Tarcísio de Freitas
Tarcísio de Freitas | |
|---|---|
Retrato oficial, 2023 | |
| Governador de São Paulo | |
| Período | 1.º de janeiro de 2023 até a atualidade |
| Vice-governador | Felicio Ramuth |
| Antecessor(a) | Rodrigo Garcia |
| Ministro da Infraestrutura do Brasil | |
| Período | 1.º de janeiro de 2019 até 31 de março de 2022 |
| Presidente | Jair Bolsonaro |
| Antecessor(a) | Valter Casimiro Silveira (como Ministro dos Transportes) |
| Sucessor(a) | Marcelo Sampaio Cunha Filho |
| Diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do Brasil | |
| Período | 22 de setembro de 2014 até 16 de janeiro de 2015 |
| Presidente | Dilma Rousseff |
| Antecessor(a) | Jorge Ernesto Pinto Fraxe |
| Sucessor(a) | Adailton Cardoso Dias |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Tarcísio Gomes de Freitas |
| Nascimento | 19 de junho de 1975 (51 anos) Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Alma mater | Academia Militar das Agulhas Negras Instituto Militar de Engenharia |
| Prêmio(s) |
|
| Cônjuge | Cristiane Freitas (c. 1997) |
| Filhos(as) | 2 |
| Partido | Republicanos (2022–atualidade) |
| Religião | católico romano[2] |
| Profissão | engenheiro civil servidor público (consultor legislativo da Câmara dos Deputados) |
| Residência | Palácio dos Bandeirantes |
| Assinatura | |
| Serviço militar | |
| Lealdade | |
| Serviço/ramo | |
| Anos de serviço | 1996–2008 |
| Graduação | |
Tarcísio Gomes de Freitas (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1975)[3][4] é um engenheiro, ex-militar e político brasileiro, filiado ao Republicanos e atual governador do estado de São Paulo desde 2023.[5] Foi ministro da Infraestrutura de 2019 a 2022, no governo Jair Bolsonaro,[6] bem como diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes de 2014 a 2015, durante o governo Dilma Rousseff.
É formado pela Academia Militar das Agulhas Negras e pelo Instituto Militar de Engenharia, tendo servido no Exército Brasileiro de 1996 a 2008 e chegado ao posto de capitão, antes de ingressar no serviço público federal como analista de finanças e controle da Controladoria-Geral da União (CGU), cargo que exerceu de 2008 a 2015, quando se tornou consultor legislativo da Câmara dos Deputados.[7] Elegeu-se governador de São Paulo no segundo turno das eleições de 2022. Politicamente, Tarcísio tem se apoiado no bolsonarismo e defendido anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.[8]
Seu governo no estado de São Paulo tem sido marcado pela grande implementação de pedágios rodoviários,[9][10] privatizações e leilões de empresas e do "patrimônio público paulista",[11] tais quais Sabesp, Emae e linhas da CPTM, de escolas e rodovias estaduais.[12][13] Lançou o programa Casa Paulista e regulamentou a distribuição de medicamentos à base de cannabis pelo SUS estadual.[14] Em seu governo também houve cortes na verbas direcionadas à educação em detrimento à saúde[15][16] e ao combate ao crime organizado,[17] além de aumento dos números de mortes por ações policiais.[18] É igualmente marcado por críticas relacionadas a mecanismos que teriam contribuído para a facilitação da grilagem de terras públicas paulistas ocupadas irregularmente por grandes fazendeiros.[19]
Carreira
[editar | editar código]Tarcísio de Freitas é servidor público de carreira, no cargo de consultor legislativo (área de desenvolvimento urbano, trânsito e transportes) da Câmara dos Deputados desde 2015.[20]
Ingressou no Exército Brasileiro em 15 de fevereiro de 1992, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, situada em Campinas. Em seguida, foi para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, onde foi declarado Aspirante a Oficial da arma de Engenharia em 30 de novembro de 1996.[21]
Foi promovido a Segundo Tenente em 31 de agosto de 1997, a Primeiro Tenente em 25 de dezembro de 1998 e a Capitão em 25 de dezembro de 2002. Entre 1999 e 2002, estudou no Instituto Militar de Engenharia, formando-se em engenharia civil[3][20] Também pelo IME, concluiu o mestrado em engenharia de transportes em 2008.[20]
