Tai chi louva-a-deus

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Tai chi louva-a-deus (太極螳螂門; pinyin: tai ji tang lang men) é um estilo de kung fu e tai chi chuan, que faz parte do louva-a-deus do norte criado por Wong Long (王朗).

Princípios e fundamentos gerais do estilo[editar | editar código-fonte]

O núcleo do estilo está concentrado em quatro rotinas: Pang Pou, Lám Chi, Bat Cháo e Cha Yiu.

A característica mais marcante do estilo é a utilização da “garra de louva-a-deus”, que pode ser utilizada para prender, perfurar, bater e enganchar. Também são características marcantes do estilo o trabalho de pernas muito ágil, com a mudança constante do ângulo de ataque, e a utilização de rasteiras e quedas. Tendo incorporado técnicas de vários estilos, o Tai Chi Louva-a-Deus utiliza-se tanto de ataques longos como curtos, desferidos tanto pelos membros superiores (mão, pulso, antebraço, cotovelo e ombro) como pelos inferiores (pés, canela e joelho).

História do grão-mestre Chiu Chuk Kai[editar | editar código-fonte]

No ano de 1900, na província de Shantung, nasceu o menino Chiu Chu Che (pronuncia-se "tchíu tchú tché"). Aos cinco anos de idade, Chiu Chu Che ficou órfão de pai. Como sua mãe não tinha condições de criá-lo sozinha, um tio levou-o para sua casa. Este tio, porém, tratava Chiu Chu Che muito mal e, por isso, aos dez anos de idade Chiu fugiu de sua casa, indo viver em um mosteiro budista, sob a proteção do abade. Com o abade ele aprendeu Tai Zhu Bei, o "Estilo do Grande Ancestral".

Ao atingir a maioridade, Chiu Chu Che, segundo as regras do mosteiro, teve de optar por tornar-se monge e permanecer no mosteiro ou ir embora. Como não desejava tornar-se monge, ele despediu-se de seu mestre e abandonou o mosteiro.

Algum tempo depois, sobrevivendo de biscates e pequenos serviços, Chiu Chu Che veio a conhecer o mestre Yam Fong Soi. Naquele tempo ainda eram raros os mestres que tinham academias como conhecemos hoje, a maioria não ensinava o seu estilo abertamente e selecionavam muito os alunos que iriam ou não aceitar. Mestre Yam, porém, era uma exceção, ele foi um dos primeiros mestres a ensinar o seu estilo abertamente.

Chiu Chu Che ía quase todos os dias olhar o mestre Yam ministrar aulas aos seus alunos, porém, como era muito pobre e não tinha dinheiro para pagar as mensalidades, não solicitou ser aceito como aluno. Um dia, mestre Yam, tendo já visto Chiu Chu Che muitas vezes em sua academia olhando os treinos, perguntou-lhe se não queria treinar. Chiu Chu Che disse-lhe que gostaria muito e que tinha algum conhecimento de Tai Zhu Bei, mas não podia pagar a mensalidade. Mestre Yam pediu-lhe uma demonstração de Tai Zhu Bei e, impressionado com a habilidade do rapaz, aceitou-o como aluno independentemente do pagamento da mensalidade.

Mestre Yam ensinou Chiu Chu Che durante vários anos. Quando ele atingiu um bom nível de aprendizado do estilo, mestre Yam, vendo que seu aluno tinha ainda muito potencial, recomendou-o ao seu colega, mestre Chi Sao Chong, que era tido como o maior mestre de Tai Chi Louva-a-Deus da época.

Chiu Chu Che viajou para a cidade do mestre Chi Sao Chong com uma carta de recomendação do mestre Yam Fong Soi. Ao ler a carta de seu colega elogiando as habilidades do rapaz, mestre Chi aceitou-o imediatamente como aluno. Mestre Chi era proprietário de uma empresa de segurança, responsável pela guarda de comboios que transportavam mercadorias e valores. Em retribuição aos ensinamentos do mestre, Chiu Chu Che passou a trabalhar em sua empresa como guarda-costas.

Certo dia, em uma de suas missões escoltando comboios, Chiu Chu Che deparou-se com o bando de um famoso bandido da época, muito temido pela sua técnica de facão. Chiu Chu Che e o bandido enfrentaram-se ferozmente. Quando parecia que o combate terminaria empatado, Chiu Chu Che lançou mão de uma de suas especialidades, o dardo com corda, e conseguiu matar o bandido.

