Tabu

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O tabu era, originalmente, uma instituição de fundamento religioso que atribuía caráter sagrado a determinados seres, objetos ou lugares, interditando qualquer contato com eles. Posteriormente, o termo passou a designar qualquer tipo de proibição.[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra é de origem polinésia. Deriva do tonganês tabu e do maori tapu, termos que se referem à proibição de determinado ato, com base na crença de que tal ato invadiria o campo do sagrado, implicando em perigo ou maldição para os indivíduos comuns. O termo foi primeiramente registrado pelo capitão James Cook durante sua visita a Tonga em 1771. Foi, então introduzido na língua inglesa, difundindo-se posteriormente para outras línguas. Embora os tabus tenham sido inicialmente associados às culturas polinésias do Pacífico Sul, os tabus estão ou estiveram presentes em praticamente todas as sociedades.[2]

Gravura representando mulheres de Tonga por volta de 1800. Tonga foi o primeiro lugar onde foi registrado o uso do termo "tabu".

Interpretações do conceito[editar | editar código-fonte]

Segundo Sigmund Freud, o tabu é a base da "Idolatria" e a violação desse interdito provocaria um castigo divino, uma "Maldição", uma "Herança Maldita", que incidiria sobre o indivíduo culpado ou sobre todo o grupo social. Para Freud e Levi-Strauss, o tabu expressaria um sentimento coletivo sobre um determinado comportamento ou assunto, dividindo um ambiente entre "amigos" de um lado e "inimigos" do outro lado. Segundo Sigmund Freud, o incesto e o patricídio seriam os únicos tabus universais a nível individual, constituindo a base da civilização.[3] Todavia, embora o canibalismo, o assassinato dentro do mesmo grupo de parentesco e o incesto sejam tabus na maioria das sociedades, pesquisas posteriores encontraram exceções para todos eles: portanto, não se conhece nenhum tabu que seja universal.[4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11]

Tabu linguístico[editar | editar código-fonte]

O tabu, em linguística, é a imposição de uma proibição de dizer nomes de certas coisas ou pessoas. Normalmente, para escapar aos tabus, utilizam-se eufemismos ou disfemismos.[12]

Os tabus da linguagem dividem-se em três grupos, de acordo com o uso ou a motivação psicológica: uns são devido ao medo, outros a um sentimento de delicadeza e outros, ainda, a um sentido de decência e decoro.[carece de fontes?]

Os tabus de medo têm a ver com o pavor em relação aos seressobrenaturais, que impuseram tabus sobre seus nomes, como, por exemplo, o demônio. As criaturas e as coisas vulgares dotadas de qualidades sobrenaturais podem tornar-se alvo de terror e tabus. Os nomes dos objetos inanimados podem também ser afetados por uma proibição tabu.

Os tabus de delicadeza derivam da tendência a evitar referência direta a assuntos desagradáveis, tais como a doença, a morte ou defeitos físicos e mentais.

Os tabus de decência são geralmente associados a sexo e/ou Moral. Chamam-se tabuísmos as palavras, locuções ou acepções tabus, consideradas chulas, grosseiras ou ofensivas demais na maioria dos contextos.[13]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 638.
  2. Encyclopædia Britannica: taboo (em inglês).
  3. FREUD, Sigmund (1913). Totem et Tabu (em francês) .
  4. Jones, Ashley. "Incest in Ancient Egypt" (PDF). 
  5. Strong, Anise (2006). "Incest Laws and Absent Taboos in Roman Egypt". Ancient History Bulletin [S.l.: s.n.] 20. 
  6. Lewis, N. (1983). Life in Egypt under Roman Rule Clarendon Press [S.l.] ISBN 0-19-814848-8. 
  7. Frier, Bruce W.; Bagnall, Roger S. (1994). The Demography of Roman Egypt (Cambridge, UK: Cambridge University Press). ISBN 0-521-46123-5. 
  8. Shaw, B. D. (1992). "Explaining Incest: Brother-Sister Marriage in Graeco-Roman Egypt". Man, New Series [S.l.: s.n.] 27 (2): 267–299. JSTOR 2804054. 
  9. Hopkins, Keith (1980). "Brother-Sister Marriage in Roman Egypt" (PDF). Comparative Studies in Society and History [S.l.: s.n.] 22 (3): 303–354. doi:10.1017/S0010417500009385. 
  10. remijsen, sofie. "Incest or Adoption? Brother-Sister Marriage in Roman Egypt Revisited" (PDF). 
  11. Scheidel, W. "Brother-sister marriage in roman Egypt" (PDF). 
  12. Tabus linguísticos do português do Brasil. Por Alfredo Maceira Rodríguez.
  13. Priberam Dicionário. Disponível em http://www.priberam.pt/dlpo/tabu%C3%ADsmo. Acesso em 15 de janeiro de 2016.
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