Tapiti

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaTapiti
Representação de tapitis por John James Audubon
Representação de tapitis por John James Audubon
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Lagomorpha
Família: Leporidae
Género: Sylvilagus
Espécie: S. brasiliensis
Nome binomial
Sylvilagus brasiliensis
(Linnaeus, 1758)
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica do tapiti, em verde-escuro.
Distribuição geográfica do tapiti, em verde-escuro.

O tapiti (Sylvilagus brasiliensis (L.)), também comumente conhecido como coelho silvestre, coelho brasileiro, páramo coelho, coelho muleto, coelhos-de-cauda-de-algodão, coelho da floresta e montanha mulita, é uma espécie de mamífero lagomorfo da família Leporidae da América Central e do Sul.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Tapiti" vem do tupi tapii'ti[1]. "Candimba" vem do quimbundo kandemba[2]. "Coelho" tem origem pré-romana, através do termo latino cuniculu[3]. "Lebre" vem do termo latino lepore[4].

Descrição[editar | editar código-fonte]

A espécie tem comprimento entre 21 e 40 cm, podendo pesar até 1,25 quilograma. Possui orelhas pequenas e estreitas, cauda pequena e escura, pés traseiros curtos bem menor que a lebre-europeia (Lepus europaeus). Sua coloração padrão é pardo-amarelado, mais escura na região do dorso e mais clara ventralmente. A cor de sua lombar é castanha com aparência de salpicada (resultante das pontas dos pelos pretos) e uma mancha de rufa no pescoço. A fêmea possui 6 mamas. São animais quadrúpedes e sua movimentação é através de pulos durante a caminhada, podendo nadar quando necessário. São conhecidos por se manterem bastante quietos, fato considerado como mecanismo de proteção, logo evita a observação de predadores.

Os olhos lagomorfos são posicionados de tal maneira que permitem uma boa visão de campo amplo. Lebres e coelhos têm olhos grandes que são adaptados aos seus padrões de atividade crepuscular e noturna. Os leporídeos têm olhos grandes para aumentar a acuidade visual em luz fraca.

O crânio dessas espécies tem um osso interparietal e um osso maxilar altamente fenestrado.

Mais de 37 subespécies do tapiti foram descritas, porem somente 21 foram reconhecidas pela Mammal Species of the World, sendo as demais classificadas como uma espécie diferente conhecida como S. dicei. Contudo, desde 1990 já havia uma necessidade de revisão taxonômica do Sylvilagus brasiliensis devido ao seu alto grau de complexidade. Por consequência, cientistas recomendaram dividir em mais de um grupo táxon tipicamente considerados subespécies e reconhece-los como espécies separadas: Sylvilagus tapetillus da costa sudeste do Brasil, Sylvilagus gabbi (com subespécies truei) do Panamá ao México, Sylvilagus sanctaemartae nas terras baixas do norte da Colômbia e Sylvilagus andinus nos altiplanos andinos do Equador (talvez também nos Andes da Colômbia, Venezuela e norte do Peru). Além disso, uma determina espécie de coelho que habita as Guianas não foram devidamente classificadas e são incluídas no grupo dos Tapitis. Em 2017, essa espécie foi descrita como uma nova espécie conhecida atualmente como S. parentum, baseada em espécimes do Suriname.

Seu atual estado de conservação é pouco preocupante segundo a IUCN.

Sua primeira descrição científica foi feita por Carl Linnaeus, na 10º edição do Systema Naturae, no ano 1753 de publicação.

Em relação a sua genética, dois cariótipos diferentes foram relatados para esta espécie: 2n = 36, FN = 68; e 2n = 40, FN = 76.

Localização[editar | editar código-fonte]

Habita desde Tamaluipas do Sul no México, ao redor da costa leste do México (com exceção dos estados de Iucatán, Quintana Roo, Campeche), por meio da Guatemala, leste da Costa Rica, leste da Nicarágua, El Salvador, Honduras e através da metade norte da América do Sul (exceto em altas altitudes), incluindo Bolívia, norte da Argentina, Peru, Paraguai e grande região do Brasil. Na Amazônia, sua distribuição é desconhecida. Encontra-se em locais florestais, em áreas humanizadas, como plantações e jardins, perto de pântanos e ao longo de margens dos rios.

O Tatipi costuma ocorrer em regiões de altitudes que variam entre o nível do mar a 4.800 metros. Coabita as bordas de florestas densas, além de poder ser achado em banhados e margens de rios. Durante o dia esconde-se em buracos ou tocas que ele mesmo cava, porem é um animal solitário, geralmente encontrado antes de amanhecer ou após anoitecer. Durante o dia, enquanto descansa, prefere ficar nos esconderijos que ele mesmo constrói, em buracos ou sob as raízes das árvores. No entanto, segundo o Dicionário Aurélio, esse animal não escava buracos e costuma viver em meio a vegetação.