Trabalhou como engenheiro militar de 2003 a 2008, tendo sido chefe da seção técnica da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, entre 2005 e 2006.[20]
Em 2008, deixou o serviço militar, no posto de capitão, ao ingressar no serviço público federal como analista de finanças e controle da Controladoria-Geral da União (CGU),[21] onde foi assessor do diretor de auditoria da área de infraestrutura entre 2008 e 2011, e coordenador-geral de auditoria da área de transportes em 2011,[22] ano em que foi indicado para a função de diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pelo general Jorge Fraxe. Este assumiu o órgão em meio à "faxina ética" determinada pela então presidente Dilma Rousseff, após uma crise provocada por denúncias de corrupção. Freitas foi promovido à diretoria-geral do DNIT em 2014, tendo exercido o cargo de diretor-geral entre 22 de setembro de 2014 e 16 de janeiro de 2015,[23] quando foi nomeado consultor legislativo da Câmara dos Deputados.[21]
Durante o período, o Tribunal de Contas da União descobriu 88 contratos irregulares do Dnit com duas fundações ligadas ao Instituto Militar de Engenharia (IME) – escola onde Freitas formou-se em Engenharia Civil. Segundo o TCU, a maioria das empresas era ligada ao major Washington Luis de Paula e o prejuízo estimado ao erário foi de milhões, com os serviços não sendo realizados. Outros contratos, para cessão de funcionários de fundações do IME ao Dnit, no valor de R$ 20 milhões, também foram provados fraudulentos. Esses acordos foram assinados na gestão Tarcísio no Dnit.[24]
A justiça militar, em 2019, chegou a condenar oficiais pelo desvio de R$ 11 milhões nesse caso.[25] Posteriormente, em 2022, a Polícia Federal investigaria os acordos na Operação Burolano[26] e na Operação Círculo Fechado.[27]
Em 2015, atuou como secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações.[22] Em 2016, foi secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações, já no governo Michel Temer.[21]
Em novembro de 2018, foi anunciada pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro a escolha de Freitas para assumir o Ministério da Infraestrutura.[28][29]
Ministério da Infraestrutura
[editar | editar código]Após ser convidado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, Tarcísio Gomes de Freitas tomou posse no comando do Ministério da Infraestrutura em janeiro de 2019,[30] com a missão de finalizar obras[31] inacabadas[32] e conceder o máximo possível de ativos para a iniciativa privada.[33] Tarcísio foi responsável por pavimentar e duplicar a BR-116 Sul[34] e construir pontes[35] que reduziram a dependência das balsas[36] e conectaram regiões remotas do país.

Ao longo do ano de 2019, o Ministério da Infraestrutura promoveu concessões em todos os modais de transporte (rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo). Foram concedidos 27 ativos,[37] com destaque para: BR-364/365 (trecho de 437 km entre Jataí-GO e Uberlândia-MG); leilão do tramo central da Ferrovia Norte-Sul;[38] 13 terminais portuários[39] e 12 terminais de aeroportos.[40] Entre as obras públicas, destaque para a conclusão da pavimentação da BR-163,[41] que liga o Mato Grosso ao Pará.
No segundo ano de mandato de Tarcísio de Freitas à frente do Ministério da Infraestrutura, a pasta entregou a nova ponte do Guaíba, no Rio Grande do Sul.[42][43][44] Também foram realizadas concessões em 12 ativos de infraestrutura, com destaque para terminais do Porto de Santos, renovação antecipada de ferrovias da Malha Paulista,[45][46] Vitória-Minas[47][48][49] e Carajás.[50]
Em 2021, o ministério empreendeu 5,5 bilhões de reais em obras[51][52] no setor de transporte, entre conclusões de obras, reformas e ampliações. Foram concedidos 39 ativos[53] à iniciativa privada.[54][55] Ganharam destaque ao longo daquele ano as autorizações ferroviárias.[56][57][58] Foram recebidos 49 pedidos e nove foram assinados, resultando em investimentos na ordem dos R$ 50 bilhões. Destaque para trecho entre Goiás e Bahia da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol)[59][60] e 13 arrendamentos portuários, além de três concessões de rodovias. Também foram realizadas 108 obras[51] públicas, com pavimentação, duplicação ou recuperação de 2.050 quilômetros de rodovias. No modal aeroviário, 22 aeroportos[61][62] da Infraero foram arrematados em leilões, com investimentos privados da ordem de R$ 6,1 bilhões.[63][64]
