TV Rio

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TV Rio
Rádio e Televisão Rio Ltda.

Radiodifusão Ebenezer Ltda.

TV Rio.jpg
Rio de Janeiro, RJ
Brasil
Tipo Empresa privada
Cidade de concessão Rio de Janeiro1908.gif Rio de Janeiro, DF
Canais 13 VHF analógico
Sede Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Avenida Atlântica - Copacabana

Rua Miguel de Frias 57 Cidade Nova

Slogan Carioquíssima
Rede Emissoras Unidas, REI (1955-1972)
Independente (1972-1977; 1988-1992)
Record (1992-1995 - Em diante)
Fundador João Batista do Amaral e Paulo Machado de Carvalho(fase de 1955)
Nilson Fanini, Cláudio Macário e Múcio Athayde(fase de 1988)
Fundação 1955 (primeira fase); 1988 (segunda fase)
Extinção 1977 (primeira fase); 1992 (segunda fase)
Sucessora TV Record RJ
Prefixo ZYB-513

A TV Rio foi uma emissora de televisão brasileira sediada na cidade do Rio de Janeiro, capital do Estado homônimo. [nota 1] Em suas duas fases - tanto a de 1955, quanto a de 1987 - ocupou o canal 13 VHF, e era localizada no prédio do antigo Cassino Atlântico, localizado na Avenida Atlântica, no bairro de Copacabana. Na fase posterior, passou a ter como sede um imóvel tombado na Cidade Nova.

História[editar | editar código-fonte]

Primeira fase (1955-1977)[editar | editar código-fonte]

Esteve no ar entre 1955 e 1977. Foi transmitida pelo canal 13 VHF, cuja concessão atualmente pertence à TV Record Rio de Janeiro. Na primeira fase, a TV Rio tinha uma programação própria, mas trocava produções com a TV Record de São Paulo, da família Machado de Carvalho -- João Batista "Pipa" do Amaral, fundador da TV Rio, era cunhado de Paulo Machado de Carvalho.

Essa associação era chamada de Emissoras Unidas. Em 1967, passou a se chamar REI (Rede de Emissoras Independentes). Algum tempo mais tarde, em 1972, a TV Rio deixa a REI e associa-se à TV Difusora (Porto Alegre), canal 10. A parceria rendeu, na época, a primeira transmissão a cores da TV no Brasil, com a cobertura, em março de 1972, da Festa da Uva, direto de Caxias do Sul (RS).

Fizeram parte do elenco de artistas da emissora nomes hoje consagrados, como Chacrinha, Norma Benguell, Moacyr Franco, Dercy Gonçalves, Consuelo Leandro, Ronald Golias, Flávio Cavalcanti e Chico Anysio. A TV Rio foi destaque naqueles tempos com seus programas de humor.

A TV Rio produziu programas que ainda hoje estão na memória de muitos telespectadores. Na década de 50, antes do surgimento da tecnologia do vídeo-tape, Família Boaventura e Histórias do Dom Gatão, séries exibidas ao vivo, tiveram boa repercussão. Os programas eram realizados em auditório, com a presença de plateia. Nos anos 60, programas humorísticos fizeram sucesso: O Riso é o Limite, Teatro Psicodélico e Chico Anysio Show.

A emissora carioca colocou no ar também programas na linha de variedades, como Noite de Gala, Espetáculos Tonelux, Show 713, Rio, cinco pras cinco, Pergunte ao João, Show Sem Limites, Rio é Pra Valer e O Domingo é Nosso. Trouxe do teatro de revista famosas vedetes, como Carmem Verônica, Dorinha Duval e Virgínia Lane, que atuaram nos programas Show Praça Onze e Noites Cariocas, musicados por João Roberto Kelly.

Foi também a primeira emissora de televisão do Brasil a dar atenção aos noticiosos, exibindo telejornais de sucesso, como Correspondente Vemag e Telejornal Pirelli, ambos dirigidos por Walter Clark e apresentados por Léo Batista e Heron Domingues. Tinha também uma equipe esportiva de qualidade, liderada por Armando Nogueira.

A TV Rio também exibia programas dirigidos ao público jovem, tais como Hoje é Dia de Rock, Brotos no Treze e Rio Jovem Guarda, apresentados, entre outros, por Jair de Taumaturgo e Carlos Imperial. A TV Rio recebeu cantores internacionais famosos na época, que se apresentaram em programas especiais. Entre eles, Rita Pavone, Trini Lopez, Connie Francis, Gigliola Cinquetti, Sergio Endrigo, Brenda Lee, The Platters, Chris Montez, Tom Jones, entre outros.

