Talidomida

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Talidomida
Alerta sobre risco à saúde
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Nome IUPAC (RS)-2-(2,6-dioxopiperidin-3-il)-1H-isoindol-1,3(2H)-diona
Identificadores
Número CAS 50-35-1
PubChem 5426
DrugBank APRD01251
ChemSpider 5233
Código ATC L04AX02
SMILES
Farmacologia
Via(s) de administração oral
Metabolismo Hepático (CYP2C19)[1]
Meia-vida biológica a meia-vida média varia entre 5 e 7 horas após dose única; não é alterada em dosagem múltipla
Ligação plasmática 55% e 66% para os enantiômeros (+)-R e (–)-S, respectivamente
Classificação legal

C3 - Substância imunossupressora (Sujeita a Notificação de Receita Especial) (BR)


Prescription only

Riscos na gravidez
e lactação
X (EUA)
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

A talidomida (C13H10N2O4) é uma substância usualmente utilizada como medicamento sedativo, anti-inflamatório e hipnótico. Devido a seus efeitos teratogénicos, tal substância deve ser evitada durante a gravidez e em mulheres que podem engravidar, pois causa má-formação ou ausência de membros no feto.

História[editar | editar código-fonte]

A talidomida esteve ao mercado pela primeira vez na Alemanha em 1 de outubro de 1957. Foi comercializada como um sedativo e hipnótico com poucos efeitos colaterais. A indústria farmacêutica que a desenvolveu acreditou que o medicamento era tão seguro que era propício para prescrever a mulheres grávidas, para combater enjoos matinais.

Foi rapidamente prescrita a milhares de mulheres e espalhada para todas as partes do mundo (46 países), sem circular no mercado norte-americano.

Os procedimentos de testes de drogas naquela época eram muito menos rígidos e, por isso, os testes feitos na talidomida não revelaram seus efeitos teratogénicos. Os testes em roedores, que metabolizavam a droga de forma diferente de humanos, não acusaram problemas. Mais tarde, foram feitos os mesmos testes em coelhos e primatas, que produziram os mesmos efeitos horríveis que a droga causa em fetos humanos.

No final dos anos 1950, foram descritos na Alemanha, Reino Unido e Austrália os primeiros casos de malformações congênitas onde crianças passaram a nascer com focomelia, mas não foi imediatamente óbvio o motivo para tal doença. Os bebês nascidos desta tragédia são chamados de "bebês da talidomida", ou "geração talidomida". Em 1962, quando já havia mais de 10.000 casos de defeitos congênitos a ela associados em todo o mundo, a Talidomida foi removida da lista de remédios indicados[2] . Os Estados Unidos foram poupados deste problema graças à atuação firme de Frances Oldham Kelsey, farmacologista encarregada pelo FDA (Food and Drug Administration) de avaliar os testes clínicos apresentados pela indústria.

Cientistas japoneses identificaram em 2010 como a talidomida interfere na formação fetal. Eles descobriram que o medicamento inativa a enzima cereblon, importante nos primeiros meses de vida para a formação dos membros.[3] [4]

Por um longo tempo, a Talidomida foi associada a um dos mais horríveis acidentes médicos da história. Por outro lado, estão em estudo novos tratamentos com a talidomida para doenças como o cancro, câncer de medula[5] e, já há algum tempo, para a lepra[6] .

Útil em doenças, como lúpus, alívio dos sintomas de portadores do HIV, diminuição do risco de rejeição em transplantes de medula e artrite reumatóide, a talidomida é indicada em cerca de 60 tratamentos.[3] .

Em 2012, a Gruenenthal, empresa produtora da talidomida pediu desculpas pelos danos causados[7] .

Química farmacêutica[editar | editar código-fonte]

A talidomida é um derivado do ácido glutâmico e estruturalmente contém dois anéis amida e um único centro quiral. Este composto existe na forma de mistura equivalente dos isómeros (S)-(-) e (R)-(+) que se interconvertem rapidamente em condições fisiológicas. O enantiómero (S) está relacionado com os efeitos teratogénicos da talidomida, enquanto o enantiómero (R) é responsável pelas suas propriedades sedativas.