A partir desse dia Chiu Chu Che passou a ser chamado de "Chuk Kai" (arroio bambu), pois este era o nome do local onde se deu o combate em que ele matou o famoso bandido. Durante todo o resto de sua vida Chiu Chu Che foi chamado de Chiu Chuk Kai (pronuncia-se "tchíu tchú cái"), sendo que, conforme a cultura chinesa, "Chiu" era o nome de sua família, ou seja, o seu sobrenome como nós costumamos chamar.

Após viver sob a tutela do mestre Chi Sao Chong durante vários anos, Chiu "Chuk Kai" aproveitou uma oportunidade comercial e juntou-se a dois colegas para abrir um negócio de exportação de seda na província de Guandong (Cantão, como era chamada pelos portugueses), mudando-se, assim, para o sul da China. Aproveitando suas horas vagas, mestre Chiu ensinava o Tai Chi Louva-a-Deus, tendo permanecido assim até a Segunda Guerra Mundial.

Com o advento do comunismo na China, mestre Chiu mudou-se para o Vietnã, onde dedicou-se exclusivamente ao ensino do Kung Fu. No Vietnã mestre Chiu chegou a ter 6.000 alunos treinando sob sua supervisão, espalhados por 32 academias. Muitos oficiais do exército sul-vietnamita e até mesmo guarda-costas pessoais do presidente do Vietnã do Sul eram seus alunos.

Mestre Chiu viveu em Saigon durante 20 anos. Com a derrota do Vietnã do Sul na guerra, mestre Chiu mudou-se para Hong Kong, onde permaneceu até sua morte, em 1991. Mestre Chiu ensinou o Tai Chi Louva-a-Deus até os últimos anos de sua vida. Muitos lutadores jovens desafiaram o velho mestre e foram para casa com um maior senso de humildade, pois sua personalidade amável e gentil escondia suas incríveis habilidades de luta.

É praticamente impossível enumerar todos os alunos do mestre Chiu Chuk Kai, tantas foram as pessoas que treinaram com ele. Em Hong Kong, mestre Chiu teve um aluno chamado Tang Sing Ling (pronuncia-se "tán sin lin"), que, mais tarde, transmitiu o estilo Tai Chi Louva-a-Deus ao mestre Li Hon Shui, que veio para o Brasil. Mestre Li conheceu e treinou muitas vezes com o mestre Chiu Chuk Kai, seu "mestre-avô" como costuma chamá-lo carinhosamente.

Estratégias de combate do mestre Chiu Chuk Kai[editar | editar código-fonte]

Existe no nosso estilo um manuscrito, feito pelo mestre Chiu Chuk Kai, onde estão registradas as principais formas de treinamento e combate do estilo.

Apresento a vocês, abaixo, uma tradução de dois trechos deste manuscrito. Como (ainda) não leio chinês, baseei essa tradução para o português em três traduções feitas para o inglês, ligeiramente diferentes entre si, pelos mestres Jack Wong, Robert Hui e Galen Fok.

Verso do Avanço e do Recuo

Avance veloz como uma rajada de vento;

Ao perder a oportunidade, o recuo deve ser rápido;

Se perder a frente, ataque pelos lados;

Corpo sempre inclinado levemente à frente;

Quando estiver pronto, ataque;

Use a voz e movimentos estranhos como distração;

Mova-se continuamente como uma serpente;

Vitória ou derrota dependem da velocidade.

Verso da Aproximação e Esquiva

Aproximar-se e esquivar-se requer olhos rápidos;

Observe as mudanças à esquerda e à direita, aproveite a oportunidade de atacar;

Recuo se torna avanço;

Sua chance está em todos os lugares;

Quando encontrar uma abertura não pare;

Não tema a aparência feroz;

4 onças movem 1000 libras.

Nota:

4 onças = 113 gramas

1000 libras = 453 kg

Estes versos foram redigidos de uma maneira tradicional chinesa, cada linha possui 4 caracteres. Em virtude disso, apesar da qualidade poética, o sentido nem sempre é muito claro.

As traduções para o inglês não tentaram preservar a poesia, mas sim o sentido. Assim, creio que essa tradução para o português deve estar razoável.