O canal 13 exibia ainda programas infantis. Muitos deles ficaram famosos, como Clube do Tio Hélio, Clube do Capitão Aventura, A Turma do Zorro, Comandante Meteoro e Programa Pullman Junior. Foi a TV Rio, também, a responsável pela primeira exibição no Brasil, em 1964, da série japonesa National Kid, considerada o maior sucesso infantil da década de 60 na televisão. Estrearam na tela da TV Rio outras séries de destaque, como Os Intocáveis, Bat Masterson, Família Adams, Aventuras Submarinas, Joias da Tela, James West e Além da Imaginação.

A TV Rio produziu também algumas telenovelas, a maioria escrita por Nelson Rodrigues, que usava o pseudônimo Verônica Blake. Se destacaram A Morta sem espelho, Pouco amor não é amor, Sonho de amor, Acorrentados, Comédia Carioca, A Herança do Ódio, O Porto dos Sete Destinos e O Desconhecido.

No final de 1964, a TV Rio comprou os direitos de exibição no Rio de Janeiro da telenovela O Direito de Nascer, produzida pela TV Tupi de São Paulo, que acabou sendo um dos maiores sucessos em audiência da televisão brasileira até hoje, pois atingiu, na época, no último capítulo, o índice de 99,75% dos televisores ligados. Devido a grande audiência, a emissora promoveu a festa de encerramento da novela, em agosto de 1965, no Maracanãzinho, que teve transmissão direta para São Paulo. Na oportunidade, se apresentaram César de Alencar e Adalgisa Colombo, além da participação do elenco da novela. Tal fato resultou na demissão da direção da TV Tupi do Rio de Janeiro, que rejeitara a telenovela por achar que a mesma não teria audiência, visto já ter sido apresentada pelo rádio, alguns anos antes.

Outros programas da TV Rio também conseguiram audiência recorde, como Buzina do Chacrinha, em 1962, que alcançou 99,6% dos televisores ligados; o humorístico Noites Cariocas, em 1961, que obteve 99%; as séries Os Intocáveis e Bat Masterson, em 1962, que chegaram a 96%; e Riso é o Limite, em 1961, que atingiu 98% de audiência. Esse desempenho fez com que a TV Rio assumisse o slogan "Líder absoluta de audiência".

A TV Rio tinha como mascote o "malandrinho carioca", personagem com olhos sobressaltados e um pandeiro na mão. Era uma contrapartida aos mascotes das concorrentes TV Tupi (o indiozinho), da TV Excelsior (duas crianças) e, mais tarde, da TV Globo (o gato).

A TV Rio foi a primeira emissora de televisão do Brasil a realizar transmissões a longa distância, via UHF. Em 1957, exibiu, no dia 12 de outubro, uma missa direto da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, mantendo uma sub-estação em Guaratinguetá, o canal 12, que retransmitia a programação direto da TV Rio. Outras sub-estações foram criadas, como o canal 12 em Belo Horizonte, a TV Belo Horizonte (hoje TV Globo Minas); o canal 5 em Juiz de Fora, a TV Juiz de Fora (hoje pertencente à TV Integração, da Rede Globo); o canal 2 em Vitória, que depois foi transferido para canal 6, a TV Vitória (que existe até hoje); o canal 3 em Nova Friburgo, a TV Nova Friburgo (hoje SBT Interior RJ); o canal 8 em Campos dos Goitacazes, a TV Campos (hoje InterTV Planície, pertencente à InterTV, afiliada à Rede Globo).

Em 1972, a emissora deixa a Rede de Emissoras Independentes (REI), pois foi vendida para um grupo ligado à Ordem dos Capuchinhos, da Igreja Católica, proprietária da TV Difusora (canal 10) de Porto Alegre. Os novos donos tentaram implantar uma programação baseada em filmes, séries e desenhos, mas a experiência não deu certo, por que muitos deles já haviam sido exibidos por outras emissoras na cidade do Rio de Janeiro.

Em 5 de abril de 1977,[1] a emissora, já endividada, saiu do ar após ter os seus transmissores lacrados por falta de pagamento do aluguel dos cristais à RCA Eletrônica.

