)
Operador FEPASA (1978–1992)
CPTM (1992–atualmente)
Linhas 8cinza.png Diamante – Extensão Operacional[9]
Especificações
Corpo Aço Inox
Portas 8 por carro (4 de cada lado)
Potência 828 kW
Captação de energia Catenária
Bitola 1.600 mm

O TUE Francorail/Cobrasma-Série 5400 (CPTM) é um trem-unidade elétrico pertencente ao material rodante da CPTM.[10]

História[editar | editar código-fonte]

Em meados de 2013, seis unidades da série 5000 foram adaptadas com 4 carros e receberam novo padrão de identidade visual da CPTM. Porém estiveram em testes até operar oficialmente na Extensão Operacional da Linha 8-Diamante, entre Itapevi e Amador Bueno, a partir de abril de 2014 até a atualidade, como a série 5400.[11][12].

Acidentes e Incidentes[editar | editar código-fonte]

  • 29 de dezembro de 1980 - Colisão entre 2 trens metropolitanos entre as estações Lapa e Barra Funda. Saldo de 238 feridos e perda total de alguns vagões; [13]
  • 8 de dezembro de 1984 - Colisão entre trem metropolitano 9018 e trem de carga puxado por locomotiva elétrica da série 2100 causa a morte de 3 pessoas e ferimentos em outras 50. O acidente ocorreu entre as estações de Cidade Universitária e Pinheiros. [14]
  • 26 de dezembro de 1984 - Choque entre trem metropolitano e trem cargueiro à oeste da estação Jandira. O acidente causou a morte de 3 pessoas e ferimentos em outras 43. Por conta da ocorrência de dois acidentes em menos de 30 dias, o então diretor presidente da FEPASA Cyro de Laurenza pede demissão do cargo; [15]
  • 4 de setembro de 1995 - Choque entre locomotiva da FEPASA e trem metropolitano à leste da estação Domingos de Moraes deixa um saldo de 4 feridos. Com o impacto e o descarrilhamento, o muro de um quartel do Exército ao lado da linha acabou destruído. [16]
  • 24 de novembro de 2000 - Choque entre trem e ônibus em passagem de nível da estação Antonio João mata 1 pessoa e fere 17; [17]
  • 29 de janeiro de 2004 - Trem descarrilha em aparelho de mudança de via (AMV) entre as estações Imperatriz Leopoldina e Presidente Altino. Um dormente colocado no AMV por vandalismo foi a causa do acidente.[18]
  • 25 de dezembro de 2006 - Uma bomba explode em um trem na estação Engenheiro Cardoso, ferindo uma pessoa. [19]
  • 26 de janeiro de 2012 - Duas composições da série 5000 chocam-se e descarrilham a oeste da estação Engenheiro Cardoso. Apesar do impacto ser considerado moderado, 6 pessoas ficam feridas e uma das composições é declarada em perda total;[20]

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «SP compra 60 trens suburbanos». Folha de S. Paulo. 1 de janeiro de 1975. Consultado em 25 de dezembro de 2015 
  2. MELLO, Karla Reis Cardoso de (2000). Transporte Urbano de Passageiros: As Contradições do Poder Público. [S.l.]: Café Editora Expressa. pp. 259 (p. 161) 
  3. Antonio Augusto Gorni (2003). «1969-1995: Anos de Desalento». A Eletrificação das Ferrovias Brasileiras. Consultado em 3 de fevereiro de 2018 
  4. Antonio Augusto Gorni (22 de junho de 2002). «1969-1995: Anos de Desalento». A Eletrificação nas Ferrovias Brasileiras. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  5. «Todos queriam ver os novos trens». Folha de S. Paulo, ano 57, edição 18195, página 9. 26 de janeiro de 1979. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  6. João Bosco Setti (1 de maio de 1993). «Codificação de veículos ferroviários no Brasil». Centro Oeste. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  7. CPTM (2013). «PQMR II» (PDF). As Claras. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  8. CPTM (2012). «Balanço Patrimonial» (PDF). Imprensa Oficial do estado de São Paulo. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  9. Dayane Priscila (2 de agosto de 2019). «CPTM desmente ida da série 2100 para a extensão da Linha 8-Diamante». Rede Noticiando. Consultado em 4 de agosto de 2019 
  10. «Série 5400». Portal CPTM. Consultado em 9 de novembro de 2017. Arquivado do original em 12 de junho de 2018 
  11. Renato Lobo (19 de julho de 2013). «CPTM prepara trens para volta da extensão operacional da Linha 8-Diamante». Via Trólebus. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  12. Caio do Valle (23 de abril de 2014). «Com atraso, Alckmin reinaugura trecho da CPTM com menos estações». O Estado de S. Paulo. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  13. «No choque de trens, 238 feridos». Folha de S. Paulo, ano 59, edição 18899, página 1. 30 de dezembro de 1980. Consultado em 17 de outubro de 2018 
  14. Ralph Mennucci Giesbrecht (19 de fevereiro de 2017). «Pinheiros». Estações Ferroviárias. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  15. «Choque de trens mata 3; presidente da Fepasa demite-se». Folha de S. Paulo, ano 64,edição 20358, página 19. 28 de dezembro de 1984. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  16. «Colisão entre trem e locomotiva deixa 4 feridos». Folha de S. Paulo, Ano 75, edição 24261, Carderno Via SP, página A2. 5 de setembro de 1995. Consultado em 15 de abril de 2018 
  17. Fabiane Leite (25 de novembro de 2000). «Choque entre trem e ônibus mata 1 e fere 17». Folha Online. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  18. Isabelle Moreira Lima (30 de janeiro de 2004). «Vandalismo causa descarrilamento de trem». Folha Online. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  19. «Bomba explode em trem da CPTM e fere garoto gravemente». Estadão. 25 de dezembro de 2006. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  20. «Alckmin diz que acidente entre trens em Itapevi terá 'apuração imediata'». G1-SP. 27 de janeiro de 2012. Consultado em 28 de novembro de 2018 
  21. photobucket.com/gallery/user/Francorail/media/bWVkaWFJZDoyMjU5NTkyNA==/?ref=
  22. «Cronologia». Frateschi. 2014. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  23. «Trens Metropolitanos». Frateschi. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  24. autobr (24 de julho de 2011). Linha VW 1993: Comercial Antigo (Gol Parati Voyage Santana Saveiro). YouTube 
  25. Lucas Rodrigues Pires (10 de maio de 2004). «De Passagem e o olhar contemplativo pela periferia». Digestivo Cultural. Consultado em 8 de fevereiro de 2019 
  26. Marcelo Hessel (29 de abril de 2004). «De Passagem-Crítica». Omelete. Consultado em 8 de fevereiro de 2019 
  27. «CPTM estará no roteiro da tocha Pan-Americana». Portal do Governo. 3 de julho de 2007. Consultado em 9 de novembro de 2017 
  28. Secretaria de Comunicação (8 de julho de 2007). «Prefeito participa da cerimônia da passagem da Tocha Pan-americana». Prefeitura de São Paulo. Consultado em 9 de novembro de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]