Tacacá

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tacacá

O Tacacá é uma iguaria típica da culinária amazônica e pode ser encontrado nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Amapá e Rondônia. É preparado com um caldo amarelado, chamado tucupi. Coloca-se esse caldo por cima da goma de tapioca, também servida com jambu (Erva amazônica que provoca uma dormência na boca) e camarão seco. Serve-se muito quente, temperado com pimenta, em cuias. O tucupi e a goma são resultados da massa ralada da mandioca que, depois de prensada para fazer farinha, resulta num líquido leitoso-amarelado. Após deixado em repouso, a goma fica depositada no fundo do recipiente e o tucupi na sua parte superior.

Sua origem é dos indígenas e deriva de um tipo de sopa indígena denominada mani poi,“Esse mani poí fez nascer os atuais tacacá, com goma,

tucupi, jambu e camarões secos", porém, cada estado nortista, tem características acerca dos preparos do tacacá. Adicionais estes que podem ser pipoca, farinha, purê, cebolinha, etc.

O primeiro depoimento que se tem notícia acerca da iguaria, aponta que o tacacá surgiu em Itacoatiara/AM. Em 1859, Robert Avé-Lallemant (1812-1884) esteve na região e descreveu suas experiências vividas nas comunidades amazônicas. Em junho desse ano, o alemão visitou a vila de Serpa (atual Itacoatiara) e outros lugares da Amazônia, resultando no livro “No Rio Amazonas (1859)”, de sua autoria, traduzida em São Paulo em 1980.

Ingredientes[editar | editar código-fonte]

Sem as dosagens, mas a relação de ingredientes está correta.

Apresentação e consumo[editar | editar código-fonte]

Serve-se em cuias. Coloca-se primeiramente um pouco de tucupi e o caldo da pimenta-de-cheiro com tucupi. Acrescenta-se a goma e arranjam-se os ramos do jambu de modo bem distribuído. Colocam-se os camarões e acrescenta-se mais tucupi até quase completar a cuia.

Toma-se o tacacá – não se diz comer, nem beber – levando-se os lábios até a cuia, sorvendo em pequenas quantidades o tucupi , misturado com a goma. Utiliza-se um palitinho de madeira para comer o camarão ou o jambu.

Dado que esta iguaria é servida muito quente, passou-se a usar uma pequena cesta na base da cuia - provavelmente a partir da década de 1990 - para proteger as mãos de quem consome o tacacá.

É habitual consumir-se o tacacá no final da tarde, em via pública, nas tradicionais tacacazeiras. Não é comum servir-se este prato nas refeições principais.

A tacacazeira[editar | editar código-fonte]

A vendedora de tacacá, ou tacacazeira, é uma figura típica das ruas de diversas cidades amazônicas. As vendedoras de tacacá têm ponto fixo em diferentes locais das cidades, permanecendo muitas vezes por décadas, de avós para netas, com clientela cativa.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALGRANTI, Márcia. Pequeno dicionário da gula. São Paulo: Record, 2000. 544 p.
  • AVÉ-LALLEMANT, Robert C.B. No rio Amazonas. São Paulo. Editora Itatiaia, 1980.
  • CASCUDO, Câmara Luís da. História da alimentação no Brasil. São Paulo: Global, 2004. 954 p. (1ª ed.: Companhia Editora Nacional, 1967).
  • CULINÁRIA amazônica: o sabor da natureza. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2000. 150 p.
  • FLORES, Jaques. Panela de Barro: crônicas, ensaios, fantasias. Rio de Janeiro: Adersen, 1947. 194 p.
  • GOMENSORO, Maria Lucia. Pequeno dicionário de gastronomia. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999. 432 p.
  • ORICO, Osvaldo. Cozinha amazônica: uma autobiografia do paladar. Belém: Universidade Federal do Pará, 1972.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]