TV Rio

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TV Rio
Rádio e Televisão Rio Ltda.
Rio de Janeiro, RJ
Brasil
Tipo Empresa privada
Canais
13 VHF analógico
Sede Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Avenida Atlântica - Copacabana
Rede Emissoras Unidas, REI (1955-1977; 1987-1989)
Rede Record (1989-1992)
Fundador João Batista do Amaral (1955)
Nilson Fanini (1977)
Fundação 1955 (primeira fase); 1987 (segunda fase)
Extinção 1977 (primeira fase); 1992 (segunda fase)
Sucessora TV Record RJ (desde 1992)

A TV Rio foi uma emissora de televisão brasileira com sede no Rio de Janeiro. Ela ocupava, em sua primeira fase (1955/1977), o prédio do antigo Cassino Atlântico, localizado na Avenida Atlântica, no bairro de Copacabana. Numa fase posterior, a partir de 1987, a nova TV Rio passou a ter como sede um imóvel tombado na Cidade Nova.

História[editar | editar código-fonte]

Primeira fase[editar | editar código-fonte]

Esteve no ar entre 1955 e 1977. Foi transmitida pelo canal 13 VHF, cuja concessão atualmente pertence à TV Record Rio de Janeiro. Na primeira fase, a TV Rio tinha uma programação própria, mas trocava produções com a TV Record de São Paulo, da família Machado de Carvalho -- João Batista "Pipa" do Amaral, fundador da TV Rio, era cunhado de Paulo Machado de Carvalho.

Essa associação era chamada de Emissoras Unidas. Em 1967, passou a se chamar REI (Rede de Emissoras Independentes). Algum tempo mais tarde, em 1972, a TV Rio deixa a REI e associa-se à TV Difusora (Porto Alegre), canal 10. A parceria rendeu, na época, a primeira transmissão a cores da TV no Brasil, com a cobertura, em março de 1972, da Festa da Uva, direto de Caxias do Sul (RS).

Fizeram parte do elenco de artistas da emissora nomes hoje consagrados, como Chacrinha, Norma Benguell, Moacyr Franco, Dercy Gonçalves, Consuelo Leandro, Ronald Golias, Flávio Cavalcanti e Chico Anysio. A TV Rio foi destaque naqueles tempos com seus programas de humor.

A TV Rio produziu programas que ainda hoje estão na memória de muitos telespectadores. Na década de 50, antes do surgimento da tecnologia do vídeo-tape, Família Boaventura e Histórias do Dom Gatão, séries exibidas ao vivo, tiveram boa repercussão. Os programas eram realizados em auditório, com a presença de plateia. Nos anos 60, programas humorísticos fizeram sucesso: O Riso é o Limite, Teatro Psicodélico e Chico Anysio Show.

A emissora carioca colocou no ar também programas na linha de variedades, como Noite de Gala, Espetáculos Tonelux, Show 713, Rio, cinco pras cinco, Pergunte ao João, Show Sem Limites, Rio é Pra Valer e O Domingo é Nosso. Trouxe do teatro de revista famosas vedetes, como Carmem Verônica, Dorinha Duval e Virgínia Lane, que atuaram nos programas Show Praça Onze e Noites Cariocas, musicados por João Roberto Kelly.

Foi também a primeira emissora de televisão do Brasil a dar atenção aos noticiosos, exibindo telejornais de sucesso, como Correspondente Vemag e Telejornal Pirelli, ambos dirigidos por Walter Clark e apresentados por Léo Batista e Heron Domingues. Tinha também uma equipe esportiva de qualidade, liderada por Armando Nogueira.

A TV Rio também exibia programas dirigidos ao público jovem, tais como Hoje é Dia de Rock, Brotos no Treze e Rio Jovem Guarda, apresentados, entre outros, por Jair de Taumaturgo e Carlos Imperial. A TV Rio recebeu cantores internacionais famosos na época, que se apresentaram em programas especiais. Entre eles, Rita Pavone, Trini Lopez, Connie Francis, Gigliola Cinquetti, Sergio Endrigo, Brenda Lee, The Platters, Chris Montez, Tom Jones, entre outros.

