Theatro Municipal de São Paulo

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Theatro Municipal de São Paulo
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Teatro Municipal de São Paulo 8.jpg
Fachada principal do teatro
Autor Ramos de Azevedo
Data da construção 1911
Estilo arquitetônico eclético
Cidade São Paulo, SP
Tombamento 1981
Órgão Condephaat

O Theatro Municipal de São Paulo[1] é um dos mais importantes teatros do Brasil e um dos cartões postais da cidade de São Paulo. Localizado no centro da cidade, na Praça Ramos de Azevedo, foi inaugurado em 1911 para atender ao desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais.

Seu estilo arquitetônico é semelhante ao dos mais importantes teatros do mundo e foi inspirado na Ópera de Paris. O edifício faz parte do Patrimônio Histórico do estado desde 1981 quando foi tombado pelo Condephaat. Além de sua importância arquitetônica, o teatro também possui notabilidade histórica, pois foi palco da Semana de Arte Moderna, o marco inicial do Modernismo no Brasil.[2]

É considerado um dos palcos de maior respeito do Brasil e apresenta uma das maiores e melhores produções líricas do país. Importantes artistas já pisaram em seu palco como Enrico Caruso, Beniamino Gigli, Mario Del Monaco, Maria Callas, Renata Tebaldi, Bidu Sayão, Benito Maresca, Niza de Castro Tank, Neyde Thomas, Arturo Toscanini, Camargo Guarnieri, Villa-Lobos, Francisco Mignone, Magdalena Tagliaferro, Guiomar Novaes, Pietro Mascagni, Ana Pawlova, Arthur Rubinstein, Claudio Arrau, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Isadora Duncan, Margot Fonteyn, Vaslav Nijinski, Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov, dentre muitos outros.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Idealização, construção e inauguração[editar | editar código-fonte]

Cartão postal do início do século XX, mostrando o Teatro Municipal.

O gosto pela música erudita já havia sido formado por influência da Corte, tendo grande impulso durante reinado do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina. Vários teatros foram construídos ao longo da costa brasileira e interior do Brasil. Na cidade de São Paulo, pequenos teatros cumpriam a tarefa da recepção de companhias internacionais que se apresentavam em teatros como o Teatro Provisório Nacional, Teatro Politeama, Teatro Minerva e o Teatro Apolo, assim como o melhor deles, o Teatro São José.

Iniciou-se no ano de 1895 as discussões sobre a construção de um teatro especificamente para ópera com um projeto enviado para a Câmara Municipal que tramitou sem sucesso. Em 1898, após o Teatro São José ser destruído por um incêndio, a Câmara Municipal lançou incentivo para o empreendimento da construção de um novo teatro, mediante a isenção de impostos. O empreendimento seria efetuado quando a concessão para isenção de impostos é estabelecida em 50 anos. O Escritório Técnico de Ramos de Azevedo apresenta a proposta de construção. Outra proposta já havia sido apresentada por Cláudio Rossi ao primeiro prefeito Antônio Prado que fez a aproximação entre o escritório de Ramos de Azevedo.

O Teatro Municipal de São Paulo, a principal casa de ópera do país.

O local escolhido para a construção foi o Morro do Chá, que já abrigava o Teatro São José. Com o projeto de Cláudio Rossi, desenhos de Domiziano Rossi e construção pelo Escritório Técnico de Ramos de Azevedo, as obras foram iniciadas em 26 de junho de 1903[4] e finalizadas em 1911. O estilo arquitetônico da obra é o eclético, em voga na Europa desde a segunda metade do século XIX. São combinados os estilos Renascentista, Barroco do setecentos e Art Nouveau, sendo o último o estilo da época. O teatro é estruturado em quatro corpos: a fachada, composta pelo vestíbulo, o salão de entrada e a escadaria nobre; o central, no qual encontra-se a sala de espetáculos; o palco; e, por fim, o ambiente onde estão localizados os camarins.[5]

A inauguração estava marcada para o dia 11 de setembro, mas devido ao atraso na chegada dos cenários da companhia Titta Ruffo em São Paulo, pois vinham de turnê pela Argentina, foi adiada para 12 de setembro. Houve uma grande aglomeração de pessoas no entorno do edifício. Cerca de 20 mil cidadãos vieram admirar a iluminação com energia elétrica vinda do interior e do entorno do Theatro Municipal, algo que era atípico na época.

