Taxa de desemprego no Brasil

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A taxa de desemprego no Brasil se refere à desocupação oficial no país e é determinada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os valores são determinados a partir de estudos feitos a cada mês com a população economicamente ativa (PEA). As metodologias de medição do desemprego variam ao longo do tempo e de acordo com a pesquisa.

Cálculo[editar | editar código-fonte]

A Taxa de desemprego ou taxa de desocupação é medida em percentual (%) e calcula-se dividindo-se a População Desocupada pela População Economicamente Ativa, multiplicado por 100:

Sendo PD a população desocupada ou desempregada, e PEA a População Economicamente Ativa.

Definições[editar | editar código-fonte]

Desemprego[editar | editar código-fonte]

O IBGE classifica como pessoas desempregadas ou desocupadas aquelas que não estavam trabalhando, estavam disponíveis para trabalhar e tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho nos trinta dias anteriores à semana em que responderam à pesquisa.

Para as pesquisas realizadas entre 1983 e 2002, o IBGE considerava população em idade ativa (PIA), aqueles maiores de quinze anos de idade. De acordo com a nova metodologia do instituto, fazem parte da população em idade ativa os maiores de 10 anos de idade. Na definição de população empregada ou ocupada, o instituto considerava o limite mínimo de 15 horas por semana para o trabalho não remunerado, enquanto a nova pesquisa inclui aqueles que trabalharam pelo menos uma hora na semana.

População Economicamente Ativa[editar | editar código-fonte]

A população desempregada ou desocupada, bem como sua contraparte formada pela população ocupada, está inserida dentro da população economicamente ativa (PEA), dessa forma têm-se que:

Sendo que PEA é a População Economicamente Ativa, PO é a população que exerceu trabalho, remunerado ou sem remuneração, durante pelo menos uma hora completa na semana da pesquisa, ou que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas nessa semana, e PD são as pessoas desocupadas ou desempregadas, sem trabalho na semana da pesquisa, mas que estavam disponíveis para assumir um trabalho nessa semana e que tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho nos últimos 30 dias, sem terem tido qualquer trabalho ou após terem saído do último trabalho que tiveram nesse período. 

População em Idade Ativa[editar | editar código-fonte]

População em Idade Ativa (PIA) é formada pela soma das Pessoas Economicamente Ativas (PEA) e das Pessoas Não-economicamente Ativas (PNEA).

Sendo que PNEA são as pessoas não economicamente ativas que não podem ser classificadas nem como empregadas nem como desempregadas. Como por exemplo, pessoas que não possuem e nem estão procurando trabalho.

Pesquisas[editar | editar código-fonte]

Pesquisa Mensal de Emprego[editar | editar código-fonte]

Uma das pesquisas sobre emprego/desemprego mais consagradas é a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) que fornece informações mensais desde 1980 sobre seis regiões metropolitanas do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.[1]

Controvérsias sobre o método de cálculo[editar | editar código-fonte]

No entanto essa metodologia é considerada incorreta e parcial por alguns economistas por subestimar o desemprego real no Brasil. A mudança dos parâmetros do IBGE em 2002 tem suscitado dúvidas se esses dados não estão sendo maquiados. Considerar trabalhadores não remunerados como empregados e aqueles que desistiram de procurar um emprego como "desalentados" modifica as variáveis do índice para baixo. Parte dos beneficiários do Bolsa Família que decidem viver exclusivamente do benefício são classificados como Pessoas não Economicamente Ativas não entrando na conta do desemprego. E pessoas que recebem o seguro desemprego não são consideradas pelo IBGE desempregadas mas "desalentadas".[2]

Com base nesses dados o analista Leandro Roque chegou ao resultado de um desemprego real no Brasil de 20,8% frente aos 5,3% medidos pelo IBGE e aos 10,5% do DIEESE todos medidos em outubro de 2012.[2]

Resultados[editar | editar código-fonte]