Talidomida no Brasil[editar | editar código-fonte]

O uso da talidomida no Brasil é regulamentado pela Portaria SVS/MS nº 354, de 15.08.97 [8] . No Rio de Janeiro, foi editada a Resolução SES nº 1504, de 15 de junho de 2000, com o objetivo de criar um Grupo Técnico de Trabalho para Implantação de Protocolo Terapêutico de Utilização da Talidomida[9] . Pouco se sabe sobre o uso da talidomida no Brasil. Segundo consta, a talidomida, por força da Portaria nº 354, é proibida para mulheres em idade fértil em todo o território nacional[10] .

Em 2010 foi instituida a lei 12.190 [11] que complementa a lei 7.070, de 1982, e representa gastos de aproximadamente R$ 34,5 milhões como pensão especial, mensal, vitalícia e intransferível aos portadores da deficiência. Serão 227 vítimas que vão receber R$ 50 mil em indenização, valor que aumentará na medida em que ocorra dependência resultante da deficiência física.[12]

No Brasil, somente o laboratório da Fundação Ezequiel Dias está autorizado a produzir a talidomida [3] .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ando Y, Fuse E, Figg WD (June 1, 2002). "Thalidomide metabolism by the CYP2C subfamily". Clinical Cancer Research : an Official Journal of the American Association for Cancer Research [S.l.: s.n.] 8 (6): 1964–73. PMID 12060642. Consultado em 2009-06-18. 
  2. Gerson Oliveira Penna, Celina M. T. Martelli, Mariane M. A. Stefani, Vanize O. Macedo, Maria de Fátima Maroja, Aiçar Chaul (2005). "Talidomida no tratamento do eritema nodoso hansênico: revisão sistemática dos ensaios clínicos e perspectivas de novas investigações". Anais Brasileiros da Dermatologia [S.l.: s.n.] 80 (5). Consultado em 4 de outubro de 2007.  line feed character character in |author= at position 87 (Ajuda)
  3. a b c Cientista descobre como talidomida provoca má-formação em fetos - O Estado de S.Paulo, 12 de março de 2010 (visitado em 12-3-2010)
  4. (em inglês)Takumi Ito, Hideki Ando, Takayuki Suzuki, Toshihiko Ogura, Kentaro Hotta, Yoshimasa Imamura, Yuki Yamaguchi, Hiroshi Handa. (12 March 2010). "Identification of a Primary Target of Thalidomide Teratogenicity". Science 327 (5971): 1345-1350. DOI:10.1126/science.1177319. Visitado em 27/07/2010.
  5. "Talidomida aumenta sobrevida de idosos com câncer de medula" [S.l.: s.n.] 5 de Outubro de 2007. Consultado em 5 de outubro de 2007. 
  6. "Defeitos em bebês elevam temor por uso de talidomida no Brasil, diz 'FT'" [S.l.: s.n.] 2 de outubro de 2007. Consultado em 2 de outubro de 2007. 
  7. "Fabricante da talidomida pede desculpa 50 anos depois". 
  8. Ministério da Saúde, Brasil (15/08/1997). "Portaria SVS/MS Nº 354, de 15 de agosto de 1997". 15/08/1997. Consultado em 31/08/2013. 
  9. "Resolução SES nº 1504, de 15 de junho de 2000". 2000.  Parâmetro desconhecido |accessdade= ignorado (Ajuda)
  10. "Como Nascemos". Associação Brasileira dos Portadores de Talidomida.  Parâmetro desconhecido |accessdade= ignorado (Ajuda)
  11. Revista Juridica - LEI Nº 12.190, DE 13 DE JANEIRO DE 2010 - DOU 14.01.2010
  12. Jornal Diário do Nordeste - União vai indenizar deficientes físicos