Além da inauguração, a noite de 12 de Setembro de 1911 foi cenário do primeiro trânsito da cidade de São Paulo. O espetáculo foi iniciado com a abettura da ópera Il Guarany, de Carlos Gomes, devido à pressão da crítica paulistana. Seguiu-se depois a encenação da ópera Hamlet, de Ambroise Thomas, com o barítono Titta Ruffo no papel principal. A companhia apresentou outras óperas durante a primeira temporada.

Os primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Vista interior da sala principal.

No período de 1912 a 1926, o teatro apresentou 88 óperas de 41 compositores, sendo dezessete italianos, dez franceses, oito brasileiros, quatro alemães e dois russos, totalizando 270 espetáculos. Mas o fato mais marcante do teatro no período e talvez em toda a sua existência foi um evento que assustaria e indignaria grande parte dos paulistanos na época: a Semana de Arte Moderna de 1922.

A Semana de Arte Moderna[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Semana de Arte Moderna
Cartaz anunciando o último dia da Semana de Arte Moderna

De 11 a 18 de fevereiro, o Theatro Municipal sediou um evento modernista que veio a ser conhecido como a Semana de Arte Moderna. Durante os sete dias de evento, ocorreu uma exposição modernista e nas noites dos dias 13, 15 e 17 de fevereiro aconteceram apresentações de música, poesia e palestras sobre a modernidade no país e no mundo.

O Modernismo pregava a ruptura de todo e qualquer valor artístico que existira até o momento, propondo uma abordagem totalmente nova à pintura, à literatura, à poesia e aos outros tipos de arte. A Semana de Arte Moderna contou com nomes já consagrados, como Graça Aranha e outros, que se tornariam futuros grandes expoentes do modernismo brasileiro. Participaram do movimento Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Guilherme de Almeida, Menotti Del Picchia, Di Cavalcanti, Víctor Brecheret, Heitor Villa-Lobos, entre outros. Tarsila do Amaral não participou da Semana, pois se encontrava na Europa na ocasião e teve conhecimento do evento por meio de cartas, sobretudo de Anita Malfatti, amiga que a apresentaria, em meados de 1922, a Menotti, Mário e Oswald. Essas cinco personalidades passaram a se frequentar e se reunir a partir de então, passando a se autodenominar como o Grupo dos Cinco, em que informações sobre a arte moderna eram trocadas, vivenciadas e praticadas.

Meados do século XX[editar | editar código-fonte]

Vista interior do Teatro Municipal.

Com o passar dos anos, o teatro, que havia sido feito exclusivamente para a ópera, mostrou-se capaz de abrigar outros eventos artísticos, como, além da Semana de Arte Moderna, performances de bailarinas como Anna Pavlova e Isadora Duncan.

Nas décadas seguintes, houve uma queda de público e a opulência do teatro foi desaparecendo devido a outras construções nos arredores que acompanhavam o crescimento de São Paulo, como, por exemplo, o Edifício Altino Arantes.

Entre 1952 e 1955 acontece a primeira grande reforma do edifício durante a gestão do prefeito Jânio Quadros. Esta reforma teve por objetivo a entrega do teatro para as comemorações do Quarto Centenário da cidade de São Paulo, mas por atraso nas obras, a reinauguração só aconteceu em 1955. A sala de espetáculos teve suas ordens demolidas e reconstruídas. Foram retirados os camarotes de proscênio para dar lugar ao órgão G. Tamburini. Os ornamentos e mobiliários foram refeitos pelo Liceu de Artes e Ofícios. O vermelho tornou-se a cor oficial da sala, bem como da tapeçaria e estofamento das poltronas e cadeiras. Houve ainda a instalação de elevadores e sistema de ar condicionado.

