Rede Excelsior

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Rede Excelsior de Televisão
Televisão Excelsior S.A.
Montagem de um dos logotipos da TV Excelsior.
Tipo Rede de televisão comercial aberta
País  Brasil
Fundação 9 de julho de 1960 (56 anos)
por Mário Wallace Simonsen
Extinção 1 de outubro de 1970 (46 anos)
Proprietário Família Simonsen
Cidade de origem São Paulo São Paulo, SP
Sede Bandeira da cidade de São Paulo.svg São Paulo, SP
Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Slogan Eu também estou no 9 (SP)
Onde você só vê o que é bom (RJ)
Cobertura 9 estados e o Distrito Federal
Emissoras próprias São Paulo TV Excelsior São Paulo
Rio de Janeiro TV Excelsior Rio de Janeiro
Disponibilidade aberta e gratuita
Analógico
02 VHF (Goiânia, Recife e Rio de Janeiro)
03 VHF (Brasília)
06 VHF (Campo Grande)
07 VHF (Belo Horizonte)
08 VHF (Brasília e Uberlândia)
09 VHF (São Paulo)
12 VHF (Curitiba e Porto Alegre)

Rede Excelsior foi uma rede de televisão brasileira cuja primeira emissora, a TV Excelsior de São Paulo, entrou no ar em 9 de julho de 1960. Fechou as portas em definitivo em 30 de setembro de 1970. A rede de televisão pertencia ao empresário Mário Wallace Simonsen, sócio da Panair do Brasil.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Reeleito democraticamente na eleição presidencial de 1950, Getúlio Vargas iniciou um processo de quebrar a hegemonia das oligarquias que comandavam os principais meios de comunicações do Brasil. Um dos seus beneficiados foi o radialista Vitor Costa, que depois de uma carreira vitoriosa na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, adquiriu a Rádio Mayrink Veiga, embrião da Organização Vitor Costa.[2] No final da década de 1950, o grupo detinha as concessões das rádios Excelsior e Nacional e do canal TV Paulista na São Paulo e havia conseguido junto ao governo Juscelino Kubitschek para um segundo canal de televisão na cidade, a futura TV Excelsior.[nota 1]

O exportador de café José Luís Moura, que almejava um canal de televisão em sua cidade, Santos associou-se a Vitor Costa.[2] Com a intermediação do jornalista João de Scantimburgo, Moura se aproximou do também empresário cafeicultor e santista Mário Wallace Simonsen, que assim como ele, queria uma emissora de televisão, moderna e em formato de rede nacional.[3] Simonsen comprou a parte de Vitor Costa na TV Excelsior[3] e se juntou a Scantimburgo, Moura e o deputado federal Ortiz Monteiro para comandar o novo canal.

A concessão foi adquirida por Cr$ 80 milhões (cruzeiros), valor extremamente elevado para época. Além da concessão, foram adquiridos um pequeno lote de equipamentos entre os quais figurava algumas câmeras, uma torre e um transmissor. O sistema de transmissão foi instalado na esquina da rua da Consolação com a avenida Paulista, os estúdios na avenida Adolfo Pinheiro e a área comercial e administrativa na região do centro da cidade.

Excelsior no Ar[editar | editar código-fonte]

Cine Astória, sede da Excelsior no Rio.

A Excelsior entrou no ar em 9 de julho de 1960, com uma programação centrada em jornalismo, séries e filmes estrangeiros. Concorria com a TV Tupi e a TV Cultura, pertencentes ao empresário Assis Chateaubriand (a Cultura hoje pertence à instituição pública Fundação Padre Anchieta), que comandava o complexo dos Diários Associados; com a TV Paulista das Organizações Victor Costa, e com a TV Record da família de Paulo Machado de Carvalho. Distinguia-se de suas concorrentes pela pontualidade nos horários da programação. Seu primeiro diretor artístico foi Álvaro Moya com o auxílio de Manoel Carlos e Abelardo Figueiredo.

A recém-inaugurada emissora alugou o Teatro Cultura Artística, na Rua Nestor Pestana - em São Paulo - conseguindo assim estúdios e auditórios respeitáveis. Com o novo espaço, vieram novas atrações, entre elas programas humorísticos, de auditório e musicais, como o Brasil 60 em 1960 com Bibi Ferreira (que nos anos subsequentes as versões Brasil 61, 62 e 63). Primeira televisão brasileira a se utilizar tanto da programação horizontal, em que a mesma atração é exibida no mesmo horário todos os dias e a programação vertical, em que a atração que sucede a anterior visa manter o público desta por afinidade de conteúdo, torna-se dentro de seis meses de operação a líder de audiência na cidade de São Paulo.

