Tazerwalt

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Tazeroualt
Tazerwalt
[[Dinastia saadiana|]] Flag of Morocco 1258 1659.svg
1613 – 1886 Royal standard of Morocco.svg [[Dinastia alauita|]]
 
Flag of Morocco.svg [[Protetorado Francês de Marrocos|]]
Continente África
Região Noroeste de África
País Marrocos
Capital Illigh
29° 30' N 9° 30' O
Religião Islão
Governo Monarquia, principado
rei ou emir
 • 1613 Ali Abu Damia Hassun (Abu Hassun)
 • fin. séc. XVIII — 1825 Sidi Hachim ben Ali al-Ilighi
 • 1825 — 1886 Hussein ibn Hashim
 • 1912 — 1919 Ahmed al-Hiba
Período histórico Idade Moderna, Idade Contemporânea
 • 1613 Fundação
 • 1625 Fortificação da capital
 • 1670 Conquista pelo sultão alauita Moulay Rachid
 • fin. séc. XVIII Fundação do principado de Sidi Hachim
 • 1886 Dissolução
 • 1912 Revolta de Ahmed al-Hiba
População
 • 1936 est. 2 106 
A população em 1936 refere-se à antiga capital
Illigh (Tazerwalt) está localizado em: Marrocos
Illigh (Tazerwalt)
Localização em Marrocos de Illigh, a capital histórica de Tazerwalt

Tazerwalt ou Tazarwalt ou Tazeroualt é uma região histórica do sul de Marrocos, situada nas montanhas do Anti-Atlas, cuja capital histórica é o que é hoje a aldeia de Illigh (Illirh), 4 km a oeste da vila de Sidi Ahmed ou Moussa e 32 km em linha reta (55 km por estrada) a sudeste de Tiznit. Tem cerca de 400 km² e é atravessada pelo uádi (rio) homónimo, afluente do Massa. Atualmente faz parte da região administrativa de Souss-Massa-Drâa.

Tendo chegado a ser um reino independente que controlava o comércio do sudoestes marroquino com o Saara, entre os séculos XVII e XIX, pouco ou nada resta da sua antiga glória, à parte do mausoléu do marabuto (santo muçulmano) do qual descendeu a dinastia que reinou no local ainda ser um local de peregrinação, sendo palco de um moussem anual muito concorrido, que se realiza na segunda ou terceira semana de agosto.

História[editar | editar código-fonte]

A região era ocupada pela tribo berbere Masmuda, mas não é mencionada em registos históricos até ao tempo de Sidi Ahmed Ou Moussa (Sayyid Ahmad al-Musa), um xarife idríssida místico que fundou em Illigh uma confraria e ali construiu uma zaouïa no século XV ou XVI. Sidi Ahmed Ou Moussa viveu cerca de 1463-1563 e está sepultado, juntamente com alguns dos seus descendentes num mausoléu construído em 1884 para substituir o que ele mandou construir no século XVI. Sidi Ahmed Ou Moussa é o santo padroeiro dos acrobatas de Marrocos. A acrobacia tem uma longa tradição em Marrocos e muitos dos acrobatas marroquinos são originários de Tazerwalt.

No século XVII, o marabuto Ali Abu Damia Hassun (Abu Hassun), descendente de Sidi Ahmed Ou Moussa, toma o poder na região e assume liderança da confraria da Zaouïa de Tazerwalt em 1613, aproveitando-se do enfraquecimento da dinastia saadiana depois da morte de Ahmed al-Mansur Saadi em 1603. Após a ascensão ao trono saadiano de Moulay Zidane, em 1613, o makhzen saadita debilitado exercia um poder muito limitado. Surgiram então várias forças, entre elas a de Tazerwalt e a dos alauitas, a futura dinastia reinante:

  • As planícies do noroeste eram controladas pelo marabuto El-Ayachi e os seus aliados.
  • Tetuão era uma cidade-estado governada pela família Naqsis.
  • O Tafilalet estava sob o controlo dos alauitas.
  • O sudoeste de Marrocos era controlado pela confraria de Iligh.