O canal 13 exibia ainda programas infantis. Muitos deles ficaram famosos, como Clube do Tio Hélio, Clube do Capitão Aventura, A Turma do Zorro, Comandante Meteoro e Programa Pullman Junior. Foi a TV Rio, também, a responsável pela primeira exibição no Brasil, em 1964, da série japonesa National Kid, considerada o maior sucesso infantil da década de 60 na televisão. Estrearam na tela da TV Rio outras séries de destaque, como Os Intocáveis, Bat Masterson, Família Adams, Aventuras Submarinas, Joias da Tela, James West e Além da Imaginação.

A TV Rio produziu também algumas telenovelas, a maioria escrita por Nelson Rodrigues, que usava o pseudônimo Verônica Blake. Se destacaram A Morta sem espelho, Pouco amor não é amor, Sonho de amor, Acorrentados, Comédia Carioca, A Herança do Ódio, O Porto dos Sete Destinos e O Desconhecido.

No final de 1964, a TV Rio comprou os direitos de exibição no Rio de Janeiro da telenovela O Direito de Nascer, produzida pela TV Tupi de São Paulo, que acabou sendo um dos maiores sucessos em audiência da televisão brasileira até hoje, pois atingiu, na época, no último capítulo, o índice de 99,75% dos televisores ligados. Devido a grande audiência, a emissora promoveu a festa de encerramento da novela, em agosto de 1965, no Maracanãzinho, que teve transmissão direta para São Paulo. Na oportunidade, se apresentaram César de Alencar e Adalgisa Colombo, além da participação do elenco da novela. Tal fato resultou na demissão da direção da TV Tupi do Rio de Janeiro, que rejeitara a telenovela por achar que a mesma não teria audiência, visto já ter sido apresentada pelo rádio, alguns anos antes.

Outros programas da TV Rio também conseguiram audiência recorde, como Buzina do Chacrinha, em 1962, que alcançou 99,6% dos televisores ligados; o humorístico Noites Cariocas, em 1961, que obteve 99%; as séries Os Intocáveis e Bat Masterson, em 1962, que chegaram a 96%; e Riso é o Limite, em 1961, que atingiu 98% de audiência. Esse desempenho fez com que a TV Rio assumisse o slogan "Líder absoluta de audiência".

A TV Rio tinha como mascote o "malandrinho carioca", personagem com olhos sobressaltados e um pandeiro na mão. Era uma contrapartida aos mascotes das concorrentes TV Tupi (o indiozinho), da TV Excelsior (duas crianças) e, mais tarde, da TV Globo (o gato).

A TV Rio foi a primeira emissora de televisão do Brasil a realizar transmissões a longa distância, via UHF. Em 1957, exibiu, no dia 12 de outubro, uma missa direto da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, mantendo uma sub-estação em Guaratinguetá, o canal 12, que retransmitia a programação direto da TV Rio. Outras sub-estações foram criadas, como o canal 12 em Belo Horizonte, a TV Belo Horizonte (hoje TV Globo Minas); o canal 5 em Juiz de Fora, a TV Juiz de Fora (hoje pertencente à TV Integração, da Rede Globo); o canal 2 em Vitória, que depois foi transferido para canal 6, a TV Vitória (que existe até hoje); o canal 3 em Nova Friburgo, a TV Nova Friburgo (hoje SBT Interior RJ); o canal 8 em Campos dos Goitacazes, a TV Campos (hoje InterTV Planície, pertencente à InterTV, afiliada à Rede Globo).

Em 1972, a emissora deixa a Rede de Emissoras Independentes (REI), pois foi vendida para um grupo ligado à Ordem dos Capuchinhos, da Igreja Católica, proprietária da TV Difusora (canal 10) de Porto Alegre. Os novos donos tentaram implantar uma programação baseada em filmes, séries e desenhos, mas a experiência não deu certo, por que muitos deles já haviam sido exibidos por outras emissoras na cidade do Rio de Janeiro.