Em 1962, constrói um grande estúdio no bairro de Vila Guilherme na Rua Dona Santa Veloso, 575 (onde mais tarde seria o SBT (1981-1996) e atualmente (desde 2002) funciona a Igreja Bíblica da Paz), em São Paulo e adquire equipamentos modernos.

Foi em 1962 que se tornou a primeira emissora no país a tentar transmitir em cores. O sistema utilizado foi o NTSC americano e o primeiro programa em cores foi o Moacyr Franco Show, de Moacyr Franco. A TV Tupi somente transmitiria em cores em 1964, quando começou a transmitir o seriado Bonanza aos sábados. A TV Record também começaria a transmitir em cores a partir do seriado Bonanza. O Sistema NTSC não decolou no Brasil, pois os receptores em cores eram muito caros. A primeira transmissão oficial, já com o sistema Germano-Brasileiro PAL-M, foi realizada pela Rede Record e TV Rio, em parceria com a Rede Globo, Rede Tupi e TV Bandeirantes, a partir da TV Difusora de Porto Alegre, em 1972, com a Festa da Uva de Caxias do Sul.

Ocupou o espaço do antigo Cine Astória na Rua Visconde de Pirajá - Ipanema. Em 1963, comprou a concessão do canal 2 do Rio de Janeiro, até então pertencente à Rádio Mayrink Veiga, que nunca desenvolveu sua estação de TV. E assim, a Excelsior começa a implantar o conceito de rede de televisão no Brasil, visto que a TV Tupi de São Paulo encarava sua homônima do Rio como concorrente. A TV Excelsior canal 2 do Rio entrou no ar em 02 de setembro de 1963, com o programa "O Rio é o Show" com apresentação da atriz Maria Fernanda e a presença de vários cantores da época como, por exemplo, Jorge Ben Jor (na época seu nome era Jorge Ben), Booker Pittman e sua filha Eliana Pittman, Sílvio César, Miltinho, Os Cariocas e outros artistas. Foi no auditório da TV Excelsior do Rio em Ipanema que produziu-se vários programas humorísticos por excelência, como o legendário Show Times Square, A Cidade Se Diverte, Gira o Mundo Gira (com Chico Anysio), My Fair Show, Vovo Deville com artistas como Walter D'Ávila, Ema D'Ávila, Dorinha Duval, Waldir Maia, Lilian Fernandes, Annik Malvil, Myriam Pérsia, Castrinho, Hugo Brando, Geraldo Barbosa, Roberto Guilherme, Marinalva, Hamilton Ferreira, Ary Leite, Jaime Filho, Paulo Celestino, Flávio Cavalcanti, Daniel Filho, Zellia Hoffman, Iza Rodrigues, Aizita Nascimento e vários outros comediantes famosos da época.

A TV Excelsior do Rio foi também responsável por vários programas de esportes como: Telecatch Vulcan, com Ted Boy Marino, Verdugo e Mongol; Dois no Ring e jogos de futebol transmitidos do Maracanã em vídeo tape no próprio caminhão da emissora, antes de terminar o segundo tempo (nos anos sessenta, as emissoras de televisão eram proibidas de transmitir jogos locais ao vivo). Foi na TV Excelsior do Rio que grandes cantores como Elis Regina e Gilberto Gil iniciaram a carreira através de programas como Show Dois na Bossa e O Brasil Canta no Rio. A TV Excelsior do Rio inovou no telejornalismo ao lançar o noticioso Jornal de Vanguarda, criado pelo jornalista Fernando Barbosa Lima, que trazia vários locutores e comentaristas em uma linguagem leve e coloquial. A TV Excelsior do Rio também lançou séries famosas como: Jornada nas Estrelas, Quinta Dimensão, Dr. Kildare, Casey Jones, Missão Impossível e outras mais. A Excelsior usava da tecnologia do vídeo tape, novidade da época, para distribuir programas que eram exibidos na mesma hora pelas várias TV afiliadas. A Excelsior do Rio de Janeiro vieram se juntar outras em Belo Horizonte, (TV Vila Rica), Porto Alegre (TV Gaúcha) e Brasília (TV Nacional) entre outras.

