Tabuinha de execração de Pela

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Sebastião Gonçalves de Souza, conhecido pelo nome Tabuinha, nascido em 28 de janeiro de 1897, no município de Minas Novas, as margem do Rio Jequitinhonha. Foi casado com três mulheres, sendo a primeira Maria Xavier com ela teve 12 filhos; a segunda Raimunda dois filhos;a terceira dona Sebastiana teve sete filhos. Nascido no inicio da formação da República dos Estados Unidos do Brasil, apesar de residir numa região pobre do vale do Jequitinhonha, ele conheceu a televisão, o rádio e o telefone, tecnologia essa, percursora do século XX. Nunca frequentou a escola e era um cidadão conhecidíssimo no vale do Jequitinhonha. A sua descendência espalhou por todos os estados brasileiros , a maioria habitam o município de Leme do Prado, concentrando em grande maioria no distrito de Posses. Um homem que viveu no século passado, faleceu em 1984 já avançado de dias, possui nos municípios vizinhos como Minas Novas, Turmalina, Botumerim, Chapada do Norte, Berilo, etc uma das maior família da Região, somando mais de 500 descendentes.

A Execração de Pela, do prof. Radcliffe G. Edmonds III (Bryn Mawr College).

A Tabuinha de execração de Pela é uma maldição ou conjuro (em grego: κατάδεσμος, katadesmos) inscrita numa prancha de chumbo, que data do século IV ou III a.C. Foi encontrada em Pela (à época, capital do reino da Macedônia) em 1986 e publicada em the Hellenic Dialectology Jornal em 1993. É possivelmente o único texto testemunhado da língua macedônia antiga (O. Masson).

É um feitiço mágico ou conjuro de amor escrito por uma mulher, possivelmente chamada Dagina, cujo amante Dionisofonto (Dionysophōn, "a voz de Dioniso") está aparentemente a ponto de se casar com Thétimas ou Thétima ('a que honra aos deuses'; a forma padrão ática seria Theotimē). Dagina invoca "Mácron e os demônios" (parkattithemai makrōni kai [tois] daimosi, que em ático seria para-kata-tithemai) para conseguir que Dionisofonto se despose com ela em vez de com Thétima, e para que nunca se despose com outra mulher, a menos que ela mesma recupere e desenvolva o rolo.

Os katadesmoi eram execrações escritas sobre material não perecível, como chumbo, pedra ou argila cozida, e eram enterrados em segredo para assegurar a sua integridade física, que garantiria a permanência dos seus pretendidos efeitos.

A língua é uma forma severa mas claramente identificável do dialeto dórico, e o baixo status social da sua autora, como é evidenciado pelo seu vocabulário e crença na magia, alude a uma forma única de dórico falada por leigos em Pela, à época em que a tabuinha foi escrita.

Brixhe e Panayotou [1] acreditam que é provável a origem macedônia do texto, mas sugestionam que a população de Pela não era homogeneamente autóctone, e preferem esperar por um segundo achado antes de fazer uma declaração definitiva.

Antes da publicação das conclusões da tabela, em 1993, sugeriu-se que o dórico poderia ter sido falado na Macedônia pré-helênica como um segundo dialeto além de um dialeto macedônio (Rhomiopoulou, 1980).

Texto e tradução[editar | editar código-fonte]