No primeiro semestre de 2022, o Ministério da Infraestrutura contabilizou cinco projetos concedidos[65] à iniciativa privada: a Rodovia BR-116/493/465 (RJ/MG);[66][67] os terminais portuários[68] STS11 (Santos-SP),[69] SUA07 (Suape-PE) e PAR32 (Paranaguá-PR) e a renovação de concessão de ferrovia da MRS.[70] Entre as principais realizações de 2022, destaca-se a privatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).[71]
Os gastos com dispensas de licitação tiveram forte avanço na reta final da gestão de Tarcísio de Freitas como ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro. Os pagamentos incluem contratos com indícios de irregularidades apontados pelo TCU e obras emperradas. Os gastos sem licitação no Dnit, autarquia ligada à pasta que cuida das rodovias, saíram em valores nominais de R$ 224 milhões, em 2019, para R$ 421 milhões, em 2020. Em 2021, atingiram R$ 1,1 bilhão, segundo o Portal da Transparência —alta de quase 400% em dois anos.[72]
Malha Nordeste da RFFSA
[editar | editar código]No final de 2018 a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recomendou a cassação da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), concessão ferroviária do grupo CSN no Nordeste (antiga malha Nordeste da RFFSA), por descumprimento de metas.[73] Em outubro de 2019 a ANTT estava prestes a declarar a caducidade da concessão da malha Nordeste sob controle da CSN.[74] Naquele momento, dos 4207 quilômetros da malha concedida, apenas 26% se encontravam em uso (localizada nos estados do Ceará, Maranhão e Piauí) enquanto o restante da malha do Nordeste se encontrava abandonado.[75] Em 2017 um estudo da Confederação Nacional da Indústria indicou que 70% da malha Nordeste se encontrava sem uso.[76] O processo de caducidade chegou a ser entregue ao ministro Freitas.[77] Apesar do descumprimento do contrato apontado pela ANTT, a concessão acabou mantida pelo ministro. Porém o presidente da FTL (empresa responsável pela malha Nordeste) foi substituído.[78]
Segundo a FTL, sua operação atual se concentra nos estados do Ceará, Maranhão e Piauí (1195 quilômetros e 28% da malha concedida) e o restante da malha ferroviária do Nordeste (3014 quilômetros e 72% da malha concedida) estão desativados e desde 2013 em processo de devolução para a ANTT.[79]
Metrô de Belo Horizonte
[editar | editar código]Freitas anunciou em abril de 2019 que o Metrô de Belo Horizonte receberia 1 bilhão de reais para sua expansão (com a retomada das obras da Linha 2, paralisadas desde 2004), apesar do metrô ser ligado oficialmente ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Os recursos seriam oriundos do pagamento de uma contrapartida da renovação do contrato de concessão da Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA), porém dependiam de aprovação do Tribunal de Contas da União.[80]
As negociações entre o Ministério da Infraestrutura e a FCA arrastaram-se até dezembro de 2019, quando o acordo foi assinado. O anúncio do Freitas de que a "contrapartida" seria destinada exclusivamente ao Metrô de Belo Horizonte desagradou as cidades mineiras atendidas pela FCA, que reivindicaram parte dos recursos.[81] O recurso para o metrô foi anunciado sucessivas vezes por Freitas ao longo de 2020 (em junho,[82] agosto[83] e setembro),[84] embora dependesse de aprovação do Ministério da Economia e da inclusão do valor no orçamento federal. O Ministério da Infraestrutura tentou por diversas vezes utilizar esse recurso sem a anuência do Ministério da Economia.[85]
Em dezembro de 2022, o metrô de Belo Horizonte foi concedido à iniciativa privada. Marcado por insegurança jurídica, o leilão não conseguiu atrair as principais empresas do mercado,[86] sendo vencido pela empresa Comporte com uma proposta única de pouco mais de 25 milhões de reais.[87] Pelo contrato, a empresa tornou-se responsável por construir a Linha 2 do metrô, além de expandir a linha já existente. Para isso, a empresa receberá 3,2 bilhões de reais de recursos públicos.[88]