Também de criação da TV Excelsior são jingles musicais para anunciar a próxima atração, previsão do tempo e a hora certa. A emissora foi a primeira a ter um logotipo: dois círculos e uma circunferência que formavam um triângulo voltado para baixo. Suas mascotes eram duas crianças chamadas de Ritinha e Paulinho, que protagonizaram diversas vinhetas.

Crise e fim da TV Excelsior[editar | editar código-fonte]

Em 1964, a Excelsior passou por uma grande crise, sob pressão da ditadura militar, que a forçou a tirar programas do ar, os quais traziam renda à emissora, junto com a Panair do Brasil, empresa da qual Mário Wallace Simonsen era sócio. Tal crise se deveu à perseguição feita pela ditadura às empresas do grupo Simonsen, em virtude deste ter apoiado o presidente democraticamente eleito João Goulart, que sofreu o Golpe de Estado de 1964, dando início à ditadura militar no Brasil.

Mário Wallace Simonsen era um liberal democrata que se colocava na defesa da liberdade de expressão e da legalidade. Formado na tradição inglesa, acreditava no poder da constitucionalidade, contrastando com a visão tecnocrática dos militares responsáveis pelo Golpe de 1964.

Por isso, o telejornalismo da Excelsior apoiava a democracia, a legalidade e o presidente democraticamente eleito, logo, a ditadura militar não poderia tolerar a Excelsior e maquinou para destruí-la.

A censura imposta à imprensa, no caso da Excelsior, era exposta ao público: seus diretores não reeditavam vários programas que tinham partes vetadas pela censura, e, às vezes, exibiam, no lugar das partes censuradas, os seus mascotinhos com as bocas e os ouvidos tapados, com a legenda "CENSURADO". Isso irritava os elementos da ditadura militar, que não podiam admitir que suas atividades de repressão fossem desnudadas ao público geral.

Para acentuar a crise, o empresário Celso Rocha Miranda perdeu as concessões de voo da Panair dois anos depois. Cinco dias depois, a Panair "falia", por ato emitido pela ditadura militar brasileira.

A Excelsior, sem dinheiro e com a conta estourada, é vendida ao Grupo Folha de S. Paulo, que a devolve aos antigos donos pouco tempo depois. Em 1969, TV Excelsior era um nome que não podia ser dito no governo militar, pois ela estava perseguida, endividada e abandonada. Ocorreram ainda dois incêndios na TV Excelsior em uma única semana. Um foi simples, de pequeno porte, destruindo apenas um pequeno cenário. O segundo foi na sexta-feira e destruiu boa parte do acervo (não todo como muitos falam).

No final do ano, a emissora perdia mais dinheiro e se encontrava na decadência. A partir daí, a emissora só teve mais problemas com o governo da ditadura: perdeu cerca de 170 milhões de Cruzeiros só em impostos e outras dívidas.

Em 1º de outubro de 1970, a Excelsior se encontrava à beira da falência. Por volta das 18h40, Ferreira Neto invade o estúdio, que estava transmitindo um programa humorístico (Adélia e Suas Trapalhadas), e anuncia aos telespectadores que o governo da ditadura decretara o fim da Excelsior. Naquele momento, na central da Excelsior, estavam alguns técnicos do DENTEL, que lacraram as antenas de transmissão e assim, tiraram a emissora do ar. A Rede Excelsior acabava ali.

Judicialmente, a Excelsior tinha o prazo máximo de até 15 de dezembro de 1970 para "acertar as contas" com o governo Médici, ou seja, pagar no mínimo metade de tudo o que devia. No fim do prazo, a estação não havia pago nem 1% de tudo que devia. No dia 15 de dezembro, as concessões outorgadas à Excelsior foram cassadas.

Treze anos depois de o canal 9 ficar fora do ar, Adolpho Bloch da Bloch Editores ganha a concorrência aberta pelo Governo Militar com a falência da TV Tupi, incluindo também a concessão da Excelsior. Era o começo da Rede Manchete, emissora com padrão diferenciado da Excelsior.