Hábitos Alimentares[editar | editar código-fonte]

Sua alimentação é baseada em cascas, brotos e talos de vegetais, porém já foi visto se alimentado de cremes de Harrya, um cogumelo bolete. O período de gestação do Tatipi varia de acordo com a sua localização.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Podo ocorrer da gestação durar um período entre 28 a 44 dias, na maioria das vezes uma vez ao ano e com um número de ninhada pequeno com média de 1 a 6 filhotes por nascimento. Sob condições adversas (como durante estresse climático ou social), os lagomorfos fêmeas são capazes de reabsorver embriões. Acredita-se que algumas espécies de lagomorfos são capazes de conceber uma segunda ninhada mesmo antes do nascimento do último filhote; isso é conhecido como superfetação. O intervalo entre nascimentos em lagomorfos é reduzido pelo fenômeno da ovulação induzida e pelo estro pós-parto, que permite às fêmeas conceber imediatamente após o parto. Assim como os coelhos domésticos, os filhotes nascem sem visão e sem pelagem. Em relação ao seu tamanho, o tamanho da ninhada é menor do que o de outros coelhos ocorrendo uma variação entre 25 a 42 centímetros e o peso médio é de 700 gramas a 1,25 quilogramas. Vive aproximadamente de 8 a 10 anos. Coelhos desse gênero costumam ser precociais. Já nascem de olhos abertos e saem do ninho num período que varia entre 12 a 18 dias após o nascimento. Os jovens só são amamentados brevemente a cada 24 horas. O leite leporídeo tem um alto teor de gordura e proteína, e como tal é altamente nutritivo. Embora o período de lactação seja breve, o leite é bombeado para os jovens em alta velocidade. O período de lactação tem uma duração entre 17 e 23 dias. Em algumas espécies, a maturidade sexual é alcançada aos 80 dias de idade, mas a maioria das espécies costumam esperar até o ano seguinte para iniciar o processo de acasalamento. O tamanho adulto pode ser atingido em 23 a 30 semanas. Sendo a fêmea comumente maior que o macho. Os cuidados parentais são baseados através de padrões do gênero, sendo que a mãe fornece a maior parte dos cuidados enquanto jovens, mantendo-os seguros no ninho até que estejam prontos para se dispersar. Não existem informações a respeito de cuidados parentais masculinos no gênero.

Os coelhos constroem ninhos feitos com materiais como capim seco e forram com o próprio pelo espaço o interior, na parte superior do solo para criar seus filhotes. A estrutura dos ninhos é basicamente uma câmara central com três ou quatro câmaras menores no final do corredor. As fêmeas não costumam morar nos ninhos juntamente com os filhotes, apenas se amontam para amamentar.

Comunicação e Percepção[editar | editar código-fonte]

Devido a falta de estudos a respeito do Tapiti, não se sabe exatamente sua forma de comunicação. Porém, outras espécies do mesmo gênero costumam se comunicar através de gritos estridentes e chamadas de socorro. Da mesma forma dos mamíferos, provavelmente usam sinais de cheiro. A comunicação tátil é provável que ocorra entre rivais, parceiros e uma mãe e seus filhos. Seu canal de comunicação é visual, tátil acústico químico e de percepção é visual tátil acústico químico.

Predação[editar | editar código-fonte]

A predação de S. brasiliensis possui relatos na Amazônia ocidental e no Acre. É muito provável que vários canídeos e felinos ataquem essa espécie. Tem-se conhecimento que outros membros do gênero Sylvilagus se mantém muito parados por longos períodos, possivelmente como forma de evitar a detecção por predadores usando dicas visuais para capturar presas. Esses coelhos também possui uma peculiaridade em seus voos erráticos de predadores, nos quais se movimentam em padrões zig-zig complexos, possivelmente ajudando-os a fugir do predador. Seus predadores conhecidos são tayra (Eira barbara) e canídeos (Canidae). São bastante caçados também por humanos devido ao seu alto apreço gastronômico por sua carne, tornando-se raro em algumas regiões do estado do Rio Grande do Sul.

Particularidades da espécie[editar | editar código-fonte]

Mesmo se tratando de uma espécie de ocorrência há poucos anos, atualmente é somente vista em áreas protegidas, onde ainda existem florestas, e tornou-se escassa. Devido a falta de estudos, ainda não se sabe como os impactos da competição entre a lebre-europeia e o tapiti por abrigo, alimento, área de reprodução e espaço afetam essa espécie. No entanto, o Lepras europaeus tem uma área de ação maior que os tapitis, possuem filhotes nidífugos e é uma espécie adaptada naturalmente a locais abertos. Em muitas particularidades, estas diferenças podem representar vantagens significativas para a espécie exótica, que possui alta capacidade de adaptação e ambiente propício com o desaparecimento das florestas para dar espaço a campos de cultura.

Da mesma forma que seu parente da Califórnia, o coelho-de-tocaia (Sylvilagus bachmani), o tapiti é um reservatório natural do vírus do mixoma. O vírus causa um fibroma cutâneo benigno em seus hospedeiros, porém causa a mixomatose da doença letal em coelhos europeus. Essa relação foi descoberta por Henrique de Beaurepaire Rohan Aragão na década de 1940.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 649
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.333
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.425
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 016
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