Talking Heads
| Talking Heads | |
|---|---|
Talking Heads c. 1980. Da esquerda para a direita: David Byrne, Jerry Harrison, Tina Weymouth e Chris Frantz. | |
| Informações gerais | |
| Origem | Nova Iorque, Nova Iorque |
| País | Estados Unidos |
| Gênero(s) | |
| Período em atividade | 1975 - 1991 |
| Gravadora(s) | Sire Records EMI Records Warner Bros Records |
| Afiliação(ões) | Brian Eno Tom Tom Club The Modern Lovers |
| Integrantes | David Byrne Chris Frantz Tina Weymouth Jerry Harrison |
Talking Heads foi uma banda de rock americana formada em 1975 na cidade de Nova Iorque. A formação clássica contava com David Byrne (vocais principais, guitarra), Chris Frantz (bateria), Tina Weymouth (baixo) e Jerry Harrison (teclado, guitarra). O grupo foi um dos precursores do gênero new wave e ganhou notoriedade pela sua sonoridade única, que incorporava ritmos complexos de funk e world music, em especial os de matriz africana. A banda é amplamente considerada uma das mais influentes da história da música, sendo incluída no Rock and Roll Hall of Fame em 2002.[8]
Biografia
[editar | editar código]1973–1977: Primeiros Anos
[editar | editar código]Em 1973, David Byrne (guitarra e vocais) e Chris Frantz (bateria), fundaram a banda The Artistics na Escola de Design de Rhode Island, na qual ambos eram alunos. Um ano depois, Tina Weymouth juntou-se ao grupo como baixista, formando com Frantz uma parceria musical e pessoal que se tornaria a espinha dorsal rítmica da banda. A formação foi rebatizada para Talking Heads, inspirando-se num glossário de termos televisivos onde talking head designa o enquadramento clássico de um locutor.[9]
A primeira grande apresentação da banda ocorreu no dia 5 de junho de 1975, quando fizeram a abertura do show dos Ramones no clube CBGB. Em novembro de 1976, o grupo assinou com a Sire Records (associada à Warner Bros) e lançou, no ano seguinte, seu primeiro single, Love → Building on Fire.[10] Em março de 1977, Jerry Harrison (guitarra e teclados) se juntou ao Talking Heads após deixar os Modern Lovers.[11]
Seu álbum de estreia, Talking Heads: 77, obteve ótima recepção crítica, sendo votado como o sétimo melhor do ano pelo jornal The Village Voice. Além disso, o single Psycho Killer alcançou a 92ª posição na Billboard Hot 100.[12] O crítico Mark Deming, em sua resenha para o site AllMusic, observou que “O Talking Heads tinha, claramente, antecedentes musicais no pop e no rock dos anos 1960, no soul clássico e no folk rock; ainda assim, desde o início era evidente que estava misturando esses elementos de uma forma única”. [13]
1978-1980: Colaborações com Brian Eno
[editar | editar código]Em 1978, o grupo lançou seu segundo álbum, More Songs About Buildings and Food. O trabalho marcou uma evolução sonora significativa, com mudanças na entrega vocal de Byrne e numa maior sofisticação rítimica, impulsionadas pela colaboração com o produtor Brian Eno — que anteriormente havia trabalhado com figuras como David Bowie e Robert Fripp. Esta parceria, que se tornaria intensa, levou a banda a explorar gêneros como funk e afrobeat, sob notável influência de Fela Kuti. O álbum foi recebido com aclamação da crítica ainda maior que o anterior. O single Take Me to the River, um cover de Al Green, alcançou a 26ª posição na Billboard Hot 100, consolidando ainda mais seu crescente impacto. [14][15]
Eno e o grupo prosseguiram juntos com o lançamento de Fear of Music, em 1979. Descrito como “Um álbum irregular, de transição, embora suas melhores faixas estejam entre as melhores que o Talking Heads já fez” pelo crítico William Ruhlmann.[16] Assim, destaca-se o single icônico Life During Wartime e novas experimentações que permitiriam a criação da frequentemente considerada obra-prima do conjunto no ano seguinte.[17]
Lançado em 8 de outubro de 1980 pela Sire Records, Remain in Light recebeu ampla aclamação da crítica especializada. Robert Christgau, do The Village Voice, concedeu ao disco nota A, apontando: "Em Remain in Light, David Byrne supera seu medo da música em uma síntese visionária de Afrofunk — clara, desapegada e quase misticamente otimista".[18] Retrospectivamente, o álbum tem sido incluído em diversas listas de melhores discos de todos os tempos, como a realizada pela Rolling Stone, presente na 39ª posição.[19] Em 2018, recebeu nota 10/10 pela Pitchfork.[20]
De acordo com Brian Eno, o álbum Afrodisiac, de Fela Kuti, se tornaria um modelo para Remain in Light, consolidando a sonoridade única do grupo. O single Once in a Lifetime marcou o projeto, chegando ao top 20 no UK Singles Chart [21] e nomeado um dos melhores videoclipes de todos os tempos pela revista Time.[22]
Reconhecido como a obra primorosa do Talking Heads, observa William Ruhlmann na plataforma Allmusic: ''Como se percebeu mais tarde, entretanto, ele marcou o fim de um aspecto do desenvolvimento do grupo e foi o último álbum com material novo por três anos''.[23]
1981-1991: Auge comercial e separação
[editar | editar código]Assim, após quatro LPs produzidos, a banda entrou em um hiato de lançamentos por três anos.