Cinco anos depois do canal 2 do Rio sair do ar, o Governo Militar ganha a própria concorrência para transmissão de uma emissora educativa, a TVE Brasil, que imediatamente se associa com a TV Nacional e a TVE Maranhão, e 19 anos mais tarde, com a TV Cultura e outras emissoras públicas. Hoje, o canal 2 abriga a matriz da rede TV Brasil. Coincidentemente, a TV Nacional de Brasília também era afiliada a Excelsior. Tanto a antiga TVE quanto a TV Brasil também eram emissoras de padrão diferenciado da Excelsior, por operarem uma programação voltada à cultura, à educação e ao serviço público.

Nova Excelsior[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2013, o jornal O Estado de S.Paulo divulgou que o Ministério das Comunicações havia protocolado um pedido do empresário Paulo Masci de Abreu em 31 de outubro daquele ano para outorgar a extinta TV Excelsior.[4] O pedido possibilita a retomada da concessão de um canal no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.[4]

Legado[editar | editar código-fonte]

Com o incêndio em 1969 que destruiu a emissora, que estava abandonada e endividada, a maior parte do acervo de imagens foi destruída. Entretanto, mesmo assim, grande parte do arquivo já tinha sido apagado para gravar programas em cima dos programas antigos (prática comum, já que a fita de videotape era cara).

Alguns anos depois, misteriosamente, o caminhão de externas e parte do acervo foram parar na TV Gazeta. Atualmente, o acervo está dividido em alguns lugares: a própria TV Gazeta, a Rede Globo, a Cinemateca Brasileira (que cuida do acervo da TV Tupi-SP) e a TV Cultura (que também tem parte do acervo da Tupi).

Algumas cenas de programas da TV Excelsior foram exibidas no especial TV Ano 50, tais como: Redenção, A Pequena Órfã (a Globo reexibiu esta novela em 1971), Sangue do Meu Sangue (que ganhou nova versão exibida pelo SBT em 1995), além dos programas Times Square e Brasil 61, apresentado por Bibi Ferreira.

Didi e Dedé[editar | editar código-fonte]

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Didi e Dedé foi o primeiro programa humorístico da dupla Didi e Dedé, exibido pela TV Excelsior entre 1964 e 1965.

Esse foi o início, e o salto para um sucesso que acabou atravessando gerações da dupla protagonizada por Renato Aragão e Dedé Santana. Nessa época áurea, os cacos e improvisações de diversos quadros, como esquetes, já eram exibidos. Os programas não tinham cortes, nem censuras.

Dedé era o ator escada para Renato - aquele que prepara a graça, para o companheiro também rir. Esse foi o início de uma grande amizade da dupla.

O programa foi transmitido no horário noturno, na TV Excelsior, com de mais uma hora de duração. Devido ao sucesso do programa contínuo, Renato e Dedé lançam os primeiros filmes campeões de bilheteria, o longa-metragem "Na Onda do Iê-iê-iê" e "A Pedra do Tesouro", ambos exibidos no mesmo ano.

Slogans[editar | editar código-fonte]

  • 1960-1970: Eu também estou no 9. (São Paulo)
  • 1962: Onde você só vê o que é bom. (Rio de Janeiro)

Emissoras[editar | editar código-fonte]

Próprias[editar | editar código-fonte]

Afiliadas[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A posse de mais de um canal de TV por um mesmo grupo não era proibida pelas leis da época.

Referências

  1. http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/1336.html
  2. a b Álvaro de Moya (2010). Glória in Excelsior (PDF). ascensão, apogeu e queda do maior sucesso da televisão brasileira (São Paulo, SP: Imprensa Oficial). p. 31. ISBN 978-85-7060-922-9. 
  3. a b Álvaro de Moya (2010). Glória in Excelsior (PDF). ascensão, apogeu e queda do maior sucesso da televisão brasileira (São Paulo, SP: Imprensa Oficial). p. 32. ISBN 978-85-7060-922-9. 
  4. a b «Patrão de José Dirceu aguarda por concessão de TV». O Estado de S.Paulo. 28 de novembro de 2013. Consultado em 28 de março de 2014. 
Precedido por
-
TV Excelsior São Paulo
1960-1970
Sucedido por
Fora do ar 1970 á 1983
No ar entre 1983 á 1999

TV Manchete São Paulo

Precedido por
-
TV Excelsior do Rio
1963-1970
Sucedido por
Fora do ar 1970 á 1975
No ar entre 1975 á 2007

TVE Brasil do Rio