Pró-Trilhos
[editar | editar código]Em setembro de 2021 o ministro Freitas lançou o programa federal Pró-Trilhos. Através da Medida Provisória 1.065/2021 foi instituído o Marco Legal das Ferrovias, que prometia facilitar investimentos privados na construção de ferrovias, liberando a construção de novos projetos ferroviários por meio de permissões simples. Chamado por Freitas de "maior revolução ferroviária dos últimos 100 anos", o programa se revelou mais tarde um grande fracasso.[89] Apesar da expectativa do Pró-Trilhos ter atraído 89 propostas de construção de 22 mil quilômetros de novas ferrovias (número correspondente a 73% da malha existente) e investimentos previstos de 258 bilhões de reais,[90] o PróTrilhos praticamente ficou no papel.[91]
Em maio de 2024 enquanto o governador Freitas lançava o programa "SP nos trilhos" com expectativa de atrair 190 bilhões de reais em investimentos[92] (similar ao programa federal), o Pró-Trilhos foi relembrado pela imprensa. Até aquele momento nenhum projeto anunciado pelo "Pró-Trilhos" havia iniciado as obras (apenas dois estavam em fase de desapropriações de áreas) e muitas das propostas foram retiradas por seus proponentes. O atual ministro dos transportes Renan Filho criticou o programa e afirmou que o Pró-Trilhos havia gerado "ferrovias de papel" e causado "uma desordenada corrida de pedidos de autorizações ferroviárias" por empresas "sem necessariamente ter condições ou real intenção de levar o empreendimento adiante".[91]
Itapemirim Transportes Aéreos
[editar | editar código]Em outubro de 2020 o Grupo Itapemirim, controlado pelo empresário Sidnei Piva de Jesus, apresentou ao Ministério de Infraestrutura uma proposta para retornar ao mercado de aviação.[93] Apesar de o Grupo Itapemirim estar em um processo de recuperação judicial, a proposta foi recebida com grande entusiasmo por Freitas ao ponto do ministro gravar um vídeo sobre o encontro com representantes da empresa e anunciar a proposta com destaque em uma live do presidente Jair Bolsonaro (onde levou uma miniatura de ônibus ofertada pelo Grupo Itapemirim).[94]
A Agência Nacional de Aviação Civil, ligada ao Ministério da Infraestrutura, aprovou a proposta da Itapemirim em maio de 2021.[95] Após realizar seu voo inaugural em fins de junho, a Itapemirim Transportes Aéreos passou a sofrer problemas financeiros e gestão que culminaram com uma abrupta suspensão de operações em 17 de dezembro de 2021. A suspensão prejudicou cerca de quarenta mil passageiros, com parte se dirigindo aos aeroportos e protestando contra a medida.[96][97]
Freitas permaneceu em silêncio durante três dias enquanto críticas se avolumavam em relação a sua atuação no caso, com os vídeos do ministro entusiasmado com representantes da Itapemirim e da live com o presidente sendo relembrados na imprensa e nas redes sociais.[94][98] Em 20 de dezembro Freitas deu suas primeiras declarações sobre a Itapemirim. Questionado sobre o porquê seu ministério avalizou a proposta de abertura de uma empresa aérea a um grupo em recuperação judicial, Freitas alegou que a Itapemirim possuía todas as certidões negativas e certificados que garantiam a operação da empresa. Ainda assim, Freitas lamentou o caso e que se tratava de “um problema muito grave”.[99]
Carreira política
[editar | editar código]Tarcísio de Freitas teve seu nome cogitado para concorrer a um cargo público pela primeira vez em fevereiro de 2021 quando o jornalista Claudio Magnavita do "Correio da Manhã" informou ter apurado movimentações de políticos a respeito de uma suposta candidatura de Tarcísio ao governo do Rio de Janeiro.[100]
Em 26 de abril de 2021 o presidente Bolsonaro sugeriu que Tarcísio de Freitas poderia concorrer ao governo do estado de São Paulo.[101] No dia 23 de maio, Tarcísio participou da "motociata" promovida por Bolsonaro em algumas cidades do país, durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, mesmo quando a calamidade já havia vitimado mais de 450 mil brasileiros.[102] O ato teria causado aglomerações e agravado a crise sanitária naquele momento.