Abu Hassun forma um reino independente, com capital em Iligh, que é fortificada em 1625. O reino é estendido para além do Tazerwalt, ocupando a região do Suz e a região pré-saariana compreendida entre os uádis Suz e Drá. Além disso, consegue obter alguns enclaves marítimos em Agadir e em Massa, o que lhe assegurou o êxito comercial do seu estado depois da derrota de Abu Mahalli. Para a prosperidade comercial de Tazerwalt contribuiu também a política de baixas taxas aduaneiras cobradas ao mercadores franceses e ingleses. O reino de Tazerwalt tornou-se um corredor de passagem obrigatória do tráfico transaariano de ouro no eixo Gao-Tombuctu-Tarudante. Com a ajuda dos judeus locais, em meados do século XVII, o reino controlava o comércio do Saara Ocidental e domina vastos territórios no Atlas.

O impulso económico fulgurante é acompanhado da manutenção de um equilíbrio com os Dilaítas, que com Tazerwalt mantinham influência na foz do Bu Regreg. Sidi Ali de Tazeroualt assediou o Tafilalt com o seu exército durante dez anos, chegando a aprisionar Moulay Mohammed durante um ano.

Na segunda metade do século XVII a confraria perdeu terreno frente aos alauitas. O reino foi destruído em 1670 ou 1671 pelo sultão Moulay Rachid da ascendente dinastia alauita, que acabará por estender o seu domínio sobre todo o Marrocos. A Zaouïa de Illigh é também destruída pelos alauitas e os descendentes de Abu Damia Hassun são forçados a fugir para o Saara. Apesar disso, a zaouïa foi reconstruída 30 anos depois.

Iligh volta à ribalta da política marroquina no fim do século XVIII, com Sidi Hachim ben Ali al-Ilighi, um descendente de Abu Damia Hassun, que forma um principado autónomo de nome Sidi Hachim, o qual teve um papel preponderante no comércio transaariano. Sidi Hachim foi morto em 1825, mas o seu filho Hussein ibn Hashim (Husayn ben Hachem; 1842-1886) sucedeu-lhe e continuou o seu trabalho. Em grande parte devido à atividade dos judeus e das duas feiras que se realizavam em Iligh, a cidade tornou-se o principal centro de comércio do sudoeste de Marrocos, dominando o comércio saariano e mantendo relações comerciais com a Europa através do porto de Essaouira (Mogador). Hussein reconheceu a soberania e a autoridade espiritual dos sultões alauitas, mas na prática era independente.

Em 1882 e 1886 o sultão Hassan I empreende duas expedições militares para dominar o Suz e durante a segunda aproveita a oportunidade para restabelecer ou solidificar a sua soberania sobre Tazerwalt. Entretanto Hussein morre. Iligh passou então a ser a capital administrativa do sudoeste do sultanato, que incluía também o Suz al-Aksa, correspondente aproximadamente às atuais províncias de Agadir, Tarudante e Tiznit. Em 1884 foi construído um novo mausoléu dedicado a Sidi Ahmed Ou Moussa, que substituiu a que existia.

Em 1912, o líder rebelde Ahmed al-Hiba (o "sultão azul") resistiu aos franceses usando o Suz e Tazerwalt como as suas bases de operações. O conflito interrompeu o comércio com os portos atlânticos, controlados pelos franceses e apesar de al-Hiba ter morrido em 1919, os franceses só conseguiram dominar completamente todo o Suz al-Aksa e Tazerwalt em 1934.

Segundo o censo de 1936, Illigh tinha 1906 habitantes muçulmanos e 220 judeus. Depois da independência, a localidade surgida em volta do mausoléu de Sidi Ahmed ou Moussa tornou-se o centro administrativo. A vila tem o nome do santo e em 2004 tinha 4 256 habitantes.[1]

O mausoléu ainda hoje é um local de peregrinação (67 000 peregrinos registados em 1981). Iligh perdeu toda a sua importância administrativa e comercial devido ao fim do zoco (mercado) semanal e à emigração dos seus judeus para Israel entre 1956 e 1960.

Notas e fontes[editar | editar código-fonte]

  • Castries, Henry de La Croix (1880). «Notice sur la région de l'oued Draa». C. Delagrave. Bulletin de la société de géographie (em francês). XX. 500 páginas. Consultado em 23 de janeiro de 2012. 
  1. Royaume du Maroc - Haut-Comissariat au Plan. «Recensement général de la population et de l'habitat 2004» (PDF). www.lavieeco.com (em francês). Jornal La Vie éco. Consultado em 28 de dezembro de 2011. 

Ligações externas e bibliografia adicional[editar | editar código-fonte]

  • «Tazeroualt». tiwanaman.maktoobblog.com (em inglês). Association Tiwanaman. 2009. Consultado em 23 de janeiro de 2012.