Quanto mais os anos passavam, apesar de ainda gozar de grande respeito, o Theatro Municipal, foi perdendo espaço como centro de cultura para a população, que passou por diversas transformações sociais e culturais durante todo o século. Assim, as apresentações do teatro ficaram voltadas apenas para um público muito seleto.

Fim do século XX aos dias atuais[editar | editar código-fonte]

Vista da escada central do Teatro em dia de apresentação.

Na década de 1980, o teatro passou por uma segunda reforma, iniciada na gestão do prefeito Jânio Quadros. Essa teve como intuito modernizar os equipamentos e maquinários de palco e restaurar a fachada. Nesta reforma, buscou-se tamanha fidelidade que a fachada foi restaurada com arenito vindo da mesma mina que forneceu o material para a construção original do prédio no início do século. Além disso, a cor verde foi restituída a partir da prospecção realizada na parede interna que abriga o órgão, única a não ser alterada na reforma dos anos 50. Todo o estofamento, tapeçaria e pintura da sala passa ao verde. A reforma foi concluída em 1991 já sob a gestão de Luísa Erundina.

Ao se aproximar de seu centenário, novas obras de restauração foram iniciadas no edifício em 2008. Foi a terceira e mais complexa reforma do edifício, onde foi refeita toda a parte de sonorização, acústica, mecânica cênica e tratamento acústico do fosso da orquestra. Além disso, o vermelho tornou-se novamente a cor principal da sala de espetáculos, assim como a tapeçaria e os estofamentos das poltronas. As obras foram concluídas em novembro de 2011.[6][7][3]

Em 2011 o teatro deixou de fazer parte do departamento da Secretaria Municipal de Cultura e foi transformado em fundação de direito público, passando a ser gerido pelo Instituto Brasileiro de Gestão Cultural desde 2013. O objetivo da mudança foi dar mais autonomia administrativa e financeira ao teatro, porém a iniciativa não foi tão bem sucedida e escândalos de corrupção surgiram em 2016 durante a gestão de John Neschling, que foi afastado dos cargos de diretor artístico e regente titular.[8][9][10]

Atualmente o teatro possui a direção artística de Cleber Papa e o regente titular da OSM é Roberto Minczuk.[11]

Corpos artísticos e formação[editar | editar código-fonte]

Até o início do século 20, as óperas que eram encenadas no Theatro Municipal eram produções completamente estrangeiras, pois, até então, o teatro não contava com instrumentistas e coros completos para uma montagem própria.[12] Também não existiam muitas instituições de formação artística na época além do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

Com o passar dos anos, surgiu a necessidade de o teatro ter seus próprios corpos artísticos e de criar as escolas de música e dança que preparam profissionais para atuarem nesses grupos. Para apresentar suas temporadas líricas, atualmente o teatro conta com os seguintes corpos artísticos: Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Coro Lírico Municipal de São Paulo, Balé da Cidade de São Paulo, Orquestra Experimental de Repertório, Coral Paulistano Mário de Andrade e Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo.

Ligadas também à instituição, como integrantes do núcleo de formação, existem a Escola Municipal de Música de São Paulo e a Escola de Dança de São Paulo.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

As obras de restauração finalizadas em 2011 modernizaram o edifício do teatro e o palco foi equipado com modernos mecanismos cênicos. O problema de estrutura e falta de espaço físico nos bastidores e salas de ensaio foi parcialmente resolvido em 2013 com a inauguração do primeiro módulo da Praça das Artes, que passou a abrigar a Escola Municipal de Música de São Paulo e a Escola de Dança de São Paulo. Além disso, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo ocupou a Sala do Conservatório que está localizada no andar superior do antigo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo[13] e a Orquestra Experimental de Repertório passou a utilizar as dependências da escola de música para seus ensaios.[14]

A segunda fase do projeto, atualmente em obras, contempla a conclusão do edifício dos corpos artísticos. Após a finalização, a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, o Coro Lírico Municipal de São Paulo e o Coral Paulistano Mário de Andrade serão abrigados neste edifício e contarão com melhor infraestrutura para seus ensaios. Nesta fase também serão inauguradas uma praça interna com abertura para a rua Formosa, um jardim e um bar externo.