Em 5 de abril de 1977,[1] a emissora, já endividada, saiu do ar após ter os seus transmissores lacrados por falta de pagamento do aluguel dos cristais à RCA Eletrônica.

Em 1979, a emissora de Porto Alegre acabou sendo vendida para a Rede Bandeirantes.

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

Na década de 1980, a concessão do canal 13 do Rio de Janeiro é dada à Fundação Igreja Evangélica Ebenézer, controlada pelo pastor Nilson Fanini. Foi a terceira concessão de canal de televisão dada a uma entidade religiosa no Brasil -- a primeira foi a TV Difusora, de Porto Alegre, concessionada à Ordem dos Capuchinhos; a segunda foi a TV Sudoeste, concessionada à Fundação Cultural Celinauta, em Pato Branco, no Paraná. Ambas católicas. O canal 13 foi o primeiro a ser controlado por um grupo evangélico.

Fanini tinha a ideia de revitalizar a antiga emissora. Convida, então, para tomar a frente dos trabalhos, o produtor e executivo Walter Clark, que havia sido diretor da TV Rio (1956/1965) e da TV Globo Rio de Janeiro (1965/1977). Para iniciar, Walter Clark queria recriar antigos sucessos, como TV Rio é o Show e Sob a Luz do Meu Bairro. Porém, os recursos da Fundação eram poucos. Decide, então, criar uma grade de programação formada por atrações comandadas por locutores de rádios FM. Com isso, os programas eram denominados "radiais". A programação era barata, pois os clips eram fornecidos pelas gravadoras de disco gratuitamente para divulgação.

Clark e Fanini desentenderam-se antes mesmo da reinauguração da emissora, em 1987. O executivo aguardou apenas a estreia da emissora para pedir demissão e abandonar o projeto. Mesmo assim, a grade conhecida como "radiais" foi ao ar. Essa fórmula, porém, não apresentou bons resultados, e a nova TV Rio foi obrigada a promover mudanças na programação. Raul Gil chegou a ter uma atração nessa nova fase da emissora, apresentando a segunda parte do programa Sábado Especial (a primeira parte era apresentada pelo locutor esportivo José Cunha).

Além do Sábado Especial, outros programas tiveram algum sucesso: Rio Mulher, O Repórter Sem Medo, Rio Urgente, Política Nacional, com Berto Filho, além do bloco esportivo Rio Urgente Esporte.

Placa de inauguração da torre da TV Rio, em 26 de março de 1988.

Dois anos se passaram e a TV Rio patinava na audiência. Em 1989, Nilson Fanini, em um esforço para salvar a emissora, chama para seu sócio o ex-deputado Múcio Athayde, proprietário da TV Goyá. Monta, então, com a emissora de Goiânia, uma mini-rede. Athayde e Fanini investem no esporte e compram os direitos de transmissão de alguns jogos da Taça Libertadores da América, quando Bahia e Internacional foram os representantes brasileiros. Também em 1989 foi transmitido, pela TV Rio, um torneio chamado Rio, Futebol e Samba, em que os times eram formados por componentes de Escolas de Samba do Rio de Janeiro. As partidas eram realizadas aos domingos, às 9h, no antigo estádio Volney Braune, do América, localizado onde hoje está o Shopping Boulevard Rio, em Vila Isabel. O vencedor desta única edição foi a Mangueira.

A tentativa de salvação da emissora não deu certo e, em 1992, a TV Rio foi vendida à Rede Record de Televisão, passando a se chamar TV Record Rio de Janeiro. A TV Goyá filiou-se com a Record, sendo adquirida pela mesma em 1994.

Slogans[editar | editar código-fonte]

  • 1955: Agora você já pode assistir Televisão
  • 1957: Objetividade, o 13 voltou a dar

Referências

  1. «Fim». Veja. 13 de abril de 1977. Consultado em 12 de setembro de 2012  Página 87.

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

  • O Fim da TV Rio
  • O campeão de audiência, Walter Clark com Gabriel Priolli, Editora Best Seller,1991.