Durante esse período, em 1981, Tina Weymouth e Chris Frantz formaram o Tom Tom Club, grupo inicialmente criado em paralelo ao Talking Heads. O projeto tinha uma sonoridade mais dançante, sendo descrita como leve e tropical.[24] A abordagem musical única fez com que a própria dupla a descrevesse como fresh (inovadora) e freestyle (de estilo livre), termos que rapidamente foram adotados pelo vocabulário da música dance e do hip-hop nos anos seguintes.[25][26]
No mesmo ano, Jerry Harrison lançava seu primeiro álbum solo, The Red and the Black, e David Byrne colaborava com Brian Eno no disco My Life in the Bush of Ghosts.[27][28]
Em 1982, a banda retornou com o álbum ao vivo duplo The Name of This Band Is Talking Heads, que continha gravações de turnês desde a sua estreia. Esse período também marcou o fim da colaboração com Brian Eno, que passou a se dedicar à banda irlandesa U2.
No ano seguinte foi lançado Speaking in Tongues, o trabalho mais comercial da banda, alcançando a 15ª posição na Billboard 200 e sendo o primeiro disco do grupo a receber uma certificação de platina pela RIAA — que simboliza a venda de mais de um milhão de cópias nos EUA. [29] [30] Além disso, Burning Down the House foi o primeiro e único single do Talking Heads a entrar no top 10 da Billboard Hot 100, ficando em nono lugar. [31] Musicalmente, de acordo com William Ruhlmann, ''A banda abriu as texturas densas que havia desenvolvido com Brian Eno nos dois álbuns anteriores e alcançou um som mais espaçoso, que incorporava elementos de gospel — especialmente no canto de chamada e resposta — e de blues no estilo de John Lee Hooker, em Swamp''.[32]
A turnê seguinte da banda foi documentada e dirigida por Jonathan Demme, que originou o filme-concerto Stop Making Sense, de 1984. A obra ganhou o prêmio de melhor filme de não-ficção do ano pela Sociedade Nacional de Críticos de Cinema [33]. Atualmente possui uma taxa de aprovação de 100% no Rotten Tomatoes, descrita no consenso de críticos do site como: ''Stop Making Sense [...] capta o show enérgico e imprevisível do Talking Heads em seu auge, com cor e engenho visual''. [34] A crítica Pauline Kael, no The New Yorker, o classificou como ''próximo da perfeição''.[35]
Após o lançamento de 1983 outros 3 trabalhos foram criados: em 1985 Little Creatures[36], em 1986 True Stories[37] e em 1988 Naked[38]. True Stories, trilha sonora para um filme dirigido por Byrne teve como hits Radiohead (que inclusive deu nome à banda inglesa Radiohead) e Wild Wild Life.
Após um espaço de 3 anos sem gravações e show, David Byrne anunciou o fim do grupo Talking Heads durante uma entrevista no Los Angeles Times. Byrne seguiu carreira solo mas o grupo até hoje é uma referência de rock experimental, pop e criativo influenciando bandas atuais como Radiohead, Arcade Fire, The Killers Clap Your Hands Say Yeah e, mais recentemente, artistas inspirados pelo worldbeat, como Vampire Weekend e Yeasayer.
Membros
[editar | editar código]- David Byrne - Voz, Guitarra, Violão
- Chris Frantz - Bateria
- Tina Weymouth - Baixo, Teclado
- Jerry Harrison - Guitarra, Teclado
Discografia
[editar | editar código]- 1977 Talking Heads: 77
- 1978 More Songs About Buildings and Food
- 1979 Fear of Music
- 1980 Remain in Light
- 1983 Speaking in Tongues
- 1985 Little Creatures
- 1986 True Stories
- 1988 Naked
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Cateforis, Theo (2011). Are We Not New Wave? : Modern Pop at the Turn of the 1980s. [S.l.]: University of Michigan Press. pp. 2, 43, 73. ISBN 0-472-03470-7
- ↑ Jack, Malcolm (21 de setembro de 2016). «Talking Heads – 10 of the best». The Guardian
- ↑ Edmondson, Jacqueline. «Talking Heads». Music in American Life: An Encyclopedia of the Songs, Styles, Stars, and Stories That Shaped Our Culture [4 volumes]: An Encyclopedia of the Songs, Styles, Stars, and Stories That Shaped Our Culture
- ↑ Holden, Stephen (28 de fevereiro de 1999). «MUSIC; They're Recording, but Are They Artists?». The New York Times
- ↑ Robbins, Ira A. «Talking Heads | Members, Songs, & Facts». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 4 de fevereiro de 2019
- ↑ Weisbard, Eric; Marks, Craig (1995). Spin Alternative Record Guide (em inglês). [S.l.]: Vintage Books. ISBN 9780679755746
- ↑ «Talking Heads Songs, Albums, Reviews, Bio & Mo...». AllMusic (em inglês). Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ «Talking Heads | Members, Songs, & Facts | Britannica». www.britannica.com (em inglês). 24 de outubro de 2025. Consultado em 30 de outubro de 2025
- ↑ Weymouth, Tina (1992). Popular Favorites 1976–1992: Sand in the Vaseline. Nova Iorque: Sire Records Company. p. 12.