2,5
5
7,5
10
12,5
15
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
Tabela com a Taxa de Desocupação nas Regiões Metropolitanas do Brasil, por mês e ano[3]
Ano/Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
2002 10.8[nota 1] 11.1[nota 1] 12.9 12.5 11.9 11.6 11.9 11.7 11.5 11.2 10.9 10.5
2003 11.2 11.6 12.1 12.5 12.9 13.0 12.8 13.1 13.0 13.0 12.2 10.9
2004 11.7 12.0 12.8 13.1 12.2 11.7 11.2 11.4 10.9 10.5 10.7 9.6
2005 10.2 10.7 10.9 10.8 10.2 9.4 9.5 9.4 9.7 9.6 9.6 8.4
2006 9.3 10.1 10.4 10.4 10.2 10.4 10.8 10.6 10.0 9.8 9.6 8.4
2007 9.3 9.9 10.2 10.2 10.2 9.7 9.5 9.6 9.0 8.7 8.3 7.5
2008 8.0 8.7 8.6 8.5 7.9 7.9 8.1 7.6 7.7 7.5 7.6 6.8
2009 8.2 8.5 9.0 8.9 8.8 8.1 8.0 8.1 7.7 7.5 7.4 6.8
2010 7.2 7.4 7.6 7.3 7.5 7.0 6.9 6.7 6.2 6.1 5.7 5.3
2011 6.1 6.4 6.5 6.4 6.4 6.2 6.0 6.0 6.0 5.8 5.2 4.7
2012 5.5 5.7 6.2 6.0 5.8 5.9 5.4 5.3 5.4 5.3 4.9 4.6
2013 5.4 5.6 5.7 5.8 5.8 6.0 5.6 5.3 5.4 5.2 4.6 4.3
2014 4.8 5.1 5.0 4.9 4.9 4.8 4.9 5.0 4.9 4.7 4.8 4.3
2015 6.7[4] 7.0[4] 8.1[4] 7.8[4] 8.5[4] 8.8[4] 9.2[4] 9.8[4] 10.4[4] 9.8[4] 10.8[4] 10.0[4]
2016 10.5[4] 10.4[4] A PME foi encerrada em fevereiro de 2016; não existem dados mais recentes.[5]

Pesquisa Índice de Medo do Desemprego[editar | editar código-fonte]

Para exprimir o sentimento dos brasileiros em relação ao desemprego, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realiza, trimestralmente, a pesquisa de Índice de Medo do Desemprego. O estudo fazia parte, até 2008, do Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), também elaborado pela CNI, que sintetiza a opinião dos brasileiros sobre decisões de consumo.[6] A Pesquisa de opinião da qual se obtém o Índice de Medo do Desemprego teve início em 1996. Sua média apresentou recuo desde o final de 2002, com algumas exceções, impactadas principalmente pelo cenário político do país. Como ocorreu em março de 2007, quando foi registrado o aumento de 100,4% na comparação com o mês de dezembro de 2006, e entre os meses de dezembro de 2008 e março de 2009, em função do acirramento da Crise internacional.[7] Em 2014, o índice alcançou 76,1.[8] Atualmente, divulgado em setembro de 2016, o medo do desemprego apresentou queda e encontra-se em 61,2 pontos, mas segue acima da média.[9]

Notas

  1. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome não consta

Referências

  1. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Mensal de Emprego - 2.ª Edição. Série Relatórios Metodológicos, Vol. 23. ISSN 0101-2843. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. Acesso em 9 de julho de 2015.
  2. a b Leandro Roque (30 de novembro de 2012). «A real taxa de desemprego no Brasil». mises.org. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  3. IBGE (março de 2002 a maio de 2015). «Tabela 2176 - Taxa de desocupação na semana de referência, das pessoas de 10 anos ou mais de idade por sexo». IBGE. Consultado em 10 de julho de 2015  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. a b c d e f g h i j k l m n SIDRA - acessado em 29 de março de 2019.
  5. Pesquisa Mensal de Emprego - acessado em 29 de março de 2019. "A Pesquisa Mensal de Emprego, encerrada com a divulgação dos resultados de fevereiro de 2016, produzia indicadores mensais sobre a força de trabalho [...]".
  6. «IPEA:  Índice de Medo do Desemprego» (PDF). Consultado em 1 de novembro de 2016 
  7. «IPEA:  Índice de Medo do Desemprego» (PDF). Consultado em 1 de novembro de 2016 
  8. «Série histórica: Índice de Medo do Desemprego». Consultado em 1 de novembro de 2016 
  9. «Dados de setembro de 2016 do Índice de Medo do Desemprego». Consultado em 1 de novembro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]