Em 1979, a emissora de Porto Alegre acabou sendo vendida para a Rede Bandeirantes.

Segunda fase (1987-1992)[editar | editar código-fonte]

No dia 29 de novembro de 1983, a concessão do canal 13 do Rio de Janeiro é dada à Radiodifusão Ebenézer, controlada pelo pastor Nilson Fanini, tendo como sócio o empresário Cláudio Macário. Pr.Fanini venceu várias empresas nessa licitação como a Editora Abril, o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o grupo Visão. Foi a terceira concessão de canal de televisão dada a uma entidade religiosa no Brasil -- a primeira foi a TV Difusora, de Porto Alegre, concessionada à Ordem dos Capuchinhos; a segunda foi a TV Sudoeste, concessionada à Fundação Cultural Celinauta, em Pato Branco, no Paraná. Ambas católicas. O canal 13 foi o primeiro a ser controlado por um grupo evangélico.

Fanini tinha a ideia de revitalizar a antiga emissora. Em função disso, adquire o direito do nome fantasia, compra o arquivo de imagem da extinta emissora junto aos detentores do mesmo e etc. Convida, então, para tomar a frente dos trabalhos, o produtor e executivo Walter Clark, que havia sido diretor da TV Rio (1956/1965) e da TV Globo Rio de Janeiro (1965/1977). Para iniciar, Walter Clark queria recriar antigos sucessos, como TV Rio é o Show e Sob a Luz do Meu Bairro. Porém, os recursos da Fundação eram poucos. Decide, então, criar uma grade de programação formada por atrações comandadas por locutores de rádios FM. Com isso, os programas eram denominados "radiais". A programação era barata, pois os clips eram fornecidos pelas gravadoras de disco gratuitamente para divulgação. A data de retorno ao ar da TV Rio foi adiada várias vezes ao longo do ano de 1987.

No seu retorno ao ar, a TV Rio adquire um prédio centenário onde funcionava um hospital infantil da Santa Casa da Misericórdia, fechado desde 1975, que ficava na extinta Rua Miguel de Frias 57, na Cidade Nova, onde hoje fica o Centro de Convenções Sulamérica. Ao lado dele ficava a Vila Mimosa e a quadra da escola de samba Estácio de Sá. A sua permanência no local foi fonte de conflitos entre as prostitutas da Vila Mimosa e a TV Rio, pois as mesmas temiam ser despejadas por conta do empreendimento.

No dia 27 de março de 1988, a TV Rio fez um culto no Maracanã com a participação da atriz Darlene Glória, no que seria o pré-retorno da emissora ao ar. Essa pré estreia foi feita com auxilio da TVE - RJ (onde o Fanini gravava e produzia o seu programa Reencontro) e da Rede Manchete (essa cedeu equipamentos e profissionais como permuta em troca de usar o show para gravação do último capítulo da novela Carmen, do qual Darlene Glória atuava), onde nesse culto foi prometido que a TV Rio voltaria ao ar ao longo do mês de abril. Walter Clark não pode ir a esse culto na ocasião, pois estava com a perna quebrada. A TV Rio retorna oficialmente ao ar no dia 1 de junho de 1988, as 13:00, contra a vontade de Clark. Clark e Fanini desentenderam-se antes mesmo da reinauguração da emissora, em 1988. O executivo aguardou apenas a estreia da emissora para pedir demissão e abandonar o projeto, porém ainda ficou um mês após ela entrar ao ar, por insistência do Fanini e do seu sócio Cláudio Macário. Uma das razões do desentendimento foram a falta de recursos técnicos e o fato de a cobertura do sinal está abaixo o esperado, pois a mesma estava com seu transmissor principal em manutenção e operando com transmissor reserva abaixo de 5KW. Isso irritou Walter Clark, pois a emissora não tinha condições de ser inaugurada naquelas condições. Fanini e Macário aceleraram na ocasião o retorno precário da TV Rio ao ar naquela data, pois o prazo de retorno ao ar dado pelo Dentel estava vencendo, e senão entrasse no ar o mais breve possível, a TV Rio perderia a concessão novamente. Em função da precariedade dos equipamentos de transmissão e infraestrutura, a TV Rio passou por vários problemas financeiros e administrativos que quase levaram a emissora a encerrar as atividades ainda no primeiro mês de retorno ao ar. Em função da grave crise financeira e administrativa que a TV Rio passava no seu primeiro mês, o então sócio de Fanini, Cláudio Macário e o diretor geral, Walter Clark saem da TV Rio. Em seguida, Nilson Fanini, em um esforço para salvar a emissora, chama para seu sócio o ex-deputado Múcio Athayde, proprietário da TV Goyá em agosto de 1988 e dessa forma salva a TV Rio da falência prematura. Logo que Múcio Athayde assume a sociedade na TV Rio, Athayde troca toda a equipe e a programação conhecida por radiais é substituda por uma programação popular e convencional. Raul Gil chegou a ter uma atração nessa nova fase da emissora (pós - Athayde), apresentando a segunda parte do programa Sábado Especial (a primeira parte era apresentada pelo locutor esportivo José Cunha). A mudança de programação realizada pela equipe contratada por Múcio Athayde permitiu que a TV Rio ganhasse fôlego e tivesse bons índices de audiência.