[Confirmação visual disponível na URL] A friend had found the name in the TV Guide, which explained the term used by TV studios to describe a head-and-shoulder shot of a person talking as 'all content, no action'. It fit.
- ↑ «Talking Heads - Discografia em Discogs.com» (em inglês). Discogs.com. Consultado em 24 de Julho de 2011
- ↑ Greene, Andy (11 de julho de 2013). «Flashback: Talking Heads at CBGB in 1975». Rolling Stone (em inglês). Consultado em 30 de outubro de 2025
- ↑ «Robert Christgau: Pazz & Jop 1977: Critics Poll». www.robertchristgau.com. Consultado em 30 de outubro de 2025
- ↑ Talking Heads: 77 - Talking Heads | Album | AllMusic (em inglês), consultado em 30 de outubro de 2025
- ↑ Mapes, Jill. «Talking Heads: More Songs About Buildings and Food». Pitchfork (em inglês). Consultado em 30 de outubro de 2025
- ↑ «Take Me To The River / Talking Heads». elpee.jp (em inglês). Consultado em 30 de outubro de 2025
- ↑ Fear of Music - Talking Heads | Album | AllMusic (em inglês), consultado em 30 de outubro de 2025
- ↑ Greene, Jayson. «Talking Heads: Fear of Music». Pitchfork (em inglês). Consultado em 30 de outubro de 2025
- ↑ www.robertchristgau.com https://robertchristgau.com/get_album.php?id=3402. Consultado em 1 de novembro de 2025 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - ↑ Stone, Rolling (31 de dezembro de 2023). «The 500 Greatest Albums of All Time». Rolling Stone (em inglês). Consultado em 1 de novembro de 2025
- ↑ «Talking Heads: Remain in Light». pitchfork.com (em inglês). 21 de outubro de 2018. Consultado em 1 de novembro de 2025
- ↑ «Once in a Lifetime». www.officialcharts.com (em inglês). 7 de fevereiro de 1981. Consultado em 1 de novembro de 2025
- ↑ «The 30 All-TIME Best Music Videos». entertainment.time.com (em inglês). 26 de julho de 2011. Consultado em 1 de novembro de 2025
- ↑ Remain in Light - Talking Heads | Album | AllMusic (em inglês), consultado em 1 de novembro de 2025
- ↑ «Tom Tom Club Songs, Albums, Reviews, Bio & Mor...». AllMusic (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ Administrator. «TOM TOM CLUB | Timeline | Biography». www.tomtomclub.net (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2013
- ↑ Tom Tom Club - Tom Tom Club | Album | AllMusic (em inglês), consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ My Life in the Bush of Ghosts - Brian Eno, Dav... | AllMusic (em inglês), consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ The Red and the Black - Jerry Harrison | Album | AllMusic (em inglês), consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ FM, The Summit (20 de junho de 2023). «Album Essentials: Talking Heads - "Speaking in Tongues"». The Summit FM (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ «Speaking In Tongues / Talking Heads». elpee.jp (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ Burning Down The House by Talking Heads (em inglês), consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ Speaking in Tongues - Talking Heads | Album | AllMusic (em inglês), consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ «Past Awards « National Society of Film Critics». www.nationalsocietyoffilmcritics.com (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 23 de março de 2015
- ↑ «Stop Making Sense | Rotten Tomatoes». www.rottentomatoes.com (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ «DavidByrne.com - Stop Making Sense press/reviews - Pauline Kael, The New Yorker». www.davidbyrne.com. Consultado em 8 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 4 de março de 2016
- ↑ «Talking Heads - Little Creatures > Review» (em inglês). Allmusic.com. Consultado em 24 de Julho de 2011
- ↑ «Talking Heads - True Stories > Review» (em inglês). Allmusic.com. Consultado em 24 de Julho de 2011
- ↑ «Talking Heads - Naked > Review» (em inglês). Allmusic.com. Consultado em 24 de Julho de 2011
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