  • [ΘΕΤΙ]ΜΑΣ ΚΑΙ ΔΙΟΝΥΣΟΦΩΝΤΟΣ ΤΟ ΤΕΛΟΣ ΚΑΙ ΤΟΝ ΓΑΜΟΝ ΚΑΤΑΓΡΑΦΩ ΚΑΙ ΤΑΝ ΑΛΛΑΝ ΠΑΣΑΝ ΓΥ
No casamento oficial de [Theti]mas e Dionisofonto eu escrevo esta maldição, e a todas as demais
  • [ΝΑΙΚ]ΩΝ ΚΑΙ ΧΗΡΑΝ ΚΑΙ ΠΑΡΘΕΝΩΝ ΜΑΛΙΣΤΑ ΔΕ ΘΕΤΙΜΑΣ ΚΑΙ ΠΑΡΚΑΤΤΙΘΕΜΑΙ ΜΑΚΡΩΝΙ ΚΑΙ
esposa[s], viúvas e virgens, mas a Thétima em particular, eu as confio a Mácron e
  • [ΤΟΙΣ] ΔΑΙΜΟΣΙ ΚΑΙ ΟΠΟΚΑ ΕΓΟ ΤΑΥΤΑ ΔΙΕΛΕΞΑΙΜΙ ΚΑΙ ΑΝΑΓΝΟΙΗΝ ΠΑΛLΙΝ ΑΝΟΡΟΞΑΣΑ
a[os] demônios, que somente quando desenterre e desenrole e releia isto,
  • [ΤΟΚΑ] ΓΑΜΑΙ ΔΙΟΝΥΣΟΦΩΝΤΑ ΠΡΟΤΕΡΟΝ ΔΕ ΜΗ ΜΗ ΓΑΡ ΛΑΒΟΙ ΑΛΛΑΝ ΓΥΝΑΙΚΑ ΑΛΛ Η ΕΜΕ
[então] elas poderão desposar Dionisofonto, mas não antes; e que nunca possa desposar -se com outra mulher além [de mim];
  • [ΕΜΕ Δ]Ε ΣΥΝΚΑΤΑΓΗΡΑΣΑΙ ΔΙΟΝΥΣΟΦΩΝΤΙ ΚΑΙ ΜΗΔΕΜΙΑΝ ΑΛΛΑΝ ΙΚΕΤΙΣ ΥΜΩΝ ΓΙΝΟ
e [eu] possa envelhecer junto a Dionisofonto e ninguém mais. Eu [sou] a vossa suplicante:
  • [ΜΑΙ ΦΙΛ]ΑΝ ΟΙΚΤΙΡΕΤΕ ΔΑΙΜΟΝΕΣ ΦΙΛ[Ο]Ι ΔΑΓΙΝΑΓΑΡΙΜΕ ΦΙΛΩΝ ΠΑΝΤΩΝ ΚΑΙ ΕΡΗΜΑ ΑΛΛΑ
tende compasão de [vosso amado], queridos demônios, Dagina (?), pois abandonei todos os meus amados.
  • (....)Α ΦΥΛΑΣΣΕΤΕ ΕΜΙΝ Ο[Π]ΩΣ ΜΗ ΓΙΝΕΤΑΙ ΤΑ[Υ]ΤΑ ΚΑΙ ΚΑΚΑ ΚΑΚΩΣ ΘΕΤΙΜΑ ΑΠΟΛΗΤΑΙ
Mas, por favor, protegei isto pelo meu bem para que estas coisas não me ocorram e a infeliz Thétima pereça horrivelmente
  • (....)ΑΛ[-].ΥΝΜ.. ΕΣΠΛΗΝ ΕΜΟΣ ΕΜΕ ΔΕ [Ε]Υ[Δ]ΑΙΜΟΝΑ ΚΑΙ ΜΑΚΑΡΙΑΝ ΓΕΝΕΣΤΑΙ
e a mim me conceda [fe]licidade e tal...
  • [-]ΤΟ(.).[-].(..)..Ε.Ε.Ω[?]Α.(.)Ε..ΜΕΓΕ [-]

Data e transcendência[editar | editar código-fonte]

A tabuinha foi datada pelos editores originais por volta da "metade do século IV a.C. ou um pouco antes (pela forma das letras, e pela ortografia)"[2]. Porém, o professor Edmonds do Bryn Mawr College prefere datá-la no século III a.C.

A primeira opinião é defendida por OCD [3], no qual Olivier Masson escreve:

Da mesma opinião é James L. O'Neil's (da Universidade de Sydney) [4], na apresentação em 2005 na Conferência da Sociedade Australásica para Estudos Clássicos, intitulada "Doric Forms in Macedonian Inscriptions" (formas dóricas nas inscrições macedônias):

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BRIXHE, C.; A. PANAYOTOU: «Le Macédonien», en Langues indo-européennes (pág. 205–220). París: Bader, 1994.
  • DUBOIS, L.: Une tablette de malédiction de Pella. S’agit-il du premier texte macédonien?
  • History of the Greek Language. Atenas: Greek Literary and Historical Archive, 1999. ISBN 960-201-122-X.

Referências

  1. cfr. pág 209 de BRIXHE e PANAYOTOU (1994)
  2. [[1]
  3. Oxford Classical Dictionary, 1996, pp. 905 e 906
  4. James L. O'Neil's

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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