A foto de Tarcísio na garupa de Bolsonaro, particularmente, foi destaque no jornal britânico The Guardian, que classificou o evento como "obsceno".[103] Foi comparado ao formato dos passeios de moto promovidos pelo líder fascista italiano Benito Mussolini em 1933 pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão).[104]
Candidatura a Governador de São Paulo em 2022
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Em março de 2022, filiou-se ao partido Republicanos para concorrer ao governo de São Paulo.[105] A partir do segundo semestre de 2021, Tarcísio intensificou sua agenda com vistas ao pleito de 2022.[106] O nome de Tarcísio de Freitas foi confirmado como candidato ao governo de São Paulo em 30 de julho de 2022 durante a convenção do partido Republicanos, tendo o ex-prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, como seu vice.[107] A coligação de Tarcísio para o pleito foi nomeada de "São Paulo pode mais", e contou com o apoio de seis partidos: Republicanos, PSD, PL, PTB, PSC e PMN. A convenção que oficializou o nome de Tarcísio de Freitas como candidato ao Governo de São Paulo contou com a presença do então Presidente da República, Jair Bolsonaro.[108] Bolsonaro desempenhou papel fundamental na campanha de Tarcísio, que até então era desconhecido no estado.
Plataforma e Campanha eleitoral
[editar | editar código]Tarcísio, durante sua campanha eleitoral, destacou uma plataforma centrada na expansão de concessões e parcerias com o setor privado, fortalecimento da segurança pública e compromissos para reduzir ou revisar impostos estaduais, como IPVA e ICMS. Sua retórica de campanha buscou diferenciar sua agenda das gestões anteriores do PSDB, enfatizando forte alinhamento com a base política do ex-presidente Jair Bolsonaro.[109] Resumos midiáticos das propostas registradas no tribunal eleitoral apontaram menções amplas a investimentos privados e infraestrutura, com projetos específicos discutidos em debates e fóruns televisionados.
No primeiro turno, Tarcísio obteve 9.881.786 votos, 42,32% do total, avançando para o segundo turno contra Fernando Haddad (PT), o que fez com que o PSDB não chegasse ao segundo turno em São Paulo pela primeira vez em 28 anos.
Em 30 de outubro de 2022 foi eleito com 13 480 643 votos válidos,[110] 55,27% do total, derrotando o antigo prefeito paulistano Fernando Haddad (PT).[111]
Suposto atentado durante campanha eleitoral
[editar | editar código]Enquanto candidato ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio afirmou ter sido alvo de um atentado na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista, quando se preparava para a coletiva de imprensa. Um tiroteio aconteceu numa proximidade de 50 a 100 metros do local em que estava Tarcísio e sua equipe. Apesar da campanha e de aliados de Tarcísio terem classificado o ocorrido como "atentado",[112] a Polícia Militar do Estado de São Paulo afirmou não ter provas suficientes para sustentar essa classificação.[113]
Uma investigação do jornal Folha de S.Paulo revelou um áudio onde um integrante da campanha da Tarcísio ordena a um cinegrafista da Jovem Pan a exclusão das imagens que este havia filmado sobre o tiroteio.[114] Segundo reportagem do portal The Intercept, quatro testemunhas afirmaram que viram o mesmo integrante da campanha de Tarcísio atirando contra um morador da favela, que estava desarmado.[115] O fato levantou suspeitas e acusações de armação por parte da equipe de Fernando Haddad (PT), seu rival no segundo turno.[116]
Em outubro de 2023, a Polícia Federal do Brasil abriu um inquérito para investigar se a campanha de Tarcísio forjou um suposto atentado para favorecê-lo na eleição de 2022. De acordo com apuração, na portaria que originou o inquérito, o delegado Eduardo Hiroshi Yamanaka apontou para a possível violação do Código Eleitoral e “outras que porventura forem constatadas no curso da investigação”.[117][118][119] Secretários da gestão Tarcísio acusaram a PF de uso político da investigação.[120]
Apoio a Donald Trump
[editar | editar código]No início de 2025, Tarcísio comemorou a vitória de Donald Trump em suas redes sociais, compartilhando um vídeo em que aparece com o boné de campanha Make America Great Again.[121] Mais tarde do mesmo ano, na ocasião das Tarifas alfandegárias no segundo governo Trump, afirmou que o governo do Brasil deveria "entregar alguma vitória" para os Estados Unidos no embate.[122] Já em 2026, quando o governo estadunidense passou a estudar a possibilidade de considerar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, foi um dos apoiadores da ideia, afirmando que se tratava de uma "oportunidade".[123]
Governo de São Paulo
[editar | editar código]Conflitos e coordenação com o PL
[editar | editar código]As relações com candidatos do PL variaram por cidade. Em algumas disputas, candidatos do Republicanos e do PSD competiram diretamente contra figuras apoiadas pelo PL; em outros casos, Tarcísio apoiou ou posteriormente convergiu com campanhas do PL no segundo turno. Essa coordenação seletiva refletiu afinidades políticas em temas como segurança e infraestrutura, além de diferenças táticas em relação à identidade partidária e perfis dos candidatos.