Embora a Praça das Artes não esteja conectada fisicamente ao Theatro Municipal, ela funciona como seu anexo e está localizada no quarteirão atrás do teatro. Há ainda um projeto de ampliação do complexo, aumentando a área destinada à escola de dança e construção de um auditório e discoteca.[15]

A estrutura física do teatro tem capacidade para atender 1523 pessoas,[16] porém nem todos os seus assentos possuem visão completa do palco. Em 28 de setembro de 2014 foi publicado pela Folha de S.Paulo o resultado de uma avaliação feita pela equipe do jornal ao visitar os sessenta maiores teatros da cidade de São Paulo. O Theatro Municipal foi premiado com três estrelas, uma nota "regular", com o consenso: "Pontos positivos: compra on-line, serviços e instalações. Entretanto, o número de banheiros não é suficiente, e há lugares com visão muito prejudicada (no site, eles são indicados). Em uma das visitas, muita gente dos balcões laterais teve que assistir à apresentação em pé para conseguir enxergar o que se passava no palco. O espaçamento entre as fileiras e o conforto das poltronas são regulares."[17] No ano seguinte, o teatro recebeu a mesma nota.[18]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Portal da cidade de São Paulo.

Referências

  1. Como sinal de tradição, a prefeitura prefere manter a grafia original, Theatro com "th" em sua fachada. A instituição é conhecida oficialmente por este nome.
  2. Após três anos, Teatro Municipal será reaberto
  3. a b «Theatro Municipal de São Paulo - História». theatromunicipal.org.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2017 
  4. «CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico». Consultado em 14 de setembro de 2016 
  5. «GUIA DE BENS CULTURAIS DA CIDADE DE SÃO PAULO». Consultado em 14 de setembro de 2016 
  6. Barros, Mariana (27 de maio de 2011). «No ano de seu centenário, Teatro Municipal volta à cena de cara nova». Veja SP. Consultado em 6 de fevereiro de 2017 
  7. Sarmento, Luciana (5 de novembro de 2010). «Restauração do Teatro Municipal de São Paulo chega à reta final». R7. Consultado em 6 de fevereiro de 2017 
  8. Santiago, Tatiana (26 de fevereiro de 2016). «Prefeitura determina intervenção na gestão do Theatro Municipal de SP». G1 São Paulo. Consultado em 11 de fevereiro de 2017 
  9. Sampaio, João Luiz (17 de setembro de 2016). «Sinfonia de um escândalo: como John Neschling passou de maestro-herói a investigado por corrupção». O Estado de S.Paulo. Consultado em 24 de fevereiro de 2017 
  10. Fioratti, Gustavo (5 de setembro de 2016). «John Neschling é afastado do cargo de diretor artístico do Theatro Municipal». Folha de S.Paulo. Consultado em 24 de fevereiro de 2017 
  11. Fioratti, Gustavo (20 de dezembro de 2016). «Roberto Minczuk e Cleber Papa assumem Theatro Municipal em 2017». Folha de S.Paulo. Consultado em 24 de fevereiro de 2017 
  12. «Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo - História». theatromunicipal.org.br. Consultado em 4 de fevereiro de 2017 
  13. «Inaugurado o primeiro módulo da Praça das Artes». prefeitura.sp.gov.br. 6 de dezembro de 2012. Consultado em 11 de fevereiro de 2017 
  14. «Praça das Artes - História». theatromunicipal.org.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2017 
  15. Melendez, Adilson. «Uma praça abrigada no coração paulistano». arcoweb.com.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2017 
  16. «Theatro Municipal de São Paulo». compreingressos.com. Consultado em 2 de fevereiro de 2017 
  17. Seragusa; Balago, Fabiana; Rafael (28 de setembro de 2014). «Especial avalia os 60 maiores teatros de SP; veja lista com acertos e falhas». Folha de S.Paulo. Consultado em 3 de janeiro de 2017 
  18. Fabiana Seragusa (22 de novembro de 2015). «Equipe avalia os 70 maiores teatros de São Paulo; saiba quem foi bem e mal». Folha de S.Paulo. Consultado em 11 de fevereiro de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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