A TV Rio manteve alguns programas e artistas da época de Walter Clark, como o radialista Afonso Soares, com seu Rio Cidade Alerta e a radialista Adriana Riemer. Programas como o Sábado Especial e outros programas tiveram algum sucesso: Rio Mulher, O Repórter Sem Medo, Rio Urgente, Política Nacional, com Berto Filho, além do bloco esportivo Rio Urgente Esporte.

Placa de inauguração da torre da TV Rio, em 26 de março de 1988.

Dois anos se passaram e a TV Rio patinava na audiência. Em 1989, Fanini e Múcio Athayde, então, com a emissora de Goiânia, montam uma mini-rede. Athayde e Fanini investem no esporte e compram os direitos de transmissão de alguns jogos da Taça Libertadores da América, quando Bahia e Internacional foram os representantes brasileiros. Também em 1989 foi transmitido, pela TV Rio, um torneio chamado Rio, Futebol e Samba, em que os times eram formados por componentes de Escolas de Samba do Rio de Janeiro. As partidas eram realizadas aos domingos, às 9h, no antigo estádio Volney Braune, do América, localizado onde hoje está o Shopping Boulevard Rio, em Vila Isabel. O vencedor desta única edição foi a Mangueira.

A tentativa de salvação da emissora não deu certo e, em 1992, a TV Rio foi vendida à Rede Record de Televisão, passando a se afiliada da Rede Record de Televisão, a partir da venda da parte de Múcio Athayde. Sua programação é então substituida pela da Record só tendo apenas algumas inserções de noticiários locais e horários locados. Ainda sim nessa nova fase, a TV Rio cria um programa jovem e de cultura "nerd", o Top TV, criado por Pedro Henrique Peixoto e aprensentado por Fabíola VillaNova, tendo grande sucesso de audiência e público. Esse programa era transmitido em rede nacional pela Rede Record, o que pode ser considerado o primeiro programa da TV Record Rio para a rede nacional, embora ainda fosse uma transição da TV Rio para TV Record Rio naquele momento. A maior parte dos profissionais da TV Rio são aproveitados nessa nova fase. Um deles, o locutor de chamadas da programação da TV Rio, Sérgio Luis Drodowsky, torna-se locutor oficial da programação da Rede Record ainda em 1992. Fanini sai em definitivo da TV Rio em 1995, ao vender sua parte para Rede Record, que passa a ser dona de 100% da TV Rio. A TV Goyá, de propriedade de Athayde, filiou-se com a Record, sendo adquirida pela mesma em 1994. Ainda em 1995, a TV Rio deixa de existir passando a se chamar TV Record Rio de Janeiro e em 2001 sua razão social é alterada para Televisão Record do Rio de Janeiro LTDA no lugar de Radiodifusão Ebenezer LTDA.

Slogans[editar | editar código-fonte]

  • 1955 - Agora você já pode assistir televisão.
  • 1957 - Objetividade, o 13 voltou a dar.
  • 1960 - "Ligue na Rio e esqueça, está dando o 13 na cabeça."
  • 1988 - " A Carioquíssima"

Notas e referências

Notas

  1. Entre 1955 e 1960, época da primeira fase da emissora, o Rio de Janeiro era a capital federal do país, sendo depois deslocada para Brasília.

Referências

  1. «Fim». Veja. 13 de abril de 1977. Consultado em 12 de setembro de 2012  Página 87.

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]