Fora da cidade de São Paulo, candidatos alinhados com Tarcísio também obtiveram vitórias em municípios importantes. Em Campinas, Dário Saadi foi reeleito no primeiro turno; em Sorocaba, Rodrigo Manga também garantiu vitória no primeiro turno; e em Santos, Rogério Santos conquistou a reeleição no segundo turno. Todos os três candidatos pertenciam ao partido de Tarcísio, o Republicanos.[124][125][126]
Em São José dos Campos, Anderson Farias (PSD) derrotou seu adversário do PL no segundo turno; em Guarulhos, após a derrota do candidato do Republicanos, Tarcísio endossou Lucas Sanches (PL), que venceu o segundo turno.[127][128]
Acusações durante eleições municipais
[editar | editar código]Na manhã do dia 27 de outubro de 2024, o governador Tarcísio de Freitas do Republicanos disse, sem apresentar provas, que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) orientou aos seus membros criminosos que votassem em Guilherme Boulos do PSOL para a prefeitura de São Paulo. Ele estava ao lado do candidato à reeleição Ricardo Nunes do MDB durante coletiva de imprensa no Morumbi, na Zona Sul da capital. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) afirmou que não recebeu relatório. Em coletiva de imprensa, Boulos afirmou que a fala de Tarcísio é "irresponsável", '"mentirosa" e "crime eleitoral".[129] Em resposta, a campanha de Boulos entrou com notícia-crime no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o governador de São Paulo e o seu adversário no segundo turno da capital paulista, Ricardo Nunes do MDB.[130] Em 7 de março de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) absolveu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito Ricardo Nunes de crime eleitoral ligando PCC a Guilherme Boulos, no 2° turno da eleição de 2024.[131]
Vida pessoal
[editar | editar código]Nascido no Rio de Janeiro, filho de Amaury Vieira Freitas, que trabalhou no comércio e no Banco do Brasil, e Maria Alice Gomes Freitas, empregada doméstica. De origem humilde, mudou-se aos três anos com a família para Águas Claras, cidade-satélite de Brasília.[132]
Ele saiu de casa aos 19 anos para ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas, e seguiu uma trajetória marcada por disciplina militar e dedicação acadêmica.
Família
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Tarcísio é casado desde 1997 com Cristiane Freitas, natural de Parnamirim, Rio Grande do Norte. Eles se conheceram quando Tarcísio era aspirante do Exército em Natal, onde Cristiane trabalhava como vendedora e depois gerente de loja. O casal tem dois filhos, Matheus e Letícia. Tarcísio frequentemente destaca o papel de Cristiane como pilar de sua família, descrevendo-a como sua "fortaleza" em postagens públicas.
Antes de se estabelecer em São Paulo, a família viveu em diversas cidades, incluindo Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Jardim (PE), devido às demandas da carreira militar de Tarcísio.[133][134]
Religião
[editar | editar código]Tarcísio é católico praticante e menciona sua fé como um guia em sua vida, creditando a Deus decisões importantes, como seu casamento. Nas redes sociais, Tarcísio têm fotos publicadas em missas, entre elas, as que participaram como autoridades, como a celebração da festa de São Paulo Apóstolo.[135]
Apesar de ser católico, Tarcísio mantém um bom trânsito entre todas as religiões. Como Governador de São Paulo, sancionou o projeto de lei que declara a Marcha para Jesus como patrimônio cultural imaterial de São Paulo.[136] Ele também é apoiador e participante do evento, organizado pelo apóstolo Estevam Hermandes, líder da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Tarcísio também teve direito a discursar em todas as edições do evento na capital.
Tarcísio também foi um dos convidados da 55ª Conib (Convenção Anual da Confederação Israelita do Brasil), que ocorreu em novembro de 2024 na sede do clube A Hebraica, na capital paulista.[137]
Saúde
[editar | editar código]Durante sua formação no Instituto Militar de Engenharia (IME), enfrentou um câncer testicular, diagnosticado precocemente e tratado com sucesso, o que ele considera uma "bênção". Ele e Cristiane compartilharam publicamente esse episódio, destacando a importância do tratamento rápido.
