Tarântula

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaTheraphosidae
tarântulas, caranguejeiras
Brachypelma Albopilosum L5-6.jpg
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Arachnida
Ordem: Mygalomorphae
Família: Theraphosidae
Thorell, 1869
Distribuição geográfica
Distribution.theraphosidae.1.png
Subfamílias

Theraphosidae é família de aranhas, que inclui as espécies conhecidas pelos nomes comuns de tarântulas (português europeu) ou caranguejeiras (português brasileiro), que se caracterizam por terem pernas longas com duas garras na ponta, e corpo revestido de cerdas. As tarântulas habitam as regiões temperadas e tropicais das Américas, Ásia, África e Oriente Médio. Enquanto crescem, têm fase de troca de pele chamada ecdise. Apesar do tamanho e aspecto sinistro, as tarântulas não são perigosas para a espécie humana, uma vez que não produzem toxinas nocivas aos humanos, por isso são eventualmente criadas como animais de estimação. Uma de suas defesas são os pêlos urticantes de suas costas e abdômen, que irritam a pele do possível predador.

Em média atingem de 15 cm a 25 cm de comprimento com as pernas estendidas, mas existem espécies que podem chegar até 30 cm, como é o caso da tarântula-gigante-comedora-de-pássaros (Theraphosa blondi) da América do Sul.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A aranha originalmente chamada de "tarântula" foi a espécie Lycosa tarantula, aranha lobo da família Lycosidae nativa da Europa mediterrânica. O nome deriva da cidade portuária do sul da Itália, Tarento, região onde estas aranhas são facilmente encontradas e que, posteriormente, foi aplicado a quase todas as espécies de aranhas de grande porte, especialmente a família das Mygalomorphae, das regiões mais quentes da América e as theraphosidae. Durante muito tempo acreditou-se, no sul da Europa, que uma pessoa picada pela tarântula seria tomada de extrema melancolia e poderia mesmo morrer se não se entregasse a uma dança frenética, a tarantela, capaz de eliminar o veneno pela transpiração.[1] Tanto o nome do agente causador do suposto distúrbio quanto o da dança derivam do topônimo da cidade italiana. O termo vem do latim tarento, de origem grega Taras (do genitivo tarantos, provavelmente a partir da ilíria darantos, que significa "carvalho"), personagem da mitologia grega fundador da colonia grega de Taras (Tarentum, a moderna cidade de Taranto).[2][3]

Não se deve aplicar o zoônimo “tarântula” às grandes “aranhas” da Classe Arachnida, Ordem Mygalomorphae, que são chamadas, no Brasil, de “aranhas-caranguejeiras”, e, em países de idioma inglês, de “tarantulas”. Tal tradução seria incorreta, tanto do ponto de vista zoológico, quanto linguístico. O nome “tarântula”, em Português, é exclusivo de aranhas verdadeiras da família Lycosidae, como a “aranha-lobo” ou “aranha-de-jardim”, Lycosa erythrognatha. Somente por eruditismo se pode atribuir a essas aranhas o nome português (exônimo) de “tarântula”, quase desconhecido no Brasil, onde as grandes terafosídeas são chamadas, popularmente, de "aranhas-caranguejeiras" ou "caranguejas"..

Características[editar | editar código-fonte]

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

As tarântulas têm ciclo de vida longo e levam de 2 a 5 anos para atingir a maturidade sexual. Os machos morrem normalmente após o acasalamento, alcançando 5 a 7 anos de vida. Antes de se tornarem adultas, as tarântulas têm de comer diariamente, exceto no período de sua troca de pele, quando há jejum de, em média, dez dias antes e de sete dias depois. Quando já são adultas podem passar por longos períodos sem comer. Foram registrados casos de longevidade de fêmeas em cativeiro com até 25 anos.

Hábitos[editar | editar código-fonte]

As tarântulas são animais solitários e noctívagos. Alimentam-se de pequenos animais, que nas espécies maiores podem incluir pequenos pássaros, roedores ou anfíbios. Todas as espécies de tarântulas apresentam canibalismo.

Toca[editar | editar código-fonte]

A maioria das Tarântulas não se afasta de sua toca, nem mesmo para se alimentar, pois sentem a presença das presas pela vibração do solo. O macho normalmente é quem faz as viagens mais longas para encontrar as fêmeas.

As tocas são normalmente subterrâneas, geralmente aproveitadas de outras aranhas ou roedores. São forradas com sua teia formando seda, o que arrefece o esconderijo. Geralmente ficam próximas a raízes de árvores e pedras, e podem chegar até 1 metro de profundidade.

Existem espécies que também são arbóreas — não necessitam ir ao solo durante toda sua vida, e fazem tocas em buracos nas árvores.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

O acasalamento das tarântulas é como o das aranhas verdadeiras (Araneae). A diferença é que o macho tem ganchos para prender as presas das fêmeas no ato sexual. Os machos têm seus pedipalpos modificados para a cópula. Normalmente o macho foge logo após o ato, antes que a fêmea recobre seu apetite, e morre poucos meses depois, devido a seu curto ciclo de vida. A fêmea armazena o esperma vivo em órgão especial, até chegar a época de botar os ovos.

As fêmeas depositam entre 50 a 200 ovos em saco de seda que incubam por cerca de 6 semanas. Os ovos são bem grandes, e o saco pode chegar a ficar do tamanho de limão. Os filhotes já nascem com bom tamanho. Após o nascimento as pequenas tarântulas não recebem cuidados parentais, ficam pouco tempo na toca e logo depois se dispersam.

Preservação[editar | editar código-fonte]

A tarântula é espécie ameaçada devido principalmente à destruição do seu habitat, proporcionando número elevado de atropelamentos e a caça para criação como animal de estimação. Em contrapartida, é uma das aranhas mais criadas em cativeiro (o que contribui para a redução de suas populações na natureza).

Exemplo de espécies de tarântula[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Fabre, Jean-Henri; Translated by Alexander Teixeira de Mattos; The Life of the spider; Pub: Dodd, Mead, New York, 1916. Download from: http://archive.org/details/lifespider00fabrgoog
  2. Room, Adrian (2006). Placenames of the World. 2nd. North Carolina, USA: McFarland&Company, Inc. 369 páginas 
  3. Colman, Andrew (2001). Dictionary of Psycology. 1st. Oxford New York: Oxford University Press Inc. 754 páginas