TV Tupi São Paulo

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TV Tupi São Paulo
Rádio Difusora de São Paulo S. A.
São Paulo, SP
Brasil
Tipo Comercial
Canais 4 VHF analógico
Outros canais 3 VHF (1950–1960)
Sede São Paulo, SP
Rede Tupi
Fundador(es) Assis Chateaubriand
Pertence a Diários Associados
Antigo(s) proprietário(s) Assis Chateaubriand (1950–1968)
Presidente João Calmon
Fundação 18 de setembro de 1950
Extinção 18 de julho de 1980
Prefixo PRF 3 (1950-1970)
ZYE 439 (1970-1977)
ZYB 855 (1977-1980)
Nome(s) anterior(es) TV Tupi-Difusora
Cobertura Região Metropolitana de São Paulo

TV Tupi São Paulo foi uma emissora de televisão brasileira sediada em São Paulo, capital do estado homônimo. Operou no canal 4 VHF e era uma emissora própria e geradora da Rede Tupi. Inaugurada pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand em 18 de setembro de 1950, foi a primeira emissora de televisão do país, a segunda da América Latina e a quarta do mundo. Pertencia aos Diários Associados, um dos mais importantes conglomerados de mídia da época, do qual faziam parte vários jornais, revistas e rádios. Durante maior parte de sua existência, operou a programação de rede juntamente à TV Tupi Rio de Janeiro. Devido a seu histórico de problemas administrativos e financeiros, além de atrasos nos pagamentos e greves de seus funcionários, teve sua concessão cassada, juntamente com outras filiais, em julho de 1980.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em 1949, os Diários Associados iniciaram a expectativa para a montagem de uma emissora de televisão na cidade de São Paulo. A direção técnica do projeto ficou a cargo de Mário Alderighi, com a assistência de Jorge Edo, que viajaram aos Estados Unidos para conhecer a estrutura de um canal de TV junto aos técnicos da RCA. Já Dermival Costa Lima foi convidado a ser o diretor artístico da futura emissora, tendo como assistente Cassiano Gabus Mendes.

Inauguração (1950)[editar | editar código-fonte]

Quase dois anos depois da experiência pioneira de Olavo Bastos Freire, Assis Chateaubriand, o Chatô, presidente dos Diários Associados, e alguns radialistas escolhidos treinaram e decidiram se aventurar no mundo da televisão. Foi então que em 18 de setembro de 1950, com equipamentos trazidos do Porto de Santos, era inaugurada exatamente às 22h00, a PRF-3, que logo ganharia o nome TV Tupi-Difusora. Os estúdios eram pequenos, o equipamento precário, mas o nascimento da emissora foi solene. Chateaubriand presidiu a cerimonia que contou com a participação de um cantor mexicano, Frei José Mojica, que entoou "A canção da TV", hino composto pelo poeta Guilherme de Almeida, que contou também com a atriz Lolita Rodrigues, especialmente para a ocasião. Um balé de Lia Marques e declamação da poetisa Rosalina Coelho, nomeada madrinha do "moderno equipamento" fizeram parte do show. A jovem atriz Yara Lins foi convocada especialmente para dizer o prefixo da emissora — PRF-3 — e o de uma série de rádios que transmitiam em cadeia o acontecimento. A seguir entrou a programação na tela dos cinco aparelhos instalados no saguão do prédio dos Diários Associados.

Foi fundada em 18 de setembro de 1950 por Assis Chateaubriand, sendo a única emissora de televisão em todo o Brasil até o início de 1951, quando foi inaugurada a TV Tupi Rio de Janeiro, outra emissora própria dos Diários Associados. O monopólio como única emissora de São Paulo foi quebrado em 1952 com a inauguração da TV Paulista, canal 5 VHF. A Tupi SP operou no canal 3 até 1960, quando deixou o canal após interferências de sinal com a TV Cultura, passando a operar no canal 4 com os prefixos ZYE 439 (1970-1977) e ZYB 855 (1977-1980) até seu fechamento, em 18 de julho de 1980, quando a Tupi SP e mais seis concessões da Rede Tupi foram cassadas.

Em 16 de julho, a matriz paulista e mais seis emissoras da rede foram declaradas extintas[1] pelo Governo Federal. Por volta das 11 horas de 18 de julho, três engenheiros do DENTEL e quatro agentes da Polícia Federal chegaram à sede da TV Tupi em São Paulo para retirar os cristais e lacrar seus transmissores, tirando a emissora do ar em definitivo. O mesmo processo ocorreu nas capitais onde as emissoras filiais foram declaradas peremptas pelo governo.[2]

Posteriormente[editar | editar código-fonte]

As concessões das sete emissoras associadas, que pertenciam aos Diários Associados, foram devolvidas ao Ministério das Comunicações, que divulga, em 23 de julho, os termos do edital para concorrência pública em cada cidade. Em São Paulo, tiveram interesse os empresários Victor Civita, então presidente do Grupo Abril, e Silvio Santos e Paulo Machado de Carvalho, que participaram da licitação em conjunto. Além disso, os ex-funcionários da Tupi na capital paulista enviam um ofício ao ministro da Comunicação Social Said Farhat, exigindo a execução imediata das dívidas da empresa, pedindo também um possível arreto dos bens dos membros do Condomínio Acionário. Esta medida evitaria o desvio dos equipamentos e do patrimônio da emissora.[3]

Em 19 de março de 1981, foi anunciado pelo então ministro Haroldo Corrêa de Mattos que os empresários Silvio Santos e Adolpho Bloch eram os vencedores da licitação. Silvio já tinha sua própria emissora na cidade do Rio de Janeiro, a TVS, e ganhou as concessões de São Paulo, de Belém e de Porto Alegre, que além da antiga TV Continental integrariam o Sistema Brasileiro de Televisão no mesmo ano, enquanto Bloch ganhou as do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, de Fortaleza e de Recife, além da concessão da extinta TV Excelsior de São Paulo, inaugurando a Rede Manchete em 1983.

Em São Paulo, a Torre Assis Chateaubriand, localizada ao lado da antiga sede da Tupi, que teve sua construção iniciada em 1979 pela própria emissora, foi concluída em 1982 pelo SBT, utilizando-a até os dias atuais para transmitir seu sinal. Em 1985, o Grupo Abril passou a ser proprietário das instalações do antigo prédio da Tupi. Em 1989, o grupo inicia suas atividades no ramo da radiodifusão com a criação da TV Abril, que um ano depois serviu para começar a operar a MTV Brasil em sociedade com a Viacom. Em 2013, a marca da MTV no Brasil passa a ser de propriedade exclusiva da Viacom, fazendo com que o canal da Abril fosse extinto e substituído pela Ideal TV, que depois foi vendida para o Grupo Spring de Comunicação.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «TV Tupi perde concessão de 7 das 9 TVs». O Estado de S. Paulo. 17 de julho de 1980 
  2. «Acervo Digital - Folha de S.Paulo». Folha de S.Paulo. Consultado em 3 de janeiro de 2020. Ler tópico "Com muito choro, as TVs Associadas saem do ar". 
  3. «Acervo Digital - Folha de S.Paulo». Folha de S.Paulo. Consultado em 3 de janeiro de 2020. Ler tópico "Editais para adquirir as TVs Associadas saem hoje". 
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