Em 2025, Tarcísio passou por um processo de emagrecimento, no qual perdeu mais de 22kg por meio de um tratamento com remédios para diabetes tipo 2 e mudanças nos hábitos alimentares e de exercícios físicos.[138]
Desempenho eleitoral
[editar | editar código]| Ano | Eleição | Cargo | Partido | Votos | % | Resultado | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2022 | Estaduais em São Paulo | Governador | Republicanos | 9.881.786
(1º Turno) |
42,32% | Segundo Turno | [139] |
| 13.480.643
(2º Turno) |
55,27% | Eleito |
Referências
- ↑ «DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO - Seção 1 | Edição Extra | Nº 82-B, terça-feira, 30 de abril de 2019». Imprensa Nacional. 30 de abril de 2019. p. 8. Consultado em 15 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2025
- ↑ «Saiba quem é Tarcísio de Freitas, pré-candidato ao governo de São Paulo». Uol. 27 de junho de 2022. Consultado em 14 de fevereiro de 2023
- 1 2 «Perfil do ministro Tarcísio Gomes de Freitas no portal do Governo Federal». Secom - Governo Federal. 1 de janeiro de 2019. Consultado em 2 de janeiro de 2019
- ↑ «Twitter oficial do ministro Tarcísio Gomes de Freitas». Twitter.com. Dezembro de 2018. Consultado em 13 de janeiro de 2018. Cópia arquivada em 29 de agosto de 2025
- ↑ «Tarcísio de Freitas dá como certa ida ao PL e já pensa em nomes para vice em SP». Folha de S.Paulo. 11 de fevereiro de 2022. Consultado em 14 de fevereiro de 2022
- ↑ «Decretos de 30 de março de 2022». Diário Oficial da União. 31 de março de 2022. Consultado em 31 de março de 2022
- ↑ «Saiba quem é Tarcísio de Freitas, que disputa o segundo turno em São Paulo». CNN Brasil. 2 de outubro de 2022. Consultado em 14 de fevereiro de 2023. Cópia arquivada em 24 de outubro de 2025
- ↑ «Com sinais à base bolsonarista, Tarcísio esquenta guerra da sucessão na direita». VEJA. Consultado em 9 de outubro de 2025
- ↑ «São Paulo anuncia 58 novos pedágios free flow em todo estado». Quatro Rodas. Consultado em 8 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 1 de novembro de 2025
- ↑ «Rejeitado nas redes e criticado até por aliados, pedágio free flow vira desgaste para Tarcísio em SP». Estadão. Consultado em 8 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 21 de março de 2026
- ↑ «Tarcísio inicia privatização das escolas paulistas. Vem aí a "Enel da educação"». Sindicato dos Bancários de SP. Consultado em 8 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 12 de maio de 2026
- ↑ «Governo de SP faz nesta segunda leilão de novo lote para privatizar construção de escolas estaduais». G1. 4 de novembro de 2024. Consultado em 8 de outubro de 2025
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- ↑ «Candidato em 2026, Tarcísio emagrece mais de 20kg». Metrópoles. 18 de maio de 2025. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2025
- ↑ «Resultados - TSE». TSE. 2022. Consultado em 31 de outubro de 2022. Cópia arquivada em 23 de junho de 2026
Ligações externas
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| Cargos políticos | ||
|---|---|---|
| Precedido por: Jorge Fraxe |
Diretor-Geral do DNIT 2014–2015 |
Sucedido por: Adailton Dias |
| Precedido por: Valter Casimiro como Ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil |
Ministro da Infraestrutura 2019–2022 |
Sucedido por: Marcelo Sampaio |
| Precedido por: Rodrigo Garcia |
Governador de São Paulo 2023–presente |
Titular do cargo |
- Nascidos em 1975
- Tarcísio de Freitas
- Naturais da cidade do Rio de Janeiro
- Alunos do Instituto Militar de Engenharia
- Militares do estado do Rio de Janeiro
- Engenheiros civis do Brasil
- Ministros da Infraestrutura do Brasil
- Ministros do Governo Jair Bolsonaro
- Governadores do estado de São Paulo
- Católicos do Brasil
- Grã-Cruzes da Ordem de Rio Branco
- Políticos conservadores do Brasil
- Pessoas relacionadas ao bolsonarismo
- Neoliberais do Brasil
- Políticos do estado de São Paulo do século XXI
- Políticos entrevistados no Roda Viva
- Candidatos a governador de São Paulo
- Membros do Republicanos (partido político) de São Paulo
